Conhecendo o Velho Oeste

Onde você chega em São Paulo com três horas de viagem? Para o Guarujá? Campinas? No máximo para Americana? Bom, aqui na Irlanda, você atravessa o país! >.< Fato comprovado na viagem de um final de semana no mês passado (ah, a falta que faz a internet quando se tem um blog ¬¬), quando eu e a Jubs fomos até o extremo Oeste, nos condados de Galway e Clare, com muitas aventuras e desventuras =)

08/09, Sábado, Co. Galway

O dia começa cedo, com uma breve conversa com o meu namorado no Skype que, por mágica, esta indo desligar o computador bem na hora em que eu acordei s2 Juras de amor mais tarde, eu estava trocada, tomando o meu café, dando um beijo no Airt (sim, acordado desde antes de mim) e pegando o clássico 130 em direção à Talbot Street, onde encontraria a Jubs.

De lá, fomos andando para a rodoviária aqui de Dublin, a Busarás (em gaélico, rodoviária mesmo) e entregamos o nosso comprovante de compra online ao motorista (é, aqui não tem aqueles bilhetinhos de impressora matricial não!) e nos acomodamos nas confortáveis poltronas.

E o ônibus vai andando, saindo de Dublin, pegando rodovias, e nós duas batendo o maior papo, falando da ex-firma, ela me atualizando sobre os meus ex-colegas de trabalho, queridos para sempre, sobre os amores, sobre os passeios, sobre os planos futuros. E vamos passando por paisagens bem interioranas, com ovelhas no pasto, casinhas no meio do nada, vilarejos com pubs coloridos. Um charme!

Finalmente, chegamos em Galway, as bexigas apertadas (haja água na garganta para tanto papo!) e a primeira parada, como sempre, foi a rodoviária para pegar um mapa da cidade. De lá, andamos até o nosso hostel, o Nimmos Hostel, (bem) localizado entre o Spanish Arch e a Eyre Square.

Galway é a terceira maior cidade da Irlanda e foi fundada com a construção de um forte em 1.124 pelo rei da província de Connacht. Com o passar do tempo (e a invasão dos anglo-normandos), o desenvolvimento foi chegando, dando forma de cidade àquela estrutura primitiva. Hoje ela é conhecida como “a cidade das tribos” e muito famosa por sua noite de música ao vivo, que me foi muito bem recomendada =)

Como temos que fazer o check-in, vou subindo as escadas desertas e vejo uma mesa cheia de papéis bagunçados, mas ninguém para atender. Então me vem um senhor carregando lençóis e suponho que ele é o camareiro e pergunto onde é a recepção. Ele me diz “Aqui mesmo!” e começa a cuidar do check-in. É, ele é o camareiro e o recepcionista, talvez o dono, quem sabe? >.< Deixamos as malas no Luggage Room, botamos as câmeras no pescoço e vamos bater perna.

Ah, mas primeiro precisamos comer! Quem conhece a Juliana sabe que esse é um assunto de vital importância =P Então escolhemos um pub bonito por fora, estonteante por dentro e com uma comida cheirosa. O tipo de menu que eles servem é o chamado “Carvery”, tipo um prato feito em que o atendente vai te servindo de acordo com o que você pede. Um pratão de bife, purê de batatas, gravy, yorkshire pudding, couve e cenouras depois, estávamos felizes e prontas para aproveitar a cidade.

Fomos ao centro de informações turísticas, para comprar o nosso tour para os Cliffs of Moher e região no dia seguinte. E a Jubs quis perguntar para a atendente o que ela indicava para fazer em Galway. Eu fui meio contra, com o meu incrível guia embaixo do braço e a prepotência de quem sabe o que está fazendo. Mas não é que a moça rabiscou no nosso mapa um roteiro à pé que cobria tudo e mais um pouco, otimizando tempo e pernadas? Lição do dia: deixe de lado o seu orgulho e pergunte para os guias, eles sabem mais do que você, mesmo que você tenha lido tudo sobre a cidade.

E vimos a Eyre Square, uma praça bem no centro da cidade, cheia de crianças brincando e adolescentes fumando. A região era usada como mercado na era medieval e os primeiros registros de tentativas de dar um pouco de glamour à praça datam de 1.631. É engraçado, o nome oficial da praça é “John F. Kennedy Memorial Park”, em honra da visita do dito cujo à Galway pouco tempo antes de ser assassinado. Mas quase ninguém sabe isso e o nome popular é Eyre Square mesmo.

E depois fomos ao Lynch Castle, construído no século XVI e que um dia já foi lar da mais poderosa família de Galway. Ele é construído em estilo gótico e é o único prédio completamente medieval que ainda existe na cidade. Ele foi adquirido pelo AIB Bank em 1930 e uma agência funciona lá dentro hoje em dia. Chegando lá, eu fiquei brava porque não conseguia tirar uma foto decente devido a um tiozinho que estava tocando piano e uma multidão se aglomerava em volta dele. E eu fui dando cotoveladas, tentando pegar o melhor ângulo, quando ele me solta um puta vozeirão e começa a cantar um blues de arrepiar. Ok, me desculpe. Você pode ficar aí o tempo que quiser =)

E vamos andando até a St. Nicholas Church, fundada em 1.320, com uma feirinha de comida e artesanato em volta, onde um dos vendedores pergunta se sou argentina, porque sou exótica. Hum, o que isso quer dizer? o.O

De lá para o Spanish Arch, literalmente um arco de pedra, que originalmente era uma extensão da cidade murada, como uma forma de proteção da cidade. Ele foi construído em 1.584 e tem esse nome porque é localizado perto de onde os navios de peixes e especiarias atracavam para desembarcar produtos, especialmente, navios espanhóis. E ficamos apreciando a paisagem e tirando fotos legais.

Depois, para o vizinho Galway Museum, fundado em 2006, e que conta tudo sobre a história da cidade. Por lá tem de tudo, desde cartazes chamando homens para a guerra, à barcos, à pedras históricas, às bandas famosas que nasceram em Galway.

E ficamos andando nas docas até chegar na praia e eu percebo que, pela primeira vez, estou olhando o mar em direção ao Brasil e, de certa forma, me sinto perto de casa.

E fomos para a St. Nicholas Cathedral, onde descubro que a Jubs gosta tanto de igrejas velhas como eu e que tem a mesma mania de acender uma velinha (50 cents) só para agradecer as coisas boas! E a surpresa é que essa é uma catedral incrivelmente nova, se comparada às demais aqui na Irlanda. Ela foi construída em 1958! Bem reparei que o estilo do teto da nave era meio modernoso =)

E volta para o hostel, descansar as pernas porque o dia foi longo. E foi hilário ver a Juliana se sentir incomodada com a limpeza do chão do quarto (a desejar mesmo), o estado dos lençóis (o dela tinha uma mancha rosa >.<). Mas ela volta do banho e diz que o chuveiro é bom. Opa, eu penso, que bom! E lá vou eu para o meu banho. Entro no banheiro e não vejo um chuveiro, só uma bica. Ah, a Jubs deve ter ido em outro banheiro, mas como já estou sem roupa, vai nesse mesmo. E tomo banho na bica. Volto para o quarto e conto para ela “haha, tomei banho na bica, que absurdo!”. E ela me olha e diz “Ué, você não gostou? Achei bom, tem pressão!”. Oi, como assim? Ela não gosta do lençol rosa, mas tudo bem com a bica? É, coisas de Jubs.

E vamos curtir a noite musical de Galway, muito bem recomendada pelas minhas chefes, parando primeiro para comer no Supermacs, um Mc Donald’s baratinho daqui, onde pagamos por um lanche e ganhamos dois, graças aos vouchers promocionais que tínhamos.

E bóra escolher um pub na Quays Street, a rua dos bares e restaurantes de Galway. Acabamos por escolher o Kings Head, por sua fachada maluca, pela simpatia do segurança que soube vender bem o lugar e pela decoração linda do interior. E dá-lhe Guinness até começar a banda, que mandava uma melhor que a outra, com Creedence, Kings of Leon, Rolling Stones, Beatles e até Marvin Gaye. Muito bom!

E voltamos a pé para o hostel, para descobrir que tem um pub bem ao lado na maior festa e, da nossa janela, podemos ouvir até as conversas. Problema? Imagina, só vi a Juliana indo lavar o rosto na pia perto da cama e nada mais.

09/09, Domingo, Co. Clare

E eu mal fecho o olho e já ouço o meu despertador. E mal sento na cama, vejo uma cena que para o meu coração. Na beliche da frente, uma menina dormindo na cama de baixo, um cara dormindo na cama de cima. E ele põe o braço para baixo, no vão entre uma cama e outra e faz carinho no braço dela com os dedos, por um longo tempo. E ela dormindo e eu ali, observando tudo sem respirar. Por fim, ela acorda e segura a mão dele. Entendem onde eu quero chegar? Poxa, o meu namorado faria isso. Podia ser eu e ele ali. Se ele estivesse aqui.

Meio desnorteada por todos os sentimentos que aquela cena provocou, saímos para tomar café da manhã. Em uma viagem normal, eu teria comprado coisas no mercado e tomado café no hostel. Mas a Jubs gosta de comer bem, então fomos em um café, com um tipo de sanduíche Bauru e suco de laranja.

Alimentadas, partimos para a Coach Station, o ponto de saída do nosso tour. Percebo que lá é uma estação quase que exclusiva para ônibus de tour, seja para os Cliffs, Connemara ou Ilhas Aran (todas por aquelas bandas), o que é muito inteligente, assim o trânsito da cidade não fica comprometido com o embarca/desembarca de passageiros.

Já dentro do ônibus, o motorista dá um aviso que acho absurdo e óbvio que isso não vai acontecer comigo: “Então, o caminho é meio tortuoso e se vocês sentirem vontade de vomitar, me avisem que tenho a sacola!”. Quinze minutos depois, eu já sentia enjôo. Resolvi dormir para ver se passava.

E a primeira parada foi na Conolly Farm, onde faríamos uma caminhada pelo Burren (terra rochosa, do gaélico), ecossistema típico irlandês do condado de Clare. O grupo se dividiu aqui, já que metade escolheu visitar uma caverna próxima, a Jubs entre eles. E lá fui eu, com um monte de alemães, espanhóis, canadenses e por aí vai, montanha acima com o guia muito legal e bem humorado, explicando que o Burren é formado principalmente por planaltos de calcário, com poucas árvores e variedade de plantas e que é muito utilizado como pasto para gado.

E volta para o ônibus, e vamos pegar o resto do grupo (não perde a minha Jubs, por favor!) e vamos agora para os Cliffs. E o meu enjôo fica pior e eu sinto a máquina pendurada no meu pescoço andar para lá e para cá no meu corpo e isso faz tudo ficar pior. Ok, vou dormir então para ver se distrai. E durmo. E quando acordo, escuto a notícia “Estamos chegando aos Cliffs, uma pena que está meio nublado, mas pode ser que o tempo abra”. Ops.

Pisamos para fora do ônibus e um vento de cortar a alma chega. E vamos andando em direção aos Cliffs. Mas, onde eles estão mesmo? Nada, tudo branco. Não é possível, vamos andar um pouco mais, eles devem aparecer ali pra frente. E subimos um morrinho e vem uma chuva gelada, fina, constante, que molha até a minha alma e corta o rosto. E vamos andando agora na beirada dos Cliffs, ainda com a paisagem totalmente branca. Mas aí o terreno começa a ficar escorregadio. E o precipício ali do lado. E eu já vejo manchentes “brasileiras morrem ao cair de cliffs escorregadios na Irlanda”. E decido parar, fodam-se a porcaria dos Cliffs. E fico ali, esperando a Jubs que decidiu se aventurar um pouco mais, sumindo na neblina. E ela volta dizendo que não adianta, tá tudo branco mesmo.

Volto xingando até a quinta geração desse tempo imprevisível e maldito da Irlanda, quando lembro que a cena do Dumbledore e do Harry na caverna do Tom Riddle foi filmada aqui. Ah, tá. Acho que estava escrito no guia que esse guia contemplava o “Dumbledore Experience”, pois me sinto igualzinho a ele, no meio da tempestade em cima do penhasco ¬¬

Como não tínhamos o que ver, fomos até um castelo do outro lado – a loja de souvenirs – e vejo todo mundo comprando postais dos Cliffs, já que não dá para tirar foto mesmo. E voltamos para o ônibus, calça, blusa, cabelo, máquinas molhadas, tristes e decepcionadas. GENTE, COMO ASSIM EU PAGUEI PARA FAZER O TOUR E ESTAVA NUBLADO A PONTO DE NÃO CONSEGUIR VER PORCARIA NENHUMA? Ai, que ódio =(

[O pior é que eu sou tão neurótica que provavelmente vou fazer essa porcaria de novo, porque não posso ir embora da Irlanda sem ver esses cliffs!]

[Então, me recuso a falar mais sobre os Cliffs aqui, ok? Essa não valeu =S]

E o motorista tenta animar a gente no caminho para a próxima atração, dizendo que tem gente que encontra situações piores, que não conseguem nem ver um palmo à sua frente. E me dá vontade de dizer “Oi, você pode por favor assumir que a gente se ferrou bonito? Obrigada!”. Paramos em um pub para almoçar e eu vou de sopinha baratinha, já pensando que vou ter que pagar esse tour novamente um dia.

E agora vamos para Poulnabrone Dolmen, um monumento de pedra que guarda o túmulo de 22 adultos e 6 crianças, enterrados ali entre 4.200 aC e 2.900 aC. Incrível, não é? Legal, região bonita, até a hora que volta a chover.

E a última parada é o Dunguaire Castle, construído no século XVI, parada fotográfica como sempre, castelos lindos em ruínas no meio do nada, como sempre. E para me matar de raiva, o sol começa a sair e o ceú fica limpo. E me dá vontade de subornar o motorista para ele voltar para os Cliffs!

Chegamos em Galway, corremos para o hostel pegar as malas e corremos para a rodoviária pegar o ônibus de volta para Dublin. E mais 2 horas de papo com a Jubs querida e mais uns cochilos e chegamos em Dublin. Para fechar, fomos utilizar mais um dos nossos vouchers do Supermacs e comemos uma pizza. Peguei o ônibus das 22h50 e cheguei em casa morrendo de vontade de falar com o meu namorado, para descobrir que a internet de casa não funcionava. É, acho que não foi o melhor dos meus dias mesmo.

P.S.: Só uma curiosidade. Esse foi o “Dia das fotos da Talita com cabelo estranho”. TODAS as minhas fotos ficaram prejudicadas por alguma posição esquisita que o vento suave (¬¬) da Irlanda quis fazer. Fiz questão de postar as fotos, para que fique registrado =S

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Entre parques e beijos

Olá!

Semana feliz por aqui. Tenho conseguido me adaptar bem à minha nova rotina, tenho ficado menos cansada, notícias boas no Brasil e gente querida chegando. E ontem foi o melhor dia da semana, tanto que merece um registro especial =)

Fairview Park


Para aproveitar o tempo bom (Aliás, onde já se viu o outono ser mais quente e ensolarado que o verão? Só na Irlanda mesmo ¬¬), levei o Airt para o Faiview Park, perto aqui de casa. Ele foi fundado em 1920 e é famoso por sua ciclovia e os bem equipados playgrounds. Pegamos o ônibus e inventei de levá-lo no andar superior, já que ele é simplesmente apaixonado pelos “un-un” (bus, na língua do Airt) e imaginei que seria emocionante para ele ver tudo da janelona de cima. #NOT. Emoção mesmo foi a minha, ao descer aquela escada estreita com o ônibus balançando e ele no meu colo =S

O dia estava SENSACIONAL e ficamos brincando no parquinho, ele correndo e eu atrás, tentando tirar fotos. Depois deitamos no balanço (sim, grande que dá para deitar) e ficamos olhando as nuvens. Foi uma bela manhã =)

Jubs do meu coração

E finalmente, o momento de encontrar a minha Jubs querida! Lá estávamos nós (eu, Li e Lucia – a eslovaca que entrou no meu lugar no apartamento) esperando a Ju na esquina da Fleet Street, as meninas batendo um papo e eu nervosa, olhando para a rua o tempo todo, esperando ver algo de familiar.

E, de repente, eu a vejo. Ela andando séria como sempre, cabeça baixa, pensativa. Jubs, Jubs! Saio correndo (e deixo a Aline e Lucia falando) e paro na frente dela, dando pulos dessa altura, ó! E grito e abraço ela bem apertado e me vem lágrimas aos olhos. Poxa, que emoção! A última vez que a vi foi no aeroporto, minutos antes de eu embarcar. É tão incrível poder vê-la aqui =)

Passado o momento vergonha alheia de mim mesma, vamos andando até o PorterHouse, o pub escolhido para a noite e eu retiro completamente a minha declaração de que os bares de São Paulo tem muito mais atrativos que os Dublin. Gente, aquilo é um empório de cerveja! Eles até fabricam a sua própria cerveja *____*

E sentamos no último andar e fazemos os pedidos, Stout para mim e para a Lucia, Weiss para a Li e Jubs. E, claro, uma porção gigantesca de salsichas, batatas, onion rings, asinhas de frango, mini-hamburguers. Ah, como a Jubs faz falta na minha vida!

E meu cérebro tem um momento de colapso ali, ao ver aquela japa do meu ex-emprego, para quem eu reclama do workflow, que bebia Original no copo americano comigo, falando inglês (e muito bem!) com a minha amiga eslovaca, bebendo uma Weiss, no Temple Bar de Dublin.

Para finalizar, um bolo para mim (meu namorado está há 9 mil km de distância, então eu mereço, obrigada) e sorvete para as meninas. E eu sinto um aperto ao dar tchau para a Jubs quando os nossos caminhos da volta se separam. Oi, posso não te largar nunca mais, até eu voltar para o Brasil?

P.S. A boa notícia é que estamos arrumando as malas para um bate e volta no final de semana. O destino? Galway e os famosos Cliffs of Moher =)

P.S. Meus pais me mandaram um carregamento de doces brasileiros pela Japa! Nham, paçoquinha Amor, doce de abóbora, doce de leite, goiabada. É, acho que eles estão querendo me subornar para voltar antes =P

See you!

Dos últimos finais de semana

Sim, as coisas andam meio paradas por aqui. Mas, poxa, eu acabei de escrever um livro sobre a viagem à Belfast e isso esgota as energias! Além disso, ainda estou em fase de adaptação no emprego novo, já que o dia da Mags mudar de casa chegou e a minha rotina ficou meio insana com isso (comento sobre ela mais para frente porque, só de pensar, já fico cansada).

# Fim de semana 1

Eu estava de plantão para ir até a casa nova da Mags organizar as coisas dos bebês, já que eu sei o jeito que ela gosta das coisas e dobro as milhares de roupas deles como ninguém. Mas o que era para ser sábado, ficou para domingo e eu perdi quase todo o final de semana nessa espera.

O sábado musical

No restinho que sobrou do sábado, quando descobri que não seria necessária na mudança, corri para aproveitar dois eventos super legais que estavam rolando em Dublin, mas muito pelas coxas, por causa do pouco tempo disponível. A primeira parada foi o Dublin Tall Ships Races 2012, literalmente uma corrida de navios, que começou na França em maio e terminou aqui em Dublin no final de agosto. Para comemorar a chegada dos navios aqui, quatro dias de festival com música, comida, arte e exposições foram organizados nas Docklands, a região das docas de Dublin, que eu adoro ^^

Cheguei e fui direto para a arena da Bulmers (a famosa cidra irlandesa, que eu detesto), palco dos shows das bandas independentes aqui de Dublin. O som estava sensacional, enquanto eu esperava na fila e decidi ir direto mesmo, sem ver os navios (erro, porque acabei não voltando para ver o principal, depois de algumas cervejas na cabeça =S). Assisti a dois shows, das bandas Frank & Walters (música mais alternativa, meio indie, mas com um balanço legal) e a Therapy? (que me fez lembrar dos shows covers que eu adoro ir com o meu irmão =/).

Saindo de lá, fui para o Down With Jazz Festival que acontecia no Temple Bar, em homenagem a um movimento “anti-Jazz” que surgiu aqui na Irlanda na década de 30, por motivos políticos, mas esqueci de reservar o meu ingresso. Acho que o segurança viu a minha cara de decepção, porque me disse para voltar em uma hora que ele me deixaria entrar =)

Para esperar, fui então para um pub em que eu estava de olho há tempos, um dos únicos nessa cidade que parecia tocar música boa de verdade, o Ha’Penny Bridge Inn. Quando eu ainda trabalhava no Trinity Bar, ficava na esquina (sem comentários maliciosos, por favor) perto desse pub e ouvia o som que rolava aos sábados, um blues e country americano ferrados, de arrepiar!

E lá fomos eu e minha Guinness, viajando na banda residente, Dermot Byrne Blues, composta por dois tiozinhos de cabelos brancos, dois violões e uma gaita. E só com isso, eles levam aquelas músicas que arrepiam até o seu último fio de cabelo e tocam surpresas agradáveis como “Get the Rhythm” do Johnny Cash. Incrível =)

Quase duas horas depois, lembrei do festival de Jazz e corri para lá, mas o meu horário limite para pegar o ônibus já estava chegando (além de todos aqueles casais curtindo a música, bebendo vinho e com luminárias fofas penduradas acima de suas cabeças, o que me irritou profundamente >.<) e eu resolvi ir embora.

O domingo que nem vale a pena comentar

Organizei brinquedos, roupas, limpei móveis e chão, praticamente sem comer nada o dia todo. Chegando em casa, com dor em todas as partes do corpo, recebi uma notícia devastadora, que vou resumir brevemente, porque me dá um aperto no coração falar demais sobre isso. O apartamento onde eu morava (e a Aline, Yujin e Lucia anda moram) foi assaltado e os computadores, máquinas fotográficas e dinheiro delas foi roubado. E eu não quero mais falar sobre isso, nunca mais.

# Fim de semana 2

O sábado em Clontarf

Resolvi ficar aqui pelo bairro mesmo, já que precisaria cuidar do Airt por algumas horas enquanto a Mary Rose iria para a yoga dela. Para economizar no ônibus e aproveitar melhor o sol inacreditável desse começo de outono, peguei a bicicleta dela emprestada. Mais de 40 minutos depois tentando descobrir como abrir a porta da garagem, subi na bicicleta para perceber que o banco era muito alto para mim, tipo de pedalar com as pontas dos pés. Tudo bem, resolvi fazer um esforço. Mas não pensei nas complicações na hora de parar a bendita. E assim, eu caí duas vezes na tentativa de parar, com todo mundo me olhando com cara de dó.

Entre trancos e barrancos, cheguei até o Casino Marino, meu destino daquele sábado. Com o nome do Italiano, significando “casinha perto do mar”, foi projetada pelo arquiteto escocês Sir William Chambers para James Caulfeild, o 1 º Conde de Charlemont, em 1775. A arquitetura é bonita, mas não é isso que faz o lugar merecer uma visita. O charme do negócio é que a casa foi projetada para parecer o que não é, cheia de truques. Olhando de fora, você pensa que a casa possui um único cômodo e andar. Mas ela tem, na verdade, três pisos e uns 10 quartos! É muito maluco! Portas falsas, janelas gigantes que se dividem em várias, efeitos de luz. Que maluquice desse conde e seu arquiteto =)

Voltei para a casa e parei para contemplar a maravilhosa vista do Sea Front, naquele maravilhoso dia, nos meus maravilhosos últimos minutos antes de trabalhar. E almoço, pego o Airt e volto para o Sea Front, com um cobertor, brinquedos e a minha máquina fotográfica, para ele ficar correndo por ali e eu tentando tirar a foto perfeita. Quando ele começa a querer andar para longe demais de mim, percebo que é hora de voltar pra casa.

O domingo da espera

Era um dia muito especial para mim, já que a minha querida amiga Juliana Myisaki (Jubs!) estava chegando do Brasil para ficar um mês estudando aqui. Eu amo a Ju e sinto muito a falta dos nossos almoços, baladinhas, palhaçadas. Mas o mais legal de tê-la aqui é a sensação de ter alguém amigo, conhecido, da minha vida antiga, nessa minha vida nova. Eu estava eufórica!

E a Jubs sempre com uma comida na mão =P

Trabalhei de manhã (aham, yoga novamente) e depois fui direto encontrar a Aline no apartamento dela, onde faríamos almoço. Foi triste entrar ali e, não sei se por causa do que aconteceu ou não, mas não senti nada de acolhedor e familiar ali. Fizemos batatas com creme e queijo ao forno (receita da Mamis da Aline), arroz e uma garrafa e meio de vinho, o que deixou tudo mais legal =P

E fomos bater pernas pelo centro, procurar o bolo perfeito (que não achamos), esperando a Jubs. E nada. E começamos a ficar preocupada. Meia Paulaner depois, ao som de The Cure no Turk’s Head, ela liga. Dei um grito de emoção. Mas, infelizmente, não a encontramos. Ela estava toda enrolada com a chegada e com medo de sair tarde sozinha e se perder. Essa Jubs!

Mas já que estávamos ali e a fome bateu e merecemos porque trabalhamos pra burro, resolvemos ir ao Fridays (de novo ^^) e comer até o estômago doer, com um belo hamburguer e uma sobremesa =D

P.S.: Em breve, mais detalhes sobre a minha rotina insana, o meu bairro maravilhoso e a visita mais que especial da Jubs s2

Irlanda do Norte #Dia 4

Último dia é sempre triste. É hora de juntar as coisas, fazer o check-out, deixar as malas no luggage room do hostel e sair para os últimos passeios. No nosso caso, para Londonderry, a segunda maior cidade da Irlanda do Norte, histórica e importante sob vários aspectos. Ela foi fundada em 546 d.C., quando St. Columbus construiu um mosteiro por lá. Derry, para os íntimos, é reconhecida como a única cidade inteiramente murada que restou na Irlanda e suas fortificações estão entre as mais bem preservadas da Europa.

Para chegar lá, fomos até a rodoviária e pegamos o ônibus (16 pounds, ida e volta), confortável e com dois andares. O trajeto dura pouco mais de uma hora e meia e aproveitamos para comprar o nosso café da manhã no caminho (pão com cream cheese, leite com chocolate direto do gargalo e donuts de geléia) e dormir =X

Por volta das 10h, chegamos em Derry, com o tempo meio fechado e ameaçando chuva (que não veio, ufa!). Saímos da rodoviária e entramos na cidade murada, que foi construída em 1618, para proteger a cidade dos chefes de clã gaélicos rivais. Andamos até chegar no “The Diamond”, memorial em homenagem aos mortos em guerras.

A próxima parada foi a região conhecida como “Free Derry”, por ter se declarado autônoma do controle da Inglaterra. Seu nome vem da mensagem que foi pintada em um muro e que dizia “You are now entering Free Derry”. Os residentes fizeram barricadas para tentar proteger a entrada da polícia inglesa na região e, seis dias após de muitos confrontos, a ordem foi restabelecida. Mas a região ficou para sempre marcada como ponto de tensão e confronto e é possível ver muitos murais políticos por ali, contando a história daquela época triste.

O mais impressionante, porém, é que a região foi palco do “Bloody Sunday”, que o U2 imortalizou em uma de suas mais famosas canções (I can’t believe the news today. I can’t close my eyes and make it go away). Nesse dia, domingo de 30 de janeiro de 1972, a polícia inglesa abriu fogo em direção a um grupo que fazia uma passeata pacífica em favor dos direitos humanos. No total, 13 pessoas foram mortas, sendo a maioria composta por adolescentes e muitos mortos com tiros pelas costas.

É muito triste andar pela mesma rua onde aquelas pessoas foram mortas. Quase crianças, da idade do meu irmão que, mesmo jovens assim, lidavam com problemas sérios e pediam paz. E ali eu senti a mesma impressão que senti no bairro tenso de Belfast. É tudo anormalmente calmo demais. Mas aquele não é um silêncio de paz e tranquilidade. É um silêncio carregado de luto.

Ainda andando por aquelas ruas, vimos uma torre bonita no topo de uma colina e fomos ver o que era. E descobrimos a St. Eugene’s Cathedral, construída em 1849. Ela é muito bonita e uma missa acontecia lá dentro e aproveitei para assistir um pedaço do lado de fora, enquanto a Tami entrava para fotografar a sua santinha que ela, milagrosamente, encontrou por ali ^^

De volta à cidade murada, andamos literalmente por cima do muro até chegar à importante St. Columbu’s Cathedral, construída em 1633, a primeira catedral fundada no Reino Unido após a reforma protestante de Henrique VIII! Muito bonita também e com uma mini-exposição muito interessante no lado de dentro, com artefatos da coroação da rainha Elizabeth II.

Para o almoço, a ideia era um restaurante de vovózinha com uma sopa quentinha. Mas quem disse que achamos? Tudo vazio, tudo parado por ali. Eu não sei se foi o domingo ou o tempo fechado, mas estava até dando um pouco de medo! Paramos então em um restaurante localizado na praça central da cidade murada e pedimos o famoso “Irish Stew”, ensopado de carne e legumes, que tinha mais carne gordurosa do que legumes e me fez meio mal. Mas o pint de John’s Smith estava bom =)

Para nos despedir de Derry, fomos para a região fora da cidade murada e atravessamos o Rio Foley, que corta a cidade. Tiramos fotos, ouvimos um cara tocando música irlandesa, comemos doce em uma área de atividades culturais que está sendo preparada para o próximo ano.

Como já não tínhamos mais nada para ver, antecipamos a nossa volta e chegamos em Belfast lá pelas 16h30. Aproveitamos para dar uma última olhada na cidade, agora do topo, no último andar do Victoria Square, um observatório lindo, com uma vista linda!

E não sobrou muita coisa mais. Foi voltar para o hostel, tomar uma sopa de frango do armário das sobras do hostel (e só a Tamires tem a cara de pau de pegar coisas do armário mesmo depois do check-out >.<), pegar as malas e correr para o trem, onde ficamos batendo papo até chegar em Dublin, lá pelas 21h. E bóra fazer o caminho da roça, ônibus 130, ponto da Clontarf Road, virando à esquerda na Vernon Avenue e direita na Clontarf Park. Casa, por assim dizer.

Irlanda do Norte #Dia 2

E o dia começa com uma torta de cereja comprada no Tesco (1 pound) e aquecida no micro-ondas, com muitas expectativas e ombros à mostra para fazer jus ao sol que começava a raiar. O ônibus do tour veio nos pegar no hostel e quando pisei nele, surgiu um arrependimento. Estava LOTADO! Quase não conseguimos nos sentar juntas, se não fosse a boa vontade de uma senhora que ofereceu seu lugar e foi sentar-se na frente com o motorista (ou ela foi esperta, porque pegou a melhor vista possível).

O motorista era um velhinho simpático, que ficava falando o caminho todo, contando histórias e curiosidades sobre os locais pelos quais passamos (pena que o som era péssimo e não dava para entender quase nada do que ele dizia). Equipadas com máquinas lotadas de bateria (ou não – nunca confie na capacidade que o fabricante diz que a bateria da sua máquina possui) e comida para um batalhão (sanduíches de pão, cream cheese e salame, suco de laranja, maçãs, bolachas Oreo (s2) e muita água), começamos o tour!

Primeira parada, cerca de 30 minutos após deixar Belfast, foi o Carrickfergus Castle, localizado na cidade de mesmo nome, no condado de Antrim. Ele foi construído pelos anglo-normandos em 1.177 e é um dos castelos medievais mais bem preservados da Irlanda. Atualmente, um museu funciona lá dentro, mas não tivemos tempo de visitar, já que a parada era apenas fotográfica e funciona mais ou menos assim: você desce do ônibus e corre, filha, para poder tirar as fotos que quiser, tentando não deixar os milhares de turistas do seu e de outros ônibus as estragarem. Foi bem legal, o lugar é lindo e eu tirei fotos legais =)

E volta para o ônibus, passando por estradas no meio de florestas, com casinhas modestas, vacas, ovelhas, o mar aparecendo uma ou outra vez para dar as graças, batendo papo e comendo sanduíches.

Segunda parada, Carnlough Harbour ou, melhor dizendo, parada do almoço e banheiro, porque tinha um Spar (rede de supermercados de conveniência) ali e nenhuma outra atração que valesse a pena. A má notícia é que o sol tinha ido embora e a chuva tinha chegado, e eu comecei a sentir muita tontura, não sei se pela perspectiva de ter que atravessar a ponte do medo ou pela falta de comida decente. Compramos um salgadinho bem salgado para ver se a minha pressão voltava a subir =X

E volta para o ônibus, agora passando o tempo todo pela costa, com um visual incrível, o sol voltando a aparecer, a tontura diminuindo, a conversa continuando, o motorista ainda tentando contar os fatos sobre aquela localização.

Terceira parada, a famosa Carrick-a-Rede ou Rope Bridge, uma ponte de corda que possibilita a passagem até a ilha de Carrick-a-Rede (do gaélico). Ela possui 20 metros de comprimento e está erguida a 30 metros de altura do nível do mar. Atualmente, sua única função é turística, mas ela já foi muito importante para os pescadores da região, que a construíram nos anos 70 – em estado precário e EU NÃO SEI COMO ELES CONSEGUIAM ATRAVESSAR AQUILO com apenas um corrimão e um espaço ENORME entre as tábuas de madeira.

Ok, atualmente ela não é mais assim, é super segura, tem rede de proteção e tudo o mais, mas ela balança mesmo assim. E eu já desci do ônibus dizendo para a Tami “eu não vou atravessar essa budega, não!” e para mim mesma, pouco reparando na paisagem estonteante que estava ao redor, de tão nervosa que eu estava. E andamos por cerca de 20 minutos do ponto que o ônibus nos deixou até a fila para cruzar a ponte (5 pounds, obrigada), com funcionários dos dois lados, pois eles controlam a vez de quem vai e volta, já que só cabe uma fileira de pessoas por vez na ponte.

E cedo demais chegou a nossa vez. E eu desço as escadas de acesso à ponte já rezando (em voz alta, mesmo, sem me importar): “Jesus do Céu, por favor, me proteja e não me deixe cair aqui!”, a Tami na minha frente já rindo e eu piso na ponte e ela treme toda, mas vou indo, não olhado para lugar nenhum (muito menos para os meus pés), exceto para a frente, para o que ainda falta. E a Tami vira e tenta me dar a máquina dela, para eu bater uma foto. Eu falo: “Oi, posso tirar a foto com a minha máquina mesmo? Assim eu ainda fico com uma das mãos na ponte, ok?” o.O E tiro a foto e continuo a andar. Mas aí, a ponte balança muito mais! A causa? Crianças MALDITAS, que começam a pular atrás de mim. E eu começo a gritar, em português mesmo, porque o inglês ficou lá no fundo da consciência nesse momento: “PAREM DE BALANÇAR, PORRA! FILHOS DA PUTA! CARALHO, ESSA MERDA VAI CAIR!”. E choro, chegando branca do outro lado, com gente rindo da minha cara. E eu ainda tentei me explicar: “Poxa, eu tenho muito medo de altura, isso é muito difícil para mim!”. Eu nem sei se tenho tanto medo de altura assim. Meu medo é de pontes de cordas eu acho, mesmo pequena nunca gostei daquelas de parquinhos – pergunta pra Mamis. Ok, admito que perdi a linha. Ainda bem que só a Tami entendeu os meus palavrões =)

Mas, depois daquilo, tudo ficou mais legal. Tipo, passou o sufoco! E eu pude aproveitar a paisagem sufocante de tão linda (a mais linda que já vi desde que cheguei nesta ilha), o sol, o vento gostoso, as fotos maravilhosas, pensando na vida, na beira daqueles penhascos. Que momento! Na volta, tudo melhor. A Tami foi atrás de mim e “segurou” as pessoas atrás dela, para que eu pudesse atravessar a ponte sozinha. Fui meio correndo, só para garantir =)

E volta para o ônibus, continuando na costa, comendo bolachas porque eu mereço depois dessa provação, xingando as crianças sem consideração com as pessoas, já sentindo o cansaço do dia.

Quarta parada, Dunluce Castle. Ou melhor, ruínas do que um dia foi o Dunluce Castle. Ele foi construído no século 13 pelo rei do Ulster da época. O safado do vendedor do guia me disse que ninguém pode entrar lá, porque é perigoso – já que ele está localizado no topo de uma colina e está caindo aos pedaços. Mas descobri que é mentira, que bastam 5 pounds e você pode visitá-lo sim senhor. É, mas como a parada foi fotográfica, só deu para tirar meia dúzia de fotos e ficar um tempinho ali pensando em como o mundo é maluco, já que ali moravam pessoas de verdade e que nem imaginavam que um bando de turistas equipados com uns troços estranhos no pescoço parariam em frente as ruínas de seu império para se questionar tudo isso.

E volta para o ônibus, agora já acabada, comendo mais sanduíches, tirando um cochilo breve pois ainda temos a principal atração pela frente.

Quinta parada, Old Bushmill Distillery, a parada mais burra da história dos tours pelo condado de Antrim. Imagina, uma parada de 20 minutos, que não te permite visitar a distilaria, só a loja de souvenirs, enquanto esse tempo seria melhor aproveitado nas paisagens naturais, o que trouxe todo mundo até ali. Pois é. Só entramos para descobrir que aquela é destilaria com a licença para funcionar mais antiga do mundo. De resto, ficamos comendo um Kit Kat recém-comprado e sentindo aquele cheiro horrível do whiskey sendo fermentado =P

E volta para o ônibus, agora por favor, podemos ir para a Giants Causeway? Grata.

Sexta parada, Giants Causeway, finalmente, que é a região ainda no condado de Antrim formada por mais de 40 mil colunas de basalto, resultado de uma antiga erupção vulcânica. Essa é a explicação científica, mas ainda existe a explicação poética e folclórica, que diz que essa calçada foi construída pelo guerreiro irlandês Finn MacCool, como uma ponte para a Escócia. Ele, então, foi desafiado por um gigante escocês, Benandonner, que era muito maior que ele. A esposa de Finn, Oonagh, teve então uma ideia genial: ela o disfarçou como um bebê, o colocando em um berço. Quando Benandonner veio, Oonagh disse a ele que Finn estava fora, mas que deveria voltar em breve. Ela o mostrou então “o filho de Finn”. Quando Benandonner viu o tamanho do bebê, ele não teve mais vontade de ver o pai! Benandonner fugiu aterrorizado, destruindo a calçada atrás dele, para que o “enorme Finn MacCool ‘, não pudesse segui-lo.

Acreditem no que quiser, a visão é surpreendente. As colunas são hexagonais e PERFEITAS! Parecem realmente ter sido feitas à mão, ponto para a lenda do gigante. É muito divertido ficar ali, escalando, andando até a ponta da calçada, avistando a Escócia ali do lado (Oi, Edimburgo! Me espera, estou de olho em você!), ou só parando para pensar na vida novamente (Engraçado né? Paisagem bonita te faz pensar na vida.).

E após tudo isso, eu já estava meio tonta, cansada, com fome e coisas estranhas começaram a acontecer comigo. Primeiro, eu lá na ponta final da calçada, esperando a Tami tirar uma foto minha e me vem uma onda (que eu sinceramente achei que ia me derrubar) e me molha até os tornozelos. Depois, eu sentada esperando a Tami tirar outra foto, derrubo meus óculos em poça de água. Ainda ali, eu tentando descer das colunas, morrendo de inveja da Tami, solto a frase: “Sabe, você quer me humilhar… Vai descendo correndo na minha frente, segurando a bolsa, com a máquina em uma mão e… AHHHH!”. É, escorrego e a Tami me segura. E o final da frase fica “e me segurando com a outra”. Rimos disso até o final, andando por paisagens incríveis, para encerrar o dia.

E volta para o ônibus, agora falando de empregos alternativos (como em cruzeiros) e a Tami me fornecendo uma lista negra de agências de publicidade que eu nunca devo tentar trabalhar e ela não lembrando o nome da pior. Estou quase adormecendo quando ela me solta um alto e sonoro: “Young and Rubicam”! Um final engraçado para um dia inesquecível =)

A última parada foi o Crown Liquor Saloon, o pub mais famoso (e lindo) de Belfast. Ele é super antigo e é um exemplo de arquitetura e decoração Vitoriana. Possui lindos vitrais e trabalhos em madeira e você fica perdido olhando para tudo aquilo, bebendo o seu pint (Belfast Ale, em homenagem à cidade).

Ainda tentamos jantar, mas aqui não é Dublin mesmo, então foi impossível achar um restaurante ou mercado aberto às 22h e tivemos que ir comer no Victoria Square, na Pizza Hut, lasanha para mim e massa para a Tami. Ainda ali, decidimos mudar os planos dos últimos dois dias (sensata decisão): faríamos Belfast no sábado e Derry no domingo, já que a primeira exigiria muito mais tempo, que não teríamos no último dia. Planos feitos, bolsas arrumadas para o dia seguinte, hora de dormir. Sem nem sonhar, de tanto cansaço!

Fazendo compras: Supermercado

Olá!

Ainda não digo o porquê, mas os meus dias de abastecimento nos supermercados estão acabando. E, como essa tarefa fez parte da minha rotina semanal desde a minha terceira semana aqui (quando mudei para o flat), acho importante registrar os destalhes dessa experiência.

A divisão do pão

Como eu e a Aline moramos juntas, comemos as mesmas coisas (quer dizer, quase as mesmas coisas, porque a Aline não gosta do que ela julga com consistência estranha, como cogumelos ou abobrinhas >.<), tivemos a ideia de dividir a nossa comida. Compramos, cozinhamos e comemos juntas. E é uma mão na roda, pois economizamos e dividimos as tarefas.

Criamos um cofrinho (lata de achocolatado vazia =P) e depositamos 50 euros cada uma lá, no começo do mês. No geral, dá certinho. Em alguns meses, onde o excesso de guloseimas se faz presente, precisamos colocar um pouquinho a mais.

Por conta dos horários dos nossos trabalhos (o meu à tarde, o da Aline à noite), dividimos as tarefas de forma que ela fique responsável pelo almoço e eu pelo jantar, incluindo a limpeza das louças. Além disso, ela é responsável pelo arroz (cozinhamos uma vez por semana, para sobrar) e eu pelo feijão (cozido a cada duas semanas). Funciona bem, no geral =)

Os fornecedores

Adotamos o Tesco (fundado em 1929 na Inglaterra), como o nosso principal fornecedor, pois é perto de casa, tem tudo o que precisamos e possui o formato mais parecido com o que temos no Brasil. O preço é bom, mas nem sempre é o menor.

Para alguns itens em específico (Nutella, cogumelos, geléia e mini-muffins) também utilizamos a Aldi (fundada em 1913 na Alemanha) e o Lidl (fundada em 1930 na Alemanha também), que têm produtos mais diferenciados, expostos de um jeito engraçado, não naquelas grandes prateleiras que vemos normalmente, mais em caixas e prateleiras baixas. Fica informal, é legal =)

O que só tem aqui

– Sem choro e nem vela, se quer sacola de plástico, tem que pagar por ela. Não sei como está a situação em São Paulo com relação a isso, mas aqui é bem sério. No começo, demoramos para acostumar, esquecendo a sacola e por várias vezes voltamos carregando as compras na mão >.<

– Se você não quer esperar na fila e não gosta de atendentes, pode usar o caixa de auto-atendimento. É um barato! Você escaneia os produtos, seleciona a forma de pagamento, paga e recebe o comprovante. E para os aproveitadores de plantão, não tem jeito de “esquecer” de escanear algum dos produtos, pois sempre tem um segurança por perto =P

– Produto perto de vencer é mais barato, nas sessões “Reduced to clear”. Particularmente, eu nunca achei nada que valesse a pena, porque sempre tenho a sensação de que chego tarde demais e perco os melhores, mas é interessante a proposta.

Os itens

A lista de compra essencial na casa da Talita e da Aline é:

Arroz, Azeite, Cebola, Alho, Tomate, Alface, Pepino, Batata, Vagem, Cenoura, Espinafre, Brócolis, Abobrinhas, Cogumelos, Iogurte, Queijo ralado (mussarela, já que não existe parmesão ralado aqui ¬¬), Macarrão, Molho de tomate, Creme Fraichè, Salsicha, Nuggets de frango, Nuggets de peixe, Peito de frango, Pão, Leite, Creme de chocolate (a famosa Nutella – que não é Nutella de verdade, mas é mais gostoso!), Geléia, Ketchup, Limão, Achocolatado, Manteiga, Cream Cheese.

Imagina trazer tudo isso para casa nas costas? É, essa é a pior parte do negócio. Afinal, os supermercados são perto de casa, mas tudo fica longe com uma sacola pesada no ombro =P

P.S.: Não compramos produtos de limpeza individualmente, porque aqui em casa opera uma “vaquinha” de 5 euros cada por mês, e a Yujin é responsável pela compra de papel higiênico, detergente, sabão em pó, produtos de limpeza, essas coisas.

P.S.: Só para atualizar, ontem foi a minha primeira visita à Diceys Garden, famosa balada onde o pint é só 2 euros às terças-feiras – local de trabalho da Aline. Porque ontem? Porque os dias de voltar à pé das baladas estão contados e eu precisava ir lá pelo menos uma vez, poxa! Como foi? Depois de 3 pints e conversas engraçadas com os espanhóis malucos que estudam na sua sala, tudo fica lindo! =P

Até mais!

Em contato com Deus e com a natureza

Olá!

Esse final de semana foi corrido, afinal correr (e andar) é o que eu mais faço por aqui. Mas consegui, surpreendentemente, conhecer quatro atrações incríveis, dentro e fora de Dublin. É, acho que vale a pena toda a correria =)

Sábado: em contato com Deus

Meu clássico passeio matinal foi direcionado para três atrações da área medieval de Dublin: St. Audoen’s Church, St. Patrick’s Cathedral e Marsh’s Library.

St. Audoen’s Church: a igreja mais antiga de Dublin

 

Ela foi erguida em 1.190 pelos anglo-normandos que chegaram em Dublin. No começo, era pequena e simples e, com o passar dos séculos, foi aumentando de tamanho, ganhando uma torre, ganhando sinos e ficando parecida com o que vemos hoje.

Por dentro, ela é bem simples e é dividida entre a exposição e a capela propriamente dita. Na verdade, parece mais um museu do que uma igreja de verdade.

Por dentro, temos alguns túmulos de gente importante para a igreja. Imagina o meu medo de entrar sozinha nesse lugar escuro e com esse túmulo aí? Olha, eu tive que ser muito corajosa para tirar a foto >.<

E, no lado de fora, temos a parte da igreja que está em ruínas, destruída pelo tempo e falta de conservação, o que não deixa de ser bonito.

E um lindo jardim que, infelizmente, é fechado para acesso ao público.


St. Patrick’s Cathedral: uma homenagem à altura

A catedral nacional do padroeiro da Irlanda, responsável por trazer o cristianismo para cá, merecia ser absurdamente estonteante, não é? É, e os irlandeses levaram isso em conta.

Sendo a maior igreja da Irlanda, ela foi construída no local onde diz-se que St. Patrick batizou fiéis em 450 d.C. O edifício original era uma capela de madeira, que só foi reconstruída em pedra em 1.192. Ao longo dos séculos, a catedral sofreu com negligência, incêndios e profanações, mas graças a Sir Benjamin Guinness (olha eles de novo!), ganhou uma grande restauração em 1860.

O edifício tem 91 metros de comprimento e uma torre com 43 metros de altura. É gigantesca! E é muito linda por dentro e por fora. Por dentro, temos túmulos de gente importante, memoriais, objetos históricos, vitrais incríveis, pisos de azulejos e mensagens bonitas.


Por fora, temos toda a sua imponência e o seu jardim, com tulipas, fontes, crianças, franceses almoçando e pássaros cantando. Maravilhoso =)

Eu gostei muito da catedral mas achei que tem pouco daquele ambiente austero e misterioso, que tanto gosto nas igrejas góticas. Acho que é pela presença dos muitos e muitos turistas que circulam por lá, tirando fotos e fazendo comentários em seus variados idiomas. Mas ainda quero voltar lá para assistir a uma missa quando, acredito, o passeio ficará completo.

Marsh’s Library: um tesouro secreto

Exatamente ao lado da St. Patrick’s Cathedral, temos a Marsh’s Library, a biblioteca pública mais antiga da Irlanda, erguida em 1701.

Seu acervo possui livros antiquíssimos, de valor histórico incalculável e é claro que não podemos nem chegar perto, nem fotografar e nem olhar com muita intensidade.

Mas os funcionários são muito simpáticos e adoram o Brasil e me encheram de perguntas sobre São Paulo, enquanto me mostravam onde estavam escondidos os seus tesouros.

Domingo: em contato com a natureza

Killiney: porque o Bono não é bobo e nem nada

Acontece que o pessoal da minha sala fez amizade com um irlandês muito gente boa, que teve paciência suficiente para guiar um grupo de brasileiros, espanhóis e russos morro acima para conhecer Killiney, cidade localizada a 20 minutos de trem de Dublin. God save Mark =)

Killiney é um vilarejo do litoral da Irlanda, com apenas 10 mil habitantes. A cidade não tem muitos atrativos como edifícios imponentes e pubs badalados, como a sua vizinha Dublin. Mas quem precisa disso quando se tem uma praia dessa?

Mesmo com água terrivelmente gelada, pedras que machucavam e areia que ficou no pé até o final do dia, foi incrível ter a sensação de estar em contato com o mar =)

A principal atração da cidade é o Killiney Park, fundado em em 1.887 em homenagem aos 50 anos de reinado da Rainha Vitória (sim, se chamava Vitoria Hill antes). Com bosques que parecem encantados (onde tivemos nosso piquenique), passarinhos cantando e vistas surpreendentes a cada curva, o barato do parque é subir o mais alto que você conseguir, para ter a melhor vista possível.

E chegando no topo, você é presenteado com paisagens como essas, emocionantes, maravilhosas, inacreditáveis. De um lado, se vê a praia e o mar. Do outro, se vê Dublin e as Wicklow Mountains ao fundo. Pra onde olhar primeiro?



O único inconveniente é o vento, que bagunça o cabelo nas fotos e te deixa com muito medo de cair nas pedras, porque ele é muito forte e te faz balançar. Assustador!

Ah, onde entra o Bono nisso tudo? Pois bem, deu para perceber que Killiney é um paraíso, certo? Então, muitos famosos e milionários tem casas, quero dizer, mansões por lá. Entre eles, Bono, The Edge, Enya e muitos outros. E o portão da casa do Bono é atração turística, com direito a milhares de mensagens de fãs gravados no portão =)

Para encerrar o dia, fomos andando até Dalkey (que já visitamos em outra oportunidade), tomar um belo pint e descansar as pernas. Fui de cerveja Ale Escocesa, outra indicação certeira do Mark. Tomara que ele continue mostrando tudo de melhor que da Irlanda pra gente ^^

See you!