National Botanic Gardens: um oásis no meio da cidade

Hello!

No último sábado fui com a Marion a um dos lugares que estava guardando para visitar em um belo dia de sol. Sim, era um belo dia de sol. E sim, foi um passeio incrível =)

Fundado em 1795, o National Botanic Gardens fica localizado em Glasnevin, uma área mais afastada do centro e com residências muito bonitas! O propósito inicial dos jardins era estudos científicos de agricultura, mas isso mudou em 1830, quando foi-se decidido que empregar esforços no conhecimento botânico seria mais sensato.

Por lá, você pode passear pelos jardins, com flores, árvores, crianças, esquilos (que correm muito rápido, tornando impossível qualquer fotografia) ou pelas estufas, com plantas e flores de todo o mundo.

Gostei muito de uma das estufas com plantas tropicais pois, além de poder ver várias flores e árvores que temos no Brasil, o clima lá dentro era totalmente temperado e foi como estar em um dia de verão na minha querida terra!

Outra coisa legal é o jardim de agricultura, onde vi, pela primeira vez na vida, um espantalho (*____*), além de maçãs, tomates, alfaces e a Mamis (s2) – Rosemary, meu alecrim ^^


Para finalizar, o jardim das rosas foi incrível, com rosas de todas as cores e tamanhos. Tão romântico! Pena que as rosas já estão meio maltratadas pelo tempo – afinal, Irlanda não é Irlanda sem chuva e vento forte ¬¬

P.S.: Sim, isso foi a única coisa registrável do último final de semana. De resto, fiquei em casa, trabalhei no domingo e comi muffins até recuperar parte dos quilos perdidos desde que cheguei aqui >.<

P.S.: Estou ficando boa em risotos. Acontece que a minha ex-flatmate francesa me deixou um pacote cheio de arroz de risoto e a minha atual flatmate francesa me ensinou a cozinhá-lo. Já rolou de cogumelos e abobrinha, tão bom que dá fome só de lembrar. Vamos aguardar pelas próximas edições =)

P.S.: Essa será a última vez que eu vou tocar neste assunto, porque ele me irrita profundamente, mas tenho que registrar aqui – já que é o blog é para as horas boas e ruins. Terei que pagar os 150 euros novamente para tirar a segunda via do meu GNIB. Obrigada governo irlandês. Obrigada, vagabundo irlandês que, além de quase me dar um soco na cara, ainda me levou a porcaria do documento. Pronto, não quero mais falar sobre isso. Nunca mais.

P.S.: Feliz. Abençoada por uma coisa muito, muito boa! Em breve, notícias =)

See you!

Museu, Amor, Montanhas

Olá!
Tudo bem?

Agora sem o compromisso de trabalhar no bar à noite, posso aproveitar os meus sábados plenamente. Acontece que quase já visitei tudo o que queria aqui por perto e não saio à noite para os pubs por três motivos: 1) estou economizando dinheiro; 2) fui roubada e estou aterrorizada de voltar à noite para casa; 3) esse é o único horário em que posso falar direito com o meu namorado. Então, os últimos finais de semana têm sido meio preguicentos, sabe?

Eu não me importo, mas ficar em casa não é a mesma coisa que é no Brasil. Cadê minha Mamis fazendo um almoção caprichado? Cadê meu Papis com um copão de cerveja na mão, comandando a trilha sonora? Cadê meu irmão falando das glórias do São Paulo Futebol Clube? Cadê minha irmã de pijamas de brócolis, sentada no chão brincando com o cachorro e a gata? Não, aqui nunca tem a mesma graça.

National Museum of Decorative Arts and History

No sábado de manhã, fui a um dos últimos museus que faltam para mim aqui em Dublin, o National Museum of Decorative Arts and History. Comentei com o Ciaran que ia lá. Ele me disse: “Você vai amar ou odiar. Esse museu é assim”. Hum, eu não amei. Mas também não odiei. Posso ficar em cima do muro, Ciaran?

Antes utilizado como instalação militar, o prédio virou museu em 1922 e abriga uma coleção um tanto diversa. A minha impressão foi a de que eles juntaram tudo o que não cabia nos outros museus e colocaram aqui.

Tem coleções de objetos de decoração e móveis de diversos séculos. Tem roupas de época. Tem cadeiras com design duvidoso. Tem moedas. Tem joias. Tem exposição sobre o Levante de Páscoa de 1916. E, finalmente, tanques, aviões, uniformes e documentos e guerra. Entendem o que quero dizer?

O prédio é muito lindo e, como era cedo e o dia estava chuvoso, fiquei sozinha diversos minutos no pátio interno, rodando e olhando todas as laterais do prédio, ouvindo o canto das garças. Emocionante. Bem coisa de Talita. Mas não tenho fotos minhas, estou com muito medo de andar com a minha câmera por aí agora. =(

Aniversário de 6 meses de namoro

 Sim, agora já são 6 meses, 4 dos quais estamos separados. Quase ninguém entende isso. Mas do nosso amor, a gente é que sabe s2

O plano era passar a maior parte do tempo possível juntos e fazer tudo o que faríamos se não estivéssemos separados. Assim, assistimos o filme “O Artista” – francês, artístico, emocionante – do jeito que a gente gosta, tomamos cerveja, cozinhamos juntos – pasta com atum e molho branco – e tomamos cerveja Tcheca – em homenagem aos nossos planos futuros.


Tudo perfeito e indo bem, até a hora em que a minha internet cai, bem quando estamos prestes a comer. Triste, muito triste. Parecia coisa do destino, dizendo “Ei, bobinhos! Vocês estão separados, lembram?”.

Mas é como eu vivo dizendo para ele. Cada dia a mais, um dia a menos.

Howth

 E lá vamos nós ao nosso passeio clássico de domingo, hoje com a presença do Bruno – irmão da Aline que ficará 15 dias por aqui. O destino foi Howth – uma vila portuária que fica no condado de Dublin, famosa pelas trilhas nos altos cliffs que você pode fazer e ter visuais incríveis da costa da Irlanda (e se pegar um dia de céu aberto – o que não foi o nosso caso – ver o País de Gales).

Pegamos um ônibus e uns 20 minutos depois estávamos no Howth Summit, o ponto mais alto que qualquer transporte público faz. Caminhamos por mais uns 10 e chegamos nos cliffs, com essa vista logo de cara.

Andamos para cá e para lá, até descobrir uma trilha que descia um dos cliffs e dava em uma praia cheia de pedras. Ai, que medo. Vou ou não vou? Ah, foda-se. Estou aqui para isso. Vou descer essa merda e seja o que Deus quiser. Foi difícil, assustador. Mas não olhei muito para baixo e consegui chegar até o final (não tenho fotos do percurso, porque ou eu tirava fotos ou sobrevivia e, obviamente, escolhi a última opção). Mas valeu a pena, o visual de lá de baixo era muito legal também. E agora? Ah, tem que subir né? E lá vamos nós, a subida sendo menos assustadora, mas extremamente cansativa.

No fim das contas, minhas pernas ficaram moles de medo o resto do dia e fiquei com dor no corpo por uns dois dias. Mas valeu a pena =)

Almoçamos em um Pub por ali – frango, hamburguer, peixe, não importa, mas sempre com batatas fritas >.< No final, Marion fez pan perdu para a gente engordar um pouquinho mais.

P.S.: Estou de folga hoje e amanhã! Sem planos, acho que fazer nada é uma boa opção \o/

P.S.: Não quero falar sobre a recuperação do meu GNIB. Saibam apenas que estou desolada com a injustiça.

Até mais!

My blue period

Olá!

Aqui não é um espaço para contar só as alegrias desse intercâmbio. Não. Eu preciso jogar limpo e contar o que está acontecendo de verdade. Pois bem. Acontece que entrei em um “blue period”, me questionando, questionando porque as coisas acontecem como acontecem, chorando, até que aconteceu comigo uma coisa muito, muito ruim. E me fez parar e rever algumas coisas.

Da eterna pergunta “Porque eu?”

A maioria dos meus amigos está ganhando dinheiro aqui. Sim, eu trabalho. Mas o meu salário só paga as minhas despesas básicas e eu não consigo guardar nada. Ou seja, sem reservas para a minha viagem. E então eu comecei a questionar “porque só eu não consigo ganhar dinheiro aqui?”. Eu, que tenho um inglês acima da média. Eu, que me planejei, que li tudo sobre a situação do país, que fiz o melhor curriculum possível. Eu, que entro em sites de emprego todos os dias e já devo ter aplicado para mais de 100 vagas. E eu até agora não consegui a resposta para essa pergunta. E isso me deixou mal, muito mal.

Do lugar errado, na hora errada

Estou voltando com a Marion do aniversário do Thiago, falando sobre a vida, quando sinto um empurrão forte e ouço a Marion gritando. Quando viro, vejo um nacker (os vagabundos que usam roupas esportivas) tentando puxar a minha bolsa. E eu pego na bolsa e grito “please, no, no!”. E ele grita que precisa do dinheiro, grita para eu largar, diz que vai me machucar (e ameaça me bater). E a Marion começa a bater nele. E então ele consegue levar a minha bolsa e sai correndo, com 8 euros em dinheiro, 10 euros no meu “bilhete único”, 16 euros em selos (aliás, sem postais por enquanto, pessoal), meu Heritage Card novinho em folha, meus cartões de crédito do Brasil, minhas chaves e, o mais importante, O MEU GNIB, MEU VISTO, O QUE ME PERMITE VIVER AQUI.

Saí gritando na rua “my documents!”, “I hate this country!”, “I want to go back to my house!”. A Marion tremendo e dizendo baixinho “I’m so scared”. Chegamos em casa e eu não sabia o que fazer. Para quem ligava? Não tinha ninguém online no Skype, Mamis, Irmã, Namorado. A Marion ligou para a polícia. Três minutos depois os caras chegam em casa e nos colocam no carro, pedem para mostrarmos onde foi, como era o cara, dizer o que tinha na bolsa. Em vão. Nada do infeliz, nada dos meus documentos.

Chegando em casa, cancelei o cartão do banco da Irlanda, minha irmã cancelou os cartões de crédito para mim. E fui dormir às quatro da manhã, acordando às oito, sem sono, trêmula, tentando fingir que isso não tinha acontecido comigo. Mas aconteceu. Castigo? Energia negativa? Coincidência? Azar? Não sei dizer. Só estou seguindo em frente.

Pedi um novo cartão no banco e estou aguardando o meu Police Report chegar para poder ir à imigração e pedir um novo GNIB, rezando para que eles não me cobrem os 150 euros que paguei para ter o documento. Ah, e larguei meu emprego no bar, porque eu voltava toda noite pelo mesmo caminho, na mesma hora. E se isso me acontece de novo? =S

Quando eu lembro do que aconteceu, ainda fico puta. Ainda tento pensar “e se eu tivesse gritado mais alto?”. Ainda passo no lugar e olho na rua para ver se não vejo a minha bolsa jogada. Bobeira. Nada vai adiantar. É só seguir em frente agora.

Da fase cor de rosa

Mas quer saber? Chega. Eu não quero mais pensar nisso. Ah, eu não consigo um emprego que me pague melhor? Foda-se. O meu emprego é o mais gostoso do mundo, eu cuido de quatro bebês maravilhosos, que eu amo. Ah, eu não vou conseguir viajar toda a Europa? Foda-se. Eu vou viajar bem o que der e do meu jeito, especial como eu sei que é.

E que venha a fase cor de rosa!

P.S.: Beto, você foi o meu pilar e me segurou para eu não cair. Rose e Carmenio, obrigada por me fazerem lembrar meu lugar é com vocês, comendo pasta na sexta à noite, com um filme depois e uma caixa de Bis. Bruna, falar sobre partos no meio da angústia é um grande alívio. João Victor, quando eu penso na turnê Iron Maiden 2013 que veremos juntos, eu fico feliz. Vocês são tudo o que eu preciso. Sempre.

P.S.: O quadro é um Picasso – “La femme aux Bras Croises”. Hum, eu bem que queria ser como o Picasso e fazer alguma coisa de útil de uma fase azul. O.O

Balanço do primeiro mês

Hello!

Vocês tem ideia de que um mês já se foi? Eu não. Não consigo acreditar, não pode ser possível. Tudo foi tão rápido, tão intenso, tão diferente, que parece que foi ontem que eu cheguei aqui.

Assim, eu preciso recapitular, preciso descrever e organizar tudo o que aconteceu, para que eu consiga ver que é de verdade. Dedico esse post então a isso, ao balanço do primeiro mês de intercâmbio, um dos meses mais loucos da minha vida!

1. A separação

Lembro de ficar pensando durante o voo em como isso tudo parecia inconsistente. Eu estava indo para o desconhecido, para uma incerteza. Parecia que o avião não cruzava o Oceano Atlântico, mas sim estava saindo do meu mundo e me levando para uma outra dimensão. E eu ainda sentia a dor da separação daqueles que amo – tão recente – latejando. Foi muito difícil entrar na porta que me levaria para esse outro mundo, deixando todo o meu mundo para trás.

2. A agilidade

Logo fui obrigada a deixar tudo isso para trás, pois tive que sobreviver e mostrar para o que vim. E passei na imigração, com funcionários mal educados. E briguei com a companhia aérea que deixou minhas malas em outro país. E descobri como chegar no lar provisório. E descobri qual ônibus pegar para ir à escola. E fui à órgãos do governo para tirar a documentação. E, fazendo tudo isso, eu ainda estava boba, perdida, sem saber onde estava quando acordava.

3. O idioma

Estar aqui não é como estar na aula de inglês que, quando eu não estava a fim de falar, podia ficar enrolando até o professor chegar perto e só então engatar uma conversa qualquer. Aqui ou vai, ou não vai. E foi, logo de cara, melhor do que eu esperava. Peguei o nível máximo na escola, conseguia me comunicar com as pessoas na rua e pedir informações. E ele vai indo, cada dia melhor, se tornando mais fácil e natural.

4. Lar, doce lar

De longe, a parte mais difícil até agora, com a primeira crise de desespero profundo. Mas deu certo. Depois de duas semanas na casa da host-family, mais host do que family, encontramos o nosso lar, tão doce como eu esperava que fosse. E as flatmates se mostraram as melhores possíveis, mesmo com peixes que cheiram mal e louças mal lavadas. Como é bom sentar no sofá e bater um papo sobre como é a vida, o desemprego e o custo do supermercado na França, na Coréia do Sul, no Brasil e na Alemanha. Estou feliz aqui, me sentindo em casa.

5. O batente

E antes do que eu esperava, antes da média nas estatísticas de intercâmbio, eu consigo um emprego. Juro que não sei direito como, só coloquei o anúncio certo, no site certo, na hora certa e a pessoa certa gostou. É difícil, tem que ter muita paciência e nenhum nojo para trocar as fraldas. Mas eu vim em busca de coisas diferentes e hoje passo as minhas tardes cantando e dançando “the wheels on the bus”. Tem job melhor que esse?

6. As primeiras descobertas

E com todas essas coisas práticas, fica muito difícil se concentrar no ambiente à sua volta. Porque eu não sou simples assim, que só olha, tira a foto e pronto, conheceu o lugar. Ah, não. Eu tenho que analisar, tenho que ficar parada olhando, tenho que sentir, tenho que me emocionar. Eu sou assim e gosto de ser assim, por mais complicado que seja.

Mas agora, com as coisas vitais encaminhadas, dinheirinho entrando na conta toda semana, GNIB na carteira, um lar para onde voltar e feijão cozido na geladeira, eu começo a ter uma noção de onde estou.

E onde estou? Em uma cidade absurdamente cheia de história e lendas sobre vikings, celtas e reis. Em uma cidade cheia de gente de tudo que é lugar no mundo. Em uma cidade com coisas bonitas em todos os cantos, desde prédios monumentais com salões ornamentados aos canteiros de flores na praça em frente ao meu apartamento. Em uma cidade com vida, que não dorme, mesmo que os pubs fechem às duas da manhã.

E, aos poucos, vou descobrindo os seus encantos, mesmo fora do circuito turístico. Como ontem, quando estava andando por uma rua quieta, com casas sombrias e escuras, com brinquedos abandonados no jardim, sem ninguém por perto. De repente, me senti em outro mundo, algo meio mal assombrado, misterioso. E meu coração até acelerou com a sensação. Eu sou assim, gosto dessas coisas. Coisas de Talita.

7. Os próximos planos

E agora vou pensando no futuro, no que fazer depois que terminar o curso. Esse é um outro lado do meu intercâmbio, que eu quero muito que aconteça, para completar tudo. Porque eu ouso dizer, talvez meio cedo demais, mas com profunda convicção, de que os primeiros objetivos eu já alcancei.

P.S.: Feriadão à vista! Aqui na Irlanda, o feriado de Páscoa é na segunda. Então eu vou trabalhar hoje. Ainda não sei qual será o roteiro do final de semana, mas PRECISO fazer muitas coisas legais, pois já estou cansada de ficar em casa, por mais que eu goste daqui =)

P.S.: Carmenio, Rosemary, Bruna, João Victor e Victoria – Rossi de Lima de Carvalho. Ontem eu chorei vendo fotos de vocês. E a saudade me apertou de um jeito que ainda não tinha me apertado. Mas fico muito feliz ao pensar que o dia em que nos reencontraremos vai chegar, mesmo que demore. Amo vocês, meus tesouros.

P.S.: Estou indo e voltando a pé do trabalho, para economizar o dinheiro da condução. No total, vou andar 10 Km por dia (2 km para ir e voltar da escola + 8 km para ir e voltar do trabalho). Vou emagrecer e ficar com as pernas durinhas (meu namorado agradece). E com o dinheiro economizado, vou comprar coisas para mim, pois eu mereço após caminhar tudo isso (meu guarda-roupa agradece).

See you!

Recapitulando

Hello!

Aqui estou eu, ouvindo Muse (*___*), jantada (arroz, feijão, purê de batata e “molhinho” de vagem – como é dito lá em casa #MineirosFellings) e tentando entender o que eu fiz com os meus últimos dias, já que não consegui postar nada desde domingo. Bom, vamos recapitular então…

Segunda-feira: a melhor notícia do mundo

Chegou a hora de revelar todo o mistério dos últimos posts: sim, eu fui chamada para uma entrevista de emprego. Desde que pensei nesse intercâmbio, minha ideia era trabalhar como babá ou, como eles chamam por aqui, Au Pair. E como eu consegui? Fiz um anúncio em sites de classificados de emprego, bem diferente dos estão por lá. Poxa, eu sou publicitária e, se eu não conseguisse me diferenciar dos meus concorrentes, então não serviria para nada! E como foi a entrevista? Adorei o casal e as crianças (trigêmeos de 10 meses e mais um de 2 anos), o horário é exatamente o que eu preciso, o salário não é incrível, mas paga as contas. E o que aconteceu depois? Minha patroa me ligou e disse que ficaria “delighted” se eu aceitasse trabalhar para eles. Melhor, impossível =)

Terça-feira: a primeira cabulada a gente nunca esquece

O dia não estava para escola, então resolvemos aproveitar para passear por aí. A primeira parada foi o Bank of Ireland, um edifício majestoso localizdo no centro. Ele foi projetado para ser o parlamento irlandês, em 1739. A curiosidade é que esse foi o primeiro prédio a ser construído para este fim, em toda a Europa. Porém, alegria de irlandês sob domínio inglês dura pouco e o parlamento foi dissolvido em 1800 e os assuntos do país voltaram a ser decididos por Westminster, em Londres. Então o Bank of Ireland, um dos maiores do país, comprou o prédio para criar sua mais bonita agência. Quem não queria ter uma conta lá, hein?

Entrada principal

Mas eles preservaram a House of Lords, que é aberta para visitação ao público. A sala é magnífica. Poxa, porque esses caras tinham mania de fazer coisas tão estupendas assim? Meu coração não aguenta! Um guia sempre fica por lá e ele ficou surpreso quando eu comecei a fazer perguntas sobre o funcionamento do parlamento. E mais surpreso ainda quando descobriu que eu sou brasileira: “Não vejo muitos brasileiros por aqui, sabe?”. Sei =)

Lustre de cristal *___*

Depois, decidi passear pela Grafton Street, uma das mais populares ruas de compras em Dublin, com lojas de grife, cafés, restaurantes e o lindo shopping Stephen Green no final. A loja mais famosa de lá é a Brown Thomas e seus artigos de luxo, que estudantes-falidos-como-eu não podem nem olhar.

Intrerior do Stephen's Green

O que eu mais gosto na Grafton Street é o barulho. Ao caminhar por ela, você ouve pessoas conversando em diversos idiomas diferentes e ouve música em toda a sua extensão, com os artistas de rua que dão a graça por lá. Muito legal =)

Outra atração da Grafton é a estátua da Molly Malone. Ela foi inspirada em uma canção, que é considerado como o hino não-oficial da cidade, e que conta a história de uma bela mulher que vendia peixes nas ruas de Dublin, mas que morreu jovem de uma forte febre. Não existe prova de que a tal Molly Malone realmente existiu, mas o governo encontrou uma que poderia ser ela e que morreu em 13 de junho de 1699, então proclamou esse dia como “Molly Malone Day” e construiu uma estátua em homenagem a ela. Legal, eu curto essa historia. Olha só como é bonitinha a música =)


Depois disso, ainda fomos para a National Library, prédio lindo que abriga um acervo com as primeiras edições dos livros dos principais escritores do país, além de uma cópia de quase todo livro já publicado na Irlanda. O mais impressionante do prédio é a Sala de Leitura, que tem mesinhas gastas e luminárias verdes, como era antigamente. É uma sala circular, enorme, silenciosa, com livros velhos, novos, curiosos. A biblioteca não realiza empréstimos, você pode apenas consultar os livros por lá.


Quarta-feira: legalizado as coisas

Finalmente conseguimos o nosso tão sonhado GNIB (Garda National Immigration Bureau)! Eu ainda não comentei aqui, mas o processo é meio chatinho e demorou exatos 23 dias para ser concluído.

Primeiro, você tira o PPS – como um CPF da Irlanda. E chega o comprovante na sua casa, após 10 dias. Depois, com o PPS, você abre a conta no banco. E chega a senha na sua casa, após 3 dias e o cartão após 5 dias. Depois, você deposita os 3.000 euros e pede o statement. E ele chega na sua casa, após 3 dias. Depois, com o PPS, o statement e o passaporte, você vai até a Garda, solicita o GNIB, paga 150 euros e sai de lá com a carteirinha, dizendo quando você legalmente pode viver, estudar e trabalhar por aqui. Amazing =)

Estava um dia bonito, então resolvemos andar e descobrir mais algumas coisas. E logo vimos a Custom House, um enorme prédio que sempre abrigou órgãos do governo.

Depois, The Famine Statues, um monumento em homenagem a todos os irlandeses que morreram no período conhecido como a “Grande Fome”, caracterizado pela perda consecutiva de 3 safras de batata, por causa de uma praga, o que causou a morte de um milhão de pessoas morreu e a imigração de mais dois milhões, principalmente para os Estados Unidos.


E por fim, conhecemos a Samuel Beckett Bridge, uma ponte estaiada, construída em homenagem ao escritor irlandês Samuel Beckett, ganhador do Nobel de literatura. Por lá, descobrimos uma Dublin diferente da que estamos acostumadas: prédios modernos, de vidro, pessoas engravatadas. Como uma cidade pode mudar tanto, em poucos metros? Engraçado =)


Quinta-feira: último dia de vagabundagem

E hoje, nada de mais, pois resolvi aproveitar o meu último dia de vagabundagem, já que começo a trabalhar na próxima semana. Fizemos almoço, limpamos a cozinha, dormi à tarde e aqui estou, atualizando o blog =)

Amanhã, grandes acontecimentos à vista! Primeira visita para fora de Dublin programada (com 11 km de distância) e aniversário de namoro com o meu querido, em que faremos uma comemoração diferente (com mais de 9 mil km de distância).

See you!