Caminhada de outono nas montanhas

Ainda tendo como influência o fator Mossy em nossas vidas, a Mary Rose sugeriu um passeio diferente para o nosso último domingo, que eu topei na hora: fazer caminhada nas montanhas de Wicklow! Dessa forma, o Mossy poderia se acabar de correr, o Airt poderia tomar ar fresco e sair de casa e nós duas poderíamos bater papo, coisa que nunca conseguimos fazer direito.

E assim, acordamos cedo no domingo, comemos panquecas com mapple syrup (minha nova paixão*____________*), empacotamos o carrinho, água, snacks e partimos, o Airt na cadeirinha, o Mossy no bagageiro do carro.

As montanhas de Wicklow ficam, obviamente, no condado de Wicklow, vizinho do condado de Dublin. Foi uma viagem de uma hora apenas, passando por estradas impecáveis margeadas por árvores avermelhadas e montanhas escondidas por neblina ao fundo.

Subindo a montanha, você encontra diversas opções de trilha, com estacionamento e trajeto sinalizado. Cada uma delas possui uma extensão, uma peculiaridade e um tipo específico de público. Muito bem planejado e organizado!

Por possuir a extensão desejada, não ser muito íngreme e ter um lago no percurso, a Mary Rose escolheu a trilha do “Clara Lara Valley”. Chegamos, estacionamos, soltamos o Mossy (que imediatamente começou a correr), colocamos o Airt no carrinho (e tiramos, e colocamos, e tiramos, e colocamos – ele não parava quieto!) e começamos a trilha =)

Estava frio, uns 4 graus, e foi o primeiro dia em que eu usei a minha underwear, além de uma blusa e o casaco. Mas esqueci as luvas e, logo, minhas unhas estavam roxas e doendo (Já ouvir falar de dor na unha? Pois é, eu sinto ¬¬). Ainda bem que andamos MUITO rápido, então o frio passou logo.

Andamos por umas três horas, passando por trilhas com paisagens incríveis em volta: o lago, as pontes de madeira, o chão coberto com um tapete de folhas amarelas e vermelhas, as árvores quase que completamente “nuddie-nuddie” – como costumo dizer para o Airt. Lindo dia de outono =)

E conversamos sobre a história da Irlanda, falando sobre Cronwell, sobre o Levante da Páscoa, sobre Éamon de Valera, sobre o IRA. É muito interessante ouvir a história pela visão de um irlandês de verdade, não apenas o que você lê nos livros. Torna tudo mais vivo, ao ouvi-la contando as histórias que a sua mãe costuma contar quando ela era criança.

E conversamos sobre viagens, todas as que ela já fez, as que ainda quer fazer e aquela para o Brasil 2018 que estamos marcando desde já. E ela me dá dicas de como sobreviver no meu mochilão, já que ela mesma já passou por situação pior, viajando um ano pela África e Ásia.

E conversamos sobre o meu futuro emprego, sobre o que eu penso que quero fazer, ela me aconselhando a seguir carreira em mídias digitais, já que ela mesma faz um tremendo sucesso com sua própria empresa nessa área.

E conversamos sobre o Airt, sobre o seu progresso na fala (que eu muito me orgulho de ser papel importante nessa conquista, já que tagarelo com ele o dia inteiro =P), sobre os seus encantos, as suas brincadeiras, sobre o seu futuro, sobre a sua nova au-pair, sobre como faremos para ele se acostumar com a minha ausência.

E eu falo que vou sofrer muito para deixar as minhas crianças, porque isso é a mais pura verdade. E prometo que, na(s) minha(s) próxima(s) viagem(s) para a Europa eu mudo o roteiro para incluir uma perna do vôo saindo de Dublin, só para poder visitar os meus tesouros, dessa vez com o Cáaaalll (o amor, apelidado pelo Airt s2) comigo, já que eu também não largo ele nunca mais.

E tanto andamos, tanto, tanto, que o Mossy começou a sentir fraqueza nas pernas. Hora de ir embora! Terminamos a trilha, empacotamos tudo no carro e voltamos para casa, onde eu alimentei o Airt com um googy egg (ovinho quente) e toast e me alimentei com omelete de mushroom. É, estamos viciados no ovo, eu e ele =P

Depois disso tudo, fui descansar no quarto porque as pernas estavam destruídas, com a rotina de sempre : skype com a Mamis, skype com o amor, pesquisas insanas sobre a viagem. E dormir, para começar tudo de novo no dia seguinte.

P.S. Já esse final de semana não teve muitos acontecimentos. No sábado, trabalhei com a Mags no sábado e tivemos um dia muito agradável (e gelado!) em Dun Laoghaire, na casa da irmã dela. Demos pizza para os pequenos enquanto comíamos as nossas (é, porque agora eles são B-Boys e acham que têm o direito de usar garfos grandes no nosso prato, sabe? >.<) e os levamos para o parquinho. No domingo, passei o dia todo nas pesquisas da viagem, finalmente terminando os roteiros do UK e passando horas e horas com a Tamires no Skype para comprar as nossas passagens de ônibus. Isso significa que SIM, A PARTE UK DA VIAGEM ESTÁ PRONTA =D

Dos finais de semana passados

Olá!

Tudo bem, estou atrasada. Mas eu resolvi que tiraria essa semana, pós-assalto, para fazer porcaria nenhuma, só assistir as minhas séries favoritas (The Big Bang Theory e New Girl) comendo besteira. Eu merecia. Mas agora vamos colocar as coisas em ordem.

Sábado, das coisas que não tem graça

Era um dia chuvoso em Dublin, para variar. Mas eu e a minha cisma de não parar em casa um minuto qualquer enquanto há uma Dublin aí fora me esperando, não ligamos para isso. Saí para me aventurar por uma igreja velha – St. Michan’s Church, fundada em 1.095.

Ela não tem muitos atributos históricos ou de arquitetura. É meio escondida e longe da parte legal da cidade. O que tem de bom então, que me levou até lá em um sábado chuvoso? Bem, ela tem criptas e múmias!

Ok, quem me conhece vai dizer: e desde quando você perdeu o medo dessas coisas? Não, eu não perdi. Mas a curiosidade falou mais alto. Por lá, são encontrados caixões e corpos muito bem conservados (devido às condições de retenção de humidade das paredes da cripta) de pessoas influentes em Dublin nos séculos 17, 18 e 19.

Um fato interessante é que dizem que Bram Stocker, o criador do Dracula, visitou a cripta com a sua família certa vez e que isso pode ter servido de inspiração para certos aspectos de sua obra prima (P.S. Não sei se já comentei aqui mas sim, Bram Stocker era irlandês ^^).

O lugar cheira meio mal, é sujo, dá medo e fiquei com gastura de encostar nas paredes. Mas o que mais me surpreendeu foi o guia que conduz o passeio. Eu não sei se ele ficou meio pirado de tanto entrar ali ou se é meio macabro mesmo, mas ele lidava com aquilo tudo como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. Fazia piadas sobre os mortos, dava risada. E, em certo ponto, em uma câmara onde existem três caixões abertos, permitiu que as pessoas tocassem de leve na mão de um deles, que era um cavalheiro templário, o que daria sorte. E, como se não bastasse, me pega um fêmur que estava por lá, encosta na sua própria perna e diz em comparação: “É, esse camarada era maior que eu”. Dá para acreditar?

Domingo, do jardim da Irlanda

E já estava mais do que na hora de me aventurar para fora deste condado de Dublin. Pois decidi que o destino seria os dois condados vizinhos do Sudeste da Irlanda, Wicklow e Kilkenny, com muitas paisagens bonitas, castelos e, claro, mais igrejas velhas.

Mas é importante deixar claro que a realização disso sempre foi um problema. Apesar da Irlanda possuir uma rede “inter-estadual” muito boa de trens e ônibus, alguns lugares são simplesmente tão inóspitos que não se chega lá de transporte público. Eu não dirijo. As minhas flatmates dirigem, mas têm medo de pegar no volante invertido daqui. A solução foi comprar um tour de ônibus, coisa que sempre fui contra, mas que acabou se provando uma boa escolha. O passeio em questão durou 9 horas, cobriu três pontos turísticos e custou apenas 25 euros. Só de transporte público para Kilkenny, eu gastaria uns 15 euros entre ida e volta. Em termos financeiros, acho que vale a pena sim.

E lá vamos nós, pegar o ônibus lotado de turistas e com uma guia que resolvia contar toda a história de Dublin para aqueles novatos. Hum, veio um sorrisinho convencido no meu rosto, ao pensar que eu moro aqui e conheço a história da cidade de cabo a rabo, com um nativo =)

Primeira parada: Glendalough

Glendalough é um mosteiro que foi fundado por São Kevin, um sacerdote ermitão, no século 6. Era um centro de ensino para cuidar de doentes e copiar manuscritos. Mesmo após a morte de São Kevin e a destruição causada pelo exército inglês em 1398, o local continuou sendo local de peregrinação religiosa, até a Dissolução dos Mosteiros de 1539, comanda por ninguém menos que Henrique VIII, que sempre dá as caras por aqui.

O mosteiro é localizado no meio das montanhas, com vários lagos, bosques e cachoeiras ao redor, criando paisagens de tirar o fôlego. Além disso, ver as ruínas dos edifícios é incrível, só de imaginar quão antigos eles são e quanto representaram para a fé de milhares de pessoas.

Por lá encontramos muitos túmulos também, no meio da grama alta e flores, o que proporciona uma estranha beleza. É meio sinistro, mas é um dos lugares mais bonitos pelos quais já passei na vida.

Segunda parada: Wicklow Gap

Acontece que as montanhas de Wicklow são tão inóspitas e bem preservadas que Hollywood usa e abusa para fazer os seus filmes e séries. Por aqui, foram filmados filmes como Coração Valente, PS. Eu te amo e séries como Game of Thrones e The Tudors.

É muito legal passar por essas paisagens e imaginar que, se Hollywood acha que elas são dignas de representar cenas de época, é porque devem ter mudado muito pouco desde antigamente, o que te faz sentir muito especial por pisar ali.

Tivemos uma parada rápida no Wicklow Gap, um ponto de observação do “gap” das montanhas. Lindo, lindo.

Terceira parada: Kilkenny

O meu guia diz que Kilkenny é uma das cidades mais adoráveis do interior da Irlanda. Eu grifei isso para consultas futuras, quando o li. É, ele estava certo.

A cidade foi fundada pelos anglo-normandos e ganhou muito destaque no século 13, se tornando a capital medieval do país. Até hoje, a cidade preserva o clima de cidade pequena e de interior, com muitos prédios históricos, ruelas cheias de lojinhas coloridas e arcos de pedra. Mágico =)

Só tínhamos 2h45 para curtir a cidade, então só consegui cobrir os três principais edifícios.

Kilkenny Castle

Construído em 1190, o castelo sempre foi residência da poderosa família Butler, até 1967, quando foi doado à nação. O interior é magnífico e as salas mais impressionantes são a Sala de Jantar e a Long Gallery.

Os jardins também são lindos e, como fazia um sol por lá, muitos habitantes e turistas aproveitam deitados na grama, tendo o impressionante castelo como paisagem.

The Black Abbey

Ela foi fundada em 1225 e, apesar de ser pequena, tem uma belíssima arquitetura e vitrais cheios de detalhes em seu interior. Curiosamente, estava completamente vazia quando eu e a Marrion entramos lá. Imagina o silêncio?

St. Canice’s Cathedral

A catedral de Kilkenny, que fica no alto de um morro, foi construída no século 13. Hoje em dia, é considerada como um dos tesouros medievais da Irlanda. O interior é majestoso, cheio de tetos decorados, estátuas e altares detalhados. Eu nem gosto, imagina.


Quarta parada: Irish Film Institute

Um dos tesouros culturais de Dublin, o Irish Film Institute foi fundado em 1992 e exibe filmes estrangeiros e nacionais, mas só cinema-arte. Algo como o Espaço Unibanco ou o extinto Belas Artes de São Paulo.

Estava em cartaz um documentário sobre o meu querido Woody Allen e eu não podia deixar de conferir. Foi ótimo, mas percebi que não conheço nada sobre a obra dele. Combinado para o meu retorno então, o projeto “Woody Allen”, em parceria com o meu namorado que, sendo a minha alma gêmea, gosta tanto dele como eu =)

E, o que sobrou para esse final de semana?

Eu não queria sair para lugar nenhum. Aliás, nem tinha dinheiro, já que minhas economias estão todas presas no banco e estou no aguardo do meu novo cartão para usufruir delas.

Então, no sábado saí para entregar alguns CVs por aí e depois não saí mais da cama, o que não foi ruim. Teve o filme “This must be the place”, que se passa na Irlanda, com o Sean Penn. Teve mini-muffins de chocolate (1,79 euros a caixa com 20). Teve The Big Bang Theory e New Girl. Teve Carlos Roberto Sponteado. Teve Rosemary Campos Rossi. Pra quê mais?

Hoje, acho que acabou a minha vontade de não fazer nada. Acordei, arrumei as coisas, lavei roupa, limpei o quarto. Pedi para a Marrion cortar a minha franja. Compramos comida e ela fez risoto de cogumelos e bolo de chocolate. Fiz as unhas. E, agora, mais New Girl, Beto e Rose. E pronto, estou novinha em folha para virar a página dos últimos acontecimentos. Ufa!

Até mais!