St. Patrick’s Day

Olá!

Olha que orgulho, estou postando em dia \o/

Ontem foi o dia de St. Patrick, famoso padroeiro da Irlanda, que trouxe para cá o Cristianismo. Eu poderia dedicar este post à vida dele, à missão a que ele foi designado aqui e às lendas a respeito disso tudo. Mas, como a maioria das pessoas associa este dia não aos feitos de St. Patrick, mas sim a bebibas e bagunça, vamos falar do lado mais festivo da comemoração. Deixo os feitos de St. Patrick para outro dia, na ocasião da visita a sua incrível catedral (que estou louca para conhecer *_____*).

O dia em que todo mundo quer ser irlandês

Essa data (17 de março) já era comemorada pelos irlandeses desde o século X. Porém, apenas em 1600, é que se tornou reconhecida pela Igreja Católica. Em 1903, o governo reconheceu a data como um feriado público. A primeira parada aconteceu em 1931 e o primeiro festival apenas em 1996, com uma audiência de 430 mil pessoas. Em 1997, o festival durou três dias. Já em 2001, foi prestigiado por mais de 1,2 milhões de pessoas. Atualmente, a organização do evento leva mais de 18 meses para planejar o festival. Ou seja, nesta hora, já estão planejando o do próximo ano! o.O

Dias de pura festa!

Este ano, por causa do feriado bancário que é na segunda-feira, o festival durou quatro dias. E com programações para todos os gostos: música, dança, parada, exposições. Escolhi algumas coisas para fazer mas, como as mais legais aconteceriam no sábado – e competiriam com os pubs e bebidas, acabei perdendo.

A parada é o ponto alto do festival. O tema deste ano era “Explorando as maravilhas e curiosidades da ciência”, baseada em perguntas que as crianças sempre fazem: “O que faz a água mudar? Como a eletricidade é feita?” e as respostas das crianças de escolas de todo o país, mais malucas do que as próprias perguntas (Porque a gente sonha? “We dream because our brain is bored”. Como podemos dizer a idade de uma floresta? “If you go deep enough into the forest, which you probably won’t, you might find a talking bear or fox and they will tell you”), ajudaram a criar o conceito criativo da parada. Algumas empresas, de toda a Irlanda, ficaram responsáveis por responder a cada uma dessas perguntas em cada bloco da parada.

Para pegar a parada, saímos cedo de casa. No caminho, mesmo aqui em Palmerstown, você já via muitas pessoas e crianças de verde e laranja, carregando bandeirinhas, com os rostos pintados, com chapéis engraçados. Chegando no centro, começou a magia do negócio. Quem já foi em um show de rock deve imaginar do que estou falando. Sabe aquele momento em que o pessoal vai entrando no estádio, vestido de preto e com a camiseta da banda e você sente aquela energia, aquela empolgação, de todo mundo estar ali pelo mesmo objetivo? Pois bem, ontem foi assim, só que mais alegre. Afinal, estava todo mundo colorido e engraçado \o/

Não ficamos na rua principal, pois estava impossível de tão lotada. Fomos para a Damien Street, dica do professor Ciaran, uma rua secundária por onde a parada passa. Bem menos pessoas e eu consegui subir em um meio poste que estava na calçada e fiquei responsável pelo registro fotográfico do evento.

E demorou, só depois de umas duas horas que estávamos ali, é que os primeiros movimentos passaram. Começou com uma carruagem, com a filha do presidente lá dentro. Depois, um ônibus de dois andares com gente importante, talvez o próprio presidente estivesse lá, não consegui saber. Depois bandas de marchinha, uma graça. E logo vieram os blocos alegóricos. Lindos, criativos, teatrais. Adorei!


Depois da parada, decidimos que era hora de começar os trabalhos com as bebidas! Como a prefeitura já sabe como é, a venda de bebidas só foi liberada nos supermercados após as 16h, horário em que as famílias com crianças já teriam deixado a área central. Medida super sensata na minha opinião, já que o pessoal não estava para brincadeira ontem no quesito bebedeira.

Compramos as bebidas no supermercado (6 latas de Guinness – das quis bebi 4 = 2 litros – por 10 euros), fomos para a casa dos guris de Floripa e ficamos por lá, bebendo, conversando, cantando e tocando violão, ouvindo rock ‘n roll e David Gueta (que a Marcela insistia em colocar – “Gente, rock é música para quando estou sóbria! Quando estou bêbada, quero ouvir David Gueta!”). Foi muito legal. O pessoal é muito gente boa e é incrível você poder contar com pessoas que estão na mesma situação que você, compartilhar histórias, trocar informações. Adorei passar o St. Patrick’s Day com vocês e com a Guinness, guys =)

El logo começou a cantoria: “Pub, pub, pub, pub!” e decidimos que era hora do pub, finalmente. O centro já estava completamente mudado. Vários prédios estavam verdes “Olha, Aline! O GPO tá verde, vamos tirar foto! Eu adoro o GPO, seu lindo!”, havia sujeira nas ruas (que feio, pessoal!) e gente bêbada por todo o lado. Comemos no Mc Donald’s (rápido e barato) e saímos à procura de um Pub. E nada, tudo lotado, com 20 minutos de espera para entrar, seguranças mal educados “Aqui no Temple Bar tem mais de 20 pubs. Escolhe outro então, já que não quer esperar” e um frio dos diabos.

Achamos um que poderia acomodar a nossa pequena comitiva de quase 15 pessoas e entramos. Lotado, quente, gente bêbada dando vexame (tipo, a mulher estava com um vestido, sem calcinha e com tudo de fora, tenso). E o som era um eletrônico, meio pop e muito safado. Cara, onde estão os pubs de rock dessa cidade?

Não aguentamos muito, a ressaca começava a fazer efeito e decidimos que era hora de ir pra casa. Se fosse em São Paulo, pagaríamos uma fortuna por um táxi ou ficaríamos largadas em um canto, até os ônibus voltarem a circular. Mas aqui é Dublin, então conseguimos pegar o Night Bus, que passa de uma em uma hora e cobre os principais pontos da cidade. Ele é mais caro (5 euros), mas é uma salvação! Fiquei encantada =)

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E hoje, dá-lhe água para fazer a ressaca passar! Por enquanto, estamos descansando em casa, até que alguma inspiração divina ou mensagem surja, dizendo onde será a boa de hoje (afinal, amanhã é ferido = no classes!). A boa notícia do dia é que nos mudamos amanhã! Poder cozinhar, economizar em comida e condução e se sentir mais à vontade, não tem preço =)

Até!

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Dos acontecimentos recentes

Hello, guys!

Mais uma vez, não cumpri o deadline dos posts. Mancada, eu sei. Mas vamos lá, vou me redimir agora com um relato completo dos acontecimentos dos últimos dias \o/

Quarta-feira, dia das surpresas boas

O dia começou com uma coisa que surpreendeu todo mundo na cidade: um belo sol, meio tímido, mas quentinho! Isso, dizem os nativos, é muito raro de acontecer. Decidimos então que estava na hora de conhecer outra famosa atração de Dublin: o St. Stephen’s Green Park.

Até 1664, quando finalmente foi murado, sua área era utilizada como pasto. No final do século XVIII, o entorno do parque se transformou em uma área muito valorizada, residência da alta sociedade de Dublin. Nesta época, foi decidido que o parque seria restrito para os moradores da região, um absurdo. Somente em 1877 é que o acesso ao público foi novamente liberado, graças ao apoio de ninguém menos que um dos membros da família Guinness, que arcou com os custos de redesenho do parque, que é mantido até hoje (sou fã desses caras).

O lugar é lindo e o legal é que a prefeitura faz o seu papel. Mal entramos na primavera e o parque já está todo florido, com flores recém-plantadas. Sensacional. Lá, você pode deitar na grama e ler um livro, pode sentar na grama e almoçar, pode deitar na grama e tirar um cochilo. Tem banquinhos e coretos também, mas o pessoal gosta mesmo é da grama, viu?

No meio do parque tem um lago maravilhoso, com milhares de patos, cisnes, pombas e outros pássaros que eu não sei identificar. E eles se deixam fotografar, filmar, alimentar, bem de pertinho. E eles voam em cima de você, se você der pãozinho. Sim, quase fomos atacadas >.<


Depois, fomos para o Natural History Museum. Eu nunca iria em museu desses (talvez apenas no de NY, que fiquei encantada após assistir o filme “Uma noite no Museu”). Mas, como estamos morando aqui e a entrada é de graça, decidimos ir. Ainda bem =)

O Museu funciona desde 1857, em um edifício pequeno, mas charmoso. O andar térreo abriga uma exposição com animais típicos da Irlanda (pássaros, mamíferos, peixes, insetos). Já o andar superior abriga uma exposição de animais do mundo (elefante, girafa, leões, hipopótamos absurdamente gigantes).

Bom, eu achei meio nojento ver alguns daqueles animais (em especial os insetos, as borboletas, os ratos e os frutos do mar). E achei meio triste ver aqueles animais assim, parados, em poses que os caras quisessem que eles ficassem (atacando, alimentando os filhotes, brigando), eternamente. Mas achei legal. Eu não me lembro de ter visto uma girafa, zebra ou elefante de perto, nas minhas idas ao zoológico na infância. Então, valeu para “conhecer” os bichinhos.

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Quinta-feira de cinzas

O dia começou com uma triste constatação, que me persegue até agora: o CAE (Certificate in Advanced English – Cambridge University) é um sonho distante para mim. Tivemos a prova e foi devastadora! Começou com um teste geral de 20 minutos, para eles saberem se vale a pena corrigir o restante da sua prova ou não. Logo depois, um agradável teste de 1 hora de Reading, com terríveis exercícios para ordenar parágrafos de textos. Como se não bastasse, mais 1 hora de General English, onde você tem a certeza de que deveria estar no nível básico e não no avançado. E, para finalizar, 40 minutos de Listening que, quando você menos percebe, acabou e você entendeu apenas 7,3% do que os diálogos diziam. É, bora estudar filha…

Para me animar um pouco, fomos conhecer mais de Dublin, um lugar que eu queria há tempos: o museu dentro do General Post Office, a sede dos correios da Irlanda. O prédio, além de possuir uma bela arquitetura e um porte magnífico (que se vê de longe), é ponto de encontro da galera (ah, nos encontramos amanhã às 14h no GPO, ok?) e ainda foi palco de um dos acontecimentos mais importantes da história da Irlanda Moderna: o Levante da Páscoa de 1916.

Esse foi o primeiro movimento mais concreto para a independência da Irlanda. Neste dia, os rebeldes tomaram o GPO e um dos líderes do movimento, Patrick Pearse, leu a Proclamação da República da Irlanda na escadaria. Os rebeldes ficaram por sete dias no GPO, mas o bombardeio do exército britânico os forçou a sair. Sim, o prédio ficou bem destruído. Sim, os 14 líderes do movimento foram presos, espancados e fuzilados. Mas foi ali que tudo começou. Depois disso, os caras viraram mártires e a população começou a apoiar mais a causa da independência, que veio finalmente em 1921.

Proclamação da República da Irlanda


Sexta-feira, pré St. Patricks Day

A sexta-feira começou chuvosa. E a preguiça de sair da cama reinava aqui em Woodfarm Acres, Palmerstown. Após o nosso habitual pão com Nutella no café da manhã, decidimos sair para comemorar o começo do St. Patrick’s Weekend (porque tem programação para todo o final de semana).

Fomos ao Irish Craft Beer, um festival de cerveja, com exposição de cervejeiros aqui da Irlanda, não tão famosos e talentosos quanto o Artur Guinness, mas bons também. Bebemos, comemos crepe de Nutella (é, o vício está foda) e conversamos com pessoas na mesa.

E depois resolvemos que era hora do Pub. Mas não queríamos Pubs tradicionais, que tocam aquelas músicas irlandesas (que eu adoro, vou deixar claro), mas sim algum que tocasse rock ‘n roll, poxa! E cadê que achamos? O Tony, nosso host-brother, fez uma lista de Pubs não turísticos pra gente, mas esquecemos em casa.

Por fim, acabamos em uma rua onde uma banda estava se apresentando ao ar livre (e frio), em comemoração ao St. Patrick’s Pre-Day. Pegamos os pints em um Pub e saímos para a rua, como todo mundo, para ver o show. Os caras mandam muito bem. Tem banjo, tem gaita, tem violoncelo. E o vocalista é muito doido. Adorei o som deles! Olha como eles são legais:


Cantamos, dançamos, bebemos. E, quando o show acabou, estávamos com dois copos na mão, longe do Pub e sem ninguém por perto. Pensamos: “A nossa honestidade é tanta assim?”. Decidimos que não e agora dois lindos copos de Pint (Guinness para mim, Heineken para ela) brilham em nossas prateleiras. ^^

Trançando as pernas e morrendo de fome, decidimos que era hora de passar no supermercado e abastecer as nossas reservas de comida, até o dia da mudança para o apartamento (nos próximos dias, a comida é por nossa conta – nada de jantinha da host-mother). Ótimo, tudo baratinho. Caixa self-service, super moderno. Mas esquecemos a sacola de pano, erro estúpido. Solução? Sair com os braços cheios de leite, macarrão, molho bolonhesa, guarda-chuva e Nutella pelas ruas-lotadas-de-pessoas-afora. Hilário, para não dizer humilhante =P

E foi isso.

Amanhã, o dia principal do St. Patrick’s Weekend. Chapéu verde comprado, unhas pintadas, despertador programado.

*_______*

See you!