The Magical Mistery Tour, por Beto

Olá leitores!

Aqui vos fala Beto, afinal promessa é dívida, então tratei de separar um tempo para essa missão, em meio ao turbilhão de preparativos finais que parece nunca ter fim (não sei se sou dramático demais, mas poxa, como deu trabalho planejar essa viagem! o.o). Sou verde nesse negócio de blog, então queiram me perdoar se esta leitura não for tão agradável como as demais que vocês encontraram por aqui – meu objetivo é apenas contar um pouquinho do que nos espera no Leste e
distraí-los, até que a escritora que amamos volte =)

The Magical Mistery Tour é um termo que me surgiu logo no começo dos planos, na concepção da aventura, de maneira muito natural. Na época, eu começava a tomar ciência do que aquele lado do globo tem a oferecer e diversos países, por mais incomum que possa parecer declarar visitá-los, me interessavam. Já era claro que haveria muita magia e mistério nesse nosso roteiro de Reencontro!

Contudo, com o avanço das pesquisas (é tão bom planejar viagens assim, não é? é incrível pensar em como tudo vai caminhando à partir daquele singelo momento em que você diz: “vamos”) e os acontecimentos do ano passado, acabamos por escolher três países, aqueles que sempre foram essenciais, no intuito de conhecê-los o melhor possível. E hoje eu sou capaz de enxergar como eles formam um arco perfeito, como se relacionam e se completam, mas como cada um deles nos colocará em um panorama especial. Cada avião será como um portal, eu suspeito.

Bem, sem mais delongas, nosso circuito começa na Áustria. Sim, caros, este humilde casal, tão apaixonado e homogêneo, que vem amargando tão cruel distância, não obstante mantendo seu amor vivo (e fazendo-o crescer!), terá sua redenção em Viena, a cidade da elegância, da música, a antiga morada da poderosa família Habsburg, que reinou na região por 400 anos e logrou para si uma inacreditável riqueza cultural, hoje à disposição de humildes viajantes como nós em vistosos museus e palácios. Até a coroa do Sacro Império Romano Germânico, em toda a sua glória, nós teremos a honra de contemplar! *-* Agora, avançando um pouco na história, a cidade de Viena também é famosa por seus movimentos artísticos, como a Secessão, aonde um grupo de artistas liderados por Gustav Klimt protestou contra as normas tradicionais no meio e acabou por criar a identidade da arte no país. Uma identidade, pode-se dizer, colorida e liberal. Uma identidade que vale a pena conhecer.

Ainda em solo austríaco, visitaremos a bucólica Salzburg, localizada em um vale nos alpes, decorada com torres de igrejas e uma imponente fortaleza no topo da colina. Nada mal, né? =)
Esse cenário encantado é berço de um dos maiores seres humanos de todos os tempos conhecidos: Wolfgang Amadeus Mozart. O gênio nasceu no número 9 da charmosa Getreidegasse, uma ruela antiga do tempo em que as casas não tinham números, mas logotipos que identificavam a família que ali residia.
Muitos conhecem Salzburg graças ao filme The Sound of Music (traduzido sumariamente em terras tupiniquins como A Noviça Rebelde ¬¬), que captura como nenhuma outra obra a magia acerca deste lugar saído direto dos contos de fada. “The hills are alive with the sound of music” and I’m looking forward to feel it =)

Nosso circuito termina na República Tcheca. Ficaremos hospedados em um apartamento em Praga (que, diga-se de passagem, foi por alguns anos capital do império dos Habsburg ^^) e dali exploraremos algumas regiões do país. País… O que esperar deste país, de história riquíssima, que já foi parte de vários outros no decorrer dos séculos, que já viu tantas guerras e que só há pouco alcançou sua formação atual, enquanto República? E de seu povo, reconhecidamente especial,
interessado em absorver cultura de todo o resto do mundo, pioneiro em abrir suas fronteiras para o turismo (logo após a queda do Muro de Berlim), receptivo e carismático, embora ainda, de certa forma, misterioso? E de sua capital, Praga, A Pérola do Oriente, A Cidade das 100 Torres, gótica e bela, cortada pelo Rio Vltava, repleta de encantos e acusada por um de seus mais ilustres filhos, Franz Kafka, de não deixar quem a visita ir embora: “… esta velha tem garras”?
Bem, eu espero me maravilhar a cada passo =)

Há quem diga que Praga é uma mistura constante do antigo com o moderno. Ao mesmo tempo que seu fascínio reside no mar de telhados vermelhos, nas velhas torres góticas da St. Vitus Cathedral e da Tyn Church, no recorte da austera fortaleza Vysehrad sobre o rio e nas histórias românticas acerca da Charles Bridge, muitos outros destacam sua vibrante vida noturna, suas baladas inacreditáveis, sua vibração constante. De nossa parte, Menina e eu, gastaremos mais
tempo admirando gárgulas, mas com certeza várias tavernas receberão nossa visita e nos servirão um pouco da paixão nacional =)

“Paixão nacional”; você sabia que a República Tcheca é o país com maior consumo per capito de cerveja no mundo?! Há um antigo provérbio tcheco que diz: “Uma boa cerveja pode ser avaliada com um gole apenas, mas é melhor beber mais para ter certeza”, e é bem por aí, pois por lá cada pessoa consome em média 143 litros do abençoado nectar por ano! A importância do país para a cultura da cerveja no mundo é notável, já que o tipo mais consumido no planeta, a Pilsen,
foi inventado ali, na cidade de Plzen. E nós, como bons nerds e apreciadores de cerveja que somos, trataremos de visitar a cidade e conhecer as instalações da cervejaria responsável pela proeza (Pilsner Urquell). Porém, há ainda mais do que o fator histórico da coisa, já que reza a lenda que a fórmula original da pilsen perde algumas de suas propriedades com o trânsito de exportação, de maneira que só se consome a verdadeira ali, em solo tcheco. Ai, ai s2

Nosso roteiro naquele país ainda inclui a onírica cidade de Český Krumlov, e é esse local que mais desperta meu interesse no país, depois da capital. A pequena cidade medieval parece ter parado no tempo há 200 anos, e caminhar por suas ruas basta para se sentir maravilhado. No alto da colina, um chateau atordoante e, em seu sopé, a curva do Rio Vltava. A curva do rio… olha isso! Dá pra acreditar? *__*
Esse é o cenário escolhido para a celebração do aniversário de 25 anos deste que vos escreve, no dia 26 de fevereiro. Quando então pretendo transferir o cetro de comandante do passeio para a minha princesa, que terá a responsabilidade de me presentear com um dia inesquecível. Hehe, acho que nem será tão difícil, né? ;P

Por fim, mas já sem Ela (que terá voltado para Dublin para as despedidas e o voo de volta ao Brasil), visitarei a cidade de Kutná Hora, que foi durante muito tempo a segunda cidade mais importante de toda a Boemia (atrás apenas de Praga), graças ao seu imenso estoque de prata. A prata, infelizmente, “acabou”, mas as minas antigas continuam atraindo visitantes a esta bela cidade. Outrossim, o que desperta o interesse de muitos viajantes (o meu, inclusive) é a, hum…
taciturna Sedlec Ossuary. No passado, na época das pragas e pestes, era costume usar igrejas como leito de morte para centenas de pessoas, e essa igreja foi uma daquelas que tiveram este fim. Contudo, no final do século 19, um escultor com um senso de arte um tanto peculiar, retirou das criptas milhares de ossos (cerca 40.000, pra ser mais exato) e com eles deu um novo aspecto ao lugar. Sinistro! Eu vou, mas quem conhece a Talita já consegue imaginar porque ela não
fez muita questão de tomar parte neste passeio, não é? =)

Bem, eu já falei do começo e do fim, mas nossa viagem realmente culmina na Rússia. A Mãe. E sobre ela ainda me considero até inapto a falar.
Me declaro assim, pois aquele país é um mundo. Um mundo que poucos conhecem, que muitos temem sequer cogitar conhecer, que em muito não se deixa conhecer.
Mas a Rússia sempre me fascinou. E a Rússia, hoje, é perfeitamente acessível: que ironia, voaremos por uma companhia aérea alemã direto até Moscou =)
Quando decidimos que a visitaríamos, como parte do Projeto Rússia escolhi alguns pontos de toda essa vastidão de conhecimento para explorar. Além de aprender o alfabeto cirílico russo (*-*), tomar ciência de um pouco da história dos seus líderes antigos mais notáveis (Ivan O Terrível, Pedro O Grande, Catarina) e da Revolução Russa e da ditadura soviética que a procede, decidi mergulhar na obra de um dos maiores escritores russos (e mundiais!): Fiódor Dostoiévski. Meu único contato com a literatura realista russa havia sido através de Almas Mortas, de Nikolai Gógol, e eu já havia me encantado com a vida campestre que ele ali retrata (isbás s2), e principalmente com aquele espírito… aquele, russo, tão único e complexo. Mas em Dostoiésvki eu realmente viajei. O arco de sua obra que eu escolhi ler antes da viagem (Crime e Castigo, O Eterno Marido e Memórias do Subsolo) me apresentou um pouco do cenário existente no país no final do século 19. Nem tanto do ponto de vista político, mas sim social e, sobretudo, individual. O indivíduo russo, o seu pensamento. O seu intelecto e como a reclusão, a solidão e a clausura inerentes ao contexto da época o colocam num patamar [belo e] sublime. Em Crime e Castigo e Memórias, por exemplo, o Mestre nos coloca dentro da mente de sujeitos que almejam, vaidosos, alcançar algo, talvez, inalcançável, ou que não lhes cabe. E não é pelo status social que eles
almejam, pela imagem, pois os outros estão abaixo deles, lhes são indignos, limitados, estreitos, mas por si próprios. Um compromisso consigo mesmo, uma obra. Na prática, porém são assassinos em febre, com medo, ou “camundongos de consciência hipertrofiada”.

Deixando um pouco de lado esta questão, as obras de Dostoiévski me apresentaram uma São Petersburgo que já não existe mais. Uma São Petersburgo miserável, mal cheirosa, calamitosa. Inspiradora sim, sempre, mas de um povo sedento de pão, água e vida. Não encontraremos essa cidade em 18 de fevereiro de 2013, mas uma nova velha cidade. A grandiosidade com a qual ela foi concebida por Pedro O Grande, quando este projeta uma cidade grandiosa numa região outrora pantanosa, contra todos, e faz dela capital do império, está de novo à vista. Ah, e que vista! São Petersburgo é toda cortada por rios e canais e suas 342 pontes ajudam a criar um cenário ímpar. Ímpar, sim, pois embora ela seja conhecida como A Veneza do Norte, particularmente não dou muita atenção ao termo.
Chame-a de Leningrado, Petrogrado, Petersburgo, Píter – ela por si só já teve várias faces – mas não há com o quê compará-la. E não há outro lugar, em nosso roteiro mágico, que eu mais queira conhecer =)

Eu sou uma pessoa romântica. Sou pisciano, sou um sonhador.
Isto dito e para finalizar a questão Dostoiévski, gostaria de destacar uma ideia exposta em Memórias do Subsolo a respeito do romantismo, conceito tão abrangente e, por vezes, mistificado:

“Ao contrário, as características do nosso romântico são absoluta e diretamente opostas às do europeu supraestelar, e nenhuma medidazinha européia é adequada no caso. (Permitam-me usar esta palavra: “romântico”, é uma palavra antiga, respeitável, com algum merecimento, e de todos conhecida.) As características do nosso romântico são: tudo compreender, tudo ver e vê-lo muitas vezes, de modo incomparavelmente mais nítido do que o fazem todas as nossas inteligências mais positivas; não se conformar com nada e com ninguém, mas, ao mesmo tempo, não desdenhar nada; tudo contornar, ceder a tudo, agir com todos diplomaticamente; nunca perder de vista o objetivo útil, prático (…), e olhar este objetivo através de todos os entusiasmos e volumezinhos de versinhos líricos e, ao mesmo tempo, conservar dentro de si, indestrutível, como num sepulcro, o “belo e sublime”, e também conservar a si mesmo, integralmente, em algodão, como um pequeno objeto de ourivessaria, ainda que seja, por exemplo, em proveito daquele mesmo “belo e sublime”.

É claro que eu não poderia deixar-lhes minhas notas sobre nossa viagem para a Rússia sem destacar sua surreal capital. Se São Petersburgo é Inspiração, Moscou é Poder. Quem nunca se maravilhou com a visão dos muros vermelhos do Kremlin e das cúpulas coloridas da Catedral de São Basílio? Imagino que em nenhum momento da viagem nos sentiremos mais longe de casa, do que caminhando por uma nevada Praça Vermelha. Sabe, por aqui a ficha ainda nem caiu…

Bem, é isso, senhoras e senhores! Foi, para mim, um imenso prazer escrever-lhes! Muito obrigado pela atenção e, principalmente, pela paciência =)
Desde que o Meu Amor criou este blog e começou a registrar nele toda a sua experiência durante este intercâmbio, eu me pergunto qual seria a minha contribuição, caso ela me oferecesse a oportunidade de contribuir. Espero que gostem do resultado, hehe, mas como ela mesma sempre diz – e agora mais que nunca consigo entender – “a ideia do projeto é escrever mais pra si”.

Mais informações e, finalmente fotografias (É, PARA DE ESCREVER, CARLOS, QUE CARA CHATO! xD), virão em breve =)

Nossa viagem será inesquecível, mas a despeito de tudo o que destaquei nos parágrafos acima (e de tudo o mais que descobriremos por lá), o que mais concederá a ela esse adjetivo é o fato de estar com Ela. De estarmos, em fim, juntos. Nem precisaríamos ir tão longe, afinal, neste, que é nosso último romance, sair de casa já é se aventurar.

Auf Wiedersehen/ До встречи/ Na shledanou/ Até logo!

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2 pensamentos sobre “The Magical Mistery Tour, por Beto

  1. CARMENIO disse:

    Excelente texto…BOA VIAGEM !!!!
    E bebam umas lá por mim, nos 3 países !!!!

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