Feliz, o aniversário

Pois é, eu fiquei mais velha. E, sim, estou longe da minha família, namorado e amigos, que são aqueles que fazem o aniversário das pessoas ter significado. Mas não, eu não passei o dia sozinha, comendo sorvete no pote e me acabando de chorar.

Bem, chorar eu chorei, mas foi somente por bons motivos. Somente por perceber que mesmo longe, a minha família ainda está comigo. E somente por perceber que eu também tenho uma família aqui, que eu amo MUITO e que vou levar para a vida toda.

Mas vamos do começo.

O dia começou bem, com o bom-dia que dei para o Airt, o lembrando da data. Ele me deu um beijo tímido, mas veio bonzinho tomar café da manh, o que eu entendi como um sinal de respeito pelo meu aniversário. Depois disso, todas as vezes em que eu pedia “birthday kisses” ele me dava, todo cheio de amor e baba. Ah, e eu te dou todo o meu amor também, buddy. S2

Dei uma olhadinha básica no Facebook, para ver algumas mensagens de aniversário. Aí veio o primeiro choro do dia, ao ver as fotos que a Mamis havia postado, eu e ela, ela e eu. Juntas, sorridentes, felizes. Tão simples, tão natural. Oh, my baby. Our love is definitely true. Esse é o meu primeiro aniversário que passamos separadas, é difícil. Mas será o último, já prometi para ela =)

Vejo também a mensagem que o meu amor me mandou, comparando a data à aquela de um ano atrás, quando ainda estávamos começando a nos conhecer, sem saber onde pisar e o que esperar. Eu já sabia que ele era diferente, quem mais poderia me chamar pelo significado do meu nome em hebreu, sem eu nunca ter contado? Ele já via sua Menina em mim e eu já via todo o potencial dele para me fazer feliz. Apesar da distância e tristeza de hoje, temos que ficar felizes, ele disse, porque o difícil já aconteceu. Nos conhecemos, nos amamos, descobrimos que somos almas gêmeas. Agora é só esperar mais 70 dias e tudo vai se resolver.

Lágrimas enxugadas, era a hora de enrolar os brigadeiros e beijinhos que eu havia feito no dia anterior, para adiantar o processo (já que fazer isso na companhia de uma criança de dois anos não é fácil =P). Ops, mas descubro que a massa do brigadeiro virou pedra. E agora? Penso: “Ou você joga fora e mente pra todo mundo, dizendo que brigadeiro é ruim demais e que você resolveu não fazer ou você tenta consertar”. Optei pela segunda alternativa. Mas no processo, tive o meu segundo choro do dia, ao tentar desgrudar o negócio do prato com a faca, cortando o meu dedo. Meio feio, daqueles que fariam o meu irmão se sentir fraco, como ele diz. Mas não tenho tempo para isso, vamos em frente. Coloco tudo na panela, acrescento manteiga, leite e qualquer coisa para amolecer o tijolo de brigadeiro. Deu certo =)

Fiz tudo em quarenta minutos, o Airt como meu assistente “pouring coconut rain all over the balls”. Limpei a cozinha em quinte minutos, o Airt como meu assistente, perguntando “me eat that?” para as colheres, pratos, tigelas e tudo que estava sujo de chocolate.

Rotina normal depois disso. No caminho para a Mags, após deixar o Airt na creche, encontei com a Tamis no centro. Acontece que ela foi anteontem na Mags, para conhecer os bebês e ver a possibilidade de ficar com a minha vaga depois que eu sair. E a Mags, fofa como é, fez o convite para a festinha, que ela prontamente aceitou. E dela, ali em frente ao Spire, eu recebi o meu segundo beijo de aniversário, com um lindo bracelete irlandês (para lembrar da terra que nos uniu) e uma miniatura de uma cruz-alta irlandesa (para lembrar das nossas aventuras pelas terras celtas).

Fomos juntas para a Mags, onde sou recebida por beijos e abraços dos meus lindos, únicos, preciosos, amados trigêmeos em meio a bexigas e risadas. A Kitty está por lá também e me dá um abraço. Ficamos por ali bagunçando, até que a Mags chega com o Yoyô e ele vem, abre a porta segurando uma bexiga, com um sorriso tímido no rosto e diz “Happy Birthday, Tita!”. Ok, meus olhos ficaram embaçados aqui.

Logo a Mags diz que eles tem que pegar algo na cozinha e todos os bebês vão atrás. Vou também e logo me vem o Yoyô com um cartão, a Mags dizendo que ele colou os adesivos. Abro e está escrito “We love you” com o nome de todos, Mags, Bepi, Yoyô, Alie, Tutu e Berto. Aí eu não resisto, choro, choro. Choro por sentir o amor que tenho por todos eles explodir aqui dentro. Choro de alegria, por estar ali perto de pessoas(inhas) tão preciosas =)

A Mags me dá também um envelope, com um par de ingressos para um espetáculo de música irlandesa, não aqueles safados do Temple Bar, mas um “cool”, como ela disse. Muito legal, fiquei feliz =)

Depois disso, eu e a Tamis ficamos com os bebês na sala, enquanto a Mags e a Kitty faziam os preparativos da festa na cozinha. Horas depois, vem o Yoyô e diz a frase habitual das cinco da tarde “it’s dinner time”, fazendo os bebês saírem correndo para a cozinha. Quando entro lá, vejo uma mesa linda, cheia de comidinhas gostosas, como o omelete espanhol (fritada de batatas, ovos e cebola), ovos com salmão e maionese, filés de frango frito, azeitonas, pão de alho. Finger food, como eles chamam, perfeito para festinhas ^^

Comemos, ajudando os bebês entre uma garfada e outra. Em determinado momento, só o Allie estava na cadeirinha (sempre o bom moço, meu Al-the-ball). Os outros dois rascals estavam no meu colo e no da Kitty, comendo do nosso prato. Vê se pode? Logo chega a Mary Rose e o Airt, com um lindo kit de cosméticos e um cartão do “BÓÓÓÓB, the Biulder”. O Airt pouco liga para mim, os brinquedos do Fireman Sam do Yoyô são mais atrativos, eu acho.

Terminamos de comer e chega a hora do parabéns. Cantamos a música, a Tamis gravando tudo. E, como prometido há semanas atrás para os dois, deixo o Yoyô e o Airt soprarem as minhas velinhas. Meus B-Boys! Comemos bolo, comemos docinhos, damos bolo para os bebês, damos docinhos para os bebês (o Airt e o Yoyô não precisaram de incentivo, estavam atacando tudo por conta >.<). Nessa altura do campeonato, os bebês já estavam muito cansados e começavam a ficar irritados, chorando por tudo. Hora de iniciar os preparativos para dormir.

Trazemos todos para a sala, colocamos Fireman Sam na TV e eu troco a fralda e ponho o pijaminha de todos eles, com a ajuda da Tamis. Organizamos a bagunça dos brinquedos e partimos para a cozinha, que estava em estado de calamidade pública depois da festa. Com a ajuda dela, em dez minutos estava tudo resolvido.

Aliás, o que eu teria feito no dia de hoje sem ela, me diz? A Tamis é daquelas do tipo “pau para toda obra”, sabe? Tamis, vamos para Belfast daqui a três dias? Opa. Tamis, vem aqui em casa comer hot-dog? Opa Tamis, vamos fazer uma trip maluca pelo Reino Unido na virada do ano? Opa. Tamis, vamos lá brincar com as minhas 67574 crianças? Opa. Ela é assim. E estou muito feliz por a ter conhecido, por termos ficado amigas, por tê-la presente em momentos importantes desse ano (e do próximo ^^). Te levo para a vida toda, xubs!

Hora de ir para casa. Chego em casa, abro o computador e vejo que meu pai me marcou em um comentário de uma foto. Vou ver o que é e fico em estado de choque. Ele, simplesmente, fez uma montagem com fotos de tudo o que eu gosto: Los Hermanos, Muse, Nutella, cupcakes, berinjela, picanha, Big Ben, São Paulo, Amelie Poulain, tulipas e até vagens, e colocou como capa de seu perfil no Facebook. É, esse foi o quarto choro do dia, descontrolado, tive que tomar um banho para ver se eu me acalmava. Te amo, Papis! Você é minha inspiração, meu mestre. Tudo o que eu aprendi com você nessa vida não está escrito s2

E mais um milhão de mensagens de amigos e familiares, fotos com homenagens, desenhos, lembretes. Tem como se sentir sozinha com todas essas demonstrações de afeto? Fui dormir me sentindo a pessoa mais feliz do mundo.

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Caminhada de outono nas montanhas

Ainda tendo como influência o fator Mossy em nossas vidas, a Mary Rose sugeriu um passeio diferente para o nosso último domingo, que eu topei na hora: fazer caminhada nas montanhas de Wicklow! Dessa forma, o Mossy poderia se acabar de correr, o Airt poderia tomar ar fresco e sair de casa e nós duas poderíamos bater papo, coisa que nunca conseguimos fazer direito.

E assim, acordamos cedo no domingo, comemos panquecas com mapple syrup (minha nova paixão*____________*), empacotamos o carrinho, água, snacks e partimos, o Airt na cadeirinha, o Mossy no bagageiro do carro.

As montanhas de Wicklow ficam, obviamente, no condado de Wicklow, vizinho do condado de Dublin. Foi uma viagem de uma hora apenas, passando por estradas impecáveis margeadas por árvores avermelhadas e montanhas escondidas por neblina ao fundo.

Subindo a montanha, você encontra diversas opções de trilha, com estacionamento e trajeto sinalizado. Cada uma delas possui uma extensão, uma peculiaridade e um tipo específico de público. Muito bem planejado e organizado!

Por possuir a extensão desejada, não ser muito íngreme e ter um lago no percurso, a Mary Rose escolheu a trilha do “Clara Lara Valley”. Chegamos, estacionamos, soltamos o Mossy (que imediatamente começou a correr), colocamos o Airt no carrinho (e tiramos, e colocamos, e tiramos, e colocamos – ele não parava quieto!) e começamos a trilha =)

Estava frio, uns 4 graus, e foi o primeiro dia em que eu usei a minha underwear, além de uma blusa e o casaco. Mas esqueci as luvas e, logo, minhas unhas estavam roxas e doendo (Já ouvir falar de dor na unha? Pois é, eu sinto ¬¬). Ainda bem que andamos MUITO rápido, então o frio passou logo.

Andamos por umas três horas, passando por trilhas com paisagens incríveis em volta: o lago, as pontes de madeira, o chão coberto com um tapete de folhas amarelas e vermelhas, as árvores quase que completamente “nuddie-nuddie” – como costumo dizer para o Airt. Lindo dia de outono =)

E conversamos sobre a história da Irlanda, falando sobre Cronwell, sobre o Levante da Páscoa, sobre Éamon de Valera, sobre o IRA. É muito interessante ouvir a história pela visão de um irlandês de verdade, não apenas o que você lê nos livros. Torna tudo mais vivo, ao ouvi-la contando as histórias que a sua mãe costuma contar quando ela era criança.

E conversamos sobre viagens, todas as que ela já fez, as que ainda quer fazer e aquela para o Brasil 2018 que estamos marcando desde já. E ela me dá dicas de como sobreviver no meu mochilão, já que ela mesma já passou por situação pior, viajando um ano pela África e Ásia.

E conversamos sobre o meu futuro emprego, sobre o que eu penso que quero fazer, ela me aconselhando a seguir carreira em mídias digitais, já que ela mesma faz um tremendo sucesso com sua própria empresa nessa área.

E conversamos sobre o Airt, sobre o seu progresso na fala (que eu muito me orgulho de ser papel importante nessa conquista, já que tagarelo com ele o dia inteiro =P), sobre os seus encantos, as suas brincadeiras, sobre o seu futuro, sobre a sua nova au-pair, sobre como faremos para ele se acostumar com a minha ausência.

E eu falo que vou sofrer muito para deixar as minhas crianças, porque isso é a mais pura verdade. E prometo que, na(s) minha(s) próxima(s) viagem(s) para a Europa eu mudo o roteiro para incluir uma perna do vôo saindo de Dublin, só para poder visitar os meus tesouros, dessa vez com o Cáaaalll (o amor, apelidado pelo Airt s2) comigo, já que eu também não largo ele nunca mais.

E tanto andamos, tanto, tanto, que o Mossy começou a sentir fraqueza nas pernas. Hora de ir embora! Terminamos a trilha, empacotamos tudo no carro e voltamos para casa, onde eu alimentei o Airt com um googy egg (ovinho quente) e toast e me alimentei com omelete de mushroom. É, estamos viciados no ovo, eu e ele =P

Depois disso tudo, fui descansar no quarto porque as pernas estavam destruídas, com a rotina de sempre : skype com a Mamis, skype com o amor, pesquisas insanas sobre a viagem. E dormir, para começar tudo de novo no dia seguinte.

P.S. Já esse final de semana não teve muitos acontecimentos. No sábado, trabalhei com a Mags no sábado e tivemos um dia muito agradável (e gelado!) em Dun Laoghaire, na casa da irmã dela. Demos pizza para os pequenos enquanto comíamos as nossas (é, porque agora eles são B-Boys e acham que têm o direito de usar garfos grandes no nosso prato, sabe? >.<) e os levamos para o parquinho. No domingo, passei o dia todo nas pesquisas da viagem, finalmente terminando os roteiros do UK e passando horas e horas com a Tamires no Skype para comprar as nossas passagens de ônibus. Isso significa que SIM, A PARTE UK DA VIAGEM ESTÁ PRONTA =D

Todo dia ela faz tudo sempre igual

Olá!

Todo mundo tem rotina. Quem lida com crianças tem rotina em dobro. É horário do poo poo, horário da fruta, horário do último ônibus para voltar a tempo da yoga da chefe. E assim, eu passo os meus dias de horário em horário, correndo na maior parte do tempo. Não, isso não é ruim. É diferente e cansativo, só isso. E, quando eu estiver trabalhando novamente em um escritório, de sapato social, quero lembrar da época em que eu trabalhava de chinelo, no parque =)

7h – O despertador toca. Eu aperto a soneca.

7h10 – De um pulo, eu levanto, ponho a roupa e o chinelo, os brincos (pequenos, não quero nenhuma criança rasgando a minha orelha), escovo os dentes.

7h20 – Desço para a cozinha e tomo o meu chá com torrada, enquanto a Mary Rose me conta as novidades e as recomendações do dia. Enquanto isso, o Airt come cereal, me ignorando na maior parte do tempo (é a presença da mãe, eu entendo).

7h50 – Troco a fralda, tiro o pijama e coloco as roupas do dia no nele. Isso pode levar de 7 a 25 minutos, dependendo do humor dele.

8h10 – Dou uma geral na cozinha, para não sobrar tudo para mais tarde. Enquanto isso, o Airt começa a espalhar os brinquedos pela casa.

8h30 – 10h30 – Horário de brincar, com um cenário que varia de acordo com o tempo. Se estiver sol, andar, correr, deitar na grama de parques ou do Sea Front, às vezes ir o supermercado comprar algo que falta para o almoço. Se estiver frio e chuva, ficamos dentro de casa, pulando nas almofadas, lendo livros, brincando com carrinhos, legos, trens e qualquer outra tranqueira que o faça feliz.

10h50 – Preparar o Airt para a sua soneca, incluindo encontrar o teddy dele (no caso, uma ovelha fofa, a Báa) e a chupeta (dôdiii).

11h – 12h30 – Horário da soneca. De segunda a quarta, eu tenho esse tempo livre e geralmente atualizo o blog, pesquiso coisas da minha viagem, respondo e-mails. De quinta e sexta, eu limpo a casa – um piso por dia. Todos os dias, eu faço o almoço (cardápio sempre montado pela Mary Rose).

12h30 – 13h – Dar almoço para o Airt e almoçar, além de limpar as mãos dele após o processo (porque ele mal termina e grita: “HANDS!”), a mesa, o chão e as louças. Por mais que eu me prepare antes, sempre me atraso aqui!

13h – 13h15 – Escovar os meus dentes e os dele, trocar a fralda de poo poo (todo santo dia, no mesmo horário), conferir as portas e fogão (mil vezes, tenho TOC), pegar o carrinho, a bolsinha de fraldas, minha água e fruta e correr para o ponto de ônibus.

13h20 – 13h30 – Esperar o ônibus 130, que demora mais do que tudo e, às vezes, ter que esperar dois ou três passarem, porque o infeliz do motorista não permite mais de um carrinho lá dentro.

13h30 – 13h45 – Caminho da Clontarf Road até a North Strand Road. Airt sempre apontando para as pessoas e falando “pípô” ou “mám” ou dizendo “côl nóu”.

13h45 – 14h – Caminhar do ponto de ônibus até a creche. Tocar a campanhia, levá-lo até sua sala, ganhar um beijo e ouvir “bye, Didi” s2

14h – 14h10 – Andar até o ponto de ônibus mais próximo, novamente na North Strand, por atalhos malucos e vazios.

14h10 – 14h20 – Pegar qualquer ônibus que vá para a Talbot Street e, então, andar até o ponto perto da Henry Street, na O’Connel Street.

14h25 – Pegar o ônibus 40 ou 140 para a casa da Margaret. Se eu perder o desse horário, me atraso!

14h25 – 14h55 – Caminho até a Finglas Road, com o ônibus cheio de velhinhas e de crianças nesse horário.

15h – Chegar na Mags, dar um beijo em cada criança, ouvir o relatório da Kitty, dizendo quem dormiu e quem está cansado.

15h – 17h – Brincar com bebês, na sala de brinquedos ou no jardim, dependendo do tempo. Às vezes, um passeio até o parque. Às vezes, brincar com o Yoyô. Depende do humor da Mags.

17h-18h10 – Dar o jantar dos bebês, limpar a bagunça que fica no chão e na mesa, lavar as louças, às vezes dobrar roupas.

18h10 – 18h30 – Trocar as fraldas, botar os pijamas, limpar os rostinhos, colocar todo mundo sentado nas cadeirinhas da sala, colocar o DVD da Peppa Pig.

18h30 – 18h50 – Enquanto eles tomam as mamadeiras, guardar todos os 2647528427 brinquedos espalhados pela sala, organizar as roupas do dia seguinte, jogar as fraldas sujas no lixo.

18h50 – 19h – Dar um colinho para um ou outro, dar beijo de boa noite em todos. Partir.

19h05 – Pegar o ônibus 140, 40, 40B, 40D. Se eu me atraso muito aqui, tudo está perdido! o.O

19h05 – 19h20 – Caminho do ônibus até a O’Connel Street, parada próxima ao Spire.

19h20 – 19h32 – CORRER pela Talbot Street, até a Amiens Street, onde eu preciso pegar o 130 EXATAMENTE às 19h32, ou me atraso para a yoga da Mary Rose.

19h32 – 19h48 – Caminho até a Clontarf Road, ponto próximo à Vernon Avenue. No geral, estou tão cansada que nem penso =P

19h48 – 19h50 – Correr até a porta de casa, com a chave na mão, o celular na outra, caso ela resolva me ligar xingando se eu estiver atrasada.

19h50 – 20h – Começar a troca de e-mails noturna com o amor s2

20h – 20h40 – Lavar as louças do jantar, esquentar o meu jantar que ela preparou, deixar tudo em ordem na cozinha.

20h40 – 21h – Tomar banho, botar o pijama, escovar os dentes.

21h – 22h – Assistir um episódio de Mad Men (série favorita atual s2), atualizar o blog, planejar a viagem ou ficar de bobeira na internet.

22h – 23h – Skype com a Mamis, para saber se os pirralhos estão bem, ouvir os planos deles para a semana, contar o que aconteceu aqui e tentar imaginar que estou no colinho dela.

23h – 23h15 – Olhar fotos do amor, da família, dos amigos e lembrar que estou sozinha, longe das coisas mais valiosas da minha vida.

23h15 – Ir dormir, fazendo força para sonhar com o dia de rever todos eles =)

Cansa só de ler, não é? Eu sei. Mas agora já estou acostumada e não sinto mais aquela dor nas costas ou a vontade de chorar na quinta fralda de coco do dia. E, se for pensar, só mais alguns meses e isso já vai terminar. Mas isso é assunto para outro post ^^

P.S. Quando eu olho para o Allie, paro e fico tentando imaginar como é que eu vou fazer para conseguir viver sem eles.

P.S. Mas, apesar do amor que tenho pelas minhas crianças, sinto falta de botar um sapato social, um batom e ter uma reunião sobre algum projeto excitante. Saudade da minha profissão, isso sim.

Até mais!

A vida com o Airt

Hello!

E aqui estou, fazendo uma semana de emprego novo hoje. Minhas costas doem, acho que emagreci, hoje já passei aspirador de pó na casa toda, mas estou feliz. A rotina com o Airt é completamente diferente da rotina com os bebês, mais leve e tranquila. Ufa =)

Airt e as primeiras birras
Ele estava birrento no começo e eu, que estou acostumada com o Ioiô todo bonzinho (até que os bebês peguem os brinquedos dele), estranhei. No primeiro dia, teve crise de choro e birra de espernear no chão. Mas, com jeitinho, conversando, sabendo ser séria no momento certo, conquistei o pentelhinho. E hoje, não tem choro, nem birra, nem grito ^^

Airt e o uso das condicionais
Com ele, eu coloco em prática o uso das condicionais. “Airt, se você comer tudo, vamos ao parque mas tarde”. “Airt, a mamãe ficaria muito feliz se você não fizesse bagunça nos seus brinquedos”. Funciona muito bem e eu pratico o meu speaking (porque mesmo que eu saiba a regra gramatical das condicionais, é muito difícil fazer sair certo na hora de falar =X).

Airt e as coisas fofas
Eu tentei ensinar para ele o meu apelido na outra casa “Tita” mas, tadinho, ele não conseguiu pegar. Agora tenho dois apelidos novos por aqui então, “Tia” e “Titi”. E ele diz o meu nome o tempo todo: “No, Titi! Car!”. Ou: “Tia, tia, tia! Nunny (= sunny, querendo ir passear)”. Ele não fala tão bem quanto o Ioiô, mas sai cada coisa bonitinha que dá vontade de chorar!

Airt e a prática culinária
Sou responsável por cozinhar o almoço dele e o legal é que a Mary Rose não gosta que ele coma comida pré-pronta ou sempre a mesma coisa. Então, ela sempre me deixa uma receita e os ingredientes e eu preparo tudo. E nessa, vou aprendendo várias coisas diferentes!

Airt e os passeios
Eu tenho liberdade de sair com ele para onde quiser no horário de trabalho, diz a minha chefe. E, como ainda há sol e calor em alguns dias por essas bandas, mesmo estando já no Outono, adoro passear com ele. Vamos ao parque, ao Sea Front, à praia. Ele se diverte, eu me divirto, pegamos um sol, aproveitamos a vida =)

Airt e a rotina
Acordamos (7h30), tomamos café e a Mary Rose vai trabalhar. Se estiver sol, gosto de sair. Se não estiver sol, ficamos em casa. Mais tarde ele precisa se um snack, como uma fruta ou um rice cake (10h) e o engraçado é que ele sempre pede as coisas nesse horário, como se soubesse que está autorizado a comer! Logo ele tira uma soneca (11h-12h30), quando eu faço o almoço e limpo a casa (o trato é que eu deixe os dois banheiros e o chão limpos). Almoçamos, escovamos os dentes e saímos (13h), caminho com ele até a creche (14h) e depois vou para a casa da Mags (15h).

P.S.: A Mary Rose foi para Londres e estou responsável por ele neste final de semana. Mais tarde vamos à praia e amanhã faremos um piquenique e assistiremos uma peça de Shakespeare no parque. Que trabalho difícil =)

P.S.: Pela primeira vez em cinco meses, sairei desse país por alguns dias. Mais detalhes em breve!

See you!

Quatro leõezinhos no zoológico

Hello!

Em qual emprego você ganharia uma entrada para uma das atrações mais caras da cidade, para ajudar as crianças mais lindas do mundo a descobrir os animais pela primeira vez? É, eu acho que tenho o melhor emprego do mundo mesmo =)

O Dublin Zoo é o maior da Irlanda e é localizado no Phoenix Park, o maior parque da Europa. Ele foi inaugurado em 1831 e, desde então, vem atraindo milhares de visitantes todas as semanas.

Era uma sexta-feira ensolarada e o zoológico estava completamente lotado! Crianças em excursões, crianças com pais ou avós e até adolescentes. E lá íamos nós, com a nossa operação de guerra, eu levando um bebê no carrinho, a Kitty (espanhola que faz o turno da manhã) levando dois no carrinho duplo e a Mags levando o Ioiô, preso por um negócio que lembra uma coleira e que é totalmente útil quando se lida com Antônios.

Encontramos uma amiga dela e suas duas crianças e começamos a desbravar. Vimos macacos, gorilas, tigres, pássaros, hipopótamos e focas. O Tutu (que estava comigo) se divertiu demais! Dava risada, gritinhos, batia palmas. O Ioiô parecia aqueles cachorrinhos que você leva para passear e que ficam tentando escapar da coleira. O Allie e o Berto estavam só curtindo a paisagem, relaxando no carrinho.

Depois de um tempo, fizemos um piquenique! Sanduíches de queijo, frutas, bolachinhas para todo mundo. Soltamos os bebês na grama e aí foi um Deus-nos-acuda! Ficamos por ali, brincando, tirando fotos, correndo atrás dos bebês fujões, conversando, tomando sol. Uma delícia =)


Depois fomos à fazenda, onde vimos ovelhas e cabras e depois à parte dos elefantes, coisas mais lindas e felizes! Mas aí já era demais para os bebês, que nessa altura já estavam dormindo capotados nos carrinhos. Hora de voltar pra casa.

No final do dia, todos eles estavam esgotados, sujos e felizes. E eu acho que não me sentia tão empolgada assim com uma excursão desde os tempos da escola!

See you!

P.S.: Já de volta em casa, aproveitei o tempo livre enquanto eles brincavam para testar melhor a minha máquina. Confiram o resultado logo abaixo, mas cuidado! Eu sou extremamente ciumenta e não divido com ninguém! >.<

Berto, the Berto

 

Allie-baba

Tutulicious

Ioiô, the Ioiô

Commuting 2: de casa para o trabalho

Olá!

Retomando a série Commuting, hoje é dia de apresentar o caminho de casa para o trabalho. São mais de 4 km (só a ida), que faço em 40 a 45 minutos, dependendo do dia, da minha disposição e se estou atrasada ou não =P

Esse caminho não será mais utilizado muito em breve e eu conto ainda essa semana o motivo. Mas é bom, fiquem sabendo =)

E lá vamos nós!

1) Porta do meu prédio (*___*) e pedaço da janela do meu quarto à esquerda.


2) Virando à esquerda na Mountjoy Square e seguindo em frente.


3) Chegando na Fitzgibbon Street, onde fica a Garda Station em que eu fiz o meu Police Report.


4) Virando à direita na North Circular Road, uma avenida gigantesca que passa na rua de trás de casa.


5) Mais uma vez, virando à direita na Ballybough Road, que eu já ouvi dizer que é uma das ruas mais perigosas de Dublin >.<


6) Passando por dessa “mini-ponte” com a vista do Croke Park Stadium, o segundo maior da Irlanda. Sempre tem gente voltando de shows (recentemente, Red Hot Chili Peppers) e jogos (o último no domingo, final de futebol gaélico – Dublin x Meath) por aqui ^^


7) Com algumas cenas meio decadentes no caminho. É, acho que não é uma das ruas mais perigosas de Dublin à toa =P


8) Passando por esse canal bem sujo mas que, às vezes, conta com algumas visitas especiais (vindos não sei de onde). Sim, são cisnes!


9) Virando à direita na Fairview Strand, onde a paisagem começa a ficar mais bonita!


10) Com essa linda igrejinha católica, a Church of the Blessed Virgin Mary, que tem um significado especial para mim ^^


11) Chegando, finalmente, na Marino Mart Road – o único trecho do trajeto com comércio. Ao lado, é possível ver o Fairview Park – gigante e que eu AINDA não conheço.


12) Gente, como é difícil passar por aqui, sentir o cheiro de comida  e resistir *_____*


13) Cruzamento da Marino Mart Road com a Howth Road. Vamos virar à esquerda aqui ^^


14) Essa igreja presbiteriana, muito linda também, fica logo no começo da Howth Road. E é tão alta que dá para ver a sua torre de bem longe…


15) Continuando na Howth Road, que toma cerca de 1/3 total do trajeto!


16) Com esse muro quebrado que apareceu do dia para a noite =P


17) E esse pub charmosinho (que eu nunca fui).


18) Chegando nessa viela que não aparece nem no mapa, mas que ajuda a cortar o caminho =P


19) E, finalmente, chegando ao destino final na Stiles Road, na casa de porta verde, bicicletinhas no quintal e…


20) Bebés maravilhosos que deixam essa Au-pair aqui boba e apaixonada s2 (Berto, the Berto na foto!)

Cheers!

My blue period

Olá!

Aqui não é um espaço para contar só as alegrias desse intercâmbio. Não. Eu preciso jogar limpo e contar o que está acontecendo de verdade. Pois bem. Acontece que entrei em um “blue period”, me questionando, questionando porque as coisas acontecem como acontecem, chorando, até que aconteceu comigo uma coisa muito, muito ruim. E me fez parar e rever algumas coisas.

Da eterna pergunta “Porque eu?”

A maioria dos meus amigos está ganhando dinheiro aqui. Sim, eu trabalho. Mas o meu salário só paga as minhas despesas básicas e eu não consigo guardar nada. Ou seja, sem reservas para a minha viagem. E então eu comecei a questionar “porque só eu não consigo ganhar dinheiro aqui?”. Eu, que tenho um inglês acima da média. Eu, que me planejei, que li tudo sobre a situação do país, que fiz o melhor curriculum possível. Eu, que entro em sites de emprego todos os dias e já devo ter aplicado para mais de 100 vagas. E eu até agora não consegui a resposta para essa pergunta. E isso me deixou mal, muito mal.

Do lugar errado, na hora errada

Estou voltando com a Marion do aniversário do Thiago, falando sobre a vida, quando sinto um empurrão forte e ouço a Marion gritando. Quando viro, vejo um nacker (os vagabundos que usam roupas esportivas) tentando puxar a minha bolsa. E eu pego na bolsa e grito “please, no, no!”. E ele grita que precisa do dinheiro, grita para eu largar, diz que vai me machucar (e ameaça me bater). E a Marion começa a bater nele. E então ele consegue levar a minha bolsa e sai correndo, com 8 euros em dinheiro, 10 euros no meu “bilhete único”, 16 euros em selos (aliás, sem postais por enquanto, pessoal), meu Heritage Card novinho em folha, meus cartões de crédito do Brasil, minhas chaves e, o mais importante, O MEU GNIB, MEU VISTO, O QUE ME PERMITE VIVER AQUI.

Saí gritando na rua “my documents!”, “I hate this country!”, “I want to go back to my house!”. A Marion tremendo e dizendo baixinho “I’m so scared”. Chegamos em casa e eu não sabia o que fazer. Para quem ligava? Não tinha ninguém online no Skype, Mamis, Irmã, Namorado. A Marion ligou para a polícia. Três minutos depois os caras chegam em casa e nos colocam no carro, pedem para mostrarmos onde foi, como era o cara, dizer o que tinha na bolsa. Em vão. Nada do infeliz, nada dos meus documentos.

Chegando em casa, cancelei o cartão do banco da Irlanda, minha irmã cancelou os cartões de crédito para mim. E fui dormir às quatro da manhã, acordando às oito, sem sono, trêmula, tentando fingir que isso não tinha acontecido comigo. Mas aconteceu. Castigo? Energia negativa? Coincidência? Azar? Não sei dizer. Só estou seguindo em frente.

Pedi um novo cartão no banco e estou aguardando o meu Police Report chegar para poder ir à imigração e pedir um novo GNIB, rezando para que eles não me cobrem os 150 euros que paguei para ter o documento. Ah, e larguei meu emprego no bar, porque eu voltava toda noite pelo mesmo caminho, na mesma hora. E se isso me acontece de novo? =S

Quando eu lembro do que aconteceu, ainda fico puta. Ainda tento pensar “e se eu tivesse gritado mais alto?”. Ainda passo no lugar e olho na rua para ver se não vejo a minha bolsa jogada. Bobeira. Nada vai adiantar. É só seguir em frente agora.

Da fase cor de rosa

Mas quer saber? Chega. Eu não quero mais pensar nisso. Ah, eu não consigo um emprego que me pague melhor? Foda-se. O meu emprego é o mais gostoso do mundo, eu cuido de quatro bebês maravilhosos, que eu amo. Ah, eu não vou conseguir viajar toda a Europa? Foda-se. Eu vou viajar bem o que der e do meu jeito, especial como eu sei que é.

E que venha a fase cor de rosa!

P.S.: Beto, você foi o meu pilar e me segurou para eu não cair. Rose e Carmenio, obrigada por me fazerem lembrar meu lugar é com vocês, comendo pasta na sexta à noite, com um filme depois e uma caixa de Bis. Bruna, falar sobre partos no meio da angústia é um grande alívio. João Victor, quando eu penso na turnê Iron Maiden 2013 que veremos juntos, eu fico feliz. Vocês são tudo o que eu preciso. Sempre.

P.S.: O quadro é um Picasso – “La femme aux Bras Croises”. Hum, eu bem que queria ser como o Picasso e fazer alguma coisa de útil de uma fase azul. O.O