Playgroup para ele, encontro de comadres para mim

Imagina o que é cuidar de uma criança de dois anos e meio, cinco dias por semana, seis horas por dia? Chega uma hora, apesar de que você ame o pequeno com todas as forças do seu coração, que você precisa de uma folga. Aí que entra o querido-abençoado-tudo de bom playgroup!

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Funciona assim: você chega naquela grande sala cheia de brinquedos, larga a sua criança ali no meio, pega uma xícara de chá e um bolinho, paga uns trocos por isso (2 euros por semana) e vai se sentar nas cadeiras, batendo papo com as outras mães e au-pairs (com comentários do tipo: “nossa, o meu bebê pegou virose na semana passada, que pesadelo!” ou ainda “menina eu não gosto dessa marca de wipes que você usa não, o cheiro é muito forte!” =P), só levantando para acudir a sua criança em casos de quedas, brigas com outras crianças, choros ou pedidos especiais (“play me, Didi!”).

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Eles são muito populares aqui em Dublin, tem mais de um por bairro. Eu vou no St. Anthony’s Playgroup, que é realizado todas as terças-feiras, das 10h30 às 13h (mas só ficamos até às 11h30, porque o B-Boy precisa dormir e almoçar antes de ir pra escolinha), no antigo prédio da St. Anthony’s Church (que hoje tem um prédio novo nos fundos).

Meu B-Boy é esperto, gosta de estar cercado por belas garotas *___*

Meu B-Boy é esperto, gosta de estar cercado por belas garotas *___*

Eu e o Airt curtimos muito. Ele come 2 biscoitos e 1 bolo (o nosso acordo semanal porque, se eu deixar, ele come TODOS ¬¬), brinca com os carrinhos, corre pra lá e pra cá. Eu tomo um chá, como um bolinho, bato papo, sento. E é melhor ainda porque temos amigos por lá! A antiga au-pair espanhola da Mags, a Suzana, leva as suas novas crianças (gêmeas de 1 ano e meio, Roisin e Guiva) lá também. Então o Airt brinca com as meninas e eu e a Suzana batemos papo. Meu encontro de comadres favorito =)

Na semana passada, levei o Airt para lá pela última vez, já que deixo a Irlanda, meus empregos, minhas crianças, em poucos dias. Foi triste saber que acabou. É triste saber que tudo está acabando. Será que eu ainda tenho desprendimento sobrando, depois de tudo do que me desprendi nesse ano?

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Clontarf, bairro doce bairro

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Desde que comecei a trabalhar na Mags, que morava antigamente em Killester, eu frequento o bairro de Clontarf. Naqueles raros dias de calor, com as árvores de cerejeiras carregadas de flores, nas muitas horas de passeios com os bebês no carrinho, eu gostava de descer a Stiles Road e dar de cara com o mar, no Sea Front de Clontarf. Mal sabia eu que, em pouco tempo, poderia chamar esse bairro de meu =)

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Me lembro que, no caminho para a casa da Mary Rose, no dia da mudança, com as malas e cuias no bagageiro do táxi, eu olhava o Sea Front, a grama verde brilhando com os raios de sol, as lojinhas e café e imaginava: “ah, como eu sou sortuda de vir morar aqui”! Sim, de fato. O lugar é excelente, com tudo o que se precisa e muito perto do centro, porém com aquele clima de bairro e com uma vista espetacular do mar a poucos minutos da sua casa.

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Clontarf, do gaélico, que significa “prado do boi”, é localizado no norte de Dublin. A região é famosa historicamente, pois foi palco da batalha de Clontarf, em 1014, quando Brian Ború, o famoso rei-herói-celta-irlandês derrotou os vikings e seus aliados que brigavam por conquistas de terras. Quando os anglo-normandos chegaram, mais batalhas aconteceram por aqui, como em todo o resto da Irlanda. Igrejas e castelos foram construídas, depois destruídas, depois construídas novamente.

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E, após tudo isso, o que fica hoje é um bairro muito do agradável! É comum ver os moradores daqui andarem com os seus cachorros ou filhos no Sea Front, nas primeiras, segundas ou últimas horas do dia. Eles também param nos milhares de cafés ou restaurantes fofos que existem na Clontarf Road. E também fazem compras no Nolan’s, o incrível mercado com cara de lojinha de bairro, cheio de delícias fresquinhas.

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Não é demais? Eu curti o máximo que pude, conciliando a rotina do B-boy com os diversos passeios interessantes a fazer. Andamos, brincamos, corremos, pulamos, jogamos pedrinhas, no Sea Front umas 66465458980 vezes, com calor ou frio. Levamos o Mossy-Messer para passear quase todas as manhãs daquelas três semanas. Desbravamos os mistérios do St. Anne’s Park, o bosque encantado. Fomos à biblioteca. Fomos ao Nolan’s comprar desde laranjas a saquinhos de fraldas, o Airt sempre pagando o dinheiro para a “lady”.

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E, para completar a minha paixão por aqui, não é que a prefeitura iluminou a “vilinha” perto de onde eu moro, já no clima lindo de Natal? É tão legal descer do ônibus, sentir aquele vento congelante no rosto e ver todas as luzinhas acesas a caminho de casa. É, Clontarf… Vou sentir a sua falta ^^

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A minha sexta criança

Não, a Mags não achou que quatro não eram suficientes e resolveu adotar mais uma criança não. Tampouco a Mary Rose se apaixonou por uma menininha órfã em uma de suas viagens pela Ásia. Mas sim, eu ganhei uma nova criança para cuidar!

Acontece que a Mary Rose tinha um cachorro antes do Airt nascer. Durante esses dois anos, ela conseguiu conciliar bem o trabalho com o filho e o cachorro, com a ajuda do au-pair e da amiga que se revezavam na tarefa de passear com os dois.

Porém, quando ela mudou para essa casa nova (quando eu mudei para cá também), um fator alterou tudo: o carpete claro da casa, que ficaria imundo com a presença dele aqui. E o pobre do cachorro dançou e foi levado para morar na casa do irmão dela, no interior. Sim, foi melhor para ele, já que ele é, digamos, hiperativo (para não dizer louco de pedra!) e precisa de espaço. Tudo perfeito até o irmão dela resolver passar três semanas na República Dominicana com a família. Simples assim, eu ganhava mais uma criança =)

O nome dele é Mossy e ele tem três anos. Ele é um fofo, não morde, gosta de brincar, faz companhia enquanto estou cozinhando. É uma alegria vê-lo correndo atrás da bolinha, se jogando nas poças de lama, brincando. Só que não é fácil sair para andar com ele (a guia em uma mão) e o Airt no carrinho (empurrando o carrinho com a outra), ainda mais porque ele é MUITO FORTE e quase me arrasta (e o pobre do Airt junto) enquanto atravessamos a avenida para chegar ao Sea Front, onde ele pode correr livremente. No primeiro dia, ele quase quebrou o meu dedo =S

Então eu assumo: não tenho muita paciência com ele. Poxa, eu já tenho cinco crianças que chamam o meu nome o dia inteiro. Imagina ter mais uma que grita “WOOF, WOOF” a cada cinco segundos, querendo que você jogue a bolinha toda babada? Talvez a verdade seja que eu não seja boa para cuidar de cachorros. Não existem aquelas pessoas que gostam de crianças, mas não conseguem ficar mais que cinco minutos com elas, quando elas começam a chorar? Então, talvez eu seja assim com cachorros. Isso não é um pecado, é?

Eu cuido bem dele. Troco a água duas vezes na manhã, dou a comida que o Airt não quer mais, coloco mais ração na tigela do que eu deveria, deixo ele entrar na cozinha e despedaçar o pedaço de madeira no meu chão limpo, jogo a bolinha 54756970 vezes por dia, o mais longe que eu consigo. Só fico muito, muito, muito brava quando ele me arrasta pela guia na rua, correndo como um desesperado! E brigo com ele, puxo a guia fazendo ele recuar, o que me deixa triste, me sentindo um monstro. Será que eu sou um monstro? =(

Enfim, essa é a última semana dele aqui, logo ele vai voltar pra casa e ter mais espaço para brincar e correr. Apesar de todo o trabalho extra que ele me deu, foi legal curtir as manhãs geladas e bonitas, vendo-o correr todo maluco atrás de uma bolinha amarela, espalhando baba e lama para todo o lado ^^

P.S. O passeio de hoje foi excepcionalmente difícil e bonito. Difícil porque a Mary Rose perdeu a guia dele (¬¬) e me deu um cinto velho para segurá-lo e atravessar a avenida. Quase morro de fazer força para controlá-lo, comecei a chorar de nervoso! Mas foi bonito, porque o dia está lindo e qualquer irritação foi varrida da minha cabeça ao olhar essa paisagem sensacional =)

Raheny, onde o tempo parou

Após morar um tempão no centro, com carros para todos os cantos, o LUAS buzinando para os pedestres, lojas, Mc Donald’s e gente de todo o mundo nas ruas, você estranha quando se muda para um bairro, com toda a tranquilidade e senhorinhas carregando compras de mercado.

Mas logo você acostuma e começa a descobrir todos os tesouros do bairro onde mora. Bem, há tempos estou ensaiando um post sobre Clontarf, meu bairro, mas ainda preciso tirar algumas fotos e nunca encontro o dia certo (¬¬). Mas acontece que, na semana passada, levei o Airt na biblioteca de Raheny, bairro vizinho e, como chegamos antes da bendita estar aberta, ficamos passeando por ali e eu aproveitei para registrar tudo, já que eu gosto tanto de Raheny como de Clontarf =P

Raheny é um bairro localizado no norte de Dublin, a 8 km do centro e tem uma história bem antiga, já que vestígios da era celta foram encontrados em escavações no local. Sua igreja principal, a All Saints Church, é bem antiga também, datando do séc. XII. E adivinha quem se casou por lá? Ele, o próprio, Bono e sua amada Allison. Aliás, ela nasceu e cresceu em Raheny!

Por lá, vivem apenas 18 mil habitantes, o que explica o motivo pelo qual o “centro” do bairro é tão pequeno e parecido com uma vilinha de interior. Você encontra uma farmácia, um cabeleireiro, um mecânico, um banco, um mercado, um estabelecimento de cada tipo, uma graça =)

Mas, o mais legal são as ruínas da primeira igreja construída por lá há muito tempo atrás em contraste com a moderna igreja “Our Lady Mother of Divine Grace”. Independente do velho ou do novo, a fé é algo importante por aqui.

E por ali ficamos, até que a biblioteca abrisse e pudéssemos pegar os livros de “potty training”, já que está na hora do B-Boy abandonar as fraldas, comendo cookies de chocolate e brincando com as folhas secas. Quer coisa melhor para se fazer no Outono?

P.S. Sim, eu sei que os meus passeios e posts andam meio, huumm, mamãe demais. Mas o meu dia gira em torno dos cinco pequenos e 75% das minhas conversas são sobre mamadeiras, fraldas, resfriados, brinquedos, músicas infantis. O que eu posso fazer? Essa é a vida de Au-Pair em tempo integral ^^

St. Anne’s Park, o bosque encantado

Olá!

Quando eu penso em Europa, penso em castelos, igrejas velhas e bosques encantados. Castelos e igrejas velhas, como vocês devem ter notado, é o que não falta aqui na Irlanda. E, de acordo com a minha nova descoberta, bosques encantados também =)

Até três semanas atrás o meu parque favorito de Dublin era o St. Stephen’s Green, por seus canteiros de flores simétricos, fontes, patos, pontes e cisnes. Bem, isso mudou completamente quando passei a frequentar semanalmente o St. Anne’s Park, a cinco minutos de ônibus de casa, para levar o Airt para tomar um pouco de ar fresco.

O St. Anne’s Park fica na divisa entre os bairros charmosos de Clontarf (onde eu moro s2) e Raheny. Ele é o segundo maior parque municipal de Dublin, com mais de 200 hectares. O terreno já pertenceu à família Guinness, responsável por parte da estrutura que vemos hoje, antes de ser vendido à cidade por 55 mil libras em 1939.

Suas atrações mágicas incluem:

– Um maravilhoso jardim de rosas, super romântico, onde você imagina perfeitamente o casamento dos seus sonhos!

– Um jardim japonês, lindo e cheio de uma paz surpreendente, apenas atrapalhada por mim e pelo Airt brincando de esconde-esconde =P

– Um lago dos patos, com uma casinha e uma cachoeira (Look, Airt! That’s where the ducks have their shower! o.O) e um montão de patos brincalhões e famintos por pão =)

– Algumas ruínas de torres e pontes, o que te deixa com a sensação de você realmente está dentro de uma história medieval e que um cavaleiro com armadura aparecerá a qualquer momento!

– Um playground de madeira, não tão legal quanto o do Fairview Park, mas que ajuda a divertir o Airt por alguns minutos.

– Esquilos, esquilos, esquilos! Sempre encontro um no mesmo lugar, no mesmo horário. O Airt morre de rir quando o bichinho sobe e desce na árvore, gritando “Quirel, I lí you” =)

Sem contar que estamos no outono e é lindo demais ver o chão forrado de folhas douradas, sentindo o vento gelado e vendo os milhares de cachorros e seus donos fazendo exercícios matinais. Eu adoro e o Airt adora (já que pegamos o ônibus para ir e para voltar, sua paixão s2), então tenho tentado ir para lá toda segunda-feira, para começar bem a semana =)

E parece que rola um mercado de comida por lá aos sábados, com bolos do tamanho de tijolos por um euro. É, já tenho programa para o sábado =D

P.S.: Está ficando difícil postar com frequência, apesar do fato de que eu ainda tenho tanto para escrever. Quem disse que é fácil planejar uma viagem insana pela Europa? o.O

Todo dia ela faz tudo sempre igual

Olá!

Todo mundo tem rotina. Quem lida com crianças tem rotina em dobro. É horário do poo poo, horário da fruta, horário do último ônibus para voltar a tempo da yoga da chefe. E assim, eu passo os meus dias de horário em horário, correndo na maior parte do tempo. Não, isso não é ruim. É diferente e cansativo, só isso. E, quando eu estiver trabalhando novamente em um escritório, de sapato social, quero lembrar da época em que eu trabalhava de chinelo, no parque =)

7h – O despertador toca. Eu aperto a soneca.

7h10 – De um pulo, eu levanto, ponho a roupa e o chinelo, os brincos (pequenos, não quero nenhuma criança rasgando a minha orelha), escovo os dentes.

7h20 – Desço para a cozinha e tomo o meu chá com torrada, enquanto a Mary Rose me conta as novidades e as recomendações do dia. Enquanto isso, o Airt come cereal, me ignorando na maior parte do tempo (é a presença da mãe, eu entendo).

7h50 – Troco a fralda, tiro o pijama e coloco as roupas do dia no nele. Isso pode levar de 7 a 25 minutos, dependendo do humor dele.

8h10 – Dou uma geral na cozinha, para não sobrar tudo para mais tarde. Enquanto isso, o Airt começa a espalhar os brinquedos pela casa.

8h30 – 10h30 – Horário de brincar, com um cenário que varia de acordo com o tempo. Se estiver sol, andar, correr, deitar na grama de parques ou do Sea Front, às vezes ir o supermercado comprar algo que falta para o almoço. Se estiver frio e chuva, ficamos dentro de casa, pulando nas almofadas, lendo livros, brincando com carrinhos, legos, trens e qualquer outra tranqueira que o faça feliz.

10h50 – Preparar o Airt para a sua soneca, incluindo encontrar o teddy dele (no caso, uma ovelha fofa, a Báa) e a chupeta (dôdiii).

11h – 12h30 – Horário da soneca. De segunda a quarta, eu tenho esse tempo livre e geralmente atualizo o blog, pesquiso coisas da minha viagem, respondo e-mails. De quinta e sexta, eu limpo a casa – um piso por dia. Todos os dias, eu faço o almoço (cardápio sempre montado pela Mary Rose).

12h30 – 13h – Dar almoço para o Airt e almoçar, além de limpar as mãos dele após o processo (porque ele mal termina e grita: “HANDS!”), a mesa, o chão e as louças. Por mais que eu me prepare antes, sempre me atraso aqui!

13h – 13h15 – Escovar os meus dentes e os dele, trocar a fralda de poo poo (todo santo dia, no mesmo horário), conferir as portas e fogão (mil vezes, tenho TOC), pegar o carrinho, a bolsinha de fraldas, minha água e fruta e correr para o ponto de ônibus.

13h20 – 13h30 – Esperar o ônibus 130, que demora mais do que tudo e, às vezes, ter que esperar dois ou três passarem, porque o infeliz do motorista não permite mais de um carrinho lá dentro.

13h30 – 13h45 – Caminho da Clontarf Road até a North Strand Road. Airt sempre apontando para as pessoas e falando “pípô” ou “mám” ou dizendo “côl nóu”.

13h45 – 14h – Caminhar do ponto de ônibus até a creche. Tocar a campanhia, levá-lo até sua sala, ganhar um beijo e ouvir “bye, Didi” s2

14h – 14h10 – Andar até o ponto de ônibus mais próximo, novamente na North Strand, por atalhos malucos e vazios.

14h10 – 14h20 – Pegar qualquer ônibus que vá para a Talbot Street e, então, andar até o ponto perto da Henry Street, na O’Connel Street.

14h25 – Pegar o ônibus 40 ou 140 para a casa da Margaret. Se eu perder o desse horário, me atraso!

14h25 – 14h55 – Caminho até a Finglas Road, com o ônibus cheio de velhinhas e de crianças nesse horário.

15h – Chegar na Mags, dar um beijo em cada criança, ouvir o relatório da Kitty, dizendo quem dormiu e quem está cansado.

15h – 17h – Brincar com bebês, na sala de brinquedos ou no jardim, dependendo do tempo. Às vezes, um passeio até o parque. Às vezes, brincar com o Yoyô. Depende do humor da Mags.

17h-18h10 – Dar o jantar dos bebês, limpar a bagunça que fica no chão e na mesa, lavar as louças, às vezes dobrar roupas.

18h10 – 18h30 – Trocar as fraldas, botar os pijamas, limpar os rostinhos, colocar todo mundo sentado nas cadeirinhas da sala, colocar o DVD da Peppa Pig.

18h30 – 18h50 – Enquanto eles tomam as mamadeiras, guardar todos os 2647528427 brinquedos espalhados pela sala, organizar as roupas do dia seguinte, jogar as fraldas sujas no lixo.

18h50 – 19h – Dar um colinho para um ou outro, dar beijo de boa noite em todos. Partir.

19h05 – Pegar o ônibus 140, 40, 40B, 40D. Se eu me atraso muito aqui, tudo está perdido! o.O

19h05 – 19h20 – Caminho do ônibus até a O’Connel Street, parada próxima ao Spire.

19h20 – 19h32 – CORRER pela Talbot Street, até a Amiens Street, onde eu preciso pegar o 130 EXATAMENTE às 19h32, ou me atraso para a yoga da Mary Rose.

19h32 – 19h48 – Caminho até a Clontarf Road, ponto próximo à Vernon Avenue. No geral, estou tão cansada que nem penso =P

19h48 – 19h50 – Correr até a porta de casa, com a chave na mão, o celular na outra, caso ela resolva me ligar xingando se eu estiver atrasada.

19h50 – 20h – Começar a troca de e-mails noturna com o amor s2

20h – 20h40 – Lavar as louças do jantar, esquentar o meu jantar que ela preparou, deixar tudo em ordem na cozinha.

20h40 – 21h – Tomar banho, botar o pijama, escovar os dentes.

21h – 22h – Assistir um episódio de Mad Men (série favorita atual s2), atualizar o blog, planejar a viagem ou ficar de bobeira na internet.

22h – 23h – Skype com a Mamis, para saber se os pirralhos estão bem, ouvir os planos deles para a semana, contar o que aconteceu aqui e tentar imaginar que estou no colinho dela.

23h – 23h15 – Olhar fotos do amor, da família, dos amigos e lembrar que estou sozinha, longe das coisas mais valiosas da minha vida.

23h15 – Ir dormir, fazendo força para sonhar com o dia de rever todos eles =)

Cansa só de ler, não é? Eu sei. Mas agora já estou acostumada e não sinto mais aquela dor nas costas ou a vontade de chorar na quinta fralda de coco do dia. E, se for pensar, só mais alguns meses e isso já vai terminar. Mas isso é assunto para outro post ^^

P.S. Quando eu olho para o Allie, paro e fico tentando imaginar como é que eu vou fazer para conseguir viver sem eles.

P.S. Mas, apesar do amor que tenho pelas minhas crianças, sinto falta de botar um sapato social, um batom e ter uma reunião sobre algum projeto excitante. Saudade da minha profissão, isso sim.

Até mais!

Entre parques e beijos

Olá!

Semana feliz por aqui. Tenho conseguido me adaptar bem à minha nova rotina, tenho ficado menos cansada, notícias boas no Brasil e gente querida chegando. E ontem foi o melhor dia da semana, tanto que merece um registro especial =)

Fairview Park


Para aproveitar o tempo bom (Aliás, onde já se viu o outono ser mais quente e ensolarado que o verão? Só na Irlanda mesmo ¬¬), levei o Airt para o Faiview Park, perto aqui de casa. Ele foi fundado em 1920 e é famoso por sua ciclovia e os bem equipados playgrounds. Pegamos o ônibus e inventei de levá-lo no andar superior, já que ele é simplesmente apaixonado pelos “un-un” (bus, na língua do Airt) e imaginei que seria emocionante para ele ver tudo da janelona de cima. #NOT. Emoção mesmo foi a minha, ao descer aquela escada estreita com o ônibus balançando e ele no meu colo =S

O dia estava SENSACIONAL e ficamos brincando no parquinho, ele correndo e eu atrás, tentando tirar fotos. Depois deitamos no balanço (sim, grande que dá para deitar) e ficamos olhando as nuvens. Foi uma bela manhã =)

Jubs do meu coração

E finalmente, o momento de encontrar a minha Jubs querida! Lá estávamos nós (eu, Li e Lucia – a eslovaca que entrou no meu lugar no apartamento) esperando a Ju na esquina da Fleet Street, as meninas batendo um papo e eu nervosa, olhando para a rua o tempo todo, esperando ver algo de familiar.

E, de repente, eu a vejo. Ela andando séria como sempre, cabeça baixa, pensativa. Jubs, Jubs! Saio correndo (e deixo a Aline e Lucia falando) e paro na frente dela, dando pulos dessa altura, ó! E grito e abraço ela bem apertado e me vem lágrimas aos olhos. Poxa, que emoção! A última vez que a vi foi no aeroporto, minutos antes de eu embarcar. É tão incrível poder vê-la aqui =)

Passado o momento vergonha alheia de mim mesma, vamos andando até o PorterHouse, o pub escolhido para a noite e eu retiro completamente a minha declaração de que os bares de São Paulo tem muito mais atrativos que os Dublin. Gente, aquilo é um empório de cerveja! Eles até fabricam a sua própria cerveja *____*

E sentamos no último andar e fazemos os pedidos, Stout para mim e para a Lucia, Weiss para a Li e Jubs. E, claro, uma porção gigantesca de salsichas, batatas, onion rings, asinhas de frango, mini-hamburguers. Ah, como a Jubs faz falta na minha vida!

E meu cérebro tem um momento de colapso ali, ao ver aquela japa do meu ex-emprego, para quem eu reclama do workflow, que bebia Original no copo americano comigo, falando inglês (e muito bem!) com a minha amiga eslovaca, bebendo uma Weiss, no Temple Bar de Dublin.

Para finalizar, um bolo para mim (meu namorado está há 9 mil km de distância, então eu mereço, obrigada) e sorvete para as meninas. E eu sinto um aperto ao dar tchau para a Jubs quando os nossos caminhos da volta se separam. Oi, posso não te largar nunca mais, até eu voltar para o Brasil?

P.S. A boa notícia é que estamos arrumando as malas para um bate e volta no final de semana. O destino? Galway e os famosos Cliffs of Moher =)

P.S. Meus pais me mandaram um carregamento de doces brasileiros pela Japa! Nham, paçoquinha Amor, doce de abóbora, doce de leite, goiabada. É, acho que eles estão querendo me subornar para voltar antes =P

See you!