Balanço do primeiro mês

Hello!

Vocês tem ideia de que um mês já se foi? Eu não. Não consigo acreditar, não pode ser possível. Tudo foi tão rápido, tão intenso, tão diferente, que parece que foi ontem que eu cheguei aqui.

Assim, eu preciso recapitular, preciso descrever e organizar tudo o que aconteceu, para que eu consiga ver que é de verdade. Dedico esse post então a isso, ao balanço do primeiro mês de intercâmbio, um dos meses mais loucos da minha vida!

1. A separação

Lembro de ficar pensando durante o voo em como isso tudo parecia inconsistente. Eu estava indo para o desconhecido, para uma incerteza. Parecia que o avião não cruzava o Oceano Atlântico, mas sim estava saindo do meu mundo e me levando para uma outra dimensão. E eu ainda sentia a dor da separação daqueles que amo – tão recente – latejando. Foi muito difícil entrar na porta que me levaria para esse outro mundo, deixando todo o meu mundo para trás.

2. A agilidade

Logo fui obrigada a deixar tudo isso para trás, pois tive que sobreviver e mostrar para o que vim. E passei na imigração, com funcionários mal educados. E briguei com a companhia aérea que deixou minhas malas em outro país. E descobri como chegar no lar provisório. E descobri qual ônibus pegar para ir à escola. E fui à órgãos do governo para tirar a documentação. E, fazendo tudo isso, eu ainda estava boba, perdida, sem saber onde estava quando acordava.

3. O idioma

Estar aqui não é como estar na aula de inglês que, quando eu não estava a fim de falar, podia ficar enrolando até o professor chegar perto e só então engatar uma conversa qualquer. Aqui ou vai, ou não vai. E foi, logo de cara, melhor do que eu esperava. Peguei o nível máximo na escola, conseguia me comunicar com as pessoas na rua e pedir informações. E ele vai indo, cada dia melhor, se tornando mais fácil e natural.

4. Lar, doce lar

De longe, a parte mais difícil até agora, com a primeira crise de desespero profundo. Mas deu certo. Depois de duas semanas na casa da host-family, mais host do que family, encontramos o nosso lar, tão doce como eu esperava que fosse. E as flatmates se mostraram as melhores possíveis, mesmo com peixes que cheiram mal e louças mal lavadas. Como é bom sentar no sofá e bater um papo sobre como é a vida, o desemprego e o custo do supermercado na França, na Coréia do Sul, no Brasil e na Alemanha. Estou feliz aqui, me sentindo em casa.

5. O batente

E antes do que eu esperava, antes da média nas estatísticas de intercâmbio, eu consigo um emprego. Juro que não sei direito como, só coloquei o anúncio certo, no site certo, na hora certa e a pessoa certa gostou. É difícil, tem que ter muita paciência e nenhum nojo para trocar as fraldas. Mas eu vim em busca de coisas diferentes e hoje passo as minhas tardes cantando e dançando “the wheels on the bus”. Tem job melhor que esse?

6. As primeiras descobertas

E com todas essas coisas práticas, fica muito difícil se concentrar no ambiente à sua volta. Porque eu não sou simples assim, que só olha, tira a foto e pronto, conheceu o lugar. Ah, não. Eu tenho que analisar, tenho que ficar parada olhando, tenho que sentir, tenho que me emocionar. Eu sou assim e gosto de ser assim, por mais complicado que seja.

Mas agora, com as coisas vitais encaminhadas, dinheirinho entrando na conta toda semana, GNIB na carteira, um lar para onde voltar e feijão cozido na geladeira, eu começo a ter uma noção de onde estou.

E onde estou? Em uma cidade absurdamente cheia de história e lendas sobre vikings, celtas e reis. Em uma cidade cheia de gente de tudo que é lugar no mundo. Em uma cidade com coisas bonitas em todos os cantos, desde prédios monumentais com salões ornamentados aos canteiros de flores na praça em frente ao meu apartamento. Em uma cidade com vida, que não dorme, mesmo que os pubs fechem às duas da manhã.

E, aos poucos, vou descobrindo os seus encantos, mesmo fora do circuito turístico. Como ontem, quando estava andando por uma rua quieta, com casas sombrias e escuras, com brinquedos abandonados no jardim, sem ninguém por perto. De repente, me senti em outro mundo, algo meio mal assombrado, misterioso. E meu coração até acelerou com a sensação. Eu sou assim, gosto dessas coisas. Coisas de Talita.

7. Os próximos planos

E agora vou pensando no futuro, no que fazer depois que terminar o curso. Esse é um outro lado do meu intercâmbio, que eu quero muito que aconteça, para completar tudo. Porque eu ouso dizer, talvez meio cedo demais, mas com profunda convicção, de que os primeiros objetivos eu já alcancei.

P.S.: Feriadão à vista! Aqui na Irlanda, o feriado de Páscoa é na segunda. Então eu vou trabalhar hoje. Ainda não sei qual será o roteiro do final de semana, mas PRECISO fazer muitas coisas legais, pois já estou cansada de ficar em casa, por mais que eu goste daqui =)

P.S.: Carmenio, Rosemary, Bruna, João Victor e Victoria – Rossi de Lima de Carvalho. Ontem eu chorei vendo fotos de vocês. E a saudade me apertou de um jeito que ainda não tinha me apertado. Mas fico muito feliz ao pensar que o dia em que nos reencontraremos vai chegar, mesmo que demore. Amo vocês, meus tesouros.

P.S.: Estou indo e voltando a pé do trabalho, para economizar o dinheiro da condução. No total, vou andar 10 Km por dia (2 km para ir e voltar da escola + 8 km para ir e voltar do trabalho). Vou emagrecer e ficar com as pernas durinhas (meu namorado agradece). E com o dinheiro economizado, vou comprar coisas para mim, pois eu mereço após caminhar tudo isso (meu guarda-roupa agradece).

See you!

De um país para outro

Olá!

Vos falo do quarto da minha host-family, banhada, aquecida, alimentada, após uma longa maratona de acontecimentos. Estou cansada, mas estou feliz. A cabeça está confusa, mas acho que foi mais ou menos assim…

– No dia da despedida, reinava na minha casa um silêncio que nunca existe por lá. Ninguém se falava, todo mundo com cara triste. Eu mal consegui almoçar, só comi porque era a minha refeição preparada pela Mamis em 2012 (arroz, feijão novinho, bife, vagem refogada e salada).

– No aeroporto, um monte de gente especial estava lá para me apoiar: minha família, família da Aline, Bá, Bru e João Victor, Ju, Lex, Jojo, Celina e Maria Thereza, Carlos Roberto. Foi assustador dizer para eles: “tchau, até o ano que vem”. Meus pés se arrastavam, eu tremia, eu chorava. O meu amor me dava a mão, a minha mãe me abraçava e chorava, as pessoas faziam promessas. Foi lindo. Foi triste.

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– A imigração foi demorada, só tinha um funcionário trabalhando. E tinha muito brasileiro para passar por lá. É, tem brasileiro demais no mundo. O cara que me atendeu foi simpático. Perguntou se eu já visitado “the UK” antes. Eu disse que sim. Perguntou se eu tive algum problema. Eu disse que não. Perguntou quanto tempo eu ficarei com eles (achei simpático isso). Eu disse um ano. Ele disse ok e carimbou o passaporte. Simples assim =)

– Mas a alegria de brasileiro intercambista dura pouco. Chegando na esteira das malas, onde estão as malas? Não estão, ficaram em Madrid. Ah, e agora? Agora vocês deixam o endereço e entregamos amanhã. Ah, que coisa. Mas é sem falta né? Sim, isso acontece o tempo todo, estamos acostumados. Ah, tá. Mas o tempo todo em Dublin, no mundo ou com a companhia Ibéria (não, eu não perguntei essa última, achei indelicado).

– Sem malas, com fome, com sede, sem itens de higiene pessoal, fomos ao centro. Pegamos um ônibus no aeroporto (7 euros) e descemos na O’Conell Street, a principal avenida de Dublin. Fomos à farmácia (6.99 euros). Decidimos tomar uma para relaxar. Escolhemos o Madigans, o pub o primeiro à vista, porque estava frio pra burro. O pub era meio velho, meio cheirando a mofo, passando um jogo de rugby, como um pub deve ser (São Paulo, aprenda como se faz!). Primeiro brinde (eu de Guinness, ela de Heineken) a nós. Porque merecemos e não temos calcinhas, não temos shampoo e não temos pijamas.

– Pegamos um táxi, com um motorista velhilho, que ficava cantarolando no caminho. Não consegui tudo o que ele disse não, falava meio enrolado. Mas nos mostrou o centro, bonitinho. Chegamos em 15 minutos (20 euros).

– E chegamos na casa, no que parece ser um condomínio fechado, chamado Woodfarm Acres. Casas lindas, parecem coisa de filme. Sem portões. A nossa é de tijolinho marrons. Tocamos a campanhia. Espero uma senhorinha amigável. Me aparece um cara tatuado e cheio de piercings, o Tomy. Descubro que ele é filho da host-mother, o host-son, e que ela está fora e só volta na quarta. Cara, que situação mais estranha. Falar ao vivo e a cores, com um cara que não fala a minha língua. Tive que me virar. E me virei =D

– Ele é legal, nos mostra a casa, se mostra solidário com a nossa situação, nos empresta toalhas. Tomamos banho, organizamos as coisas. Vamos jantar. Tomy deixou pratos de macarrão a bolonhesa preparados pra gente. Gostoso, mas sem sal e, como eu não achei mais sal para colocar, comi assim mesmo. Do nada, aparece um outro cara, falando um inglês todo enrolado. É o Miguel, espanhol da Galícia, ficará aqui só até amanhã. Já jantou, obrigada. Vai fumar um cigarro no quintal. Lavamos a louça. O Miguel volta e pergunta do carnaval do Rio. Ah, que pergunta mais default. Mas ele é legal =)

Depois eu mostro as fotos da casa, explico melhor como é aqui. Minha cabeça está rodando ainda, preciso me acostumar, olhar direito, formar uma opinião e depois mostro tudo para vocês.

P.S.: Por favor, sejam adeptos de qual religião forem, orem/rezem para que as nossas malas cheguem amanhã. Precisamos de todo o apoio e pensamento positivo possível =)

Time to bed.
See you tomorrow!

Fazendo a trouxa


Hey!

Fazer malas é um processo complicado, ainda mais quando se é mulher. Tem taaaaantas coisas que são indispensáveis ao nosso dia-a-dia, não é? Mas devo dizer que eu mereço um troféu desprendimento, de tão levinha e compacta que a minha mala ficou.

Parti da seguinte lógica: poxa, quanto mais coisa eu levo, mais coisa eu tenho que trazer na volta! E eu sei que os preços por lá são irresistíveis e sei que vou gastar todo uma parte do meu dinheiro em compras, ah vou. Então, não estou levando muitas roupas e, dentre essas que estou levando, estão indo coisas velhas e descartáveis. Aham, eu serei meio que a mendiga de Dublin no começo :P

Olha a lista do que estou levando:

– 1 sobretudo
– 1 casaco
– 3 calças jeans
– 1 calça e camisa social
– 1 calça legging
– 4 blusas de frio grossas
– 7 blusas de frio finas
– 4 pijamas
– 7 camisetas
– 4 blusinhas
– 3 saias
– 2 shorts
– 5 vestidos
– 1 vestido de festa
– 2 sacolas de pano
– 1 bolsinha para sair
– 1 cinto
– 2 pares de luva
– 1 gorro
– 5 pares de meias
– 3 meias-calça grossas
– 1 bíquini
– 15 calcinhas e 5 sutiãs
– 2 sapatos
– 1 tênis
– 1 bota
– 1 chinelo
– 1 sandália rasteirinha
– 15 cartelas de anti-concepcional
– 1 cartela de remédio para cólicas
– 2 óculos de grau
– 1 óculos de sol
– 2 toalhas de rosto e banho
– 14 sabonetes
– 2 Gilletes
– 1 tesoura
– Shampoo / Condicionador
– 14 absorventes
– 150 cotonetes
– 1 perfume
– 1 body splash
– 1 creme hidratante
– 1 demaquilante
– Bijouterias diversas
– 3 livros de inglês
– 1 caderno para estudo
– 1 bloquinho de post-it
– Adaptador de tomada
– 1 notebook
– 2 guias
– 1 livro sobre a história da Irlanda
– 1 agenda
– 1 caderno de anotações pessoais
– 1 estojo de lápis e canetas

Tudo isso dividido em uma mala grande com menos de 30 Kg e uma mala de mão com menos de 10 Kg. Genial, não?

Um mega e especial agradecimento a:

– Mamis, pela inteligência e estratégia infalível para arrumar malas! Além de lavar as roupas, passar amaciante e dedicar muito carinho s2

– Papis, por conseguir uma balança emprestada em tempo recorde, para pesarmos tudo.

– Vô Vicente, pelo apoio e comentários estimulantes: “Uaaaai Sô! Se ficar muito pesado a gente paga a diferença!”.

Check-list final:

– Assentos reservados, depois de horas e horas naquele site idiota da Ibéria.
– Despedida no aeroporto agendada e comunicada aos amigos.
– Custo do táxi do aeroporto-casa da host family calculado. Hein?

Pois é! Descobri que existe um site na Irlanda em que você consegue calcular quanto custará a sua corrida de táxi! Ajuda a decidir se você optará por esse meio de transporte ou não (SIM, no nosso caso #Óbvio) e a ter uma idéia de preço, para ninguém te passar a perna (como poderia ser o nosso caso). Olha o site aí, para quem está curioso: http://taxiregulation.nationaltransport.ie/for-users/tax-fare-calculator/

P.S.: Hoje teremos o último jantar em família! E qual será o menu? Alguma massa, como de costume nesta residência =)

P.S.: Falta 1 dia! Amanhã, nesta exata hora, o avião estará partindo =)

Até!