Feliz, o aniversário

Pois é, eu fiquei mais velha. E, sim, estou longe da minha família, namorado e amigos, que são aqueles que fazem o aniversário das pessoas ter significado. Mas não, eu não passei o dia sozinha, comendo sorvete no pote e me acabando de chorar.

Bem, chorar eu chorei, mas foi somente por bons motivos. Somente por perceber que mesmo longe, a minha família ainda está comigo. E somente por perceber que eu também tenho uma família aqui, que eu amo MUITO e que vou levar para a vida toda.

Mas vamos do começo.

O dia começou bem, com o bom-dia que dei para o Airt, o lembrando da data. Ele me deu um beijo tímido, mas veio bonzinho tomar café da manh, o que eu entendi como um sinal de respeito pelo meu aniversário. Depois disso, todas as vezes em que eu pedia “birthday kisses” ele me dava, todo cheio de amor e baba. Ah, e eu te dou todo o meu amor também, buddy. S2

Dei uma olhadinha básica no Facebook, para ver algumas mensagens de aniversário. Aí veio o primeiro choro do dia, ao ver as fotos que a Mamis havia postado, eu e ela, ela e eu. Juntas, sorridentes, felizes. Tão simples, tão natural. Oh, my baby. Our love is definitely true. Esse é o meu primeiro aniversário que passamos separadas, é difícil. Mas será o último, já prometi para ela =)

Vejo também a mensagem que o meu amor me mandou, comparando a data à aquela de um ano atrás, quando ainda estávamos começando a nos conhecer, sem saber onde pisar e o que esperar. Eu já sabia que ele era diferente, quem mais poderia me chamar pelo significado do meu nome em hebreu, sem eu nunca ter contado? Ele já via sua Menina em mim e eu já via todo o potencial dele para me fazer feliz. Apesar da distância e tristeza de hoje, temos que ficar felizes, ele disse, porque o difícil já aconteceu. Nos conhecemos, nos amamos, descobrimos que somos almas gêmeas. Agora é só esperar mais 70 dias e tudo vai se resolver.

Lágrimas enxugadas, era a hora de enrolar os brigadeiros e beijinhos que eu havia feito no dia anterior, para adiantar o processo (já que fazer isso na companhia de uma criança de dois anos não é fácil =P). Ops, mas descubro que a massa do brigadeiro virou pedra. E agora? Penso: “Ou você joga fora e mente pra todo mundo, dizendo que brigadeiro é ruim demais e que você resolveu não fazer ou você tenta consertar”. Optei pela segunda alternativa. Mas no processo, tive o meu segundo choro do dia, ao tentar desgrudar o negócio do prato com a faca, cortando o meu dedo. Meio feio, daqueles que fariam o meu irmão se sentir fraco, como ele diz. Mas não tenho tempo para isso, vamos em frente. Coloco tudo na panela, acrescento manteiga, leite e qualquer coisa para amolecer o tijolo de brigadeiro. Deu certo =)

Fiz tudo em quarenta minutos, o Airt como meu assistente “pouring coconut rain all over the balls”. Limpei a cozinha em quinte minutos, o Airt como meu assistente, perguntando “me eat that?” para as colheres, pratos, tigelas e tudo que estava sujo de chocolate.

Rotina normal depois disso. No caminho para a Mags, após deixar o Airt na creche, encontei com a Tamis no centro. Acontece que ela foi anteontem na Mags, para conhecer os bebês e ver a possibilidade de ficar com a minha vaga depois que eu sair. E a Mags, fofa como é, fez o convite para a festinha, que ela prontamente aceitou. E dela, ali em frente ao Spire, eu recebi o meu segundo beijo de aniversário, com um lindo bracelete irlandês (para lembrar da terra que nos uniu) e uma miniatura de uma cruz-alta irlandesa (para lembrar das nossas aventuras pelas terras celtas).

Fomos juntas para a Mags, onde sou recebida por beijos e abraços dos meus lindos, únicos, preciosos, amados trigêmeos em meio a bexigas e risadas. A Kitty está por lá também e me dá um abraço. Ficamos por ali bagunçando, até que a Mags chega com o Yoyô e ele vem, abre a porta segurando uma bexiga, com um sorriso tímido no rosto e diz “Happy Birthday, Tita!”. Ok, meus olhos ficaram embaçados aqui.

Logo a Mags diz que eles tem que pegar algo na cozinha e todos os bebês vão atrás. Vou também e logo me vem o Yoyô com um cartão, a Mags dizendo que ele colou os adesivos. Abro e está escrito “We love you” com o nome de todos, Mags, Bepi, Yoyô, Alie, Tutu e Berto. Aí eu não resisto, choro, choro. Choro por sentir o amor que tenho por todos eles explodir aqui dentro. Choro de alegria, por estar ali perto de pessoas(inhas) tão preciosas =)

A Mags me dá também um envelope, com um par de ingressos para um espetáculo de música irlandesa, não aqueles safados do Temple Bar, mas um “cool”, como ela disse. Muito legal, fiquei feliz =)

Depois disso, eu e a Tamis ficamos com os bebês na sala, enquanto a Mags e a Kitty faziam os preparativos da festa na cozinha. Horas depois, vem o Yoyô e diz a frase habitual das cinco da tarde “it’s dinner time”, fazendo os bebês saírem correndo para a cozinha. Quando entro lá, vejo uma mesa linda, cheia de comidinhas gostosas, como o omelete espanhol (fritada de batatas, ovos e cebola), ovos com salmão e maionese, filés de frango frito, azeitonas, pão de alho. Finger food, como eles chamam, perfeito para festinhas ^^

Comemos, ajudando os bebês entre uma garfada e outra. Em determinado momento, só o Allie estava na cadeirinha (sempre o bom moço, meu Al-the-ball). Os outros dois rascals estavam no meu colo e no da Kitty, comendo do nosso prato. Vê se pode? Logo chega a Mary Rose e o Airt, com um lindo kit de cosméticos e um cartão do “BÓÓÓÓB, the Biulder”. O Airt pouco liga para mim, os brinquedos do Fireman Sam do Yoyô são mais atrativos, eu acho.

Terminamos de comer e chega a hora do parabéns. Cantamos a música, a Tamis gravando tudo. E, como prometido há semanas atrás para os dois, deixo o Yoyô e o Airt soprarem as minhas velinhas. Meus B-Boys! Comemos bolo, comemos docinhos, damos bolo para os bebês, damos docinhos para os bebês (o Airt e o Yoyô não precisaram de incentivo, estavam atacando tudo por conta >.<). Nessa altura do campeonato, os bebês já estavam muito cansados e começavam a ficar irritados, chorando por tudo. Hora de iniciar os preparativos para dormir.

Trazemos todos para a sala, colocamos Fireman Sam na TV e eu troco a fralda e ponho o pijaminha de todos eles, com a ajuda da Tamis. Organizamos a bagunça dos brinquedos e partimos para a cozinha, que estava em estado de calamidade pública depois da festa. Com a ajuda dela, em dez minutos estava tudo resolvido.

Aliás, o que eu teria feito no dia de hoje sem ela, me diz? A Tamis é daquelas do tipo “pau para toda obra”, sabe? Tamis, vamos para Belfast daqui a três dias? Opa. Tamis, vem aqui em casa comer hot-dog? Opa Tamis, vamos fazer uma trip maluca pelo Reino Unido na virada do ano? Opa. Tamis, vamos lá brincar com as minhas 67574 crianças? Opa. Ela é assim. E estou muito feliz por a ter conhecido, por termos ficado amigas, por tê-la presente em momentos importantes desse ano (e do próximo ^^). Te levo para a vida toda, xubs!

Hora de ir para casa. Chego em casa, abro o computador e vejo que meu pai me marcou em um comentário de uma foto. Vou ver o que é e fico em estado de choque. Ele, simplesmente, fez uma montagem com fotos de tudo o que eu gosto: Los Hermanos, Muse, Nutella, cupcakes, berinjela, picanha, Big Ben, São Paulo, Amelie Poulain, tulipas e até vagens, e colocou como capa de seu perfil no Facebook. É, esse foi o quarto choro do dia, descontrolado, tive que tomar um banho para ver se eu me acalmava. Te amo, Papis! Você é minha inspiração, meu mestre. Tudo o que eu aprendi com você nessa vida não está escrito s2

E mais um milhão de mensagens de amigos e familiares, fotos com homenagens, desenhos, lembretes. Tem como se sentir sozinha com todas essas demonstrações de afeto? Fui dormir me sentindo a pessoa mais feliz do mundo.

Anúncios

Caminhada de outono nas montanhas

Ainda tendo como influência o fator Mossy em nossas vidas, a Mary Rose sugeriu um passeio diferente para o nosso último domingo, que eu topei na hora: fazer caminhada nas montanhas de Wicklow! Dessa forma, o Mossy poderia se acabar de correr, o Airt poderia tomar ar fresco e sair de casa e nós duas poderíamos bater papo, coisa que nunca conseguimos fazer direito.

E assim, acordamos cedo no domingo, comemos panquecas com mapple syrup (minha nova paixão*____________*), empacotamos o carrinho, água, snacks e partimos, o Airt na cadeirinha, o Mossy no bagageiro do carro.

As montanhas de Wicklow ficam, obviamente, no condado de Wicklow, vizinho do condado de Dublin. Foi uma viagem de uma hora apenas, passando por estradas impecáveis margeadas por árvores avermelhadas e montanhas escondidas por neblina ao fundo.

Subindo a montanha, você encontra diversas opções de trilha, com estacionamento e trajeto sinalizado. Cada uma delas possui uma extensão, uma peculiaridade e um tipo específico de público. Muito bem planejado e organizado!

Por possuir a extensão desejada, não ser muito íngreme e ter um lago no percurso, a Mary Rose escolheu a trilha do “Clara Lara Valley”. Chegamos, estacionamos, soltamos o Mossy (que imediatamente começou a correr), colocamos o Airt no carrinho (e tiramos, e colocamos, e tiramos, e colocamos – ele não parava quieto!) e começamos a trilha =)

Estava frio, uns 4 graus, e foi o primeiro dia em que eu usei a minha underwear, além de uma blusa e o casaco. Mas esqueci as luvas e, logo, minhas unhas estavam roxas e doendo (Já ouvir falar de dor na unha? Pois é, eu sinto ¬¬). Ainda bem que andamos MUITO rápido, então o frio passou logo.

Andamos por umas três horas, passando por trilhas com paisagens incríveis em volta: o lago, as pontes de madeira, o chão coberto com um tapete de folhas amarelas e vermelhas, as árvores quase que completamente “nuddie-nuddie” – como costumo dizer para o Airt. Lindo dia de outono =)

E conversamos sobre a história da Irlanda, falando sobre Cronwell, sobre o Levante da Páscoa, sobre Éamon de Valera, sobre o IRA. É muito interessante ouvir a história pela visão de um irlandês de verdade, não apenas o que você lê nos livros. Torna tudo mais vivo, ao ouvi-la contando as histórias que a sua mãe costuma contar quando ela era criança.

E conversamos sobre viagens, todas as que ela já fez, as que ainda quer fazer e aquela para o Brasil 2018 que estamos marcando desde já. E ela me dá dicas de como sobreviver no meu mochilão, já que ela mesma já passou por situação pior, viajando um ano pela África e Ásia.

E conversamos sobre o meu futuro emprego, sobre o que eu penso que quero fazer, ela me aconselhando a seguir carreira em mídias digitais, já que ela mesma faz um tremendo sucesso com sua própria empresa nessa área.

E conversamos sobre o Airt, sobre o seu progresso na fala (que eu muito me orgulho de ser papel importante nessa conquista, já que tagarelo com ele o dia inteiro =P), sobre os seus encantos, as suas brincadeiras, sobre o seu futuro, sobre a sua nova au-pair, sobre como faremos para ele se acostumar com a minha ausência.

E eu falo que vou sofrer muito para deixar as minhas crianças, porque isso é a mais pura verdade. E prometo que, na(s) minha(s) próxima(s) viagem(s) para a Europa eu mudo o roteiro para incluir uma perna do vôo saindo de Dublin, só para poder visitar os meus tesouros, dessa vez com o Cáaaalll (o amor, apelidado pelo Airt s2) comigo, já que eu também não largo ele nunca mais.

E tanto andamos, tanto, tanto, que o Mossy começou a sentir fraqueza nas pernas. Hora de ir embora! Terminamos a trilha, empacotamos tudo no carro e voltamos para casa, onde eu alimentei o Airt com um googy egg (ovinho quente) e toast e me alimentei com omelete de mushroom. É, estamos viciados no ovo, eu e ele =P

Depois disso tudo, fui descansar no quarto porque as pernas estavam destruídas, com a rotina de sempre : skype com a Mamis, skype com o amor, pesquisas insanas sobre a viagem. E dormir, para começar tudo de novo no dia seguinte.

P.S. Já esse final de semana não teve muitos acontecimentos. No sábado, trabalhei com a Mags no sábado e tivemos um dia muito agradável (e gelado!) em Dun Laoghaire, na casa da irmã dela. Demos pizza para os pequenos enquanto comíamos as nossas (é, porque agora eles são B-Boys e acham que têm o direito de usar garfos grandes no nosso prato, sabe? >.<) e os levamos para o parquinho. No domingo, passei o dia todo nas pesquisas da viagem, finalmente terminando os roteiros do UK e passando horas e horas com a Tamires no Skype para comprar as nossas passagens de ônibus. Isso significa que SIM, A PARTE UK DA VIAGEM ESTÁ PRONTA =D

A minha sexta criança

Não, a Mags não achou que quatro não eram suficientes e resolveu adotar mais uma criança não. Tampouco a Mary Rose se apaixonou por uma menininha órfã em uma de suas viagens pela Ásia. Mas sim, eu ganhei uma nova criança para cuidar!

Acontece que a Mary Rose tinha um cachorro antes do Airt nascer. Durante esses dois anos, ela conseguiu conciliar bem o trabalho com o filho e o cachorro, com a ajuda do au-pair e da amiga que se revezavam na tarefa de passear com os dois.

Porém, quando ela mudou para essa casa nova (quando eu mudei para cá também), um fator alterou tudo: o carpete claro da casa, que ficaria imundo com a presença dele aqui. E o pobre do cachorro dançou e foi levado para morar na casa do irmão dela, no interior. Sim, foi melhor para ele, já que ele é, digamos, hiperativo (para não dizer louco de pedra!) e precisa de espaço. Tudo perfeito até o irmão dela resolver passar três semanas na República Dominicana com a família. Simples assim, eu ganhava mais uma criança =)

O nome dele é Mossy e ele tem três anos. Ele é um fofo, não morde, gosta de brincar, faz companhia enquanto estou cozinhando. É uma alegria vê-lo correndo atrás da bolinha, se jogando nas poças de lama, brincando. Só que não é fácil sair para andar com ele (a guia em uma mão) e o Airt no carrinho (empurrando o carrinho com a outra), ainda mais porque ele é MUITO FORTE e quase me arrasta (e o pobre do Airt junto) enquanto atravessamos a avenida para chegar ao Sea Front, onde ele pode correr livremente. No primeiro dia, ele quase quebrou o meu dedo =S

Então eu assumo: não tenho muita paciência com ele. Poxa, eu já tenho cinco crianças que chamam o meu nome o dia inteiro. Imagina ter mais uma que grita “WOOF, WOOF” a cada cinco segundos, querendo que você jogue a bolinha toda babada? Talvez a verdade seja que eu não seja boa para cuidar de cachorros. Não existem aquelas pessoas que gostam de crianças, mas não conseguem ficar mais que cinco minutos com elas, quando elas começam a chorar? Então, talvez eu seja assim com cachorros. Isso não é um pecado, é?

Eu cuido bem dele. Troco a água duas vezes na manhã, dou a comida que o Airt não quer mais, coloco mais ração na tigela do que eu deveria, deixo ele entrar na cozinha e despedaçar o pedaço de madeira no meu chão limpo, jogo a bolinha 54756970 vezes por dia, o mais longe que eu consigo. Só fico muito, muito, muito brava quando ele me arrasta pela guia na rua, correndo como um desesperado! E brigo com ele, puxo a guia fazendo ele recuar, o que me deixa triste, me sentindo um monstro. Será que eu sou um monstro? =(

Enfim, essa é a última semana dele aqui, logo ele vai voltar pra casa e ter mais espaço para brincar e correr. Apesar de todo o trabalho extra que ele me deu, foi legal curtir as manhãs geladas e bonitas, vendo-o correr todo maluco atrás de uma bolinha amarela, espalhando baba e lama para todo o lado ^^

P.S. O passeio de hoje foi excepcionalmente difícil e bonito. Difícil porque a Mary Rose perdeu a guia dele (¬¬) e me deu um cinto velho para segurá-lo e atravessar a avenida. Quase morro de fazer força para controlá-lo, comecei a chorar de nervoso! Mas foi bonito, porque o dia está lindo e qualquer irritação foi varrida da minha cabeça ao olhar essa paisagem sensacional =)

Halloween, como ele realmente é

Sim, estou atrasada para falar sobre isso, mas o Halloween aconteceu por aqui há quase um mês atrás. A maioria dos intercambistas curtiu a data assim: 1) comprou uma fantasia; 2) pintou o rosto de forma “assustadora”; 3) saiu para encher a cara em algum pub ou festa. Eu não. Claro que: 1) se eu não trabalhasse como baby-sitter quase todas as noites; 2) não tivesse que acordar cedo e trabalhar 12 horas no dia seguinte; 3) ainda tivesse uma turma de amigos por aqui, eu também teria feito isso.

Mas não reclamo. Eu tive a experiência mais típica de todas, o motivo pelo qual o Halloween ainda vive: por causa das crianças! Eu vi os vizinhos decorando casas no meu bairro, eu vi as lojas venderem abóboras e decoração assustadora (e o Airt dizer: “sfáry, Didi!”, todo medroso >.<), eu vesti o Airt com uma fantasia (FIREMAN SAM!!!, porque ele tem pavor de fantasias assustadoras =P) e o levei para uma festinha de Halloween, eu vi minhas chefes comprarem doces e crianças baterem na porta para pedir “trick or treat!”.

Existem várias teorias sobre o nascimento do Halloween, inclusive algumas que dizem que foi criado pelos romanos mas, sem dúvida, a mais aceita pelos historiadores é a de que ele é uma derivação do festival celta Samhain, que celebrava o fim da época da colheita (o verão, a vida) e o começo da época da estiagem (o inverno, a morte).

Essa era a época em que os celtas traziam o gado de volta dos pastos, estocavam alimentos, faziam fogueiras e sacríficos para os deuses – inclusive humanos. Eles acreditavam que, nessa fase de transição das estações, uma porta para o mundo dos mortos era aberta e, por causa disso, espíritos e fadas circulavam livremente. Uma forma de assustar e se proteger dos espíritos era usar fantasias, o que explica o costume de se vestir de forma assustadora hoje. Uma outra tradição que, de certa forma continua até hoje, era a de bater à porta das pessoas para pedir comida ou madeira para as fogueira, o que trazia boa sorte para quem fazia a doação.

Quando o cristianismo chegou por essas bandas, todas as antigas crenças foram reprimidas. Mas, talvez por ser algo muito forte entre a população, a comemoração foi mantida e convertida como uma homenagem ao dia católico de All Saint’s Day (ou All Hallows Evening, o que originou a forma contraída de pronunciar “Halloween”).

E, ano após ano, as pessoas celebram a data. Claro que, hoje em dia, a data não é tão espiritual como era antes, mas sim uma boa oportunidade para a venda de doces e fantasias. A Mary Rose diz que quando ela era criança era bem diferente. Diz que não havia decoração nas casas, que isso é coisa de americano. Diz que não havia esse negócio de simplesmente pedir “trick or treat” não, você tinha que cantar uma música ou declamar um verso de quisesse alguma coisa. E diz que as famílias costumavam fazer verdadeiras festas, com comida típica e brincadeiras, como o bolo assado com um anel dentro e, aquele que encontrar a fatia com o anel, casará no ano seguinte.

Eu acho muito interessante ver como uma tradição dos antepassados super distantes ainda sobrevive hoje, mesmo que de forma distorcida e explorada pela indústria de consumo. Foi mágico ver aquelas criancinhas vestidas com fantasias, pedindo doces nas casas, e ver fogueiras espalhadas pela cidade. É a mesma coisa que o fato das crianças daqui aprenderem a falar gaélico na escola: a tradição não tem muita serventia prática, mas é uma forma de manter viva a raiz do povo irlandês.

Ideias genias X Coisas estranhas

Um dos objetivos de qualquer intercâmbio é descobrir uma cultura nova, fazendo parte do seu dia a dia, para você chamar de sua. E, com isso, você descobre muitas coisas boas, mas também muitas coisas ruins.

Nesses 7 meses de Irlanda, me sinto maravilhada com algumas coisas. E completamente enojada com outras. Acho que isso é normal e interessante. Te faz valorizar muita coisa que você tem no seu país, na sua família. E te faz ter ideias para aperfeiçoar a sua vida, quando você voltar.

Pois bem, a minha lista está feita. Olhem só!

Ideias geniais

Sorvete com bolacha
O tipo mais popular de sorvete por essas bandas é tipo um tijolo de sabor creme que você fatia e serve entre duas bolachas waffle (empacotadas à parte, para não murchar). Simples, delicioso, diferente, perfeito para servir em casa. Ô Unilever, faz o favor de trazer essa delícia para o Brasil?

Mas tem um picolé também, o Iceberger, composto por duas bolachas de chocolate recheadas por sorvete de creme. É uma delícia, mas a bolacha fica murcha, motivo pelo qual eu acho que não seria bem recebido no Brasil, já que somos tão acostumados à uma comida impecável e saborosa. Quando comi, imaginei o meu pai dizendo “presta não, olha que ruim essa bolacha murcha!” =P

Kettle
Uma chaleira elétrica, maravilhosa, tudo de bom, que ferve água em um minuto! Você põe a água, aperta o botão e pronto! Água borbulhante, pronta para cozinhar, fazer chá, as unhas e o que mais você quiser. Se sobrar espaço na minha mala, eu levo uma dessas para casa, ah levo ^^

Duvet cover
A ideia mais genial de todas do mundo: um edredom de capa removível! Você compra o “miolo”, que é o que esquenta e quantas capas quiser! Assim, pode lavar a capa de maneira fácil, já que ela é como um lençol e ainda pode trocar a estampa sempre que enjoar! Maravilhoso =)

Ônibus inteligentes
Na maioria dos pontos de ônibus você encontra um letreiro com o horário previsto de chegada de todos os próximos ônibus. Além disso, a empresa de ônibus tem um site e um aplicativo para iPhone em que você pode consultar todas as rotas, caminhos e horários. E, mesmo com todas essas maravilhas, os ônibus nunca ficam cheios. É, acho que vai ser difícil me acostumar com o transporte público de São Paulo depois disso ¬¬

Coleta de lixo
Nas áreas residências a coleta de lixo funciona assim: cada cidadão recebe três latões de lixo, um verde, um marrom e um cinza. No verde, devem depositar tudo o que é reciclável. No marrom, tudo o que é orgânico. No cinza, tudo o que é não-reciclável. E a prefeitura coleta tudo, toda semana, e os cidadãos só pagam pela coleta do lixo cinza. Incrível, eficiente, sustentável.

Charity Shops
Mesmo tendo dinheiro de sobra, as Irlandesas adoram comprar em bazares de caridade, que vendem roupas usadas a preço de banana. Minhas chefes são viciadas e compram coisas para elas e para as crianças, sem se importar se é usado. Influenciada por elas, fui visitar uma em Dun Laoghaire. Saí de lá com um casaco branco da Zara (lindo e um pouco sujo, mas nada que uma lavanderia não resolva) por 6 euros e um vestido branco de verão (perfeito!) por 2 euros. Adorei!

Coisas estranhas

Nackers
Um grupo de vagabundos, que não trabalham e são sustentados pelo governo, que andam pelas ruas em grupos, religiosamente vestidos com roupas esportivas, meio sujos e muito mal encarados, que gostam de arrumar confusão e cometer furtos e roubos sempre que veem uma oportunidade. O pior é saber que o governo financia a palhaçada. Eles recebem casa de graça, ganham dinheiro por cabeça de filho (e, por isso, tem filhos a rodo) e seguro saúde. Ou seja, um vidão, simplesmente por serem desempregados.

Depois que eu fui assaltada e o apartamento da Aline foi arrombado, eu tenho pavor deles! PAVOR. Vejo um e seguro a bolsa com força. Vejo três e atravesso a rua. Vejo cinco e saio correndo. Odeio todos eles. Na minha opinião, eles são uma vergonha para a memória do povo irlandês, com todos aqueles antepassados que morreram de fome na miséria, porque não tinham outra opção, não porque tinham mau caráter.

O jeito que os nackers falam
Ainda falando dos escrotos, é bizarro o jeito que eles falam. Não só eles, na verdade, mas todas as pessoas mais humildes de Dublin, mesmo os que não são bandidos. Eles falam muito rápido e muito enrolado, sendo praticamente impossível de entender qualquer coisa. Agora imagina o meu desespero quando a Mary Rose me mandou um encanador aqui de manhã e o cara começou a me explicar o motivo pelo qual a pia da banheira não estava funcionando? “sauhdaugfuagff tap, adaufgaufhaf cold water, adhaudghaidjaonifafhs8fi plumber”. Além disso, todos eles usam as mesmas expressões, do tipo “do you know what I mean?”, “fairplay” e “grand”, umas quinhentas vezes na mesma frase.

Gaélico, o idioma que não serve para quase nada
Oficialmente, o gaélico é o idioma do povo irlandês. E, para ser oficializada, todas as leis, placas, informações de transporte e segurança devem ser escritas na língua irlandesa. Mas, na prática, o idioma fica só no papel e nas placas de ruas mesmo. As pessoas até aprendem na escola, mas quase não usam. A Mags e o Bepi, por exemplo, só usam quando eles querem falar algo na frente do Antônio que ele não pode entender, do tipo “hora do remédio”. Mas em alguns lugares muito remotos da Irlanda, ainda existem pessoas que se comunicam em gaélico.

Uniformes femininos nas escolas
Uniforme escolar aqui é levado a sério. Até aí, tudo bem, acho que também deveria ser assim no Brasil. O problema é o uniforme feminino. Poxa, as meninas ainda tem que usar saias, mesmo em dias frios! E, conforme a idade vai aumentando, também aumenta o comprimento da saia. Assim, é possível ver meninas de colegial com saias que chegam pra baixo dos joelhos. Conservador demais, na minha opinião.

 

Wedding bus
Me diz, porque uma pessoa em sã consciência alugaria um ônibus de linha da cidade para levar a noiva e os convidados para o casamento? Pois é, por aqui você pode fazer isso pela bagatela de 500 euros. E, que lindo, o ônibus é branco (e sujo, porque quando não são usados pelas noivas, eles entram na labuta), com uma foto muito da escrota de uma noiva sem graça. >.<

Now
É fato, essa é a palavra mais utilizada pelos irlandeses e, sem motivo algum! Eles falam “Now!”, quando terminam de fazer algo, quando vão começar uma sentença, quando estão falando com crianças. Acho que um equivalente seria o “pronto!” dos baianos. E o pior é que eu peguei a mania também, de tanto que as minhas chefes falam. Então, é assim troca uma fralda e solta um “now!”, serve o prato da criança e diz “now!”. E não é que o Airt e o Antônio vivem falando isso também, apenas com dois anos de idade? Pois é, é assim que começa. Now!

Moscas varejeiras
De onde eu venho, quando se tem uma mosca varejeira por perto, é sinal de que a coisa está preta. Ou melhor, podre. Tamanha foi a minha indignação quando descobri o primeiro par de moscas varejeiras no meu apartamento, que eu dizia pra Aline: “esse lugar é imundo, olha o tamanho das moscas!”. Mas, muitas moscas depois, mesmo nos ambientes mais limpos, eu descobri que elas são normais por aqui. Um belo dia me entra uma dessa na sala e eu me matando para expulsar a nojenta, tentando proteger os meus bebês, quando a Mags chega e pergunta: “Mas que diabos você está fazendo? Deixa, daqui a pouco ela vai embora”. o.O

Higiene ou a falta de
Eu sempre fui contra as pessoas que vivem dizendo que europeu não toma banho, achava que era a maior injustiça estereotipada do mundo! Mas, sabe? É um pouco verdade que eles são negligentes com a higiene. Meus bebês só tomam banho duas vezes por semana e quase nunca tem os dentes escovados. As crianças da Tamis (7, 5 e 3 anos) só tomam banho aos sábados! A Mary Rose praticamente guarda louça suja no armário. E, digamos que uma cariocada na casa, parece a faxina dos sonhos para eles.

See you!

Todo dia ela faz tudo sempre igual

Olá!

Todo mundo tem rotina. Quem lida com crianças tem rotina em dobro. É horário do poo poo, horário da fruta, horário do último ônibus para voltar a tempo da yoga da chefe. E assim, eu passo os meus dias de horário em horário, correndo na maior parte do tempo. Não, isso não é ruim. É diferente e cansativo, só isso. E, quando eu estiver trabalhando novamente em um escritório, de sapato social, quero lembrar da época em que eu trabalhava de chinelo, no parque =)

7h – O despertador toca. Eu aperto a soneca.

7h10 – De um pulo, eu levanto, ponho a roupa e o chinelo, os brincos (pequenos, não quero nenhuma criança rasgando a minha orelha), escovo os dentes.

7h20 – Desço para a cozinha e tomo o meu chá com torrada, enquanto a Mary Rose me conta as novidades e as recomendações do dia. Enquanto isso, o Airt come cereal, me ignorando na maior parte do tempo (é a presença da mãe, eu entendo).

7h50 – Troco a fralda, tiro o pijama e coloco as roupas do dia no nele. Isso pode levar de 7 a 25 minutos, dependendo do humor dele.

8h10 – Dou uma geral na cozinha, para não sobrar tudo para mais tarde. Enquanto isso, o Airt começa a espalhar os brinquedos pela casa.

8h30 – 10h30 – Horário de brincar, com um cenário que varia de acordo com o tempo. Se estiver sol, andar, correr, deitar na grama de parques ou do Sea Front, às vezes ir o supermercado comprar algo que falta para o almoço. Se estiver frio e chuva, ficamos dentro de casa, pulando nas almofadas, lendo livros, brincando com carrinhos, legos, trens e qualquer outra tranqueira que o faça feliz.

10h50 – Preparar o Airt para a sua soneca, incluindo encontrar o teddy dele (no caso, uma ovelha fofa, a Báa) e a chupeta (dôdiii).

11h – 12h30 – Horário da soneca. De segunda a quarta, eu tenho esse tempo livre e geralmente atualizo o blog, pesquiso coisas da minha viagem, respondo e-mails. De quinta e sexta, eu limpo a casa – um piso por dia. Todos os dias, eu faço o almoço (cardápio sempre montado pela Mary Rose).

12h30 – 13h – Dar almoço para o Airt e almoçar, além de limpar as mãos dele após o processo (porque ele mal termina e grita: “HANDS!”), a mesa, o chão e as louças. Por mais que eu me prepare antes, sempre me atraso aqui!

13h – 13h15 – Escovar os meus dentes e os dele, trocar a fralda de poo poo (todo santo dia, no mesmo horário), conferir as portas e fogão (mil vezes, tenho TOC), pegar o carrinho, a bolsinha de fraldas, minha água e fruta e correr para o ponto de ônibus.

13h20 – 13h30 – Esperar o ônibus 130, que demora mais do que tudo e, às vezes, ter que esperar dois ou três passarem, porque o infeliz do motorista não permite mais de um carrinho lá dentro.

13h30 – 13h45 – Caminho da Clontarf Road até a North Strand Road. Airt sempre apontando para as pessoas e falando “pípô” ou “mám” ou dizendo “côl nóu”.

13h45 – 14h – Caminhar do ponto de ônibus até a creche. Tocar a campanhia, levá-lo até sua sala, ganhar um beijo e ouvir “bye, Didi” s2

14h – 14h10 – Andar até o ponto de ônibus mais próximo, novamente na North Strand, por atalhos malucos e vazios.

14h10 – 14h20 – Pegar qualquer ônibus que vá para a Talbot Street e, então, andar até o ponto perto da Henry Street, na O’Connel Street.

14h25 – Pegar o ônibus 40 ou 140 para a casa da Margaret. Se eu perder o desse horário, me atraso!

14h25 – 14h55 – Caminho até a Finglas Road, com o ônibus cheio de velhinhas e de crianças nesse horário.

15h – Chegar na Mags, dar um beijo em cada criança, ouvir o relatório da Kitty, dizendo quem dormiu e quem está cansado.

15h – 17h – Brincar com bebês, na sala de brinquedos ou no jardim, dependendo do tempo. Às vezes, um passeio até o parque. Às vezes, brincar com o Yoyô. Depende do humor da Mags.

17h-18h10 – Dar o jantar dos bebês, limpar a bagunça que fica no chão e na mesa, lavar as louças, às vezes dobrar roupas.

18h10 – 18h30 – Trocar as fraldas, botar os pijamas, limpar os rostinhos, colocar todo mundo sentado nas cadeirinhas da sala, colocar o DVD da Peppa Pig.

18h30 – 18h50 – Enquanto eles tomam as mamadeiras, guardar todos os 2647528427 brinquedos espalhados pela sala, organizar as roupas do dia seguinte, jogar as fraldas sujas no lixo.

18h50 – 19h – Dar um colinho para um ou outro, dar beijo de boa noite em todos. Partir.

19h05 – Pegar o ônibus 140, 40, 40B, 40D. Se eu me atraso muito aqui, tudo está perdido! o.O

19h05 – 19h20 – Caminho do ônibus até a O’Connel Street, parada próxima ao Spire.

19h20 – 19h32 – CORRER pela Talbot Street, até a Amiens Street, onde eu preciso pegar o 130 EXATAMENTE às 19h32, ou me atraso para a yoga da Mary Rose.

19h32 – 19h48 – Caminho até a Clontarf Road, ponto próximo à Vernon Avenue. No geral, estou tão cansada que nem penso =P

19h48 – 19h50 – Correr até a porta de casa, com a chave na mão, o celular na outra, caso ela resolva me ligar xingando se eu estiver atrasada.

19h50 – 20h – Começar a troca de e-mails noturna com o amor s2

20h – 20h40 – Lavar as louças do jantar, esquentar o meu jantar que ela preparou, deixar tudo em ordem na cozinha.

20h40 – 21h – Tomar banho, botar o pijama, escovar os dentes.

21h – 22h – Assistir um episódio de Mad Men (série favorita atual s2), atualizar o blog, planejar a viagem ou ficar de bobeira na internet.

22h – 23h – Skype com a Mamis, para saber se os pirralhos estão bem, ouvir os planos deles para a semana, contar o que aconteceu aqui e tentar imaginar que estou no colinho dela.

23h – 23h15 – Olhar fotos do amor, da família, dos amigos e lembrar que estou sozinha, longe das coisas mais valiosas da minha vida.

23h15 – Ir dormir, fazendo força para sonhar com o dia de rever todos eles =)

Cansa só de ler, não é? Eu sei. Mas agora já estou acostumada e não sinto mais aquela dor nas costas ou a vontade de chorar na quinta fralda de coco do dia. E, se for pensar, só mais alguns meses e isso já vai terminar. Mas isso é assunto para outro post ^^

P.S. Quando eu olho para o Allie, paro e fico tentando imaginar como é que eu vou fazer para conseguir viver sem eles.

P.S. Mas, apesar do amor que tenho pelas minhas crianças, sinto falta de botar um sapato social, um batom e ter uma reunião sobre algum projeto excitante. Saudade da minha profissão, isso sim.

Até mais!

Recapitulando

Hello!

Aqui estou eu, ouvindo Muse (*___*), jantada (arroz, feijão, purê de batata e “molhinho” de vagem – como é dito lá em casa #MineirosFellings) e tentando entender o que eu fiz com os meus últimos dias, já que não consegui postar nada desde domingo. Bom, vamos recapitular então…

Segunda-feira: a melhor notícia do mundo

Chegou a hora de revelar todo o mistério dos últimos posts: sim, eu fui chamada para uma entrevista de emprego. Desde que pensei nesse intercâmbio, minha ideia era trabalhar como babá ou, como eles chamam por aqui, Au Pair. E como eu consegui? Fiz um anúncio em sites de classificados de emprego, bem diferente dos estão por lá. Poxa, eu sou publicitária e, se eu não conseguisse me diferenciar dos meus concorrentes, então não serviria para nada! E como foi a entrevista? Adorei o casal e as crianças (trigêmeos de 10 meses e mais um de 2 anos), o horário é exatamente o que eu preciso, o salário não é incrível, mas paga as contas. E o que aconteceu depois? Minha patroa me ligou e disse que ficaria “delighted” se eu aceitasse trabalhar para eles. Melhor, impossível =)

Terça-feira: a primeira cabulada a gente nunca esquece

O dia não estava para escola, então resolvemos aproveitar para passear por aí. A primeira parada foi o Bank of Ireland, um edifício majestoso localizdo no centro. Ele foi projetado para ser o parlamento irlandês, em 1739. A curiosidade é que esse foi o primeiro prédio a ser construído para este fim, em toda a Europa. Porém, alegria de irlandês sob domínio inglês dura pouco e o parlamento foi dissolvido em 1800 e os assuntos do país voltaram a ser decididos por Westminster, em Londres. Então o Bank of Ireland, um dos maiores do país, comprou o prédio para criar sua mais bonita agência. Quem não queria ter uma conta lá, hein?

Entrada principal

Mas eles preservaram a House of Lords, que é aberta para visitação ao público. A sala é magnífica. Poxa, porque esses caras tinham mania de fazer coisas tão estupendas assim? Meu coração não aguenta! Um guia sempre fica por lá e ele ficou surpreso quando eu comecei a fazer perguntas sobre o funcionamento do parlamento. E mais surpreso ainda quando descobriu que eu sou brasileira: “Não vejo muitos brasileiros por aqui, sabe?”. Sei =)

Lustre de cristal *___*

Depois, decidi passear pela Grafton Street, uma das mais populares ruas de compras em Dublin, com lojas de grife, cafés, restaurantes e o lindo shopping Stephen Green no final. A loja mais famosa de lá é a Brown Thomas e seus artigos de luxo, que estudantes-falidos-como-eu não podem nem olhar.

Intrerior do Stephen's Green

O que eu mais gosto na Grafton Street é o barulho. Ao caminhar por ela, você ouve pessoas conversando em diversos idiomas diferentes e ouve música em toda a sua extensão, com os artistas de rua que dão a graça por lá. Muito legal =)

Outra atração da Grafton é a estátua da Molly Malone. Ela foi inspirada em uma canção, que é considerado como o hino não-oficial da cidade, e que conta a história de uma bela mulher que vendia peixes nas ruas de Dublin, mas que morreu jovem de uma forte febre. Não existe prova de que a tal Molly Malone realmente existiu, mas o governo encontrou uma que poderia ser ela e que morreu em 13 de junho de 1699, então proclamou esse dia como “Molly Malone Day” e construiu uma estátua em homenagem a ela. Legal, eu curto essa historia. Olha só como é bonitinha a música =)


Depois disso, ainda fomos para a National Library, prédio lindo que abriga um acervo com as primeiras edições dos livros dos principais escritores do país, além de uma cópia de quase todo livro já publicado na Irlanda. O mais impressionante do prédio é a Sala de Leitura, que tem mesinhas gastas e luminárias verdes, como era antigamente. É uma sala circular, enorme, silenciosa, com livros velhos, novos, curiosos. A biblioteca não realiza empréstimos, você pode apenas consultar os livros por lá.


Quarta-feira: legalizado as coisas

Finalmente conseguimos o nosso tão sonhado GNIB (Garda National Immigration Bureau)! Eu ainda não comentei aqui, mas o processo é meio chatinho e demorou exatos 23 dias para ser concluído.

Primeiro, você tira o PPS – como um CPF da Irlanda. E chega o comprovante na sua casa, após 10 dias. Depois, com o PPS, você abre a conta no banco. E chega a senha na sua casa, após 3 dias e o cartão após 5 dias. Depois, você deposita os 3.000 euros e pede o statement. E ele chega na sua casa, após 3 dias. Depois, com o PPS, o statement e o passaporte, você vai até a Garda, solicita o GNIB, paga 150 euros e sai de lá com a carteirinha, dizendo quando você legalmente pode viver, estudar e trabalhar por aqui. Amazing =)

Estava um dia bonito, então resolvemos andar e descobrir mais algumas coisas. E logo vimos a Custom House, um enorme prédio que sempre abrigou órgãos do governo.

Depois, The Famine Statues, um monumento em homenagem a todos os irlandeses que morreram no período conhecido como a “Grande Fome”, caracterizado pela perda consecutiva de 3 safras de batata, por causa de uma praga, o que causou a morte de um milhão de pessoas morreu e a imigração de mais dois milhões, principalmente para os Estados Unidos.


E por fim, conhecemos a Samuel Beckett Bridge, uma ponte estaiada, construída em homenagem ao escritor irlandês Samuel Beckett, ganhador do Nobel de literatura. Por lá, descobrimos uma Dublin diferente da que estamos acostumadas: prédios modernos, de vidro, pessoas engravatadas. Como uma cidade pode mudar tanto, em poucos metros? Engraçado =)


Quinta-feira: último dia de vagabundagem

E hoje, nada de mais, pois resolvi aproveitar o meu último dia de vagabundagem, já que começo a trabalhar na próxima semana. Fizemos almoço, limpamos a cozinha, dormi à tarde e aqui estou, atualizando o blog =)

Amanhã, grandes acontecimentos à vista! Primeira visita para fora de Dublin programada (com 11 km de distância) e aniversário de namoro com o meu querido, em que faremos uma comemoração diferente (com mais de 9 mil km de distância).

See you!