Feliz, o aniversário

Pois é, eu fiquei mais velha. E, sim, estou longe da minha família, namorado e amigos, que são aqueles que fazem o aniversário das pessoas ter significado. Mas não, eu não passei o dia sozinha, comendo sorvete no pote e me acabando de chorar.

Bem, chorar eu chorei, mas foi somente por bons motivos. Somente por perceber que mesmo longe, a minha família ainda está comigo. E somente por perceber que eu também tenho uma família aqui, que eu amo MUITO e que vou levar para a vida toda.

Mas vamos do começo.

O dia começou bem, com o bom-dia que dei para o Airt, o lembrando da data. Ele me deu um beijo tímido, mas veio bonzinho tomar café da manh, o que eu entendi como um sinal de respeito pelo meu aniversário. Depois disso, todas as vezes em que eu pedia “birthday kisses” ele me dava, todo cheio de amor e baba. Ah, e eu te dou todo o meu amor também, buddy. S2

Dei uma olhadinha básica no Facebook, para ver algumas mensagens de aniversário. Aí veio o primeiro choro do dia, ao ver as fotos que a Mamis havia postado, eu e ela, ela e eu. Juntas, sorridentes, felizes. Tão simples, tão natural. Oh, my baby. Our love is definitely true. Esse é o meu primeiro aniversário que passamos separadas, é difícil. Mas será o último, já prometi para ela =)

Vejo também a mensagem que o meu amor me mandou, comparando a data à aquela de um ano atrás, quando ainda estávamos começando a nos conhecer, sem saber onde pisar e o que esperar. Eu já sabia que ele era diferente, quem mais poderia me chamar pelo significado do meu nome em hebreu, sem eu nunca ter contado? Ele já via sua Menina em mim e eu já via todo o potencial dele para me fazer feliz. Apesar da distância e tristeza de hoje, temos que ficar felizes, ele disse, porque o difícil já aconteceu. Nos conhecemos, nos amamos, descobrimos que somos almas gêmeas. Agora é só esperar mais 70 dias e tudo vai se resolver.

Lágrimas enxugadas, era a hora de enrolar os brigadeiros e beijinhos que eu havia feito no dia anterior, para adiantar o processo (já que fazer isso na companhia de uma criança de dois anos não é fácil =P). Ops, mas descubro que a massa do brigadeiro virou pedra. E agora? Penso: “Ou você joga fora e mente pra todo mundo, dizendo que brigadeiro é ruim demais e que você resolveu não fazer ou você tenta consertar”. Optei pela segunda alternativa. Mas no processo, tive o meu segundo choro do dia, ao tentar desgrudar o negócio do prato com a faca, cortando o meu dedo. Meio feio, daqueles que fariam o meu irmão se sentir fraco, como ele diz. Mas não tenho tempo para isso, vamos em frente. Coloco tudo na panela, acrescento manteiga, leite e qualquer coisa para amolecer o tijolo de brigadeiro. Deu certo =)

Fiz tudo em quarenta minutos, o Airt como meu assistente “pouring coconut rain all over the balls”. Limpei a cozinha em quinte minutos, o Airt como meu assistente, perguntando “me eat that?” para as colheres, pratos, tigelas e tudo que estava sujo de chocolate.

Rotina normal depois disso. No caminho para a Mags, após deixar o Airt na creche, encontei com a Tamis no centro. Acontece que ela foi anteontem na Mags, para conhecer os bebês e ver a possibilidade de ficar com a minha vaga depois que eu sair. E a Mags, fofa como é, fez o convite para a festinha, que ela prontamente aceitou. E dela, ali em frente ao Spire, eu recebi o meu segundo beijo de aniversário, com um lindo bracelete irlandês (para lembrar da terra que nos uniu) e uma miniatura de uma cruz-alta irlandesa (para lembrar das nossas aventuras pelas terras celtas).

Fomos juntas para a Mags, onde sou recebida por beijos e abraços dos meus lindos, únicos, preciosos, amados trigêmeos em meio a bexigas e risadas. A Kitty está por lá também e me dá um abraço. Ficamos por ali bagunçando, até que a Mags chega com o Yoyô e ele vem, abre a porta segurando uma bexiga, com um sorriso tímido no rosto e diz “Happy Birthday, Tita!”. Ok, meus olhos ficaram embaçados aqui.

Logo a Mags diz que eles tem que pegar algo na cozinha e todos os bebês vão atrás. Vou também e logo me vem o Yoyô com um cartão, a Mags dizendo que ele colou os adesivos. Abro e está escrito “We love you” com o nome de todos, Mags, Bepi, Yoyô, Alie, Tutu e Berto. Aí eu não resisto, choro, choro. Choro por sentir o amor que tenho por todos eles explodir aqui dentro. Choro de alegria, por estar ali perto de pessoas(inhas) tão preciosas =)

A Mags me dá também um envelope, com um par de ingressos para um espetáculo de música irlandesa, não aqueles safados do Temple Bar, mas um “cool”, como ela disse. Muito legal, fiquei feliz =)

Depois disso, eu e a Tamis ficamos com os bebês na sala, enquanto a Mags e a Kitty faziam os preparativos da festa na cozinha. Horas depois, vem o Yoyô e diz a frase habitual das cinco da tarde “it’s dinner time”, fazendo os bebês saírem correndo para a cozinha. Quando entro lá, vejo uma mesa linda, cheia de comidinhas gostosas, como o omelete espanhol (fritada de batatas, ovos e cebola), ovos com salmão e maionese, filés de frango frito, azeitonas, pão de alho. Finger food, como eles chamam, perfeito para festinhas ^^

Comemos, ajudando os bebês entre uma garfada e outra. Em determinado momento, só o Allie estava na cadeirinha (sempre o bom moço, meu Al-the-ball). Os outros dois rascals estavam no meu colo e no da Kitty, comendo do nosso prato. Vê se pode? Logo chega a Mary Rose e o Airt, com um lindo kit de cosméticos e um cartão do “BÓÓÓÓB, the Biulder”. O Airt pouco liga para mim, os brinquedos do Fireman Sam do Yoyô são mais atrativos, eu acho.

Terminamos de comer e chega a hora do parabéns. Cantamos a música, a Tamis gravando tudo. E, como prometido há semanas atrás para os dois, deixo o Yoyô e o Airt soprarem as minhas velinhas. Meus B-Boys! Comemos bolo, comemos docinhos, damos bolo para os bebês, damos docinhos para os bebês (o Airt e o Yoyô não precisaram de incentivo, estavam atacando tudo por conta >.<). Nessa altura do campeonato, os bebês já estavam muito cansados e começavam a ficar irritados, chorando por tudo. Hora de iniciar os preparativos para dormir.

Trazemos todos para a sala, colocamos Fireman Sam na TV e eu troco a fralda e ponho o pijaminha de todos eles, com a ajuda da Tamis. Organizamos a bagunça dos brinquedos e partimos para a cozinha, que estava em estado de calamidade pública depois da festa. Com a ajuda dela, em dez minutos estava tudo resolvido.

Aliás, o que eu teria feito no dia de hoje sem ela, me diz? A Tamis é daquelas do tipo “pau para toda obra”, sabe? Tamis, vamos para Belfast daqui a três dias? Opa. Tamis, vem aqui em casa comer hot-dog? Opa Tamis, vamos fazer uma trip maluca pelo Reino Unido na virada do ano? Opa. Tamis, vamos lá brincar com as minhas 67574 crianças? Opa. Ela é assim. E estou muito feliz por a ter conhecido, por termos ficado amigas, por tê-la presente em momentos importantes desse ano (e do próximo ^^). Te levo para a vida toda, xubs!

Hora de ir para casa. Chego em casa, abro o computador e vejo que meu pai me marcou em um comentário de uma foto. Vou ver o que é e fico em estado de choque. Ele, simplesmente, fez uma montagem com fotos de tudo o que eu gosto: Los Hermanos, Muse, Nutella, cupcakes, berinjela, picanha, Big Ben, São Paulo, Amelie Poulain, tulipas e até vagens, e colocou como capa de seu perfil no Facebook. É, esse foi o quarto choro do dia, descontrolado, tive que tomar um banho para ver se eu me acalmava. Te amo, Papis! Você é minha inspiração, meu mestre. Tudo o que eu aprendi com você nessa vida não está escrito s2

E mais um milhão de mensagens de amigos e familiares, fotos com homenagens, desenhos, lembretes. Tem como se sentir sozinha com todas essas demonstrações de afeto? Fui dormir me sentindo a pessoa mais feliz do mundo.

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E aqui de dentro

Eu estou com saudades de casa. Eu estou com saudades da minha mãe, do meu pai, da minha irmã, do meu irmão, da minha gata e do meu cachorro que eu ainda não conheço. Eu estou com saudades do meu namorado, que está há 10 meses comigo – apenas 2 aproveitados com corpo também e não só com a alma. Eu estou com saudade das minhas avós e avôs, tios e tias, primos e primas e da Victoria Lima, que é prima e irmã gêmea. Eu estou com saudade dos meus amigos, os da bebedeira, os dos passeios no shopping, os dos passeios ao cinema e os dos passeios de uma vez por ano.

Eu também estou com saudades do meu país. Eu estou com saudade do calor e, graças a ele, de poder andar descalça e de vestido no quintal. Eu estou com saudade de tomar uma Original estupidamente gelada no copo americano, na calçada de um boteco na Vila Madalena, de chinelo no pé. Eu estou com saudade de comprar um chá com leite de 500 ml no Rei do Mate e sair andando na Paulista, vendo o anoitecer. Eu estou com saudade de sentir o cheiro de feijão novinho cozinhando, com aquele bife esperto fritando na frigideira. Eu estou até com saudade de ir naqueles churrascos dos vizinhos, com as músicas do Zeca Pagodinho de trilha sonora.

Só que isso não é novidade. Acho que está estampado no meu rosto e explícito nas minhas palavras que estou com saudade de tudo isso. Mas sabe uma outra coisa que eu estou com saudade também? De mim. Daquela que eu costuma ser antes de vir para cá. Porque aquela, a Talita que trabalhava, fazia faculdade, ia no boteco com as amigas, assistia filmes com a família em casa e beijava o namorado nas esquinas de São Paulo, não existe mais. Eu não lembro mais como ela é.

Hoje eu sou uma outra Talita, prazer em te conhecer, aliás. Eu não uso mais sapato social, mas sim um tênis já sujo da chuva, para aguentar o longo caminho de todos os dias. Eu não passo mais maquiagem e nem faço as unhas, afinal, que esmalte resiste à pilhas e pilhas de louças para lavar? Eu não leio mais os meus livros, somente guias de viagem que me deixam confusa e preocupada com tudo o que eu tenho pela frente. Eu não assisto filmes, somente séries repetidas porque me proibi de assistir qualquer coisa nova até que a minha viagem esteja mais organizada. Eu não converso com a minha mãe quando chega em casa, eu fico em silêncio. Silêncio, que insuportável todo esse silêncio, para uma pessoa que cresceu com a casa cheia e a música do meu pai no último volume. Eu não dou muito mais risadas, meu irmão não está aqui para me fazer rir. Eu não durmo mais com a minha irmã no quarto, vou dormir sozinha, sentindo um vazio terrível.

Não estou reclamando, eu sei que escolhi tudo isso ao assinar o contrato de intercâmbio, sei que faz parte, sei que está no fim. Só é diferente demais. E eu estou com saudade demais de tudo o que eu tinha antes. Tanta, tanta, que não acho mais graça em quase nada por aqui. O que ainda me segura viva? Minhas crianças e a perspectiva de conhecer o estúdio do Harry Potter e meia dúzia de igrejas velhas por aí.

Mas será que dá para ir mais rápido, tempo? Você conseguiria fazer esses 122 dias que me separam de tudo o que eu mais amo, logo, de mim mesma, passarem voando? Eu espero que sim. Porque, se eu não estivesse presa por contratos de trabalho e passagens aéreas compradas, acho que já teria desistido.

Será que estou sendo covarde, logo agora no final? Pode ser. Mas aquela minha bravura, desprendimento e força de vontade estão bem no fim. E eu não sei onde encontrar mais disso, aqui de dentro. É, hoje o universo de expandiu e aqui de dentro a porta se abriu. E ela não fecha mais, mesmo que eu tente.

P.S. Tudo bem, mas 122 dias e eu vou compensar a minha família por todos os momentos de sofrimento com o abraço mais apertado do mundo! Sabia que só de pensar nessa cena, no aeroporto, eu choro?

P.S. E, Beto, se você não me encontrasse em 98 dias, eu não sei se conseguiria chegar até o final.

Homesick

E acontece que fiquei sem internet por 20 dias e, nesse meio tempo, só falei com a minha mãe, pai, irmã e namorado no Skype uma vez e e-mails reduzidos ao limite de caracteres que o meu celular permitia. Some-se a isso o fato de que estava de TPM e que o frio chegou com força aqui e tenha uma ideia do meu estado emocional dos últimos dias. Haja Beatles e chocolate para manter a calma e seguir em frente.

Os meus quatro pilares

Quando eu decidi fazer o intercâmbio, tinha medo de que tudo isso aqui – igrejas, castelos, euro, inglês, cultura, conhecimento, história – revirasse a minha cabeça e me mudasse, fazendo com que eu já não visse sentido em voltar para o meu país, para a minha família. Lembro de ter essa conversa com o meu amor, esperando um ônibus na estação Penha do metrô, e chorar desesperada.

Mas, quanto mais o tempo passa, eu percebo que nunca vai existir nada mais forte, indestrutível e seguro na minha vida do que os meus quatro pilares, chamados Carmenio José, Rosemary, Bruna Cristina e João Victor. Sem eles, não existe Talita. Como eu poderia ficar longe deles então? Um ano é o limite do limite para que eu consiga sobreviver distante. Mas eu preciso voltar, eu preciso me recarregar neles. Eu preciso deles para viver feliz. Simples assim.

E eu já ando me sentindo tão fraquinha, com tanta falta dos momentos em casa. Quando lembro, eles parecem tão surreais, um sonho distante. Foi tudo verdade mesmo? Eu morei naquela casa com eles, comendo macarrão na sexta-feira à noite com Bis de sobremesa? Ah, como eu queria poder voltar para isso tudo logo. Ouvir música com o meu pai, conversar com a minha mãe, dar risada com a minha irmã e o meu irmão. E eu tenho que ficar repetindo para mim mesma, eu tenho pai, eu tenho mãe, eu tenho irmã, eu tenho irmão. Eu não sou sozinha no mundo. Eles existem. Eles existem.

Ah… Falta muito para eu voltar?

Carlos Roberto Sponteado


E quem diria que ele se tornaria tão indispensável na minha vida. Aquele moço do bigode, que eu via de longe, sentada na minha mesa, no meio do expediente. Quem diria que aquele moço era a minha essência, o que eu sou, o que eu acredito, o que eu amo, em um corpo de homem? Quem diria que aquele moço era a minha alma gêmea, finalmente encontrada, tão procurada, tão desejada?

Já chegamos à conclusão de, da mesma forma caprichosa que o destino nos uniu, ele nos separou e que isso tudo é parte do nosso filme, da nossa mágica. Esse é o momento no filme em que os mocinhos estão separados e tristes, cada um ouvindo uma música e pensando no outro. E como eu tenho ouvido músicas e pensado nele. E pensado nele e ouvido as nossas músicas.

Eu queria poder lembrar de como é ter ele por perto. Ele é muito mais alto que eu? E como era mesmo o abraço dele? E os beijos, todos aqueles beijos, em todas aquelas esquinas, onde foram parar? E o que é que eu sentia mesmo quando ele deitava ao meu lado e dizia “eu te amo, menina”? Aquela era eu mesmo? Eu não sei. As lembranças se apagam, as sensações somem, fica só o vazio.

Ah, querido. Don’t you know that it’s just you? I got to get you into my life. What it means to hold you tight. Because to love him is to need him everywhere. Let me take you down, because I’m going to Strawberry Fields. And while I’m away I’ll write home everyday. Don’t let me down. Somewhere in his smile he knows that I need no other lover. All you need is love. She loves you, yeah, yeah. You make me dizzy, miss lizzy. He’s the kind of guy you want so much it makes you sorry, still you don’t regret a single day. I don’t know why you say good-bye, I say hello. I want you, I want you so badly, it’s driving me mad. Please, don’t wake me, no don’t shake me, leave me where I am. He’s just the guy for me and I want all the world to see we’ve met. I’ll be good as I know I should, you’re coming home, you’re coming home. Please, Mister Postman, look and see if there’s a letter for me. Will you still need me, will you still feed me, when I’m sixty-four?

Eu canto. Eu sonho. Eu preciso. Eu espero.
Eu te amo.

Amigos, amigas, família


E hoje eu acordei triste, sozinha. E chorei. E resolvi ler o meu caderno, onde as pessoas queridas – amigos e família, me deixaram mensagens para esse tipo de momento. Em outras vezes que o li, ele me fez chorar mais. Chorei a ponto de ter que parar de ler. Hoje, então, eu esperava mais um rio de lágrimas, mas eu precisava ouvir aquelas pessoas, precisava delas perto de mim.

Mas, sabe? Assim que comecei a ler, o meu choro cessou. E eu me senti feliz, imensamente feliz! Só por saber que eu ainda tenho aquelas pessoas, que elas gostam de mim, que eu gosto delas, que eu vivi sim uma vida com elas e que eu vou voltar em breve para elas.

Eu quero voltar para todos vocês! Meus colegas da ex-firma, tão queridos e inesquecíveis, mesmo que não trabalhemos juntos novamente, eu vou voltar para os nossos happy-hours no Júnior, os nossos almoços no Sesc. Meus amigos da escola, da faculdade, do coração, eu vou voltar para tudo o que nos uniu, o que ainda nos une o que nos unirá ainda mais, seja teatro, batatas no shopping, shows de rock, cinema, churrasco e cervejas. Minha família, avôs e avós, tios e tias, primos e primas, eu vou voltar para os nossos almoços, para os colinhos, beijos e abraços.

Eu posso dizer que o meu coração já voltou pra casa. Mas me esperem, porque todo o resto está voltando também.

P.S.: O final de semana passado foi de trabalho intensivo. A Mary Rose foi viajar e fiquei com o Airt. Fomos para Dun Laoghaire (ele quer pegar o tchú-tchú!) e a Aline e a Tamis vieram jantar aqui com a gente.

My blue period

Olá!

Aqui não é um espaço para contar só as alegrias desse intercâmbio. Não. Eu preciso jogar limpo e contar o que está acontecendo de verdade. Pois bem. Acontece que entrei em um “blue period”, me questionando, questionando porque as coisas acontecem como acontecem, chorando, até que aconteceu comigo uma coisa muito, muito ruim. E me fez parar e rever algumas coisas.

Da eterna pergunta “Porque eu?”

A maioria dos meus amigos está ganhando dinheiro aqui. Sim, eu trabalho. Mas o meu salário só paga as minhas despesas básicas e eu não consigo guardar nada. Ou seja, sem reservas para a minha viagem. E então eu comecei a questionar “porque só eu não consigo ganhar dinheiro aqui?”. Eu, que tenho um inglês acima da média. Eu, que me planejei, que li tudo sobre a situação do país, que fiz o melhor curriculum possível. Eu, que entro em sites de emprego todos os dias e já devo ter aplicado para mais de 100 vagas. E eu até agora não consegui a resposta para essa pergunta. E isso me deixou mal, muito mal.

Do lugar errado, na hora errada

Estou voltando com a Marion do aniversário do Thiago, falando sobre a vida, quando sinto um empurrão forte e ouço a Marion gritando. Quando viro, vejo um nacker (os vagabundos que usam roupas esportivas) tentando puxar a minha bolsa. E eu pego na bolsa e grito “please, no, no!”. E ele grita que precisa do dinheiro, grita para eu largar, diz que vai me machucar (e ameaça me bater). E a Marion começa a bater nele. E então ele consegue levar a minha bolsa e sai correndo, com 8 euros em dinheiro, 10 euros no meu “bilhete único”, 16 euros em selos (aliás, sem postais por enquanto, pessoal), meu Heritage Card novinho em folha, meus cartões de crédito do Brasil, minhas chaves e, o mais importante, O MEU GNIB, MEU VISTO, O QUE ME PERMITE VIVER AQUI.

Saí gritando na rua “my documents!”, “I hate this country!”, “I want to go back to my house!”. A Marion tremendo e dizendo baixinho “I’m so scared”. Chegamos em casa e eu não sabia o que fazer. Para quem ligava? Não tinha ninguém online no Skype, Mamis, Irmã, Namorado. A Marion ligou para a polícia. Três minutos depois os caras chegam em casa e nos colocam no carro, pedem para mostrarmos onde foi, como era o cara, dizer o que tinha na bolsa. Em vão. Nada do infeliz, nada dos meus documentos.

Chegando em casa, cancelei o cartão do banco da Irlanda, minha irmã cancelou os cartões de crédito para mim. E fui dormir às quatro da manhã, acordando às oito, sem sono, trêmula, tentando fingir que isso não tinha acontecido comigo. Mas aconteceu. Castigo? Energia negativa? Coincidência? Azar? Não sei dizer. Só estou seguindo em frente.

Pedi um novo cartão no banco e estou aguardando o meu Police Report chegar para poder ir à imigração e pedir um novo GNIB, rezando para que eles não me cobrem os 150 euros que paguei para ter o documento. Ah, e larguei meu emprego no bar, porque eu voltava toda noite pelo mesmo caminho, na mesma hora. E se isso me acontece de novo? =S

Quando eu lembro do que aconteceu, ainda fico puta. Ainda tento pensar “e se eu tivesse gritado mais alto?”. Ainda passo no lugar e olho na rua para ver se não vejo a minha bolsa jogada. Bobeira. Nada vai adiantar. É só seguir em frente agora.

Da fase cor de rosa

Mas quer saber? Chega. Eu não quero mais pensar nisso. Ah, eu não consigo um emprego que me pague melhor? Foda-se. O meu emprego é o mais gostoso do mundo, eu cuido de quatro bebês maravilhosos, que eu amo. Ah, eu não vou conseguir viajar toda a Europa? Foda-se. Eu vou viajar bem o que der e do meu jeito, especial como eu sei que é.

E que venha a fase cor de rosa!

P.S.: Beto, você foi o meu pilar e me segurou para eu não cair. Rose e Carmenio, obrigada por me fazerem lembrar meu lugar é com vocês, comendo pasta na sexta à noite, com um filme depois e uma caixa de Bis. Bruna, falar sobre partos no meio da angústia é um grande alívio. João Victor, quando eu penso na turnê Iron Maiden 2013 que veremos juntos, eu fico feliz. Vocês são tudo o que eu preciso. Sempre.

P.S.: O quadro é um Picasso – “La femme aux Bras Croises”. Hum, eu bem que queria ser como o Picasso e fazer alguma coisa de útil de uma fase azul. O.O

Balanço do primeiro mês

Hello!

Vocês tem ideia de que um mês já se foi? Eu não. Não consigo acreditar, não pode ser possível. Tudo foi tão rápido, tão intenso, tão diferente, que parece que foi ontem que eu cheguei aqui.

Assim, eu preciso recapitular, preciso descrever e organizar tudo o que aconteceu, para que eu consiga ver que é de verdade. Dedico esse post então a isso, ao balanço do primeiro mês de intercâmbio, um dos meses mais loucos da minha vida!

1. A separação

Lembro de ficar pensando durante o voo em como isso tudo parecia inconsistente. Eu estava indo para o desconhecido, para uma incerteza. Parecia que o avião não cruzava o Oceano Atlântico, mas sim estava saindo do meu mundo e me levando para uma outra dimensão. E eu ainda sentia a dor da separação daqueles que amo – tão recente – latejando. Foi muito difícil entrar na porta que me levaria para esse outro mundo, deixando todo o meu mundo para trás.

2. A agilidade

Logo fui obrigada a deixar tudo isso para trás, pois tive que sobreviver e mostrar para o que vim. E passei na imigração, com funcionários mal educados. E briguei com a companhia aérea que deixou minhas malas em outro país. E descobri como chegar no lar provisório. E descobri qual ônibus pegar para ir à escola. E fui à órgãos do governo para tirar a documentação. E, fazendo tudo isso, eu ainda estava boba, perdida, sem saber onde estava quando acordava.

3. O idioma

Estar aqui não é como estar na aula de inglês que, quando eu não estava a fim de falar, podia ficar enrolando até o professor chegar perto e só então engatar uma conversa qualquer. Aqui ou vai, ou não vai. E foi, logo de cara, melhor do que eu esperava. Peguei o nível máximo na escola, conseguia me comunicar com as pessoas na rua e pedir informações. E ele vai indo, cada dia melhor, se tornando mais fácil e natural.

4. Lar, doce lar

De longe, a parte mais difícil até agora, com a primeira crise de desespero profundo. Mas deu certo. Depois de duas semanas na casa da host-family, mais host do que family, encontramos o nosso lar, tão doce como eu esperava que fosse. E as flatmates se mostraram as melhores possíveis, mesmo com peixes que cheiram mal e louças mal lavadas. Como é bom sentar no sofá e bater um papo sobre como é a vida, o desemprego e o custo do supermercado na França, na Coréia do Sul, no Brasil e na Alemanha. Estou feliz aqui, me sentindo em casa.

5. O batente

E antes do que eu esperava, antes da média nas estatísticas de intercâmbio, eu consigo um emprego. Juro que não sei direito como, só coloquei o anúncio certo, no site certo, na hora certa e a pessoa certa gostou. É difícil, tem que ter muita paciência e nenhum nojo para trocar as fraldas. Mas eu vim em busca de coisas diferentes e hoje passo as minhas tardes cantando e dançando “the wheels on the bus”. Tem job melhor que esse?

6. As primeiras descobertas

E com todas essas coisas práticas, fica muito difícil se concentrar no ambiente à sua volta. Porque eu não sou simples assim, que só olha, tira a foto e pronto, conheceu o lugar. Ah, não. Eu tenho que analisar, tenho que ficar parada olhando, tenho que sentir, tenho que me emocionar. Eu sou assim e gosto de ser assim, por mais complicado que seja.

Mas agora, com as coisas vitais encaminhadas, dinheirinho entrando na conta toda semana, GNIB na carteira, um lar para onde voltar e feijão cozido na geladeira, eu começo a ter uma noção de onde estou.

E onde estou? Em uma cidade absurdamente cheia de história e lendas sobre vikings, celtas e reis. Em uma cidade cheia de gente de tudo que é lugar no mundo. Em uma cidade com coisas bonitas em todos os cantos, desde prédios monumentais com salões ornamentados aos canteiros de flores na praça em frente ao meu apartamento. Em uma cidade com vida, que não dorme, mesmo que os pubs fechem às duas da manhã.

E, aos poucos, vou descobrindo os seus encantos, mesmo fora do circuito turístico. Como ontem, quando estava andando por uma rua quieta, com casas sombrias e escuras, com brinquedos abandonados no jardim, sem ninguém por perto. De repente, me senti em outro mundo, algo meio mal assombrado, misterioso. E meu coração até acelerou com a sensação. Eu sou assim, gosto dessas coisas. Coisas de Talita.

7. Os próximos planos

E agora vou pensando no futuro, no que fazer depois que terminar o curso. Esse é um outro lado do meu intercâmbio, que eu quero muito que aconteça, para completar tudo. Porque eu ouso dizer, talvez meio cedo demais, mas com profunda convicção, de que os primeiros objetivos eu já alcancei.

P.S.: Feriadão à vista! Aqui na Irlanda, o feriado de Páscoa é na segunda. Então eu vou trabalhar hoje. Ainda não sei qual será o roteiro do final de semana, mas PRECISO fazer muitas coisas legais, pois já estou cansada de ficar em casa, por mais que eu goste daqui =)

P.S.: Carmenio, Rosemary, Bruna, João Victor e Victoria – Rossi de Lima de Carvalho. Ontem eu chorei vendo fotos de vocês. E a saudade me apertou de um jeito que ainda não tinha me apertado. Mas fico muito feliz ao pensar que o dia em que nos reencontraremos vai chegar, mesmo que demore. Amo vocês, meus tesouros.

P.S.: Estou indo e voltando a pé do trabalho, para economizar o dinheiro da condução. No total, vou andar 10 Km por dia (2 km para ir e voltar da escola + 8 km para ir e voltar do trabalho). Vou emagrecer e ficar com as pernas durinhas (meu namorado agradece). E com o dinheiro economizado, vou comprar coisas para mim, pois eu mereço após caminhar tudo isso (meu guarda-roupa agradece).

See you!

De uma casa para outra

Olá!

FINALMENTE, temos uma casa para chamar de nossa! E vos escrevo aqui da sala, feliz e contente, de banho tomado, alimentada, aconchegada e com os pés gelados (isso não muda nunca, não tem jeito).

A mudança foi tranquila. Arrumamos as coisas, chamamos um transfer (25 euros) e pronto! Por enquanto, temos uma cama e um sofá, então vamos nos revezar em uma noite em cada. Mas, até o final do mês, uma de nossas roomies voltará para a Alemanha, então teremos a outra cama disponível.

Como eu ainda não tinha falado nada sobre a casa da host-family, vou dedicar este post a um resumo das duas casas: a antiga e a nova.

Host family – Dublin 20

Estrutura: casa grande, de três andares, com jardim na frente e nos fundos.

Pessoas: a família é composta de 3 pessoas (mamis, papis e filho) e eles alugam a casa para estudantes há mais de 14 anos!

Coisas boas: podíamos frequentar a cozinha, sala, jardim, banheiro. Mas ficávamos mais mesmo no quarto, por vergonha, eu acho. Brasileiro é fogo, não consegui me sentir muito a vontade na casa dos outros, sabe? Já o Miguel, nosso amigo espanhol, sempre estava à vontade.

Coisas ruins: o aquecedor do quarto e banheiro nunca funcionava quando queríamos. A distância da escola era braba, 20 minutos de ônibus todos os dias (1,95 euro por viagem).

Quarto: era legal, duas camas, banheiro privativo, armário, criado-mudo, mesinha.

Nosso quarto =)

Cozinha: bem grande e podíamos usar tudo para preparar o nosso café (torradas, margarina, geléia, chá, cereais, NUTTELA) ou esquentar o nosso jantar (algo meio pré-pronto e industrializado, e sempre com batatas). O que eu mais gostei em termos de estrutura foi o fogão (elétrico, rápido, potente, fácil de limpar) e o negócio de esquentar água (uma chaleira elétrica, que ferve a água em 1 minuto!).


Avaliação geral: Boa. Apesar de não ter toda a interação e troca de experiências com a família, como eu esperava, fomos muito bem recebidas e acomodadas. Eu recomendo, é um alívio você ter um lar, mesmo que provisório, nas primeiras semanas de desespero intercâmbio.

Flat – Dublin 1

Estrutura: flat de tamanho médio, com cozinha/sala (juntas), banheiro e dois quartos. Por aqui é tudo bonitinho: o papel de parede (passarinhos e grafismos), os móveis (retrô), os lustres (super clássicos) e o chão do banheiro (quadriculado).

Sala lindinha *_____*

Pessoas: por enquanto, estamos dividindo o apê com 3 meninas (Yujin – sul-coreana, Jan – francesa e Christina – alemã). Bem legais e receptivas =)

Coisas boas: o flat é lindo, super agradável. É bem casa de menina mesmo! E nada de brasileiros, o que melhora o nosso inglês e possibilita a troca de experiências. Ah, além disso estamos a 15 minutos da escola e do centrão de Dublin.

Coisas ruins: ainda não temos um quarto definitivo para chamar de nosso, mas isso será resolvido em poucos dias. É um pouco complicado dividir a cozinha e o banheiro nos horários de pico.

Quarto: são lindos! A cama que temos agora está em quarto super fofo, com parede roxa, móveis pretos, lustre romântico. *_________*

Cozinha: é pequena e integrada com a sala. É meio complicado cozinhar em uma pia pequena, ainda mais para mim que estou acostumada com uma pia gigantesca em casa. Mas é bem arrumadinha e possui tudo de necessário, até a chaleira mágica de ferver água em um minuto =)


Avaliação geral:
Excelente, até agora. Eu senti uma coisa boa com esse lugar e estou me sentindo completamente feliz e à vontade aqui!

Ontem tivemos o nosso primeiro jantar, feito por nós mesmas (strogonoff de frango, arroz e salada de alface com tomate) e hoje estou cozinhando feijão (preto, há mais de 1h30 no fogo – não, não temos panela de pressão) e lavando roupas (há mais de 1h30 na máquina). Lerê, lerê…

=D

Depois eu comento sobre a questão das compras no supermercado, porque é um capítulo à parte. Até agora foi tudo bem, bom e barato. Temos comida para a semana toda, por um valor bem baixo.

Indicação

Eu ainda não comentei aqui, mas o nosso intercâmbio foi conduzido por uma agência, a Educnet. Eu procurei algumas antes e não senti confiança. Mas o meu pai trabalhou coma Educnet por muitos anos e, conversando com a Solange, sentimos confiança.

As negociações correram sem problemas, desde a assinatura do contrato, ao pagamento super facilitado e as documentações/recomendações para o embarque. E eles nos deram a MAIOR força do mundo com as malas, em um momento em que estávamos completamente desesperadas!

Para quem ficou interessado, segue o site: http://www.educnet.com.br.

P.S.: Finalmente, encontramos um lugar que toca música boa! Não é bem um pub, mas sim um bar/porão cheio de cartazes de bandas nas paredes. No dia que fomos (domingo) tinha um cara mandando um blues, só ele, a guitarra e a gaita. Pirei! Depois, uma banda mandando um som diferente, cheio de movimento. Os caras tocaram até Marvin Gaye!

P.S.: Hoje abri o meu e-mail e vi 3 respostas aos meus contatos sobre vagas de emprego para Au Pair. Será que vira alguma coisa? Eles vão me ligar hoje à noite! Cross your fingers! *_____*

Até!

De um país para outro

Olá!

Vos falo do quarto da minha host-family, banhada, aquecida, alimentada, após uma longa maratona de acontecimentos. Estou cansada, mas estou feliz. A cabeça está confusa, mas acho que foi mais ou menos assim…

– No dia da despedida, reinava na minha casa um silêncio que nunca existe por lá. Ninguém se falava, todo mundo com cara triste. Eu mal consegui almoçar, só comi porque era a minha refeição preparada pela Mamis em 2012 (arroz, feijão novinho, bife, vagem refogada e salada).

– No aeroporto, um monte de gente especial estava lá para me apoiar: minha família, família da Aline, Bá, Bru e João Victor, Ju, Lex, Jojo, Celina e Maria Thereza, Carlos Roberto. Foi assustador dizer para eles: “tchau, até o ano que vem”. Meus pés se arrastavam, eu tremia, eu chorava. O meu amor me dava a mão, a minha mãe me abraçava e chorava, as pessoas faziam promessas. Foi lindo. Foi triste.

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– A imigração foi demorada, só tinha um funcionário trabalhando. E tinha muito brasileiro para passar por lá. É, tem brasileiro demais no mundo. O cara que me atendeu foi simpático. Perguntou se eu já visitado “the UK” antes. Eu disse que sim. Perguntou se eu tive algum problema. Eu disse que não. Perguntou quanto tempo eu ficarei com eles (achei simpático isso). Eu disse um ano. Ele disse ok e carimbou o passaporte. Simples assim =)

– Mas a alegria de brasileiro intercambista dura pouco. Chegando na esteira das malas, onde estão as malas? Não estão, ficaram em Madrid. Ah, e agora? Agora vocês deixam o endereço e entregamos amanhã. Ah, que coisa. Mas é sem falta né? Sim, isso acontece o tempo todo, estamos acostumados. Ah, tá. Mas o tempo todo em Dublin, no mundo ou com a companhia Ibéria (não, eu não perguntei essa última, achei indelicado).

– Sem malas, com fome, com sede, sem itens de higiene pessoal, fomos ao centro. Pegamos um ônibus no aeroporto (7 euros) e descemos na O’Conell Street, a principal avenida de Dublin. Fomos à farmácia (6.99 euros). Decidimos tomar uma para relaxar. Escolhemos o Madigans, o pub o primeiro à vista, porque estava frio pra burro. O pub era meio velho, meio cheirando a mofo, passando um jogo de rugby, como um pub deve ser (São Paulo, aprenda como se faz!). Primeiro brinde (eu de Guinness, ela de Heineken) a nós. Porque merecemos e não temos calcinhas, não temos shampoo e não temos pijamas.

– Pegamos um táxi, com um motorista velhilho, que ficava cantarolando no caminho. Não consegui tudo o que ele disse não, falava meio enrolado. Mas nos mostrou o centro, bonitinho. Chegamos em 15 minutos (20 euros).

– E chegamos na casa, no que parece ser um condomínio fechado, chamado Woodfarm Acres. Casas lindas, parecem coisa de filme. Sem portões. A nossa é de tijolinho marrons. Tocamos a campanhia. Espero uma senhorinha amigável. Me aparece um cara tatuado e cheio de piercings, o Tomy. Descubro que ele é filho da host-mother, o host-son, e que ela está fora e só volta na quarta. Cara, que situação mais estranha. Falar ao vivo e a cores, com um cara que não fala a minha língua. Tive que me virar. E me virei =D

– Ele é legal, nos mostra a casa, se mostra solidário com a nossa situação, nos empresta toalhas. Tomamos banho, organizamos as coisas. Vamos jantar. Tomy deixou pratos de macarrão a bolonhesa preparados pra gente. Gostoso, mas sem sal e, como eu não achei mais sal para colocar, comi assim mesmo. Do nada, aparece um outro cara, falando um inglês todo enrolado. É o Miguel, espanhol da Galícia, ficará aqui só até amanhã. Já jantou, obrigada. Vai fumar um cigarro no quintal. Lavamos a louça. O Miguel volta e pergunta do carnaval do Rio. Ah, que pergunta mais default. Mas ele é legal =)

Depois eu mostro as fotos da casa, explico melhor como é aqui. Minha cabeça está rodando ainda, preciso me acostumar, olhar direito, formar uma opinião e depois mostro tudo para vocês.

P.S.: Por favor, sejam adeptos de qual religião forem, orem/rezem para que as nossas malas cheguem amanhã. Precisamos de todo o apoio e pensamento positivo possível =)

Time to bed.
See you tomorrow!