O quarteirão da elegância

Hello!
Como estão?

Por aqui, tudo indo bem! Estamos nos adaptando maravilhosamente bem na casa nova, cozinhando, lavando roupa, estudando, conhecendo lugares, quase tirando o visto. Tudo bem graças a Deus, às orações dos meus avós e ao pensamento positivo e força de vocês =)

Hoje, depois de alguns dias sem conhecer nada da cidade, visitamos dois lugares muito legais, em uma região que já foi a mais nobre de Dublin, residência da alta sociedade, políticos e escritores. Com vocês, a região da Merrion Square!

Fitzwilliam House: uma viagem no tempo

O século 18 foi a Era da Elegância, quando os ricos da Irlanda, não querendo parecer os parentes pobres da Inglaterra, fizeram de Dublin uma das cidades mais elegantes da Europa. Todos os ricos construíram suas casas na mesma região, o que fez (e faz) com que ela seja extremamente charmosa.

O padrão das casas era sempre o mesmo, os chamados terraços georgianos. Na década de 60, dezesseis dessas lindas casas foram demolidas para que a empresa de eletricidade de Dublin construísse a sua sede. A indignação pública foi tamanha que, para tentar remendar o estrago, a empresa restaurou uma das casas e criou um museu, o famoso número 29 da Fitzwilliam Street Lower. Ainda bem que eles fizeram isso =)

O museu é a portinha preta =)

A casa é maravilhosa. Por fora, aquela famosa portinha colorida, com uma detalhada clarabóia e aldrava de metal. No andar inferior (abaixo do nível da rua), fica a recepção do museu, loja e as primeiras partes da exposição, como cozinha, quarto da empregada, despensa de alimentos. No primeiro andar (nível da rua), temos a sala de jantar – que é o maior ambiente da casa – com os móveis, louças, lustres e tapetes. No segundo andar, temos a sala de visitas, com piano, mesa de jogos e livros – um ambiente destinado a diversão e recepção de convidados. No terceiro andar, temos o aposento do casal – cama, banheiro (sem chuveiro, claro), sala de vestir. No quarto andar, temos o quarto da governanta e o das crianças, com casinhas de bonecas do século 18 #Morri.

Anexo do quarto do casal

Sala de estar

 

Cozinha

Casinhas de bonecas *____________________*

Fatos curiosos

– Cada cômodo da casa tinha um puxador de tecido perto da parede, que era ligado a sinos na cozinha. Assim, quando a dona da casa queria falar com a empregada, acionava o sino e a ela sabia em que cômodo deveria ir.

– Quem já foi em museus antigos deve ter percebido como as camas são curtas. Descobri hoje que isso se deve ao fato de que as pessoas dormiam meio sentadas, pois tinham problemas de coluna!

– Os ratos podem escalar e fazer buracos nas paredes, mas não podem pular. Por esse motivo, as comidas mais preciosas (ovos, queijos, carnes, pão) eram armazenadas em uma tábua suspensa do teto, na despensa.

– As mulheres acreditavam que ficar muito tempo perto da lareira prejudicava a pele de seus rostos. Assim, elas tinham uma espécie de protetor contra o calor – meio que uma pá ao contrário, com desenhos e bordados – que ficava apoiado no chão, perto de onde elas estavam sentadas.

 

Merrion Square: onde é sempre primavera

De lá, fomos para a Merrion Square, uma das praças mais charmosas de Dublin. Naquela época as casas não tinham jardim mas, como estavam localizadas próximos de belíssimas praças, elas acabavam sendo utilizadas como jardins e, em certa época, passaram a ser privadas para os moradores da região.


A Merrion Square foi projetada em 1762 por John Ensor. Ela fica rodeada por inúmeras casas georgianas (hoje sendo utilizadas como sede de empresas e escolas, na sua maioria) e imponentes museus (Natural History, National Gallery).

Lá dentro, tudo é uma graça. Eu não sei se é sempre assim ou se é a primavera que enche os meus olhos, mas me senti em um bosque de conto de fadas lá dentro! Canteiros de flores, árvores cheia de flores cor-de-rosa (as minhas favoritas), mamães com crianças, casais apaixonados. Apaixonante =)

Cores, aromas, flores

 

A minha favorita *_____*

Tem coisa mais romântica do que essa flor?

E foi isso por hoje. O final de semana promete passeios memoráveis, vamos ver se dá certo.

P.S.: Tenho uma novidade, mas só vou contar se der certo. Sei lá, não quero criar muitas expectativas sobre isso.

P.S.: Como eu penso em algumas pessoas visitando todos esses lugares incríveis. Família, amigos, namorado. Vocês estão comigo o tempo todo s2

Até mais!

Dos acontecimentos recentes

Hello, guys!

Mais uma vez, não cumpri o deadline dos posts. Mancada, eu sei. Mas vamos lá, vou me redimir agora com um relato completo dos acontecimentos dos últimos dias \o/

Quarta-feira, dia das surpresas boas

O dia começou com uma coisa que surpreendeu todo mundo na cidade: um belo sol, meio tímido, mas quentinho! Isso, dizem os nativos, é muito raro de acontecer. Decidimos então que estava na hora de conhecer outra famosa atração de Dublin: o St. Stephen’s Green Park.

Até 1664, quando finalmente foi murado, sua área era utilizada como pasto. No final do século XVIII, o entorno do parque se transformou em uma área muito valorizada, residência da alta sociedade de Dublin. Nesta época, foi decidido que o parque seria restrito para os moradores da região, um absurdo. Somente em 1877 é que o acesso ao público foi novamente liberado, graças ao apoio de ninguém menos que um dos membros da família Guinness, que arcou com os custos de redesenho do parque, que é mantido até hoje (sou fã desses caras).

O lugar é lindo e o legal é que a prefeitura faz o seu papel. Mal entramos na primavera e o parque já está todo florido, com flores recém-plantadas. Sensacional. Lá, você pode deitar na grama e ler um livro, pode sentar na grama e almoçar, pode deitar na grama e tirar um cochilo. Tem banquinhos e coretos também, mas o pessoal gosta mesmo é da grama, viu?

No meio do parque tem um lago maravilhoso, com milhares de patos, cisnes, pombas e outros pássaros que eu não sei identificar. E eles se deixam fotografar, filmar, alimentar, bem de pertinho. E eles voam em cima de você, se você der pãozinho. Sim, quase fomos atacadas >.<


Depois, fomos para o Natural History Museum. Eu nunca iria em museu desses (talvez apenas no de NY, que fiquei encantada após assistir o filme “Uma noite no Museu”). Mas, como estamos morando aqui e a entrada é de graça, decidimos ir. Ainda bem =)

O Museu funciona desde 1857, em um edifício pequeno, mas charmoso. O andar térreo abriga uma exposição com animais típicos da Irlanda (pássaros, mamíferos, peixes, insetos). Já o andar superior abriga uma exposição de animais do mundo (elefante, girafa, leões, hipopótamos absurdamente gigantes).

Bom, eu achei meio nojento ver alguns daqueles animais (em especial os insetos, as borboletas, os ratos e os frutos do mar). E achei meio triste ver aqueles animais assim, parados, em poses que os caras quisessem que eles ficassem (atacando, alimentando os filhotes, brigando), eternamente. Mas achei legal. Eu não me lembro de ter visto uma girafa, zebra ou elefante de perto, nas minhas idas ao zoológico na infância. Então, valeu para “conhecer” os bichinhos.

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Quinta-feira de cinzas

O dia começou com uma triste constatação, que me persegue até agora: o CAE (Certificate in Advanced English – Cambridge University) é um sonho distante para mim. Tivemos a prova e foi devastadora! Começou com um teste geral de 20 minutos, para eles saberem se vale a pena corrigir o restante da sua prova ou não. Logo depois, um agradável teste de 1 hora de Reading, com terríveis exercícios para ordenar parágrafos de textos. Como se não bastasse, mais 1 hora de General English, onde você tem a certeza de que deveria estar no nível básico e não no avançado. E, para finalizar, 40 minutos de Listening que, quando você menos percebe, acabou e você entendeu apenas 7,3% do que os diálogos diziam. É, bora estudar filha…

Para me animar um pouco, fomos conhecer mais de Dublin, um lugar que eu queria há tempos: o museu dentro do General Post Office, a sede dos correios da Irlanda. O prédio, além de possuir uma bela arquitetura e um porte magnífico (que se vê de longe), é ponto de encontro da galera (ah, nos encontramos amanhã às 14h no GPO, ok?) e ainda foi palco de um dos acontecimentos mais importantes da história da Irlanda Moderna: o Levante da Páscoa de 1916.

Esse foi o primeiro movimento mais concreto para a independência da Irlanda. Neste dia, os rebeldes tomaram o GPO e um dos líderes do movimento, Patrick Pearse, leu a Proclamação da República da Irlanda na escadaria. Os rebeldes ficaram por sete dias no GPO, mas o bombardeio do exército britânico os forçou a sair. Sim, o prédio ficou bem destruído. Sim, os 14 líderes do movimento foram presos, espancados e fuzilados. Mas foi ali que tudo começou. Depois disso, os caras viraram mártires e a população começou a apoiar mais a causa da independência, que veio finalmente em 1921.

Proclamação da República da Irlanda


Sexta-feira, pré St. Patricks Day

A sexta-feira começou chuvosa. E a preguiça de sair da cama reinava aqui em Woodfarm Acres, Palmerstown. Após o nosso habitual pão com Nutella no café da manhã, decidimos sair para comemorar o começo do St. Patrick’s Weekend (porque tem programação para todo o final de semana).

Fomos ao Irish Craft Beer, um festival de cerveja, com exposição de cervejeiros aqui da Irlanda, não tão famosos e talentosos quanto o Artur Guinness, mas bons também. Bebemos, comemos crepe de Nutella (é, o vício está foda) e conversamos com pessoas na mesa.

E depois resolvemos que era hora do Pub. Mas não queríamos Pubs tradicionais, que tocam aquelas músicas irlandesas (que eu adoro, vou deixar claro), mas sim algum que tocasse rock ‘n roll, poxa! E cadê que achamos? O Tony, nosso host-brother, fez uma lista de Pubs não turísticos pra gente, mas esquecemos em casa.

Por fim, acabamos em uma rua onde uma banda estava se apresentando ao ar livre (e frio), em comemoração ao St. Patrick’s Pre-Day. Pegamos os pints em um Pub e saímos para a rua, como todo mundo, para ver o show. Os caras mandam muito bem. Tem banjo, tem gaita, tem violoncelo. E o vocalista é muito doido. Adorei o som deles! Olha como eles são legais:


Cantamos, dançamos, bebemos. E, quando o show acabou, estávamos com dois copos na mão, longe do Pub e sem ninguém por perto. Pensamos: “A nossa honestidade é tanta assim?”. Decidimos que não e agora dois lindos copos de Pint (Guinness para mim, Heineken para ela) brilham em nossas prateleiras. ^^

Trançando as pernas e morrendo de fome, decidimos que era hora de passar no supermercado e abastecer as nossas reservas de comida, até o dia da mudança para o apartamento (nos próximos dias, a comida é por nossa conta – nada de jantinha da host-mother). Ótimo, tudo baratinho. Caixa self-service, super moderno. Mas esquecemos a sacola de pano, erro estúpido. Solução? Sair com os braços cheios de leite, macarrão, molho bolonhesa, guarda-chuva e Nutella pelas ruas-lotadas-de-pessoas-afora. Hilário, para não dizer humilhante =P

E foi isso.

Amanhã, o dia principal do St. Patrick’s Weekend. Chapéu verde comprado, unhas pintadas, despertador programado.

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See you!