Atravessando as ruas

Olá!

Aqui na Irlanda, assim como no Reino Unido, o volante dos carros é localizado do lado direito do carro, o oposto do que estamos acostumados. Assim, a mão das ruas é invertida e, quando você chega aqui pela primeira vez, fica meio confuso para atravessar as ruas.

Agora, imagina como isso é difícil para uma pessoa perdida e sem senso de direção como eu?
o.O

Mas aqui é Dublin, então, as ruas são pintadas com a indicação de qual lado você deve olhar. Isso ajuda muito =)


Mas porque é assim?

A origem da mão inglesa (e da irlandesa, por consequência) vem dos tempos dos cavaleiros na Inglaterra. Como a maioria era destra, ao cruzar com outras pessoas, faziam isso pelo lado esquerdo, protegendo assim a sua espada e, ao lutar, como seguravam-na com a mão direita, precisavam manter seus inimigos deste lado, o que exigia que se mantivessem do lado esquerdo. Quando os ingleses produziram os primeiros automóveis, seguiram a lógica da direção ficar à direita e o carro circular pela esquerda.

Como no Star Wars

Sabe o filme Star Wars? Então, sabe aqueles robozinhos brancos que usam uma arma laser? Então, sabe o barulhinho que a arma faz? Os faróis, para te avisar que estão abertos, fazem esse barulhinho. Muito engraçado =)

P.S.: Sem muitas novidades, estou só me acostumando com a casa nova por enquanto. Ah, e passando horas e horas com o meu querido namorado no Skype, para saber todas as novidades da viagem dele para New York *____*

St. Patrick’s Day

Olá!

Olha que orgulho, estou postando em dia \o/

Ontem foi o dia de St. Patrick, famoso padroeiro da Irlanda, que trouxe para cá o Cristianismo. Eu poderia dedicar este post à vida dele, à missão a que ele foi designado aqui e às lendas a respeito disso tudo. Mas, como a maioria das pessoas associa este dia não aos feitos de St. Patrick, mas sim a bebibas e bagunça, vamos falar do lado mais festivo da comemoração. Deixo os feitos de St. Patrick para outro dia, na ocasião da visita a sua incrível catedral (que estou louca para conhecer *_____*).

O dia em que todo mundo quer ser irlandês

Essa data (17 de março) já era comemorada pelos irlandeses desde o século X. Porém, apenas em 1600, é que se tornou reconhecida pela Igreja Católica. Em 1903, o governo reconheceu a data como um feriado público. A primeira parada aconteceu em 1931 e o primeiro festival apenas em 1996, com uma audiência de 430 mil pessoas. Em 1997, o festival durou três dias. Já em 2001, foi prestigiado por mais de 1,2 milhões de pessoas. Atualmente, a organização do evento leva mais de 18 meses para planejar o festival. Ou seja, nesta hora, já estão planejando o do próximo ano! o.O

Dias de pura festa!

Este ano, por causa do feriado bancário que é na segunda-feira, o festival durou quatro dias. E com programações para todos os gostos: música, dança, parada, exposições. Escolhi algumas coisas para fazer mas, como as mais legais aconteceriam no sábado – e competiriam com os pubs e bebidas, acabei perdendo.

A parada é o ponto alto do festival. O tema deste ano era “Explorando as maravilhas e curiosidades da ciência”, baseada em perguntas que as crianças sempre fazem: “O que faz a água mudar? Como a eletricidade é feita?” e as respostas das crianças de escolas de todo o país, mais malucas do que as próprias perguntas (Porque a gente sonha? “We dream because our brain is bored”. Como podemos dizer a idade de uma floresta? “If you go deep enough into the forest, which you probably won’t, you might find a talking bear or fox and they will tell you”), ajudaram a criar o conceito criativo da parada. Algumas empresas, de toda a Irlanda, ficaram responsáveis por responder a cada uma dessas perguntas em cada bloco da parada.

Para pegar a parada, saímos cedo de casa. No caminho, mesmo aqui em Palmerstown, você já via muitas pessoas e crianças de verde e laranja, carregando bandeirinhas, com os rostos pintados, com chapéis engraçados. Chegando no centro, começou a magia do negócio. Quem já foi em um show de rock deve imaginar do que estou falando. Sabe aquele momento em que o pessoal vai entrando no estádio, vestido de preto e com a camiseta da banda e você sente aquela energia, aquela empolgação, de todo mundo estar ali pelo mesmo objetivo? Pois bem, ontem foi assim, só que mais alegre. Afinal, estava todo mundo colorido e engraçado \o/

Não ficamos na rua principal, pois estava impossível de tão lotada. Fomos para a Damien Street, dica do professor Ciaran, uma rua secundária por onde a parada passa. Bem menos pessoas e eu consegui subir em um meio poste que estava na calçada e fiquei responsável pelo registro fotográfico do evento.

E demorou, só depois de umas duas horas que estávamos ali, é que os primeiros movimentos passaram. Começou com uma carruagem, com a filha do presidente lá dentro. Depois, um ônibus de dois andares com gente importante, talvez o próprio presidente estivesse lá, não consegui saber. Depois bandas de marchinha, uma graça. E logo vieram os blocos alegóricos. Lindos, criativos, teatrais. Adorei!


Depois da parada, decidimos que era hora de começar os trabalhos com as bebidas! Como a prefeitura já sabe como é, a venda de bebidas só foi liberada nos supermercados após as 16h, horário em que as famílias com crianças já teriam deixado a área central. Medida super sensata na minha opinião, já que o pessoal não estava para brincadeira ontem no quesito bebedeira.

Compramos as bebidas no supermercado (6 latas de Guinness – das quis bebi 4 = 2 litros – por 10 euros), fomos para a casa dos guris de Floripa e ficamos por lá, bebendo, conversando, cantando e tocando violão, ouvindo rock ‘n roll e David Gueta (que a Marcela insistia em colocar – “Gente, rock é música para quando estou sóbria! Quando estou bêbada, quero ouvir David Gueta!”). Foi muito legal. O pessoal é muito gente boa e é incrível você poder contar com pessoas que estão na mesma situação que você, compartilhar histórias, trocar informações. Adorei passar o St. Patrick’s Day com vocês e com a Guinness, guys =)

El logo começou a cantoria: “Pub, pub, pub, pub!” e decidimos que era hora do pub, finalmente. O centro já estava completamente mudado. Vários prédios estavam verdes “Olha, Aline! O GPO tá verde, vamos tirar foto! Eu adoro o GPO, seu lindo!”, havia sujeira nas ruas (que feio, pessoal!) e gente bêbada por todo o lado. Comemos no Mc Donald’s (rápido e barato) e saímos à procura de um Pub. E nada, tudo lotado, com 20 minutos de espera para entrar, seguranças mal educados “Aqui no Temple Bar tem mais de 20 pubs. Escolhe outro então, já que não quer esperar” e um frio dos diabos.

Achamos um que poderia acomodar a nossa pequena comitiva de quase 15 pessoas e entramos. Lotado, quente, gente bêbada dando vexame (tipo, a mulher estava com um vestido, sem calcinha e com tudo de fora, tenso). E o som era um eletrônico, meio pop e muito safado. Cara, onde estão os pubs de rock dessa cidade?

Não aguentamos muito, a ressaca começava a fazer efeito e decidimos que era hora de ir pra casa. Se fosse em São Paulo, pagaríamos uma fortuna por um táxi ou ficaríamos largadas em um canto, até os ônibus voltarem a circular. Mas aqui é Dublin, então conseguimos pegar o Night Bus, que passa de uma em uma hora e cobre os principais pontos da cidade. Ele é mais caro (5 euros), mas é uma salvação! Fiquei encantada =)

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E hoje, dá-lhe água para fazer a ressaca passar! Por enquanto, estamos descansando em casa, até que alguma inspiração divina ou mensagem surja, dizendo onde será a boa de hoje (afinal, amanhã é ferido = no classes!). A boa notícia do dia é que nos mudamos amanhã! Poder cozinhar, economizar em comida e condução e se sentir mais à vontade, não tem preço =)

Até!

Desbravando Dublin – Norte do Liffey

Dublin, como a maioria das cidades européias, é cortada por um rio – o Liffey. Ele nasce em uma montanha no condado de Wicklow e percorre cerca de 125 Km pelos condados de Wicklow, Kildare e Dublin, antes de desaguar no mar da Irlanda.

Rio Liffey, visto da O'Connell Bridge

Sendo assim, uma forma eficiente de conhecer a cidade (e que eu pretendo usar) é se basear pela divisão que o rio proporciona. Então, vou sempre usar essa divisão para me referir à localidade que desbravei.

E comecemos pelo Norte do Liffey =)

O marco inicial dessa região é a O’Connell Street, a mais famosa avenida de Dublin. Ela foi concebida para ser uma área residencial, no projeto do aristocata irlandês Luke Gardiner, que a idealizou em meados do século 18. Mas com a construção da Carlisle Bridge, hoje O’Connell Bridge, o plano foi por água a baixo, já que isso transformou a avenida na principal ligação norte-sul da cidade, trazendo movimento, comércio e bagunça.

O' Connell Brigde

Ela foi palco de grandes acontecimentos políticos também. Foi aqui que aconteceram as batalhas do Levante da Páscoa, em 1916, o primeiro movimento concreto dos irlandeses pela independência. Muitos de seus edifícios foram destruídos nestas batalhas.

Hoje, ela (juntamente com os seus arredores) é um grande centro de compras e entretenimento, com lojas, restaurantes, cinemas e teatros. É incrível andar por seu largo calçadão, cheio de árvores peladas, prédios fascinantes, lojas sedutoras e pessoas correndo pra lá e pra cá. Passamos por ela todos os dias, já que a nossa escola fica por ali =)

Foto com grafismos naturais =P

Com relação a monumentos, a O’Connell Street tem vários interessantes. Começando pelo monumento a Daniel O’Connell, que dá o nome à avenida, um grande político e herói nacional responsável pela defesa e conquista da emancipação dos católicos, que sofriam oprimidos e sem direitos civis no país. A estátua possui o O’Connell no topo, cercado por quatro figuras ao seu redor, representando o patriotismo, coragem, eloqüência e fidelidade.

Monumento a Daniel O'Connell

Logo após (e muito antes, depois e dos lados), podemos ver o Spire, uma grande agulha de aço com 120 metros de altura. Seu nome oficial é o Monumento da Luz e foi concebido no plano de revitalização da O’Connell Street, que aconteceu no final dos anos 90. Ele é considerado a maior escultura do mundo e muda de cor durante o dia, de acordo com a intensidade do sol. Por enquanto, só a vimos com bastante sol. Mas parece que, ao anoitecer, ele vai ficando meio rosado e, à noite, fica completamente iluminado =)

The Spire of Dublin

Sabe, eu sou meio contra esse tipo de instalações modernas em cidades tipicamente clássicas e antigas. Mas tenho que admitir que o Spire me conquistou. É absolutamente incrível chegar bem pertinho dele e olhar para cima. Parece que ele não termina nunca! Você tem a impressão de que ele é infinito!

Ao infinito e além =)

Em uma das suas ruas adjacentes, a Henry Street (que eu adoro, pois tem inúmeras lojas e restaurantes fofos), temos uma estátua do James Joyce, um dos grandes escritores irlandeses, autor de Dublinenses e Ulisses. É muito simpática a estátua, dá vontade de abraçar!

Nos arredores da O’Connell Street, temos inúmeros edifícios históricos. Ainda não vimos todos, começamos por aqueles que são gratuitos. O primeiro que vimos foi o Rotunda Hospital, a primeira maternidade criada na Europa para este fim. O prédio é lindo e diz-se que a capela possui vitrais maravilhosos. Não conseguimos entrar neste dia, mas eu ainda verei esses vitrais, ah verei. Atualizo vocês =)

Rotunda Hospital

Em frente ao Rotunda Hospital, temos o Conway’s Pub, que alega ser o mais antigo de Dublin (já pesquisei e vi que não é, não senhor). Mas o interessante é que os pais geralmente ficavam neste pub para esperar suas mulheres terem os bebês. Dá para acreditar?

Mentira!

A última parada do dia foi a St. Mary’s Pro-Cathedral, uma das poucas igrejas católicas que os protestantes se dignaram a construir no século 17. O projeto é do arquiteto Sir William Robinson e um fato interessante é que o Arthur Guinness (sim, ele mesmo, o criador da amada cerveja) se casou ali em 1761.

Fachada simples, se comparada a outras catedrais por aí...

Ela é pequena e bem modesta por fora (sabe como é, os católicos não eram populares naquela época), mas o seu interior é surpreendente. Acima do altar, podemos encontrar um relevo em gesso que representa A Ascensão de Cristo. Como toda igreja católica europeia, o ambiente é austero e silencioso. Mas eu curto, parece que você está voltando no tempo =)

A Ascensão de Cristo

Voltando para casa, sempre passamos por um outro ponto interessante, a Ha’Penny Bridge. Ela foi construída por John Windsor, um serralheiro da Inglaterra, em 1816. Antes dela, as pessoas tinham que fazer esse trajeto via balsa, que era cobrado. E, sendo assim, a travessia por ela também passou a ser cobrada (até 1919), no valor de half penny (meio centavo) – ha’penny – que deu origem ao nome dela. Ela é super romântica e você pode observar o Liffey e o por do sol de lá, com uma vista inesquecível!

Venta MUITO aqui!

Ufa. Acho que fique mais cansada de escrever tudo isso, do que de bater as pernas por todos esses lugares >.<

Mas ainda não terminou, temos muito a ver no Norte do Liffey. E ainda tem o sul, o leste, o oeste…. Hey Dublin, aqui vamos nós =D

P.S.: Amanhã, visita programada à fábrica da Guinness *_______________*