Mudanças

Tá aí o motivo da minha ausência por aqui nessa semana: após muitas crises de choro, horas perdidas de sono, discussões com o meu conselheiro oficial (ele, sempre ele), resolvi sacrificar alguns dias da minha viagem em benefício da minha sanidade. O dinheiro estava apertado demais e o projeto, monstruoso demais.

Oito dias a menos, dias mais proveitosos em Londres, adeus Bélgica, adeus Holanda, adeus cidades lado-extremamente-B na Alemanha, olá Natal “em família”, olá Budapeste, olá Bratislava, olá dinheiro extra.

Não, não doeu cortar tudo isso. E, na verdade, pela primeira vez em muito tempo, eu me senti entusiasmada com a viagem e não sentindo como se ela fosse um fardo que eu tivesse que carregar antes de poder reencontrar a minha família.

P.S. Agora, com tudo já esclarecido, volto às tarefas diárias do planejamento. Em breve, mais novidades! ^^

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Planejar é preciso

Eu já mencionei várias vezes que o final do meu intercâmbio será marcado por uma viagem a alguns países da Europa, os meus sonhos de consumo desde que me entendo por gente. Esse foi um dos motivos pelos quais eu escolhi um país europeu para viver, pela possibilidade de conhecer uns tantos outros, já que eles são próximos e eficientemente interligados por ônibus, trens e aviões de baixo custo.

Mas aí vem a parte difícil. Para onde? Quanto custa? Quantos dias? Isso é complicado para todo mundo. Mas, para a Talita, é um milhão de vezes pior. Quem disse que eu me contento em conhecer as capitais? Quem disse que eu sossego enquanto houver um museu ou igreja não visto em uma cidade? Não, eu preciso me certificar de que conheci bem os lugares. Na minha última viagem, a primeira para a Europa, sai frustrada e triste. Não me sentia digna de dizer “eu conheço Paris”, porque eu não conheço. Então, a minha viagem recebeu a sua primeira característica: ter qualidade, acima de quantidade.

Eu sempre soube que acabaria viajando sozinha, porque sabia que a Aline não tinha os mesmos planos malucos que os meus, mas isso nunca me incomodou. Era a minha viagem, do meu jeito, eu comigo mesma. Mas aí eu conheci o Carlos Roberto. E, em uma noite de janeiro, em um bar maluco na Paulista, enquanto eu falava em como seria incrível assistir a um show do Black Sabbath na Rússia, ele enfiava a ideia em sua cabeça de que, sim, ele precisava viver isso comigo. E dias depois, mesmo lutando contra vários fatores opositores, ele me comunica a decisão: eu vou viajar com você para o Leste Europeu.

E aí comecei a estabelecer a quantidade de dias. Quando eu só tinha um emprego, estava com data livre de saída. Nessa época, a conta de dias da viagem chegou a 127! Eu estava enlouquecendo, fazia contas e projeções financeiras, não sabia o que decidir, brigava com o meu amor toda vez em que tocávamos nesse assunto. Aí o destino decidiu por mim. Eu consegui o segundo emprego, o que está financiando as contas da viagem, com a condição de que eu trabalhasse até alguns dias antes do Natal. E isso me trouxe a definição do tempo: sessenta e oito dias inteiros, mais um em Dublin para dar tchau para as minhas crianças, me acabar de chorar, pegar as tralhas e ir embora.

Então chegou a hora de escolher os países, ó tarefa difícil! Foram muitas as leituras e os rascunhos no ônibus a caminho do trabalho. Mas o que ajudou mesmo, foi a conversa franca que tive comigo mesma, por meio do Carlos Roberto. E a partir daí, a França, a Itália e a Grécia, foram transferidas para uma planilha intitulada “os nossos planos futuros”. E, sem a sombra que esses gigantes faziam, eu pude ver dois países que nunca haviam me chamado a atenção, mas que não saem da minha cabeça agora: Alemanha e Polônia (porque a viagem para uma não é completa sem a outra, na minha opinião). Tendo essas definições, recheei o meio com aquilo tudo que nunca esteve em dúvida: Inglaterra, Escócia, Bélgica e Holanda.

Lá no Brasil, o amor enfrentava os mesmos problemas. A nossa peregrinação ao Leste era ousada, com todos aqueles países de idioma estranho, com o castelo do Drácula fazendo os nossos olhos brilharem. E, enquanto mais ele lia, minha alma gêmea que é, ele tomava uma decisão que eu apoiei totalmente, alma gêmea dele que sou. Vamos reduzir os país, aumentar a cidades. E fechamos então em três países apenas, oito cidades ao todo: Áustria, Rússia, República Tcheca.

Pronto, planejamento macro definido. Acabou? Nem começou. Quantos dias em cada lugar? Quais cidades dentro dos países? Qual a lógica de locomoção da viagem? Qual hostel? E, putz, o que visitar dentro das cidades? Para essas perguntas, eu ainda não tenho muitas respostas. Tenho sim uma planilha maluca, um milhão de links de blogs anotados, rascunhos feitos no caminho do ônibus. Mas está tomando forma. E, quer saber? Acho que não importa muito pra onde, porque eu sei que será inesquecível de qualquer forma.

P.S.: Sim, é por isso que ando meio devagar por aqui. Não é fácil cuidar de 5 crianças, atravessar a cidade entre os dois empregos, lavar louças, ter um blog e ainda planejar uma viagem. Eu tenho crises de pânico às vezes, vendo os dias se passarem e a planilha de planejamento continuar a bagunça de sempre >.<

P.S.: Mas o meu amor vai viajar comigo e os dias que faltam para o nosso reencontro diminuem cada vez mais. Logo, logo, perderemos uma casa decimal nessa conta, assim como já perdemos uma hora de diferença no fuso e temos mais uma a perder na próxima semana. Amor, amor! Quanto mais perdemos, mais ganhamos s2

P.S.: Esse final de semana foi inteiro dedicado pra isso. Até o momento em que vi o meu namorado sair todo bonitão para um show com os amigos e precisei ir tomar uma pinga no Temple Bar.