Playgroup para ele, encontro de comadres para mim

Imagina o que é cuidar de uma criança de dois anos e meio, cinco dias por semana, seis horas por dia? Chega uma hora, apesar de que você ame o pequeno com todas as forças do seu coração, que você precisa de uma folga. Aí que entra o querido-abençoado-tudo de bom playgroup!

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Funciona assim: você chega naquela grande sala cheia de brinquedos, larga a sua criança ali no meio, pega uma xícara de chá e um bolinho, paga uns trocos por isso (2 euros por semana) e vai se sentar nas cadeiras, batendo papo com as outras mães e au-pairs (com comentários do tipo: “nossa, o meu bebê pegou virose na semana passada, que pesadelo!” ou ainda “menina eu não gosto dessa marca de wipes que você usa não, o cheiro é muito forte!” =P), só levantando para acudir a sua criança em casos de quedas, brigas com outras crianças, choros ou pedidos especiais (“play me, Didi!”).

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Eles são muito populares aqui em Dublin, tem mais de um por bairro. Eu vou no St. Anthony’s Playgroup, que é realizado todas as terças-feiras, das 10h30 às 13h (mas só ficamos até às 11h30, porque o B-Boy precisa dormir e almoçar antes de ir pra escolinha), no antigo prédio da St. Anthony’s Church (que hoje tem um prédio novo nos fundos).

Meu B-Boy é esperto, gosta de estar cercado por belas garotas *___*

Meu B-Boy é esperto, gosta de estar cercado por belas garotas *___*

Eu e o Airt curtimos muito. Ele come 2 biscoitos e 1 bolo (o nosso acordo semanal porque, se eu deixar, ele come TODOS ¬¬), brinca com os carrinhos, corre pra lá e pra cá. Eu tomo um chá, como um bolinho, bato papo, sento. E é melhor ainda porque temos amigos por lá! A antiga au-pair espanhola da Mags, a Suzana, leva as suas novas crianças (gêmeas de 1 ano e meio, Roisin e Guiva) lá também. Então o Airt brinca com as meninas e eu e a Suzana batemos papo. Meu encontro de comadres favorito =)

Na semana passada, levei o Airt para lá pela última vez, já que deixo a Irlanda, meus empregos, minhas crianças, em poucos dias. Foi triste saber que acabou. É triste saber que tudo está acabando. Será que eu ainda tenho desprendimento sobrando, depois de tudo do que me desprendi nesse ano?

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Feliz, o aniversário

Pois é, eu fiquei mais velha. E, sim, estou longe da minha família, namorado e amigos, que são aqueles que fazem o aniversário das pessoas ter significado. Mas não, eu não passei o dia sozinha, comendo sorvete no pote e me acabando de chorar.

Bem, chorar eu chorei, mas foi somente por bons motivos. Somente por perceber que mesmo longe, a minha família ainda está comigo. E somente por perceber que eu também tenho uma família aqui, que eu amo MUITO e que vou levar para a vida toda.

Mas vamos do começo.

O dia começou bem, com o bom-dia que dei para o Airt, o lembrando da data. Ele me deu um beijo tímido, mas veio bonzinho tomar café da manh, o que eu entendi como um sinal de respeito pelo meu aniversário. Depois disso, todas as vezes em que eu pedia “birthday kisses” ele me dava, todo cheio de amor e baba. Ah, e eu te dou todo o meu amor também, buddy. S2

Dei uma olhadinha básica no Facebook, para ver algumas mensagens de aniversário. Aí veio o primeiro choro do dia, ao ver as fotos que a Mamis havia postado, eu e ela, ela e eu. Juntas, sorridentes, felizes. Tão simples, tão natural. Oh, my baby. Our love is definitely true. Esse é o meu primeiro aniversário que passamos separadas, é difícil. Mas será o último, já prometi para ela =)

Vejo também a mensagem que o meu amor me mandou, comparando a data à aquela de um ano atrás, quando ainda estávamos começando a nos conhecer, sem saber onde pisar e o que esperar. Eu já sabia que ele era diferente, quem mais poderia me chamar pelo significado do meu nome em hebreu, sem eu nunca ter contado? Ele já via sua Menina em mim e eu já via todo o potencial dele para me fazer feliz. Apesar da distância e tristeza de hoje, temos que ficar felizes, ele disse, porque o difícil já aconteceu. Nos conhecemos, nos amamos, descobrimos que somos almas gêmeas. Agora é só esperar mais 70 dias e tudo vai se resolver.

Lágrimas enxugadas, era a hora de enrolar os brigadeiros e beijinhos que eu havia feito no dia anterior, para adiantar o processo (já que fazer isso na companhia de uma criança de dois anos não é fácil =P). Ops, mas descubro que a massa do brigadeiro virou pedra. E agora? Penso: “Ou você joga fora e mente pra todo mundo, dizendo que brigadeiro é ruim demais e que você resolveu não fazer ou você tenta consertar”. Optei pela segunda alternativa. Mas no processo, tive o meu segundo choro do dia, ao tentar desgrudar o negócio do prato com a faca, cortando o meu dedo. Meio feio, daqueles que fariam o meu irmão se sentir fraco, como ele diz. Mas não tenho tempo para isso, vamos em frente. Coloco tudo na panela, acrescento manteiga, leite e qualquer coisa para amolecer o tijolo de brigadeiro. Deu certo =)

Fiz tudo em quarenta minutos, o Airt como meu assistente “pouring coconut rain all over the balls”. Limpei a cozinha em quinte minutos, o Airt como meu assistente, perguntando “me eat that?” para as colheres, pratos, tigelas e tudo que estava sujo de chocolate.

Rotina normal depois disso. No caminho para a Mags, após deixar o Airt na creche, encontei com a Tamis no centro. Acontece que ela foi anteontem na Mags, para conhecer os bebês e ver a possibilidade de ficar com a minha vaga depois que eu sair. E a Mags, fofa como é, fez o convite para a festinha, que ela prontamente aceitou. E dela, ali em frente ao Spire, eu recebi o meu segundo beijo de aniversário, com um lindo bracelete irlandês (para lembrar da terra que nos uniu) e uma miniatura de uma cruz-alta irlandesa (para lembrar das nossas aventuras pelas terras celtas).

Fomos juntas para a Mags, onde sou recebida por beijos e abraços dos meus lindos, únicos, preciosos, amados trigêmeos em meio a bexigas e risadas. A Kitty está por lá também e me dá um abraço. Ficamos por ali bagunçando, até que a Mags chega com o Yoyô e ele vem, abre a porta segurando uma bexiga, com um sorriso tímido no rosto e diz “Happy Birthday, Tita!”. Ok, meus olhos ficaram embaçados aqui.

Logo a Mags diz que eles tem que pegar algo na cozinha e todos os bebês vão atrás. Vou também e logo me vem o Yoyô com um cartão, a Mags dizendo que ele colou os adesivos. Abro e está escrito “We love you” com o nome de todos, Mags, Bepi, Yoyô, Alie, Tutu e Berto. Aí eu não resisto, choro, choro. Choro por sentir o amor que tenho por todos eles explodir aqui dentro. Choro de alegria, por estar ali perto de pessoas(inhas) tão preciosas =)

A Mags me dá também um envelope, com um par de ingressos para um espetáculo de música irlandesa, não aqueles safados do Temple Bar, mas um “cool”, como ela disse. Muito legal, fiquei feliz =)

Depois disso, eu e a Tamis ficamos com os bebês na sala, enquanto a Mags e a Kitty faziam os preparativos da festa na cozinha. Horas depois, vem o Yoyô e diz a frase habitual das cinco da tarde “it’s dinner time”, fazendo os bebês saírem correndo para a cozinha. Quando entro lá, vejo uma mesa linda, cheia de comidinhas gostosas, como o omelete espanhol (fritada de batatas, ovos e cebola), ovos com salmão e maionese, filés de frango frito, azeitonas, pão de alho. Finger food, como eles chamam, perfeito para festinhas ^^

Comemos, ajudando os bebês entre uma garfada e outra. Em determinado momento, só o Allie estava na cadeirinha (sempre o bom moço, meu Al-the-ball). Os outros dois rascals estavam no meu colo e no da Kitty, comendo do nosso prato. Vê se pode? Logo chega a Mary Rose e o Airt, com um lindo kit de cosméticos e um cartão do “BÓÓÓÓB, the Biulder”. O Airt pouco liga para mim, os brinquedos do Fireman Sam do Yoyô são mais atrativos, eu acho.

Terminamos de comer e chega a hora do parabéns. Cantamos a música, a Tamis gravando tudo. E, como prometido há semanas atrás para os dois, deixo o Yoyô e o Airt soprarem as minhas velinhas. Meus B-Boys! Comemos bolo, comemos docinhos, damos bolo para os bebês, damos docinhos para os bebês (o Airt e o Yoyô não precisaram de incentivo, estavam atacando tudo por conta >.<). Nessa altura do campeonato, os bebês já estavam muito cansados e começavam a ficar irritados, chorando por tudo. Hora de iniciar os preparativos para dormir.

Trazemos todos para a sala, colocamos Fireman Sam na TV e eu troco a fralda e ponho o pijaminha de todos eles, com a ajuda da Tamis. Organizamos a bagunça dos brinquedos e partimos para a cozinha, que estava em estado de calamidade pública depois da festa. Com a ajuda dela, em dez minutos estava tudo resolvido.

Aliás, o que eu teria feito no dia de hoje sem ela, me diz? A Tamis é daquelas do tipo “pau para toda obra”, sabe? Tamis, vamos para Belfast daqui a três dias? Opa. Tamis, vem aqui em casa comer hot-dog? Opa Tamis, vamos fazer uma trip maluca pelo Reino Unido na virada do ano? Opa. Tamis, vamos lá brincar com as minhas 67574 crianças? Opa. Ela é assim. E estou muito feliz por a ter conhecido, por termos ficado amigas, por tê-la presente em momentos importantes desse ano (e do próximo ^^). Te levo para a vida toda, xubs!

Hora de ir para casa. Chego em casa, abro o computador e vejo que meu pai me marcou em um comentário de uma foto. Vou ver o que é e fico em estado de choque. Ele, simplesmente, fez uma montagem com fotos de tudo o que eu gosto: Los Hermanos, Muse, Nutella, cupcakes, berinjela, picanha, Big Ben, São Paulo, Amelie Poulain, tulipas e até vagens, e colocou como capa de seu perfil no Facebook. É, esse foi o quarto choro do dia, descontrolado, tive que tomar um banho para ver se eu me acalmava. Te amo, Papis! Você é minha inspiração, meu mestre. Tudo o que eu aprendi com você nessa vida não está escrito s2

E mais um milhão de mensagens de amigos e familiares, fotos com homenagens, desenhos, lembretes. Tem como se sentir sozinha com todas essas demonstrações de afeto? Fui dormir me sentindo a pessoa mais feliz do mundo.

Caminhada de outono nas montanhas

Ainda tendo como influência o fator Mossy em nossas vidas, a Mary Rose sugeriu um passeio diferente para o nosso último domingo, que eu topei na hora: fazer caminhada nas montanhas de Wicklow! Dessa forma, o Mossy poderia se acabar de correr, o Airt poderia tomar ar fresco e sair de casa e nós duas poderíamos bater papo, coisa que nunca conseguimos fazer direito.

E assim, acordamos cedo no domingo, comemos panquecas com mapple syrup (minha nova paixão*____________*), empacotamos o carrinho, água, snacks e partimos, o Airt na cadeirinha, o Mossy no bagageiro do carro.

As montanhas de Wicklow ficam, obviamente, no condado de Wicklow, vizinho do condado de Dublin. Foi uma viagem de uma hora apenas, passando por estradas impecáveis margeadas por árvores avermelhadas e montanhas escondidas por neblina ao fundo.

Subindo a montanha, você encontra diversas opções de trilha, com estacionamento e trajeto sinalizado. Cada uma delas possui uma extensão, uma peculiaridade e um tipo específico de público. Muito bem planejado e organizado!

Por possuir a extensão desejada, não ser muito íngreme e ter um lago no percurso, a Mary Rose escolheu a trilha do “Clara Lara Valley”. Chegamos, estacionamos, soltamos o Mossy (que imediatamente começou a correr), colocamos o Airt no carrinho (e tiramos, e colocamos, e tiramos, e colocamos – ele não parava quieto!) e começamos a trilha =)

Estava frio, uns 4 graus, e foi o primeiro dia em que eu usei a minha underwear, além de uma blusa e o casaco. Mas esqueci as luvas e, logo, minhas unhas estavam roxas e doendo (Já ouvir falar de dor na unha? Pois é, eu sinto ¬¬). Ainda bem que andamos MUITO rápido, então o frio passou logo.

Andamos por umas três horas, passando por trilhas com paisagens incríveis em volta: o lago, as pontes de madeira, o chão coberto com um tapete de folhas amarelas e vermelhas, as árvores quase que completamente “nuddie-nuddie” – como costumo dizer para o Airt. Lindo dia de outono =)

E conversamos sobre a história da Irlanda, falando sobre Cronwell, sobre o Levante da Páscoa, sobre Éamon de Valera, sobre o IRA. É muito interessante ouvir a história pela visão de um irlandês de verdade, não apenas o que você lê nos livros. Torna tudo mais vivo, ao ouvi-la contando as histórias que a sua mãe costuma contar quando ela era criança.

E conversamos sobre viagens, todas as que ela já fez, as que ainda quer fazer e aquela para o Brasil 2018 que estamos marcando desde já. E ela me dá dicas de como sobreviver no meu mochilão, já que ela mesma já passou por situação pior, viajando um ano pela África e Ásia.

E conversamos sobre o meu futuro emprego, sobre o que eu penso que quero fazer, ela me aconselhando a seguir carreira em mídias digitais, já que ela mesma faz um tremendo sucesso com sua própria empresa nessa área.

E conversamos sobre o Airt, sobre o seu progresso na fala (que eu muito me orgulho de ser papel importante nessa conquista, já que tagarelo com ele o dia inteiro =P), sobre os seus encantos, as suas brincadeiras, sobre o seu futuro, sobre a sua nova au-pair, sobre como faremos para ele se acostumar com a minha ausência.

E eu falo que vou sofrer muito para deixar as minhas crianças, porque isso é a mais pura verdade. E prometo que, na(s) minha(s) próxima(s) viagem(s) para a Europa eu mudo o roteiro para incluir uma perna do vôo saindo de Dublin, só para poder visitar os meus tesouros, dessa vez com o Cáaaalll (o amor, apelidado pelo Airt s2) comigo, já que eu também não largo ele nunca mais.

E tanto andamos, tanto, tanto, que o Mossy começou a sentir fraqueza nas pernas. Hora de ir embora! Terminamos a trilha, empacotamos tudo no carro e voltamos para casa, onde eu alimentei o Airt com um googy egg (ovinho quente) e toast e me alimentei com omelete de mushroom. É, estamos viciados no ovo, eu e ele =P

Depois disso tudo, fui descansar no quarto porque as pernas estavam destruídas, com a rotina de sempre : skype com a Mamis, skype com o amor, pesquisas insanas sobre a viagem. E dormir, para começar tudo de novo no dia seguinte.

P.S. Já esse final de semana não teve muitos acontecimentos. No sábado, trabalhei com a Mags no sábado e tivemos um dia muito agradável (e gelado!) em Dun Laoghaire, na casa da irmã dela. Demos pizza para os pequenos enquanto comíamos as nossas (é, porque agora eles são B-Boys e acham que têm o direito de usar garfos grandes no nosso prato, sabe? >.<) e os levamos para o parquinho. No domingo, passei o dia todo nas pesquisas da viagem, finalmente terminando os roteiros do UK e passando horas e horas com a Tamires no Skype para comprar as nossas passagens de ônibus. Isso significa que SIM, A PARTE UK DA VIAGEM ESTÁ PRONTA =D

A vida de Au Pair como ela é

A primeira coisa que você descobre quando começa a pesquisar sobre o sagrado ofício de Au Pair (ou seia, babá) é que existem dois tipos: a live-in, que mora com a família, tendo o aluguel e alimentação inclusas no salário, e a live-out, que só recebe o salário, não mora na casa e só tem direito a uns bolinhos de vez em quando.

Desde que optei (ou melhor, minha conta bancária optou por mim) por fazer um intercâmbio de estudo e trabalho, soube que queria trabalhar cuidando de crianças. Primeiro, porque eu sempre AMEI crianças. Segundo, porque eu sempre quis ter QUATRO filhos. Terceiro, porque imagina aquelas coisas loiras e fofas falando em inglês?

E eu sempre procurei por vagas live-out. Primeiro, porque eu queria ter a sensação de morar sozinha (ou, pelo menos, sem pais – já que o apartamento sempre foi ocupado por três meninas além de mim) por um tempo. Segundo, porque eu vim com a Aline e achei mancada abandoná-la no começo. Terceiro, porque seria um choque cultural grande demais já mudar direto para a casa de uma família com outros costumes que não os meus.

Mas, quando a oportunidade irresistível e abençoada do outro emprego de au pair live-in apareceu, não pensei duas vezes. Eu não tinha ideia do que ia encontrar, mas não me importei. A gente está aqui na Irlanda é para se molhar, não é? ¬¬

Qual dos dois é melhor? Bom, cada um tem as suas vantagens e desvantagens, que variam também de acordo com a família e as crianças. Eu posso dizer que tenho MUITA sorte, pois as minhas duas famílias e minhas cinco crianças são maravilhosas! Então, o que eu escrevo aqui é baseado na minha realidade e não vale como única referência sobre o assunto (pois eu já ouvi cada história cabeluda de meninas que sofreram nas mãos da família que nem te conto!).

Au Pair Live-In

Pontos positivos

– Você não paga aluguel, não paga comida e ainda recebe o seu salário.

– Não há a necessidade de se preocupar se a conta de eletricidade virá muito alta esse bimestre, porque não é você quem paga =P

– Você tem TV e DVD em casa, objeto de luxo nos apartamentos por aí. E pode usar à vontade, desde que não seja no seu horário de trabalho, claro.

– Acabou aquela vida de se preocupar com o que você vai jantar hoje. Chego em casa e tem comida fresquinha pronta pra mim. Claro, com muito menos sal, muito mais coisas exóticas e muito menos gostosa do que a da minha Mamis, mas está valendo =)

Pontos Negativos

– Você tem que se adaptar à rotina da família, não tem jeito. Comer o que eles comem e lavar roupas no dia em que eles não lavam.

– Geralmente, a limpeza da casa está inclusa nas suas tarefas. E, lidando com uma casa com crianças, é sempre difícil manter a ordem.

– Vez ou outra, nos finais de semana – seus dias de folga, você vai ter que dar uma “olhadinha” na criança, enquanto a chefe vai ao supermercado. Você recebe por isso? NOT!

O que só eu tenho

– Minha chefe é mãe solteira, então só somos em três aqui em casa: ela, o Airt e eu. O que significa menos bagunça, vaso sanitário mais limpo e poder ir apenas de sutiã ao banheiro, se você quiser.

– Apesar da minha chefe cozinhar na maioria dos dias, ela sempre me deixa muito à vontade. Posso comer o que eu quiser e ela sempre me pergunta se eu quero alguma coisa, antes de ir ao mercado.

– Um B-Boy manhoso, que precisa de atenção e não gosta muito de ser contrariado. Mas, se você fizer tudo com jeitinho, ele se transforma no seu melhor amigo, faz caretas com você e sai por aí batendo papo com as pessoas no ônibus, feliz da vida. Meu Airt s2

Au Pair Live-Out

Pontos positivos

– Você não é acordada de madrugada por choro de criança, quando eles estão doentinhos ou sem sono.

– Nenhum pentelho entra no seu quarto e começa usar os seus colares, pegar os seus livros, calçar os seus sapatos e largar carrinhos na sua cama.

– Quando acaba o horário do expediente, você muda de cenário, o que realmente faz o seu cérebro entender que você não está mais trabalhando.

Pontos Negativos

– O salário é o mesmo de au-pair live-in, mas você não mora na casa, o que significa que você gasta quase tudo o que ganha com aluguel, conta de eletricidade e comida.

– Você precisa se dirigir até a casa da família todos os dias e isso é por sua conta. Ah, você tem que pegar 3 ônibus para chegar aqui? Azar o seu, você pagará por isso.

– Teoricamente, sua chefe não precisa te alimentar durante o horário de trabalho. Então, eu sempre fico meio sem graça quando ela me oferece chá com biscoitos, mesmo 8 meses de trabalho depois >.<

O que só eu tenho

– Minha chefe e seu marido são SENSACIONAIS! São engraçados, não são neuróticos com o cuidado com as crianças e se importam comigo. Eu posso dizer sem dúvida, a Mags foi a melhor coisa que me aconteceu aqui na Irlanda s2

– Bebês trigêmeos, tão raros, tão lindos, tão preciosos! Não, eles não me enlouquecem. Sim, eu morro de rir com eles. E, claro, eu dou um milhão de beijos por dia em cada bochecha rosada e gostosa. Meu Allie, Tutu e Berto s2

– Um outro B-Boy super engraçado, que faz piada de tudo! Ele é manhoso às vezes, mas é só eu pedir e ele me mostra os dentes de vampirinho. Meu Yoyô s2

P.S. O Airt está dormindo agora, tempo que eu uso para limpar a casa e cuidar do blog. Mas deixa eu correr lá, tenho que preparar o almoço porque logo ele acorda, gritando: “Didíiiiiii, farry meee!”, significando “Talita, carry me!”, significando “Chega de berço, me tira daqui!”.

P.S. Agora me diz, como eu faço para viver longe dos meus meninos?

Todo dia ela faz tudo sempre igual

Olá!

Todo mundo tem rotina. Quem lida com crianças tem rotina em dobro. É horário do poo poo, horário da fruta, horário do último ônibus para voltar a tempo da yoga da chefe. E assim, eu passo os meus dias de horário em horário, correndo na maior parte do tempo. Não, isso não é ruim. É diferente e cansativo, só isso. E, quando eu estiver trabalhando novamente em um escritório, de sapato social, quero lembrar da época em que eu trabalhava de chinelo, no parque =)

7h – O despertador toca. Eu aperto a soneca.

7h10 – De um pulo, eu levanto, ponho a roupa e o chinelo, os brincos (pequenos, não quero nenhuma criança rasgando a minha orelha), escovo os dentes.

7h20 – Desço para a cozinha e tomo o meu chá com torrada, enquanto a Mary Rose me conta as novidades e as recomendações do dia. Enquanto isso, o Airt come cereal, me ignorando na maior parte do tempo (é a presença da mãe, eu entendo).

7h50 – Troco a fralda, tiro o pijama e coloco as roupas do dia no nele. Isso pode levar de 7 a 25 minutos, dependendo do humor dele.

8h10 – Dou uma geral na cozinha, para não sobrar tudo para mais tarde. Enquanto isso, o Airt começa a espalhar os brinquedos pela casa.

8h30 – 10h30 – Horário de brincar, com um cenário que varia de acordo com o tempo. Se estiver sol, andar, correr, deitar na grama de parques ou do Sea Front, às vezes ir o supermercado comprar algo que falta para o almoço. Se estiver frio e chuva, ficamos dentro de casa, pulando nas almofadas, lendo livros, brincando com carrinhos, legos, trens e qualquer outra tranqueira que o faça feliz.

10h50 – Preparar o Airt para a sua soneca, incluindo encontrar o teddy dele (no caso, uma ovelha fofa, a Báa) e a chupeta (dôdiii).

11h – 12h30 – Horário da soneca. De segunda a quarta, eu tenho esse tempo livre e geralmente atualizo o blog, pesquiso coisas da minha viagem, respondo e-mails. De quinta e sexta, eu limpo a casa – um piso por dia. Todos os dias, eu faço o almoço (cardápio sempre montado pela Mary Rose).

12h30 – 13h – Dar almoço para o Airt e almoçar, além de limpar as mãos dele após o processo (porque ele mal termina e grita: “HANDS!”), a mesa, o chão e as louças. Por mais que eu me prepare antes, sempre me atraso aqui!

13h – 13h15 – Escovar os meus dentes e os dele, trocar a fralda de poo poo (todo santo dia, no mesmo horário), conferir as portas e fogão (mil vezes, tenho TOC), pegar o carrinho, a bolsinha de fraldas, minha água e fruta e correr para o ponto de ônibus.

13h20 – 13h30 – Esperar o ônibus 130, que demora mais do que tudo e, às vezes, ter que esperar dois ou três passarem, porque o infeliz do motorista não permite mais de um carrinho lá dentro.

13h30 – 13h45 – Caminho da Clontarf Road até a North Strand Road. Airt sempre apontando para as pessoas e falando “pípô” ou “mám” ou dizendo “côl nóu”.

13h45 – 14h – Caminhar do ponto de ônibus até a creche. Tocar a campanhia, levá-lo até sua sala, ganhar um beijo e ouvir “bye, Didi” s2

14h – 14h10 – Andar até o ponto de ônibus mais próximo, novamente na North Strand, por atalhos malucos e vazios.

14h10 – 14h20 – Pegar qualquer ônibus que vá para a Talbot Street e, então, andar até o ponto perto da Henry Street, na O’Connel Street.

14h25 – Pegar o ônibus 40 ou 140 para a casa da Margaret. Se eu perder o desse horário, me atraso!

14h25 – 14h55 – Caminho até a Finglas Road, com o ônibus cheio de velhinhas e de crianças nesse horário.

15h – Chegar na Mags, dar um beijo em cada criança, ouvir o relatório da Kitty, dizendo quem dormiu e quem está cansado.

15h – 17h – Brincar com bebês, na sala de brinquedos ou no jardim, dependendo do tempo. Às vezes, um passeio até o parque. Às vezes, brincar com o Yoyô. Depende do humor da Mags.

17h-18h10 – Dar o jantar dos bebês, limpar a bagunça que fica no chão e na mesa, lavar as louças, às vezes dobrar roupas.

18h10 – 18h30 – Trocar as fraldas, botar os pijamas, limpar os rostinhos, colocar todo mundo sentado nas cadeirinhas da sala, colocar o DVD da Peppa Pig.

18h30 – 18h50 – Enquanto eles tomam as mamadeiras, guardar todos os 2647528427 brinquedos espalhados pela sala, organizar as roupas do dia seguinte, jogar as fraldas sujas no lixo.

18h50 – 19h – Dar um colinho para um ou outro, dar beijo de boa noite em todos. Partir.

19h05 – Pegar o ônibus 140, 40, 40B, 40D. Se eu me atraso muito aqui, tudo está perdido! o.O

19h05 – 19h20 – Caminho do ônibus até a O’Connel Street, parada próxima ao Spire.

19h20 – 19h32 – CORRER pela Talbot Street, até a Amiens Street, onde eu preciso pegar o 130 EXATAMENTE às 19h32, ou me atraso para a yoga da Mary Rose.

19h32 – 19h48 – Caminho até a Clontarf Road, ponto próximo à Vernon Avenue. No geral, estou tão cansada que nem penso =P

19h48 – 19h50 – Correr até a porta de casa, com a chave na mão, o celular na outra, caso ela resolva me ligar xingando se eu estiver atrasada.

19h50 – 20h – Começar a troca de e-mails noturna com o amor s2

20h – 20h40 – Lavar as louças do jantar, esquentar o meu jantar que ela preparou, deixar tudo em ordem na cozinha.

20h40 – 21h – Tomar banho, botar o pijama, escovar os dentes.

21h – 22h – Assistir um episódio de Mad Men (série favorita atual s2), atualizar o blog, planejar a viagem ou ficar de bobeira na internet.

22h – 23h – Skype com a Mamis, para saber se os pirralhos estão bem, ouvir os planos deles para a semana, contar o que aconteceu aqui e tentar imaginar que estou no colinho dela.

23h – 23h15 – Olhar fotos do amor, da família, dos amigos e lembrar que estou sozinha, longe das coisas mais valiosas da minha vida.

23h15 – Ir dormir, fazendo força para sonhar com o dia de rever todos eles =)

Cansa só de ler, não é? Eu sei. Mas agora já estou acostumada e não sinto mais aquela dor nas costas ou a vontade de chorar na quinta fralda de coco do dia. E, se for pensar, só mais alguns meses e isso já vai terminar. Mas isso é assunto para outro post ^^

P.S. Quando eu olho para o Allie, paro e fico tentando imaginar como é que eu vou fazer para conseguir viver sem eles.

P.S. Mas, apesar do amor que tenho pelas minhas crianças, sinto falta de botar um sapato social, um batom e ter uma reunião sobre algum projeto excitante. Saudade da minha profissão, isso sim.

Até mais!

Entre parques e beijos

Olá!

Semana feliz por aqui. Tenho conseguido me adaptar bem à minha nova rotina, tenho ficado menos cansada, notícias boas no Brasil e gente querida chegando. E ontem foi o melhor dia da semana, tanto que merece um registro especial =)

Fairview Park


Para aproveitar o tempo bom (Aliás, onde já se viu o outono ser mais quente e ensolarado que o verão? Só na Irlanda mesmo ¬¬), levei o Airt para o Faiview Park, perto aqui de casa. Ele foi fundado em 1920 e é famoso por sua ciclovia e os bem equipados playgrounds. Pegamos o ônibus e inventei de levá-lo no andar superior, já que ele é simplesmente apaixonado pelos “un-un” (bus, na língua do Airt) e imaginei que seria emocionante para ele ver tudo da janelona de cima. #NOT. Emoção mesmo foi a minha, ao descer aquela escada estreita com o ônibus balançando e ele no meu colo =S

O dia estava SENSACIONAL e ficamos brincando no parquinho, ele correndo e eu atrás, tentando tirar fotos. Depois deitamos no balanço (sim, grande que dá para deitar) e ficamos olhando as nuvens. Foi uma bela manhã =)

Jubs do meu coração

E finalmente, o momento de encontrar a minha Jubs querida! Lá estávamos nós (eu, Li e Lucia – a eslovaca que entrou no meu lugar no apartamento) esperando a Ju na esquina da Fleet Street, as meninas batendo um papo e eu nervosa, olhando para a rua o tempo todo, esperando ver algo de familiar.

E, de repente, eu a vejo. Ela andando séria como sempre, cabeça baixa, pensativa. Jubs, Jubs! Saio correndo (e deixo a Aline e Lucia falando) e paro na frente dela, dando pulos dessa altura, ó! E grito e abraço ela bem apertado e me vem lágrimas aos olhos. Poxa, que emoção! A última vez que a vi foi no aeroporto, minutos antes de eu embarcar. É tão incrível poder vê-la aqui =)

Passado o momento vergonha alheia de mim mesma, vamos andando até o PorterHouse, o pub escolhido para a noite e eu retiro completamente a minha declaração de que os bares de São Paulo tem muito mais atrativos que os Dublin. Gente, aquilo é um empório de cerveja! Eles até fabricam a sua própria cerveja *____*

E sentamos no último andar e fazemos os pedidos, Stout para mim e para a Lucia, Weiss para a Li e Jubs. E, claro, uma porção gigantesca de salsichas, batatas, onion rings, asinhas de frango, mini-hamburguers. Ah, como a Jubs faz falta na minha vida!

E meu cérebro tem um momento de colapso ali, ao ver aquela japa do meu ex-emprego, para quem eu reclama do workflow, que bebia Original no copo americano comigo, falando inglês (e muito bem!) com a minha amiga eslovaca, bebendo uma Weiss, no Temple Bar de Dublin.

Para finalizar, um bolo para mim (meu namorado está há 9 mil km de distância, então eu mereço, obrigada) e sorvete para as meninas. E eu sinto um aperto ao dar tchau para a Jubs quando os nossos caminhos da volta se separam. Oi, posso não te largar nunca mais, até eu voltar para o Brasil?

P.S. A boa notícia é que estamos arrumando as malas para um bate e volta no final de semana. O destino? Galway e os famosos Cliffs of Moher =)

P.S. Meus pais me mandaram um carregamento de doces brasileiros pela Japa! Nham, paçoquinha Amor, doce de abóbora, doce de leite, goiabada. É, acho que eles estão querendo me subornar para voltar antes =P

See you!

Dos últimos finais de semana

Sim, as coisas andam meio paradas por aqui. Mas, poxa, eu acabei de escrever um livro sobre a viagem à Belfast e isso esgota as energias! Além disso, ainda estou em fase de adaptação no emprego novo, já que o dia da Mags mudar de casa chegou e a minha rotina ficou meio insana com isso (comento sobre ela mais para frente porque, só de pensar, já fico cansada).

# Fim de semana 1

Eu estava de plantão para ir até a casa nova da Mags organizar as coisas dos bebês, já que eu sei o jeito que ela gosta das coisas e dobro as milhares de roupas deles como ninguém. Mas o que era para ser sábado, ficou para domingo e eu perdi quase todo o final de semana nessa espera.

O sábado musical

No restinho que sobrou do sábado, quando descobri que não seria necessária na mudança, corri para aproveitar dois eventos super legais que estavam rolando em Dublin, mas muito pelas coxas, por causa do pouco tempo disponível. A primeira parada foi o Dublin Tall Ships Races 2012, literalmente uma corrida de navios, que começou na França em maio e terminou aqui em Dublin no final de agosto. Para comemorar a chegada dos navios aqui, quatro dias de festival com música, comida, arte e exposições foram organizados nas Docklands, a região das docas de Dublin, que eu adoro ^^

Cheguei e fui direto para a arena da Bulmers (a famosa cidra irlandesa, que eu detesto), palco dos shows das bandas independentes aqui de Dublin. O som estava sensacional, enquanto eu esperava na fila e decidi ir direto mesmo, sem ver os navios (erro, porque acabei não voltando para ver o principal, depois de algumas cervejas na cabeça =S). Assisti a dois shows, das bandas Frank & Walters (música mais alternativa, meio indie, mas com um balanço legal) e a Therapy? (que me fez lembrar dos shows covers que eu adoro ir com o meu irmão =/).

Saindo de lá, fui para o Down With Jazz Festival que acontecia no Temple Bar, em homenagem a um movimento “anti-Jazz” que surgiu aqui na Irlanda na década de 30, por motivos políticos, mas esqueci de reservar o meu ingresso. Acho que o segurança viu a minha cara de decepção, porque me disse para voltar em uma hora que ele me deixaria entrar =)

Para esperar, fui então para um pub em que eu estava de olho há tempos, um dos únicos nessa cidade que parecia tocar música boa de verdade, o Ha’Penny Bridge Inn. Quando eu ainda trabalhava no Trinity Bar, ficava na esquina (sem comentários maliciosos, por favor) perto desse pub e ouvia o som que rolava aos sábados, um blues e country americano ferrados, de arrepiar!

E lá fomos eu e minha Guinness, viajando na banda residente, Dermot Byrne Blues, composta por dois tiozinhos de cabelos brancos, dois violões e uma gaita. E só com isso, eles levam aquelas músicas que arrepiam até o seu último fio de cabelo e tocam surpresas agradáveis como “Get the Rhythm” do Johnny Cash. Incrível =)

Quase duas horas depois, lembrei do festival de Jazz e corri para lá, mas o meu horário limite para pegar o ônibus já estava chegando (além de todos aqueles casais curtindo a música, bebendo vinho e com luminárias fofas penduradas acima de suas cabeças, o que me irritou profundamente >.<) e eu resolvi ir embora.

O domingo que nem vale a pena comentar

Organizei brinquedos, roupas, limpei móveis e chão, praticamente sem comer nada o dia todo. Chegando em casa, com dor em todas as partes do corpo, recebi uma notícia devastadora, que vou resumir brevemente, porque me dá um aperto no coração falar demais sobre isso. O apartamento onde eu morava (e a Aline, Yujin e Lucia anda moram) foi assaltado e os computadores, máquinas fotográficas e dinheiro delas foi roubado. E eu não quero mais falar sobre isso, nunca mais.

# Fim de semana 2

O sábado em Clontarf

Resolvi ficar aqui pelo bairro mesmo, já que precisaria cuidar do Airt por algumas horas enquanto a Mary Rose iria para a yoga dela. Para economizar no ônibus e aproveitar melhor o sol inacreditável desse começo de outono, peguei a bicicleta dela emprestada. Mais de 40 minutos depois tentando descobrir como abrir a porta da garagem, subi na bicicleta para perceber que o banco era muito alto para mim, tipo de pedalar com as pontas dos pés. Tudo bem, resolvi fazer um esforço. Mas não pensei nas complicações na hora de parar a bendita. E assim, eu caí duas vezes na tentativa de parar, com todo mundo me olhando com cara de dó.

Entre trancos e barrancos, cheguei até o Casino Marino, meu destino daquele sábado. Com o nome do Italiano, significando “casinha perto do mar”, foi projetada pelo arquiteto escocês Sir William Chambers para James Caulfeild, o 1 º Conde de Charlemont, em 1775. A arquitetura é bonita, mas não é isso que faz o lugar merecer uma visita. O charme do negócio é que a casa foi projetada para parecer o que não é, cheia de truques. Olhando de fora, você pensa que a casa possui um único cômodo e andar. Mas ela tem, na verdade, três pisos e uns 10 quartos! É muito maluco! Portas falsas, janelas gigantes que se dividem em várias, efeitos de luz. Que maluquice desse conde e seu arquiteto =)

Voltei para a casa e parei para contemplar a maravilhosa vista do Sea Front, naquele maravilhoso dia, nos meus maravilhosos últimos minutos antes de trabalhar. E almoço, pego o Airt e volto para o Sea Front, com um cobertor, brinquedos e a minha máquina fotográfica, para ele ficar correndo por ali e eu tentando tirar a foto perfeita. Quando ele começa a querer andar para longe demais de mim, percebo que é hora de voltar pra casa.

O domingo da espera

Era um dia muito especial para mim, já que a minha querida amiga Juliana Myisaki (Jubs!) estava chegando do Brasil para ficar um mês estudando aqui. Eu amo a Ju e sinto muito a falta dos nossos almoços, baladinhas, palhaçadas. Mas o mais legal de tê-la aqui é a sensação de ter alguém amigo, conhecido, da minha vida antiga, nessa minha vida nova. Eu estava eufórica!

E a Jubs sempre com uma comida na mão =P

Trabalhei de manhã (aham, yoga novamente) e depois fui direto encontrar a Aline no apartamento dela, onde faríamos almoço. Foi triste entrar ali e, não sei se por causa do que aconteceu ou não, mas não senti nada de acolhedor e familiar ali. Fizemos batatas com creme e queijo ao forno (receita da Mamis da Aline), arroz e uma garrafa e meio de vinho, o que deixou tudo mais legal =P

E fomos bater pernas pelo centro, procurar o bolo perfeito (que não achamos), esperando a Jubs. E nada. E começamos a ficar preocupada. Meia Paulaner depois, ao som de The Cure no Turk’s Head, ela liga. Dei um grito de emoção. Mas, infelizmente, não a encontramos. Ela estava toda enrolada com a chegada e com medo de sair tarde sozinha e se perder. Essa Jubs!

Mas já que estávamos ali e a fome bateu e merecemos porque trabalhamos pra burro, resolvemos ir ao Fridays (de novo ^^) e comer até o estômago doer, com um belo hamburguer e uma sobremesa =D

P.S.: Em breve, mais detalhes sobre a minha rotina insana, o meu bairro maravilhoso e a visita mais que especial da Jubs s2