Ah, os celtas…

Este sendo o último final de semana da Jubs aqui em Dublin (porque no outro ela iria viajar, antes de voltar para o Brasil), precisávamos fazer algo especial. E o destino escolhido foi as Midlands, terras médias, terra que possui tantos registros dos celtas, povo lindo e poético que eu tanto gosto =)

Como a região é muito inóspita, é impossível cobrir todos os pontos por transporte público. E a Jubs e Tamis (companheiras do dia), apesar de serem motoristas habilitadas, tem medo de dirigir na mão invertida (eu também teria!). A solução foi pegar um tour de um dia saindo de Dublin e, quer saber? Foi a melhor escolha! O tour cobriu bem os principais pontos de interesse e viajamos em um micro-ônibus, com um guia que explicava tudo e andava com a gente até as atrações, o que é inédito nesse tipo de passeio.

E lá vamos nós no ônibus, saindo às 8h da manhã da Suffolk St., falando sem parar para atualizar as novidades, até que tomamos uma bronca por estar falando muito alto (e demais). Mas quem disse que a gente parou? Era papo sobre a nova casa da Tamis (que acabou de ser contratada como au-pair live-in, assim como eu), o que fazer quando as crianças são mal-criadas, sobre a falta de higiene do povo aqui, os amores, os empregos, o tempo, moda, dinheiro, viagens. Pobres companheiros de ônibus! >.<

E a primeira parada foi o Hill of Tara, um complexo arqueológico repleto de monumentos antigos e, de acordo com a tradição celta, o lugar de onde o alto rei da Irlanda comandava todos os demais reis das outras províncias. A geografia de Tara é muito peculiar, com diversos morros que formam anéis se vistos de cima. Você para e pensa: “Como aqueles caras conseguiam fazer isso naquela época tão primitiva?”. Incrível!

Há muitas controvérsias sobre o verdadeiro papel de Tara na sociedade celta, mas a maioria dos estudiosos concorda que sempre foi de importância fundamental, sendo o palco dos rituais de inverno e verão, além de onde os futuros reis eram escolhidos, após passarem por uma série de desafios e, no final, tocar na pedra Lia Fáil (pedra do destino), que deveria soltar um “grito que seria ouvido por toda a Irlanda”, caso a pessoa fosse digna de ser rei.

Que sensação especial eu senti por estar ali e tocar aquela pedra, que representava tanto para eles (e que é mais antiga que as pirâmides do Egito!), olhando aquela paisagem, imaginando o tipo de festividades que ocorreram ali naquele chão em que eu pisava. Nostálgico. Mágico. Poético.

E a segunda parada foi esta igreja em ruínas, que eu não consigo lembrar o nome ou encontrar na internet (¬¬). Que visual, aquelas ruínas ao fundo, vacas no pasto, vento frio, dia nublado. Me senti em um filme de época, daqueles que tanto gosto s2

E a terceira parada foi o Trim Castle, famoso por ter sido cenário do filme Coração Valente, aquele com o Mel Gibson. Mas não é só por isso que ele merece destaque. Na verdade, esse é o maior castelo anglo-normando construído na Irlanda, ainda no século XII! Ele sempre foi um centro de administração e comércio do condado de Meath, no decorrer de todos os séculos seguintes, passando de pai para filho e sendo vendido algumas vezes, mas só foi vendido ao estado mesmo em 1993, quando se iniciou um trabalho de restauração.

E é uma pena que o tempo é curto. E eu corria que nem uma louca, tentando tirar fotos bonitas, ler as placas com a história do castelo, parar e sentir a emoção de estar ali. Bom, as fotos ficaram legais. E tirei fotos das placas, para ler depois. E, sim, parei e só observei tudo aquilo por um tempo, maravilhada.

Mas, infelizmente, o castelo é fechado para visitação. Bom, não para a gente. Eu estava por ali e, de repente, vejo uma porta aberta. Grito para as meninas, vamos entrar! E subo as escadas, a Tamires atrás de mim e, quando chegamos lá, sai um funcionário e diz que não podemos entrar. Eu faço uma carinha de gato do Shrek e digo que é uma pena, que deve ser tão lindo por dentro. Acho que ele se sensibiliza, por que deixa a gente dar uma olhada rápida e tirar algumas fotos. Opa! E vejo um salão enorme e escadas que levam para os andares superiores. E imagino os banquetes que foram realizados ali, caindo uma lágrima! Mas eu me atrapalho com a emoção. Olho tudo e tento tirar fotos, mas elas não saem bonitas ou lógicas. E logo ele diz que temos que ir embora. Desço as escadas até meio tonta, não acreditando que conseguimos entrar em lugar tão secreto e até sagrado ^^

E a quarta parada foi Loughcrew, um dos quatro maiores túmulos pré-históricos da Irlanda, também mais antigo que as pirâmides do Egito, acreditando-se terem sido construídos em 3.000 aC. O túmulo consiste em câmeras cobertas por um morro e totalmente ornamentadas com inscrições por dentro, onde as cinzas dos mortos eram depositados (é, nessa época eles incineravam os corpos antes de enterrá-los). O inacreditável do lugar é que, não se sabe como direito, mas ele foi projetado de forma que, no equinócio de primavera e outono, os raios de sol entrem e iluminem as câmeras internas. Oi, como os caras conseguiam calcular isso e projetar a posição das pedras para que funcionasse? *_______*

Para chegar lá, subimos um morro por uns 10 minutos e eu não sabia se olhava a paisagem, tirava fotos ou me concentrava em respirar com tanto esforço físico. E lá chegamos e nos dividimos em dois grupos para entrar dentro do túmulo. Enquanto esperávamos, tiramos fotos, eu ajoelhando no meio dos cocos das ovelhas para pegar o ângulo perfeito, tentando registrar perfeitamente aquela paisagem sem igual. E chegou a nossa vez de entrar. Você tem que abaixar, pois o teto da entrada é muito baixo. E é escuro, precisamos de uma lanterna para poder ver as inscrições nas pedras. É emocionante ver como aquele povo primitivo já se importava com a morte, sempre um mistério, e se preocupava em construir um santuário para as cinzas de seus entes queridos.

Nessa região, paramos para almoçar em um café no meio do nada, lindo e remoto. Eu trouxe os meus sanduíches de casa, já que agora estou no projeto economia para a viagem final, que falaremos em breve.

E a quinta parada foi a Jumping Church, que tem esse nome devido à história de que, um belo dia, um não cristão foi enterrado no solo sagrado da Igreja mas, durante a noite, a parede da igreja misteriosamente “pulou”, deixando o corpo do pobre coitado de fora do solo sagrado, já que ele era indigno de tamanha consideração.

Aqui eu comecei a sentir um calafrio, ao perceber que praticamente só havíamos visitados cemitérios. E esse, ao redor as ruínas da igreja, era especialmente sombrio, a grama alta, abandonado, velho.

E a sexta parada foi Monasterboice, um assentamento cristão para práticas religiosas e ensinamentos, fundado no século V por St. Buithe. Mais um cemitério, mais organizado, tão sombrio quanto o outro, cheio das famosas cruzes altas da Irlanda, que são estruturas decoradas com as histórias da Bíblia e que os monges utilizavam para ensinar os evangelhos.

E a mais famosa é a Muiredach’s High Cross, com 5,5 metros de altura, considerada a melhor do tipo em toda a Irlanda. Ela é decorada com histórias do Novo e Velho testamento da Bíblia e você pode ver em detalhe cenas de Adão e Eva e o Juízo Final, por exemplo. Muito legal =) Bom, mas acho que agora chega de cemitérios por hoje né?

E a última parada foi a cidade de Drogheda, importante por ser o último ponto de parada do Rio Boyne antes de desembocar no mar. Por lá, visitamos a St. Peter’s Cathedral, bonita e famosa por ser o lar dos restos mortais de St. Oliver Plunkett, um padre católico que foi perseguido, julgado por traição e morto na época da reforma. Gente, é assustador ver a cabeça dele ali, tão intacta e, sei lá, viva. Não tirei foto dele, achei falta de respeito >.<

E depois fizemos um tour a pé pelos pontos de interesse de Drogheda, o guia contando tudo sobre Crownell e eu muito interessada ouvindo e me surpreendendo, como sempre, como essa questão do catolicismo x protestantismo destruiu vidas, desde o século XVI até poucos anos atrás. Ah, Henrique VIII. O que você me aprontou, hein?

Como ainda nem havia escurecido quando voltamos a Dublin, resolvemos tomar uma para fechar o dia. Fomos ao pub Turk’s Head, no Temple Bar, onde o pint custa só 3,50 até às 20h. Algumas Paulaners depois, partimos para o pub PorterHouse, casa de milhares de cervejas especiais e daquele pratão sensacional de comida que adoramos. Comemos, bebemos, ouvimos música. E, feliz da vida, mas vendo cruzes ao fechar os olhos, fui para a casa.

P.S.: No domingo, trabalhei de manhã, levei a Jubs para conhecer Howth à tarde (com direito a descer o penhasco do medo e comer o melhor crepe da história >.<) e fui visitar minha amiga Melissa no hospital (internada há dois dias, sem causas muito definidas. Estou muito triste com isso. Se eu já me sinto sozinha, sã e salva, imagina ela, doente?).

P.S.: E eu tive um momento nostalgia, ao lembrar que todas as vezes em que estava solteira, planejava ir à uma noite celta no Blackmore Rock Bar, com bandas que tocam um som diferente e cabeludos que parecem elfos. É, naquela época eu nem imaginava que um dia pisaria no solo sagrado dos celtas… Como a vida é engraçada, não é?

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Conhecendo o Velho Oeste

Onde você chega em São Paulo com três horas de viagem? Para o Guarujá? Campinas? No máximo para Americana? Bom, aqui na Irlanda, você atravessa o país! >.< Fato comprovado na viagem de um final de semana no mês passado (ah, a falta que faz a internet quando se tem um blog ¬¬), quando eu e a Jubs fomos até o extremo Oeste, nos condados de Galway e Clare, com muitas aventuras e desventuras =)

08/09, Sábado, Co. Galway

O dia começa cedo, com uma breve conversa com o meu namorado no Skype que, por mágica, esta indo desligar o computador bem na hora em que eu acordei s2 Juras de amor mais tarde, eu estava trocada, tomando o meu café, dando um beijo no Airt (sim, acordado desde antes de mim) e pegando o clássico 130 em direção à Talbot Street, onde encontraria a Jubs.

De lá, fomos andando para a rodoviária aqui de Dublin, a Busarás (em gaélico, rodoviária mesmo) e entregamos o nosso comprovante de compra online ao motorista (é, aqui não tem aqueles bilhetinhos de impressora matricial não!) e nos acomodamos nas confortáveis poltronas.

E o ônibus vai andando, saindo de Dublin, pegando rodovias, e nós duas batendo o maior papo, falando da ex-firma, ela me atualizando sobre os meus ex-colegas de trabalho, queridos para sempre, sobre os amores, sobre os passeios, sobre os planos futuros. E vamos passando por paisagens bem interioranas, com ovelhas no pasto, casinhas no meio do nada, vilarejos com pubs coloridos. Um charme!

Finalmente, chegamos em Galway, as bexigas apertadas (haja água na garganta para tanto papo!) e a primeira parada, como sempre, foi a rodoviária para pegar um mapa da cidade. De lá, andamos até o nosso hostel, o Nimmos Hostel, (bem) localizado entre o Spanish Arch e a Eyre Square.

Galway é a terceira maior cidade da Irlanda e foi fundada com a construção de um forte em 1.124 pelo rei da província de Connacht. Com o passar do tempo (e a invasão dos anglo-normandos), o desenvolvimento foi chegando, dando forma de cidade àquela estrutura primitiva. Hoje ela é conhecida como “a cidade das tribos” e muito famosa por sua noite de música ao vivo, que me foi muito bem recomendada =)

Como temos que fazer o check-in, vou subindo as escadas desertas e vejo uma mesa cheia de papéis bagunçados, mas ninguém para atender. Então me vem um senhor carregando lençóis e suponho que ele é o camareiro e pergunto onde é a recepção. Ele me diz “Aqui mesmo!” e começa a cuidar do check-in. É, ele é o camareiro e o recepcionista, talvez o dono, quem sabe? >.< Deixamos as malas no Luggage Room, botamos as câmeras no pescoço e vamos bater perna.

Ah, mas primeiro precisamos comer! Quem conhece a Juliana sabe que esse é um assunto de vital importância =P Então escolhemos um pub bonito por fora, estonteante por dentro e com uma comida cheirosa. O tipo de menu que eles servem é o chamado “Carvery”, tipo um prato feito em que o atendente vai te servindo de acordo com o que você pede. Um pratão de bife, purê de batatas, gravy, yorkshire pudding, couve e cenouras depois, estávamos felizes e prontas para aproveitar a cidade.

Fomos ao centro de informações turísticas, para comprar o nosso tour para os Cliffs of Moher e região no dia seguinte. E a Jubs quis perguntar para a atendente o que ela indicava para fazer em Galway. Eu fui meio contra, com o meu incrível guia embaixo do braço e a prepotência de quem sabe o que está fazendo. Mas não é que a moça rabiscou no nosso mapa um roteiro à pé que cobria tudo e mais um pouco, otimizando tempo e pernadas? Lição do dia: deixe de lado o seu orgulho e pergunte para os guias, eles sabem mais do que você, mesmo que você tenha lido tudo sobre a cidade.

E vimos a Eyre Square, uma praça bem no centro da cidade, cheia de crianças brincando e adolescentes fumando. A região era usada como mercado na era medieval e os primeiros registros de tentativas de dar um pouco de glamour à praça datam de 1.631. É engraçado, o nome oficial da praça é “John F. Kennedy Memorial Park”, em honra da visita do dito cujo à Galway pouco tempo antes de ser assassinado. Mas quase ninguém sabe isso e o nome popular é Eyre Square mesmo.

E depois fomos ao Lynch Castle, construído no século XVI e que um dia já foi lar da mais poderosa família de Galway. Ele é construído em estilo gótico e é o único prédio completamente medieval que ainda existe na cidade. Ele foi adquirido pelo AIB Bank em 1930 e uma agência funciona lá dentro hoje em dia. Chegando lá, eu fiquei brava porque não conseguia tirar uma foto decente devido a um tiozinho que estava tocando piano e uma multidão se aglomerava em volta dele. E eu fui dando cotoveladas, tentando pegar o melhor ângulo, quando ele me solta um puta vozeirão e começa a cantar um blues de arrepiar. Ok, me desculpe. Você pode ficar aí o tempo que quiser =)

E vamos andando até a St. Nicholas Church, fundada em 1.320, com uma feirinha de comida e artesanato em volta, onde um dos vendedores pergunta se sou argentina, porque sou exótica. Hum, o que isso quer dizer? o.O

De lá para o Spanish Arch, literalmente um arco de pedra, que originalmente era uma extensão da cidade murada, como uma forma de proteção da cidade. Ele foi construído em 1.584 e tem esse nome porque é localizado perto de onde os navios de peixes e especiarias atracavam para desembarcar produtos, especialmente, navios espanhóis. E ficamos apreciando a paisagem e tirando fotos legais.

Depois, para o vizinho Galway Museum, fundado em 2006, e que conta tudo sobre a história da cidade. Por lá tem de tudo, desde cartazes chamando homens para a guerra, à barcos, à pedras históricas, às bandas famosas que nasceram em Galway.

E ficamos andando nas docas até chegar na praia e eu percebo que, pela primeira vez, estou olhando o mar em direção ao Brasil e, de certa forma, me sinto perto de casa.

E fomos para a St. Nicholas Cathedral, onde descubro que a Jubs gosta tanto de igrejas velhas como eu e que tem a mesma mania de acender uma velinha (50 cents) só para agradecer as coisas boas! E a surpresa é que essa é uma catedral incrivelmente nova, se comparada às demais aqui na Irlanda. Ela foi construída em 1958! Bem reparei que o estilo do teto da nave era meio modernoso =)

E volta para o hostel, descansar as pernas porque o dia foi longo. E foi hilário ver a Juliana se sentir incomodada com a limpeza do chão do quarto (a desejar mesmo), o estado dos lençóis (o dela tinha uma mancha rosa >.<). Mas ela volta do banho e diz que o chuveiro é bom. Opa, eu penso, que bom! E lá vou eu para o meu banho. Entro no banheiro e não vejo um chuveiro, só uma bica. Ah, a Jubs deve ter ido em outro banheiro, mas como já estou sem roupa, vai nesse mesmo. E tomo banho na bica. Volto para o quarto e conto para ela “haha, tomei banho na bica, que absurdo!”. E ela me olha e diz “Ué, você não gostou? Achei bom, tem pressão!”. Oi, como assim? Ela não gosta do lençol rosa, mas tudo bem com a bica? É, coisas de Jubs.

E vamos curtir a noite musical de Galway, muito bem recomendada pelas minhas chefes, parando primeiro para comer no Supermacs, um Mc Donald’s baratinho daqui, onde pagamos por um lanche e ganhamos dois, graças aos vouchers promocionais que tínhamos.

E bóra escolher um pub na Quays Street, a rua dos bares e restaurantes de Galway. Acabamos por escolher o Kings Head, por sua fachada maluca, pela simpatia do segurança que soube vender bem o lugar e pela decoração linda do interior. E dá-lhe Guinness até começar a banda, que mandava uma melhor que a outra, com Creedence, Kings of Leon, Rolling Stones, Beatles e até Marvin Gaye. Muito bom!

E voltamos a pé para o hostel, para descobrir que tem um pub bem ao lado na maior festa e, da nossa janela, podemos ouvir até as conversas. Problema? Imagina, só vi a Juliana indo lavar o rosto na pia perto da cama e nada mais.

09/09, Domingo, Co. Clare

E eu mal fecho o olho e já ouço o meu despertador. E mal sento na cama, vejo uma cena que para o meu coração. Na beliche da frente, uma menina dormindo na cama de baixo, um cara dormindo na cama de cima. E ele põe o braço para baixo, no vão entre uma cama e outra e faz carinho no braço dela com os dedos, por um longo tempo. E ela dormindo e eu ali, observando tudo sem respirar. Por fim, ela acorda e segura a mão dele. Entendem onde eu quero chegar? Poxa, o meu namorado faria isso. Podia ser eu e ele ali. Se ele estivesse aqui.

Meio desnorteada por todos os sentimentos que aquela cena provocou, saímos para tomar café da manhã. Em uma viagem normal, eu teria comprado coisas no mercado e tomado café no hostel. Mas a Jubs gosta de comer bem, então fomos em um café, com um tipo de sanduíche Bauru e suco de laranja.

Alimentadas, partimos para a Coach Station, o ponto de saída do nosso tour. Percebo que lá é uma estação quase que exclusiva para ônibus de tour, seja para os Cliffs, Connemara ou Ilhas Aran (todas por aquelas bandas), o que é muito inteligente, assim o trânsito da cidade não fica comprometido com o embarca/desembarca de passageiros.

Já dentro do ônibus, o motorista dá um aviso que acho absurdo e óbvio que isso não vai acontecer comigo: “Então, o caminho é meio tortuoso e se vocês sentirem vontade de vomitar, me avisem que tenho a sacola!”. Quinze minutos depois, eu já sentia enjôo. Resolvi dormir para ver se passava.

E a primeira parada foi na Conolly Farm, onde faríamos uma caminhada pelo Burren (terra rochosa, do gaélico), ecossistema típico irlandês do condado de Clare. O grupo se dividiu aqui, já que metade escolheu visitar uma caverna próxima, a Jubs entre eles. E lá fui eu, com um monte de alemães, espanhóis, canadenses e por aí vai, montanha acima com o guia muito legal e bem humorado, explicando que o Burren é formado principalmente por planaltos de calcário, com poucas árvores e variedade de plantas e que é muito utilizado como pasto para gado.

E volta para o ônibus, e vamos pegar o resto do grupo (não perde a minha Jubs, por favor!) e vamos agora para os Cliffs. E o meu enjôo fica pior e eu sinto a máquina pendurada no meu pescoço andar para lá e para cá no meu corpo e isso faz tudo ficar pior. Ok, vou dormir então para ver se distrai. E durmo. E quando acordo, escuto a notícia “Estamos chegando aos Cliffs, uma pena que está meio nublado, mas pode ser que o tempo abra”. Ops.

Pisamos para fora do ônibus e um vento de cortar a alma chega. E vamos andando em direção aos Cliffs. Mas, onde eles estão mesmo? Nada, tudo branco. Não é possível, vamos andar um pouco mais, eles devem aparecer ali pra frente. E subimos um morrinho e vem uma chuva gelada, fina, constante, que molha até a minha alma e corta o rosto. E vamos andando agora na beirada dos Cliffs, ainda com a paisagem totalmente branca. Mas aí o terreno começa a ficar escorregadio. E o precipício ali do lado. E eu já vejo manchentes “brasileiras morrem ao cair de cliffs escorregadios na Irlanda”. E decido parar, fodam-se a porcaria dos Cliffs. E fico ali, esperando a Jubs que decidiu se aventurar um pouco mais, sumindo na neblina. E ela volta dizendo que não adianta, tá tudo branco mesmo.

Volto xingando até a quinta geração desse tempo imprevisível e maldito da Irlanda, quando lembro que a cena do Dumbledore e do Harry na caverna do Tom Riddle foi filmada aqui. Ah, tá. Acho que estava escrito no guia que esse guia contemplava o “Dumbledore Experience”, pois me sinto igualzinho a ele, no meio da tempestade em cima do penhasco ¬¬

Como não tínhamos o que ver, fomos até um castelo do outro lado – a loja de souvenirs – e vejo todo mundo comprando postais dos Cliffs, já que não dá para tirar foto mesmo. E voltamos para o ônibus, calça, blusa, cabelo, máquinas molhadas, tristes e decepcionadas. GENTE, COMO ASSIM EU PAGUEI PARA FAZER O TOUR E ESTAVA NUBLADO A PONTO DE NÃO CONSEGUIR VER PORCARIA NENHUMA? Ai, que ódio =(

[O pior é que eu sou tão neurótica que provavelmente vou fazer essa porcaria de novo, porque não posso ir embora da Irlanda sem ver esses cliffs!]

[Então, me recuso a falar mais sobre os Cliffs aqui, ok? Essa não valeu =S]

E o motorista tenta animar a gente no caminho para a próxima atração, dizendo que tem gente que encontra situações piores, que não conseguem nem ver um palmo à sua frente. E me dá vontade de dizer “Oi, você pode por favor assumir que a gente se ferrou bonito? Obrigada!”. Paramos em um pub para almoçar e eu vou de sopinha baratinha, já pensando que vou ter que pagar esse tour novamente um dia.

E agora vamos para Poulnabrone Dolmen, um monumento de pedra que guarda o túmulo de 22 adultos e 6 crianças, enterrados ali entre 4.200 aC e 2.900 aC. Incrível, não é? Legal, região bonita, até a hora que volta a chover.

E a última parada é o Dunguaire Castle, construído no século XVI, parada fotográfica como sempre, castelos lindos em ruínas no meio do nada, como sempre. E para me matar de raiva, o sol começa a sair e o ceú fica limpo. E me dá vontade de subornar o motorista para ele voltar para os Cliffs!

Chegamos em Galway, corremos para o hostel pegar as malas e corremos para a rodoviária pegar o ônibus de volta para Dublin. E mais 2 horas de papo com a Jubs querida e mais uns cochilos e chegamos em Dublin. Para fechar, fomos utilizar mais um dos nossos vouchers do Supermacs e comemos uma pizza. Peguei o ônibus das 22h50 e cheguei em casa morrendo de vontade de falar com o meu namorado, para descobrir que a internet de casa não funcionava. É, acho que não foi o melhor dos meus dias mesmo.

P.S.: Só uma curiosidade. Esse foi o “Dia das fotos da Talita com cabelo estranho”. TODAS as minhas fotos ficaram prejudicadas por alguma posição esquisita que o vento suave (¬¬) da Irlanda quis fazer. Fiz questão de postar as fotos, para que fique registrado =S

Entre parques e beijos

Olá!

Semana feliz por aqui. Tenho conseguido me adaptar bem à minha nova rotina, tenho ficado menos cansada, notícias boas no Brasil e gente querida chegando. E ontem foi o melhor dia da semana, tanto que merece um registro especial =)

Fairview Park


Para aproveitar o tempo bom (Aliás, onde já se viu o outono ser mais quente e ensolarado que o verão? Só na Irlanda mesmo ¬¬), levei o Airt para o Faiview Park, perto aqui de casa. Ele foi fundado em 1920 e é famoso por sua ciclovia e os bem equipados playgrounds. Pegamos o ônibus e inventei de levá-lo no andar superior, já que ele é simplesmente apaixonado pelos “un-un” (bus, na língua do Airt) e imaginei que seria emocionante para ele ver tudo da janelona de cima. #NOT. Emoção mesmo foi a minha, ao descer aquela escada estreita com o ônibus balançando e ele no meu colo =S

O dia estava SENSACIONAL e ficamos brincando no parquinho, ele correndo e eu atrás, tentando tirar fotos. Depois deitamos no balanço (sim, grande que dá para deitar) e ficamos olhando as nuvens. Foi uma bela manhã =)

Jubs do meu coração

E finalmente, o momento de encontrar a minha Jubs querida! Lá estávamos nós (eu, Li e Lucia – a eslovaca que entrou no meu lugar no apartamento) esperando a Ju na esquina da Fleet Street, as meninas batendo um papo e eu nervosa, olhando para a rua o tempo todo, esperando ver algo de familiar.

E, de repente, eu a vejo. Ela andando séria como sempre, cabeça baixa, pensativa. Jubs, Jubs! Saio correndo (e deixo a Aline e Lucia falando) e paro na frente dela, dando pulos dessa altura, ó! E grito e abraço ela bem apertado e me vem lágrimas aos olhos. Poxa, que emoção! A última vez que a vi foi no aeroporto, minutos antes de eu embarcar. É tão incrível poder vê-la aqui =)

Passado o momento vergonha alheia de mim mesma, vamos andando até o PorterHouse, o pub escolhido para a noite e eu retiro completamente a minha declaração de que os bares de São Paulo tem muito mais atrativos que os Dublin. Gente, aquilo é um empório de cerveja! Eles até fabricam a sua própria cerveja *____*

E sentamos no último andar e fazemos os pedidos, Stout para mim e para a Lucia, Weiss para a Li e Jubs. E, claro, uma porção gigantesca de salsichas, batatas, onion rings, asinhas de frango, mini-hamburguers. Ah, como a Jubs faz falta na minha vida!

E meu cérebro tem um momento de colapso ali, ao ver aquela japa do meu ex-emprego, para quem eu reclama do workflow, que bebia Original no copo americano comigo, falando inglês (e muito bem!) com a minha amiga eslovaca, bebendo uma Weiss, no Temple Bar de Dublin.

Para finalizar, um bolo para mim (meu namorado está há 9 mil km de distância, então eu mereço, obrigada) e sorvete para as meninas. E eu sinto um aperto ao dar tchau para a Jubs quando os nossos caminhos da volta se separam. Oi, posso não te largar nunca mais, até eu voltar para o Brasil?

P.S. A boa notícia é que estamos arrumando as malas para um bate e volta no final de semana. O destino? Galway e os famosos Cliffs of Moher =)

P.S. Meus pais me mandaram um carregamento de doces brasileiros pela Japa! Nham, paçoquinha Amor, doce de abóbora, doce de leite, goiabada. É, acho que eles estão querendo me subornar para voltar antes =P

See you!

Dos últimos finais de semana

Sim, as coisas andam meio paradas por aqui. Mas, poxa, eu acabei de escrever um livro sobre a viagem à Belfast e isso esgota as energias! Além disso, ainda estou em fase de adaptação no emprego novo, já que o dia da Mags mudar de casa chegou e a minha rotina ficou meio insana com isso (comento sobre ela mais para frente porque, só de pensar, já fico cansada).

# Fim de semana 1

Eu estava de plantão para ir até a casa nova da Mags organizar as coisas dos bebês, já que eu sei o jeito que ela gosta das coisas e dobro as milhares de roupas deles como ninguém. Mas o que era para ser sábado, ficou para domingo e eu perdi quase todo o final de semana nessa espera.

O sábado musical

No restinho que sobrou do sábado, quando descobri que não seria necessária na mudança, corri para aproveitar dois eventos super legais que estavam rolando em Dublin, mas muito pelas coxas, por causa do pouco tempo disponível. A primeira parada foi o Dublin Tall Ships Races 2012, literalmente uma corrida de navios, que começou na França em maio e terminou aqui em Dublin no final de agosto. Para comemorar a chegada dos navios aqui, quatro dias de festival com música, comida, arte e exposições foram organizados nas Docklands, a região das docas de Dublin, que eu adoro ^^

Cheguei e fui direto para a arena da Bulmers (a famosa cidra irlandesa, que eu detesto), palco dos shows das bandas independentes aqui de Dublin. O som estava sensacional, enquanto eu esperava na fila e decidi ir direto mesmo, sem ver os navios (erro, porque acabei não voltando para ver o principal, depois de algumas cervejas na cabeça =S). Assisti a dois shows, das bandas Frank & Walters (música mais alternativa, meio indie, mas com um balanço legal) e a Therapy? (que me fez lembrar dos shows covers que eu adoro ir com o meu irmão =/).

Saindo de lá, fui para o Down With Jazz Festival que acontecia no Temple Bar, em homenagem a um movimento “anti-Jazz” que surgiu aqui na Irlanda na década de 30, por motivos políticos, mas esqueci de reservar o meu ingresso. Acho que o segurança viu a minha cara de decepção, porque me disse para voltar em uma hora que ele me deixaria entrar =)

Para esperar, fui então para um pub em que eu estava de olho há tempos, um dos únicos nessa cidade que parecia tocar música boa de verdade, o Ha’Penny Bridge Inn. Quando eu ainda trabalhava no Trinity Bar, ficava na esquina (sem comentários maliciosos, por favor) perto desse pub e ouvia o som que rolava aos sábados, um blues e country americano ferrados, de arrepiar!

E lá fomos eu e minha Guinness, viajando na banda residente, Dermot Byrne Blues, composta por dois tiozinhos de cabelos brancos, dois violões e uma gaita. E só com isso, eles levam aquelas músicas que arrepiam até o seu último fio de cabelo e tocam surpresas agradáveis como “Get the Rhythm” do Johnny Cash. Incrível =)

Quase duas horas depois, lembrei do festival de Jazz e corri para lá, mas o meu horário limite para pegar o ônibus já estava chegando (além de todos aqueles casais curtindo a música, bebendo vinho e com luminárias fofas penduradas acima de suas cabeças, o que me irritou profundamente >.<) e eu resolvi ir embora.

O domingo que nem vale a pena comentar

Organizei brinquedos, roupas, limpei móveis e chão, praticamente sem comer nada o dia todo. Chegando em casa, com dor em todas as partes do corpo, recebi uma notícia devastadora, que vou resumir brevemente, porque me dá um aperto no coração falar demais sobre isso. O apartamento onde eu morava (e a Aline, Yujin e Lucia anda moram) foi assaltado e os computadores, máquinas fotográficas e dinheiro delas foi roubado. E eu não quero mais falar sobre isso, nunca mais.

# Fim de semana 2

O sábado em Clontarf

Resolvi ficar aqui pelo bairro mesmo, já que precisaria cuidar do Airt por algumas horas enquanto a Mary Rose iria para a yoga dela. Para economizar no ônibus e aproveitar melhor o sol inacreditável desse começo de outono, peguei a bicicleta dela emprestada. Mais de 40 minutos depois tentando descobrir como abrir a porta da garagem, subi na bicicleta para perceber que o banco era muito alto para mim, tipo de pedalar com as pontas dos pés. Tudo bem, resolvi fazer um esforço. Mas não pensei nas complicações na hora de parar a bendita. E assim, eu caí duas vezes na tentativa de parar, com todo mundo me olhando com cara de dó.

Entre trancos e barrancos, cheguei até o Casino Marino, meu destino daquele sábado. Com o nome do Italiano, significando “casinha perto do mar”, foi projetada pelo arquiteto escocês Sir William Chambers para James Caulfeild, o 1 º Conde de Charlemont, em 1775. A arquitetura é bonita, mas não é isso que faz o lugar merecer uma visita. O charme do negócio é que a casa foi projetada para parecer o que não é, cheia de truques. Olhando de fora, você pensa que a casa possui um único cômodo e andar. Mas ela tem, na verdade, três pisos e uns 10 quartos! É muito maluco! Portas falsas, janelas gigantes que se dividem em várias, efeitos de luz. Que maluquice desse conde e seu arquiteto =)

Voltei para a casa e parei para contemplar a maravilhosa vista do Sea Front, naquele maravilhoso dia, nos meus maravilhosos últimos minutos antes de trabalhar. E almoço, pego o Airt e volto para o Sea Front, com um cobertor, brinquedos e a minha máquina fotográfica, para ele ficar correndo por ali e eu tentando tirar a foto perfeita. Quando ele começa a querer andar para longe demais de mim, percebo que é hora de voltar pra casa.

O domingo da espera

Era um dia muito especial para mim, já que a minha querida amiga Juliana Myisaki (Jubs!) estava chegando do Brasil para ficar um mês estudando aqui. Eu amo a Ju e sinto muito a falta dos nossos almoços, baladinhas, palhaçadas. Mas o mais legal de tê-la aqui é a sensação de ter alguém amigo, conhecido, da minha vida antiga, nessa minha vida nova. Eu estava eufórica!

E a Jubs sempre com uma comida na mão =P

Trabalhei de manhã (aham, yoga novamente) e depois fui direto encontrar a Aline no apartamento dela, onde faríamos almoço. Foi triste entrar ali e, não sei se por causa do que aconteceu ou não, mas não senti nada de acolhedor e familiar ali. Fizemos batatas com creme e queijo ao forno (receita da Mamis da Aline), arroz e uma garrafa e meio de vinho, o que deixou tudo mais legal =P

E fomos bater pernas pelo centro, procurar o bolo perfeito (que não achamos), esperando a Jubs. E nada. E começamos a ficar preocupada. Meia Paulaner depois, ao som de The Cure no Turk’s Head, ela liga. Dei um grito de emoção. Mas, infelizmente, não a encontramos. Ela estava toda enrolada com a chegada e com medo de sair tarde sozinha e se perder. Essa Jubs!

Mas já que estávamos ali e a fome bateu e merecemos porque trabalhamos pra burro, resolvemos ir ao Fridays (de novo ^^) e comer até o estômago doer, com um belo hamburguer e uma sobremesa =D

P.S.: Em breve, mais detalhes sobre a minha rotina insana, o meu bairro maravilhoso e a visita mais que especial da Jubs s2

Irlanda do Norte #Dia 2

E o dia começa com uma torta de cereja comprada no Tesco (1 pound) e aquecida no micro-ondas, com muitas expectativas e ombros à mostra para fazer jus ao sol que começava a raiar. O ônibus do tour veio nos pegar no hostel e quando pisei nele, surgiu um arrependimento. Estava LOTADO! Quase não conseguimos nos sentar juntas, se não fosse a boa vontade de uma senhora que ofereceu seu lugar e foi sentar-se na frente com o motorista (ou ela foi esperta, porque pegou a melhor vista possível).

O motorista era um velhinho simpático, que ficava falando o caminho todo, contando histórias e curiosidades sobre os locais pelos quais passamos (pena que o som era péssimo e não dava para entender quase nada do que ele dizia). Equipadas com máquinas lotadas de bateria (ou não – nunca confie na capacidade que o fabricante diz que a bateria da sua máquina possui) e comida para um batalhão (sanduíches de pão, cream cheese e salame, suco de laranja, maçãs, bolachas Oreo (s2) e muita água), começamos o tour!

Primeira parada, cerca de 30 minutos após deixar Belfast, foi o Carrickfergus Castle, localizado na cidade de mesmo nome, no condado de Antrim. Ele foi construído pelos anglo-normandos em 1.177 e é um dos castelos medievais mais bem preservados da Irlanda. Atualmente, um museu funciona lá dentro, mas não tivemos tempo de visitar, já que a parada era apenas fotográfica e funciona mais ou menos assim: você desce do ônibus e corre, filha, para poder tirar as fotos que quiser, tentando não deixar os milhares de turistas do seu e de outros ônibus as estragarem. Foi bem legal, o lugar é lindo e eu tirei fotos legais =)

E volta para o ônibus, passando por estradas no meio de florestas, com casinhas modestas, vacas, ovelhas, o mar aparecendo uma ou outra vez para dar as graças, batendo papo e comendo sanduíches.

Segunda parada, Carnlough Harbour ou, melhor dizendo, parada do almoço e banheiro, porque tinha um Spar (rede de supermercados de conveniência) ali e nenhuma outra atração que valesse a pena. A má notícia é que o sol tinha ido embora e a chuva tinha chegado, e eu comecei a sentir muita tontura, não sei se pela perspectiva de ter que atravessar a ponte do medo ou pela falta de comida decente. Compramos um salgadinho bem salgado para ver se a minha pressão voltava a subir =X

E volta para o ônibus, agora passando o tempo todo pela costa, com um visual incrível, o sol voltando a aparecer, a tontura diminuindo, a conversa continuando, o motorista ainda tentando contar os fatos sobre aquela localização.

Terceira parada, a famosa Carrick-a-Rede ou Rope Bridge, uma ponte de corda que possibilita a passagem até a ilha de Carrick-a-Rede (do gaélico). Ela possui 20 metros de comprimento e está erguida a 30 metros de altura do nível do mar. Atualmente, sua única função é turística, mas ela já foi muito importante para os pescadores da região, que a construíram nos anos 70 – em estado precário e EU NÃO SEI COMO ELES CONSEGUIAM ATRAVESSAR AQUILO com apenas um corrimão e um espaço ENORME entre as tábuas de madeira.

Ok, atualmente ela não é mais assim, é super segura, tem rede de proteção e tudo o mais, mas ela balança mesmo assim. E eu já desci do ônibus dizendo para a Tami “eu não vou atravessar essa budega, não!” e para mim mesma, pouco reparando na paisagem estonteante que estava ao redor, de tão nervosa que eu estava. E andamos por cerca de 20 minutos do ponto que o ônibus nos deixou até a fila para cruzar a ponte (5 pounds, obrigada), com funcionários dos dois lados, pois eles controlam a vez de quem vai e volta, já que só cabe uma fileira de pessoas por vez na ponte.

E cedo demais chegou a nossa vez. E eu desço as escadas de acesso à ponte já rezando (em voz alta, mesmo, sem me importar): “Jesus do Céu, por favor, me proteja e não me deixe cair aqui!”, a Tami na minha frente já rindo e eu piso na ponte e ela treme toda, mas vou indo, não olhado para lugar nenhum (muito menos para os meus pés), exceto para a frente, para o que ainda falta. E a Tami vira e tenta me dar a máquina dela, para eu bater uma foto. Eu falo: “Oi, posso tirar a foto com a minha máquina mesmo? Assim eu ainda fico com uma das mãos na ponte, ok?” o.O E tiro a foto e continuo a andar. Mas aí, a ponte balança muito mais! A causa? Crianças MALDITAS, que começam a pular atrás de mim. E eu começo a gritar, em português mesmo, porque o inglês ficou lá no fundo da consciência nesse momento: “PAREM DE BALANÇAR, PORRA! FILHOS DA PUTA! CARALHO, ESSA MERDA VAI CAIR!”. E choro, chegando branca do outro lado, com gente rindo da minha cara. E eu ainda tentei me explicar: “Poxa, eu tenho muito medo de altura, isso é muito difícil para mim!”. Eu nem sei se tenho tanto medo de altura assim. Meu medo é de pontes de cordas eu acho, mesmo pequena nunca gostei daquelas de parquinhos – pergunta pra Mamis. Ok, admito que perdi a linha. Ainda bem que só a Tami entendeu os meus palavrões =)

Mas, depois daquilo, tudo ficou mais legal. Tipo, passou o sufoco! E eu pude aproveitar a paisagem sufocante de tão linda (a mais linda que já vi desde que cheguei nesta ilha), o sol, o vento gostoso, as fotos maravilhosas, pensando na vida, na beira daqueles penhascos. Que momento! Na volta, tudo melhor. A Tami foi atrás de mim e “segurou” as pessoas atrás dela, para que eu pudesse atravessar a ponte sozinha. Fui meio correndo, só para garantir =)

E volta para o ônibus, continuando na costa, comendo bolachas porque eu mereço depois dessa provação, xingando as crianças sem consideração com as pessoas, já sentindo o cansaço do dia.

Quarta parada, Dunluce Castle. Ou melhor, ruínas do que um dia foi o Dunluce Castle. Ele foi construído no século 13 pelo rei do Ulster da época. O safado do vendedor do guia me disse que ninguém pode entrar lá, porque é perigoso – já que ele está localizado no topo de uma colina e está caindo aos pedaços. Mas descobri que é mentira, que bastam 5 pounds e você pode visitá-lo sim senhor. É, mas como a parada foi fotográfica, só deu para tirar meia dúzia de fotos e ficar um tempinho ali pensando em como o mundo é maluco, já que ali moravam pessoas de verdade e que nem imaginavam que um bando de turistas equipados com uns troços estranhos no pescoço parariam em frente as ruínas de seu império para se questionar tudo isso.

E volta para o ônibus, agora já acabada, comendo mais sanduíches, tirando um cochilo breve pois ainda temos a principal atração pela frente.

Quinta parada, Old Bushmill Distillery, a parada mais burra da história dos tours pelo condado de Antrim. Imagina, uma parada de 20 minutos, que não te permite visitar a distilaria, só a loja de souvenirs, enquanto esse tempo seria melhor aproveitado nas paisagens naturais, o que trouxe todo mundo até ali. Pois é. Só entramos para descobrir que aquela é destilaria com a licença para funcionar mais antiga do mundo. De resto, ficamos comendo um Kit Kat recém-comprado e sentindo aquele cheiro horrível do whiskey sendo fermentado =P

E volta para o ônibus, agora por favor, podemos ir para a Giants Causeway? Grata.

Sexta parada, Giants Causeway, finalmente, que é a região ainda no condado de Antrim formada por mais de 40 mil colunas de basalto, resultado de uma antiga erupção vulcânica. Essa é a explicação científica, mas ainda existe a explicação poética e folclórica, que diz que essa calçada foi construída pelo guerreiro irlandês Finn MacCool, como uma ponte para a Escócia. Ele, então, foi desafiado por um gigante escocês, Benandonner, que era muito maior que ele. A esposa de Finn, Oonagh, teve então uma ideia genial: ela o disfarçou como um bebê, o colocando em um berço. Quando Benandonner veio, Oonagh disse a ele que Finn estava fora, mas que deveria voltar em breve. Ela o mostrou então “o filho de Finn”. Quando Benandonner viu o tamanho do bebê, ele não teve mais vontade de ver o pai! Benandonner fugiu aterrorizado, destruindo a calçada atrás dele, para que o “enorme Finn MacCool ‘, não pudesse segui-lo.

Acreditem no que quiser, a visão é surpreendente. As colunas são hexagonais e PERFEITAS! Parecem realmente ter sido feitas à mão, ponto para a lenda do gigante. É muito divertido ficar ali, escalando, andando até a ponta da calçada, avistando a Escócia ali do lado (Oi, Edimburgo! Me espera, estou de olho em você!), ou só parando para pensar na vida novamente (Engraçado né? Paisagem bonita te faz pensar na vida.).

E após tudo isso, eu já estava meio tonta, cansada, com fome e coisas estranhas começaram a acontecer comigo. Primeiro, eu lá na ponta final da calçada, esperando a Tami tirar uma foto minha e me vem uma onda (que eu sinceramente achei que ia me derrubar) e me molha até os tornozelos. Depois, eu sentada esperando a Tami tirar outra foto, derrubo meus óculos em poça de água. Ainda ali, eu tentando descer das colunas, morrendo de inveja da Tami, solto a frase: “Sabe, você quer me humilhar… Vai descendo correndo na minha frente, segurando a bolsa, com a máquina em uma mão e… AHHHH!”. É, escorrego e a Tami me segura. E o final da frase fica “e me segurando com a outra”. Rimos disso até o final, andando por paisagens incríveis, para encerrar o dia.

E volta para o ônibus, agora falando de empregos alternativos (como em cruzeiros) e a Tami me fornecendo uma lista negra de agências de publicidade que eu nunca devo tentar trabalhar e ela não lembrando o nome da pior. Estou quase adormecendo quando ela me solta um alto e sonoro: “Young and Rubicam”! Um final engraçado para um dia inesquecível =)

A última parada foi o Crown Liquor Saloon, o pub mais famoso (e lindo) de Belfast. Ele é super antigo e é um exemplo de arquitetura e decoração Vitoriana. Possui lindos vitrais e trabalhos em madeira e você fica perdido olhando para tudo aquilo, bebendo o seu pint (Belfast Ale, em homenagem à cidade).

Ainda tentamos jantar, mas aqui não é Dublin mesmo, então foi impossível achar um restaurante ou mercado aberto às 22h e tivemos que ir comer no Victoria Square, na Pizza Hut, lasanha para mim e massa para a Tami. Ainda ali, decidimos mudar os planos dos últimos dois dias (sensata decisão): faríamos Belfast no sábado e Derry no domingo, já que a primeira exigiria muito mais tempo, que não teríamos no último dia. Planos feitos, bolsas arrumadas para o dia seguinte, hora de dormir. Sem nem sonhar, de tanto cansaço!

Temple Bar: agora todas as quintas, sextas e sábados

Olá!

Pelo título do post, devem surgir as dúvidas: “Será que ela terminou com o Carlos Roberto, decidiu enfiar o pé na jaca e não sair mais dos pubs?”, “Será que ela virou alcoólatra de tanto beber Guinness e agora vai de pub em pub enchendo a cara?”. Não, não. Simplesmente, arrumei um emprego em um pub =)

Fachada da “firma” ^^

Mas não abandonei os meus bebês, já que estou cada vez mais apaixonada por eles e não consigo ficar cinco minutos sem dar um beijo em cada um. É um emprego para o final de semana à noite e é um pouco diferente. Eu sou promotora do pub (e sua balada no andar inferior) e meu papel é distribuir entradas VIPs para as pessoas nas ruas do Temple Bar, as trazendo para dentro do pub. É meio entediante e gelado, mas pratico meu inglês o tempo todo ^^

O roteiro é o seguinte:

– Chego, pego os cartões VIPs e começo a colocar um T no verso, para que eles saibam que fui eu quem coloquei as pessoas para dentro.

– Chega o Shane, meu parceiro, irlandês, de 19 anos, que parece o André Melo da Porto Seguro Cia. De Seguros Gerais, área de Comunicação Visual, e ele vai direto pegar as nossas jaquetas.

– Nos trocamos e vamos para a rua, onde ficamos em uma esquina estratégica, nos posicionando a alguns metros um do outro.

– E lá começamos a abordar as pessoas: “Free shot, free entry!”. Quando alguém se mostra interessado, complementamos: “To Havana Nightclub, do you know? It’s an amazing nightclub at Dame Street, 2 minutes on foot.” Se a pessoa ainda se mostra interessada, acrescentamos: “Let’s go Lads, I can take you there!”. E, se ganhamos a pessoa, a colocamos dentro da balada para garantir, o que ajuda a mostrar o nosso trabalho para o gerente.

– No caminho do Temple Bar até a Dame Street, sempre gosto de perguntar de onde as pessoas são, por curiosidade. E nessa já peguei gente da Polônia, Lituânia, Espanha, África do Sul, Austrália, França, Estados Unidos, Hungria e Irlanda. Quer jeito melhor para praticar o inglês?
É meio cansativo, reduz as minhas visitas noturnas a pubs a zero, mas estou gostando, melhora o meu inglês e ainda me dá dinheiro. Que beleza ^^

P.S.: Hoje eu vou atualizar todos os posts atrasados e vou me esforçar ao máximo para deixar o meu querido blog em dia. Obrigada.

Arte dentro de arte, do jeito que eu gosto

Hello!

Esse sábado foi dedicado à arte, com visita a dois lugares que eu estava doida para conhecer aqui em Dublin: a National Gallery e o National Museum of Archaeology.

National Gallery: tamanho não é documento

A primeira impressão do prédio, inaugurado em 1864, é boa. Ele é moderno, bem diferente dos demais museus de pintura que já visitei na Europa. Ok, estou aqui para ser surpreendida. Chegando na entrada, a primeira decepção. Ah, uma parte do museu está fechado para reforma? Uhuu, todos os museus decidiram entrar em reforma bem no ano que visito Dublin. ¬¬

Mas ainda sobraram duas coleções para ver: Masterpieces of European Paintings e Irish Paintings. Descrevo a relação dos quadros que eu mais gostei – e o motivo – logo abaixo.

Portrait of Charles Coote – Joshua Reynolds

Eu não conhecia esse pintor, mas gostei do trabalho dele. É o tipo de pintura que eu mais gosto – extremamente realista, em que você quase consegue sentir a textura das roupas. Isso é arte para mim, é o que mais me fascina: técnica e perfeição.

The taking of Christ – Caravaggio

Esse é o tesouro da exposição, o quadro mais famoso. Além de ser uma cena impressionante – o beijo de Judas em Cristo e a redenção dele ao seu destino, gosto do estilo do Caravaggio: quadros escuros, meio sombrios, expressões dramáticas.

Portrait of Sir John and Lady Clerk – Henry Raeburn

Além de ser um quadro bonito, o que eu mais gostei foi ele ser divido em dois planos bem delimitados. No fundo, o cenário. Na frente, o casal. Na foto não dá para ver muito bem, mas a impressão que eu tive foi de um efeito 3D =)

A lady writing a letter – Vermeer

Esse foi o momento mais emocionante para mim. Não por ser um quadro famoso nem nada, aliás, eu nem sabia da existência dele. Mas a experiência de vê-lo foi incrível… Estou andando pelo corredor e, enquanto aprecio o quadro anterior a ele, o vejo de relance. Na hora, me vem um nome na cabeça, sem pensar. Veermer. E eu estava certa, era um Veermer. Senti uma felicidade absurda, simplesmente por conseguir reconhecer um pintor que eu admiro pelo traço e cores dele. Isso não tem preço =)

The cottage girl – Gainsborough

Desde que o meu pai me apresentou o trabalho desse pintor, e eu pude conferir trabalhos dele no Louvre e na National Gallery de Londres, fiquei encantada! Neste quadro, gostei da expressão e delicadeza da menina, em contraste com a natureza ao fundo.

Donã Antonia Zárate – Goya

Os retratos de Goya são incríveis, reais, emocionantes! Olha a expressão de seriedade da Donã Antonia, em contraste com seu rosto angelical e seus trajes rendados e românticos. Sinto que ela é viva, é real. Que vai abanar o leque a qualquer momento.

Still life with a mandolin – Picasso

Picasso é sempre picasso, e você reconhece de longe. Neste quadro em específico, gostei das texturas e grafismos que ele aplica nos diversos elementos que compõe a pintura. Parece que tudo está decorado com papel de parede. É divertido =)

Rooftops in Paris – Van Gogh

Porque eu gosto de Paris, gosto das pinceladas e dos céus de Van Gogh. Não dá para ver direito mas, neste quadro, aqueles espirais tão característicos dele marcam presença no céu de Paris.

Julie Bonaparte with her daughters – François-Pascal-Simon Gerard

Outro desconhecido para mim. Mas o que me chamou a atenção foi a beleza das crianças que ele pintou. Eu não sei se elas eram bonitas assim na vida real, mas ele as eternizou como bonequinhas de porcelana *__*

Funeral of Patroclus – David

Esse também foi um momento especial. Me chega a Melissa (minha colega de classe e vizinha, economista que estudou história da arte em um semestre) e diz: “Olha que legal,  ele dá mais destaque em cores para a cena do meio – a mais importante – e o resto, mais escuro, é pano de fundo”. E eu digo com o maior orgulho: “David é assim. Meu pai me mostrou outras pinturas e ele sempre segue o mesmo estilo”. =)

Man writing a letter – Gabriel Metsue

Que quadro lindo. Dá para sentir a textura do cabelo do homem. Dá para sentir as dobras da camisa dele. Dá vontade de esticar o tapete enrugado. Não, não pode ser uma pintura apenas. Deve ser uma foto…

About to write a letter – W. B. Yeats

Primeiro que eu nem sabia que o Yeats também era pintor. Segundo que, pelo amor de Deus, olha esse quadro. Mexeu comigo por ser expressivo, meio doentio e confuso.

O’Connell Bridge – Flora H. Mitchell

A pintura não tem nada de mais, mas ela retratou uma paisagem que eu adoro: ver as luzes refletidas no Rio Liffey, olhando da O’Connell Bridge. Sempre me encanta ^^

National Museum of Archaelogy: um labirinto do passado

O prédio que abriga o museu foi construído em 1880 e é lindo. Você não sabe se olha para a arquitetura ou para os objetos expostos. Mas é um labirinto, o nosso grupo de 4 pessoas se perdeu diversas vezes. “Hey Li, você viu o Jésus por aí?” “Sim, trombei com ele ali na sessão Viking, mas o perdi quando entrei na sessão Egípcia”. o.O

A exposição é dividida em:

Irlanda Pré-Histórica
As primeiras lanças, caldeirões e muitos, muitos, muitos vasos de cerâmica. Enjoa até. O que eu mais gostei foi esse barco aqui, gigantesco e muito antigo, com 4.500 anos de idade.

Ouro da Irlanda
Colares, pulseiras, brincos e acessórios para roupas, em puro (e muito) ouro. A exposição mostra quem usava cada peça e porque. Sabe, eu acho que nunca tinha percebido com o ouro é lindo >.<

O tesouro
Coleção de peças religiosas da Irlanda, da época pagã à Viking, terminando na era Cristã. Os pontos altos são o Broche de Tara, representando o paganismo e a Cruz de Cong, representando o cristianismo.

Irlanda Viking
Para quem passou uma tarde em um museu divertido e instrutivo que contava tudo sobre os Vikings, nada impressiona mais. Mas foi engraçado quando entrei nessa sessão, uma sala escura. Estava tocando uma música meio macabra e eu dou de cara com dois bonecos vestidos de vikings, me olhando. Aham, eu levei um puta susto >.<

Egito Antigo
E para quem já visitou o British Museum, com a impressionante coleção de arte egípcia que eles tem, fica difícil agradar também. Mas gostei muito das joias em lápis-lazuli, a famosa pedra preciosa muito utilizada no Egito Antigo, coisa que o British não tem.

Bonus: The Faddan Moore Psalter Book
Sem aviso, me vejo em uma sala escura, com um vídeo interessante contando a descoberta de uma bíblia muito antiga que foi descoberta enterrada em um pântano. Eles explicam que o povo tinha esse costume – de enterrar as coisas – mas não sabem bem o motivo. É fascinante ver o processo de recuperação da bíblia, que estava em um estado deplorável quando foi encontrada!

Depois disso tudo, não sobrou muita energia, sabe? Mas ainda rolou balada com a sul-coreana doida que dorme na cama ao lado da minha. E rolou gig da russa talentosa que estuda na minha sala. E rolou brasileiras e russas doidas correndo no meio da rua para fazer o frio passar.

Final de semana perfeito =)

P.S.: Papis Querido, nada disso seria possível sem você. Afinal, quem sempre me mostrou Goya, Monet, Picasso, Ingres, David, Vermeer, Gainsborough, Renoir, Da Vinci, Michelangelo, Rafael, Tarsila, Portinari, Rubens, Gauguin, Degas, Manet, Van Gogh, Caravaggio, foi você. Se hoje eu consigo reconhecer Vermeer e David, foi porque você me ensinou. Meu orgulho s2

P.S.: Estou há mais de 3 horas escrevendo esse post. Obrigada.

Yvidemsya!
(ubídência – “até mais” em russo)