Um sábado do jeito que eu gosto

Como há muito não acontecia, eu tive nesse final de semana de bank holiday (o último antes do Natal) dois dias inteiros de folga. Claro que isso só foi possível porque a minha chefa viajou para a casa do irmão dela no interior. Sozinha em casa, sem compromisso e sem companhia disponível, decidi curtir um sábado gelado de sol do jeito que eu gosto: com coisas de Talita =)

Tudo começou na National Gallery, onde passei para pegar o ingresso de um tour especial que eu faria mais tarde. Mas, como o tour só começaria em uma hora e estava frio pra burro , decidi dar uma volta por ali, para dizer oi aos meus queridos amigos Caravaggio, Vermeer, Goya e Gainsborough. Sabe, isso é uma das coisas que eu mais gosto na Europa, a acessibilidade à arte, em qualquer hora que você quiser, de graça e em diversos cantos da cidade.

E fiquei ali, sentada, apreciando “The Taking of Christ” do Caravaggio. Ao meu lado, vejo um homem explicando algo para sua mulher em francês e, apesar de não entender seu idioma (por enquanto), entendo o que ele quer dizer. Sua mão faz o contorno do fundo escuro que envolve a cena – marca tão típica de Caravaggio e ele está explicando como a escuridão é harmoniosa ali, e como a luminosidade se faz presente apenas no centro da tela, nas cores vivas presentes nas vestimentas, nos rostos e da lâmpada que o personagem do canto segura (e leio que ele é um auto-retrato do próprio Caravaggio, e também descubro ali que seu primeiro nome é Michelangelo ^^). Eu sorrio, lembrando que esse é o tipo de coisa que o meu pai faria se estivesse ali comigo. E sinto uma falta tremenda dele, como sempre acontece quando vou à uma exposição de arte.

Maravilhada com tudo aquilo, saio e vejo um dia diferente. Ou talvez eu esteja diferente após aqueles longos minutos na presença do Caravaggio e das lembranças do meu pai. No caminho para o tour, vou fotografando as ruas cheias de prédios georgianos daquela região, como se eu nunca tivesse feito isso antes.

E chego no destino do tour, o prédio do governo da Irlanda, gabinete do Taoiseach – primeiro ministro. O prédio é lindo e protegido por um portão que está sempre fechado, com guardas e sua guarita gigantesca. Mas nesse dia aquelas portas se abriram para mim e me senti completamente privilegiada por estar ali =)

A guia começa contando a história do prédio, que foi iniciado pelo rei inglês Edward VII em 1904 com o objetivo de ser utilizado como sede do Royal College of Science, motivo pelo qual estátuas de cientistas famosos estão presentes na fachada. Mas, com a independência da Irlanda em 1922, os parlamentares cresceram o olho para o prédio e expulsaram os estudantes pouco a pouco e, finalmente, o prédio foi convertido apenas para uso governamental. Hoje em dia, funcionam por lá os seguintes departamentos: Department of the Taoiseach (primeiro ministro), Office of the General Attorney (o consultor do governo em matéria de leis), Department of Finance e Department of Public Expenditure and Reform.

Foi muito interessante descobrir como funciona de verdade o sistema de governo irlandês e, por incrível que pareça, ele é muito parecido com o inglês! O presidente da Irlanda é como a rainha da Inglaterra – uma figura pública, importante e respeitada, mas sem muito poder político. O primeiro ministro é o verdadeiro chefe político do país, que manda e desmanda. E os membros do parlamento são muito importantes também, divididos nas casas denominadas “Dáil Éireann” (Lower house) e “Seanad Éireann” (Upper house). Aliás, a guia contou um fato curioso sobre eles! A sala do primeiro ministro tem uma saída especial que dá em uma rua muito próxima a onde é o parlamento pois, caso o ministro seja convocado – um sino toca se isso acontecer – ele tem apenas dez minutos para comparecer lá, independente de qualquer compromisso que tenha! >.<

O tour é bem legal, no geral. Passamos por salas de reunião, escadarias, salas de prêmios e, o ponto alto, a sala do primeiro ministro, com sua mesa, seu telefone, sua poltrona, seu porta-canetas. Óbvio que só podemos acessar uma área reduzida lá dentro e existem guardas nos vigiando o tempo todo. Mas, mesmo assim, é muito impressionante.

Já que estava por ali e o sol estava quentinho, fui dar um passeio na Merrion Square, que eu sempre gostei e pouco visitei. E ela estava mais bonita que nunca! Algumas árvores mudando do verde para o vermelho e amarelo, outras apenas com meia dúzia de folhas marrons e o chão completamente forrado de um tapete macio e barulhento de folhas secas. A luz do sol batendo naquelas folhas amareladas na copa das árvores é um efeito maravilhoso de se ver!

E, então, sem procurar (como eu já havia feito antes, sem sucesso), encontrei a estátua do Oscar Wilde, famoso escritor irlandês e estudante ilustre do Trinity College, o gênio por trás da obra “O Retrato de Dorian Gray”, que eu tanto gosto. E ele, assim como eu e os demais por ali, estava aproveitando o sol quentinho naquele dia gelado ^^

Ainda fotografando a cidade como se eu fosse uma recém-chegada turista, resolvi passar no Temple Bar para comer alguma besteirinha no maravilhoso Food Market que eu já comentei por aqui. Optei por uma torta de frango, presunto e salsinha, de uma barraquinha de comida de fazenda que eu namorava há tempos! E a trilha sonora estava espetacular… O fato de sempre ter música rolando é uma das coisas mais legais do Temple Bar, seja uma moça com espanhola mandando ver no violão ou um cara parado na esquina, o maior vozeirão do mundo, mandando “Feeling Good” do Muse a plenos pulmões, o que me congelou a espinha.

O último compromisso do dia era super especial. Acontece que nesse final de semana rolava na cidade o “Bram Stoker Festival” por causa do Halloween, já que o Bram Stoker – famoso escritor irlandês, é ninguém menos que o autor do “Drácula”. Dentre diversos eventos espalhados pela cidade, eu escolhi um dos mais incríveis (na verdade, um dos únicos que ainda tinha vagas disponíveis =P), uma contação de trechos do livro e outras histórias de vampiros, na cripta medieval da Christ Church, minha igreja favorita de Dublin ^^

E lá chego eu, naquela cripta com cheiro de mofo, luz amarela, peças magníficas, e me aconchego junto às demais pessoas estranhas como eu, que estão desperdiçando a rara luz do sol para se enfiar em uma cripta e ouvir histórias de vampiro. E você percebe como o seu listening está bom quando você consegue entender tudo o que a mulher está lendo, mesmo se tratando de diálogos em uma obra escrita em 1897. Foi muito especial. Todas as pessoas mergulhavam em cada palavra, naquele cenário tão propício para aquela história, imaginando as cenas contadas. E está decidido, assim que eu voltar ao Brasil começo a ler esse livro, mesmo já tendo visto o filme milhares de vezes =)

Tomo o caminho da roça para o meu adorável bairro, no fim de um adorável dia frio e finalizo a noite com uma nada adorável pasta com molho branco e atum (é, cozinhar só para você é um desafio, já que a preguiça é mais forte que tudo!) e uma Belfast Ale, na companhia do meu namorado e conselheiro de viagens, me ajudando a resolver as buchas intituladas “Alemanha e Polônia” que eu acabei me enfiando =X

P.S. No domingo, organizei coisas pela manhã e fui almoçar com a Aline no apartamento dela. Como sempre, fizemos a deliciosa batata de forno que a mãe dela ensinou, com vinho e bolo de chocolate de sobremesa. Chegando em casa, após o conselho esperto do meu namorado, finalmente resolvi o dilema da viagem na Alemanha e Polônia e, mais tarde, passei o resto da noite na companhia dele, mesmo longe s2

P.S. E hoje, segunda-feira de bank holiday, fiquei de preguiça na cama até que a chefa voltou da viagem e, imediatamente, já comecei a trabalhar cuidando do meu pequeno, que levei para Howth, pegando FOUR BUBZEZ!!!!!, o que o deixou extremamente feliz (^^). No final da tarde (porque aqui se janta cedo), fomos jantar na casa da mamis da Mary Rose, a Rosemary (mesmo nome da minha mamis), com “chicken cassarole, potatos and brocolis” como prato principal e bolo de sobremesa. Foi muito legal, me senti como tendo um jantar na casa dos Dursleys (os tios do Harry Potter), com sua porcelana bonita, a manteiga na mesa, toalha de renda e licor para finalizar o jantar =)

Entre parques e beijos

Olá!

Semana feliz por aqui. Tenho conseguido me adaptar bem à minha nova rotina, tenho ficado menos cansada, notícias boas no Brasil e gente querida chegando. E ontem foi o melhor dia da semana, tanto que merece um registro especial =)

Fairview Park


Para aproveitar o tempo bom (Aliás, onde já se viu o outono ser mais quente e ensolarado que o verão? Só na Irlanda mesmo ¬¬), levei o Airt para o Faiview Park, perto aqui de casa. Ele foi fundado em 1920 e é famoso por sua ciclovia e os bem equipados playgrounds. Pegamos o ônibus e inventei de levá-lo no andar superior, já que ele é simplesmente apaixonado pelos “un-un” (bus, na língua do Airt) e imaginei que seria emocionante para ele ver tudo da janelona de cima. #NOT. Emoção mesmo foi a minha, ao descer aquela escada estreita com o ônibus balançando e ele no meu colo =S

O dia estava SENSACIONAL e ficamos brincando no parquinho, ele correndo e eu atrás, tentando tirar fotos. Depois deitamos no balanço (sim, grande que dá para deitar) e ficamos olhando as nuvens. Foi uma bela manhã =)

Jubs do meu coração

E finalmente, o momento de encontrar a minha Jubs querida! Lá estávamos nós (eu, Li e Lucia – a eslovaca que entrou no meu lugar no apartamento) esperando a Ju na esquina da Fleet Street, as meninas batendo um papo e eu nervosa, olhando para a rua o tempo todo, esperando ver algo de familiar.

E, de repente, eu a vejo. Ela andando séria como sempre, cabeça baixa, pensativa. Jubs, Jubs! Saio correndo (e deixo a Aline e Lucia falando) e paro na frente dela, dando pulos dessa altura, ó! E grito e abraço ela bem apertado e me vem lágrimas aos olhos. Poxa, que emoção! A última vez que a vi foi no aeroporto, minutos antes de eu embarcar. É tão incrível poder vê-la aqui =)

Passado o momento vergonha alheia de mim mesma, vamos andando até o PorterHouse, o pub escolhido para a noite e eu retiro completamente a minha declaração de que os bares de São Paulo tem muito mais atrativos que os Dublin. Gente, aquilo é um empório de cerveja! Eles até fabricam a sua própria cerveja *____*

E sentamos no último andar e fazemos os pedidos, Stout para mim e para a Lucia, Weiss para a Li e Jubs. E, claro, uma porção gigantesca de salsichas, batatas, onion rings, asinhas de frango, mini-hamburguers. Ah, como a Jubs faz falta na minha vida!

E meu cérebro tem um momento de colapso ali, ao ver aquela japa do meu ex-emprego, para quem eu reclama do workflow, que bebia Original no copo americano comigo, falando inglês (e muito bem!) com a minha amiga eslovaca, bebendo uma Weiss, no Temple Bar de Dublin.

Para finalizar, um bolo para mim (meu namorado está há 9 mil km de distância, então eu mereço, obrigada) e sorvete para as meninas. E eu sinto um aperto ao dar tchau para a Jubs quando os nossos caminhos da volta se separam. Oi, posso não te largar nunca mais, até eu voltar para o Brasil?

P.S. A boa notícia é que estamos arrumando as malas para um bate e volta no final de semana. O destino? Galway e os famosos Cliffs of Moher =)

P.S. Meus pais me mandaram um carregamento de doces brasileiros pela Japa! Nham, paçoquinha Amor, doce de abóbora, doce de leite, goiabada. É, acho que eles estão querendo me subornar para voltar antes =P

See you!

Dos últimos finais de semana

Sim, as coisas andam meio paradas por aqui. Mas, poxa, eu acabei de escrever um livro sobre a viagem à Belfast e isso esgota as energias! Além disso, ainda estou em fase de adaptação no emprego novo, já que o dia da Mags mudar de casa chegou e a minha rotina ficou meio insana com isso (comento sobre ela mais para frente porque, só de pensar, já fico cansada).

# Fim de semana 1

Eu estava de plantão para ir até a casa nova da Mags organizar as coisas dos bebês, já que eu sei o jeito que ela gosta das coisas e dobro as milhares de roupas deles como ninguém. Mas o que era para ser sábado, ficou para domingo e eu perdi quase todo o final de semana nessa espera.

O sábado musical

No restinho que sobrou do sábado, quando descobri que não seria necessária na mudança, corri para aproveitar dois eventos super legais que estavam rolando em Dublin, mas muito pelas coxas, por causa do pouco tempo disponível. A primeira parada foi o Dublin Tall Ships Races 2012, literalmente uma corrida de navios, que começou na França em maio e terminou aqui em Dublin no final de agosto. Para comemorar a chegada dos navios aqui, quatro dias de festival com música, comida, arte e exposições foram organizados nas Docklands, a região das docas de Dublin, que eu adoro ^^

Cheguei e fui direto para a arena da Bulmers (a famosa cidra irlandesa, que eu detesto), palco dos shows das bandas independentes aqui de Dublin. O som estava sensacional, enquanto eu esperava na fila e decidi ir direto mesmo, sem ver os navios (erro, porque acabei não voltando para ver o principal, depois de algumas cervejas na cabeça =S). Assisti a dois shows, das bandas Frank & Walters (música mais alternativa, meio indie, mas com um balanço legal) e a Therapy? (que me fez lembrar dos shows covers que eu adoro ir com o meu irmão =/).

Saindo de lá, fui para o Down With Jazz Festival que acontecia no Temple Bar, em homenagem a um movimento “anti-Jazz” que surgiu aqui na Irlanda na década de 30, por motivos políticos, mas esqueci de reservar o meu ingresso. Acho que o segurança viu a minha cara de decepção, porque me disse para voltar em uma hora que ele me deixaria entrar =)

Para esperar, fui então para um pub em que eu estava de olho há tempos, um dos únicos nessa cidade que parecia tocar música boa de verdade, o Ha’Penny Bridge Inn. Quando eu ainda trabalhava no Trinity Bar, ficava na esquina (sem comentários maliciosos, por favor) perto desse pub e ouvia o som que rolava aos sábados, um blues e country americano ferrados, de arrepiar!

E lá fomos eu e minha Guinness, viajando na banda residente, Dermot Byrne Blues, composta por dois tiozinhos de cabelos brancos, dois violões e uma gaita. E só com isso, eles levam aquelas músicas que arrepiam até o seu último fio de cabelo e tocam surpresas agradáveis como “Get the Rhythm” do Johnny Cash. Incrível =)

Quase duas horas depois, lembrei do festival de Jazz e corri para lá, mas o meu horário limite para pegar o ônibus já estava chegando (além de todos aqueles casais curtindo a música, bebendo vinho e com luminárias fofas penduradas acima de suas cabeças, o que me irritou profundamente >.<) e eu resolvi ir embora.

O domingo que nem vale a pena comentar

Organizei brinquedos, roupas, limpei móveis e chão, praticamente sem comer nada o dia todo. Chegando em casa, com dor em todas as partes do corpo, recebi uma notícia devastadora, que vou resumir brevemente, porque me dá um aperto no coração falar demais sobre isso. O apartamento onde eu morava (e a Aline, Yujin e Lucia anda moram) foi assaltado e os computadores, máquinas fotográficas e dinheiro delas foi roubado. E eu não quero mais falar sobre isso, nunca mais.

# Fim de semana 2

O sábado em Clontarf

Resolvi ficar aqui pelo bairro mesmo, já que precisaria cuidar do Airt por algumas horas enquanto a Mary Rose iria para a yoga dela. Para economizar no ônibus e aproveitar melhor o sol inacreditável desse começo de outono, peguei a bicicleta dela emprestada. Mais de 40 minutos depois tentando descobrir como abrir a porta da garagem, subi na bicicleta para perceber que o banco era muito alto para mim, tipo de pedalar com as pontas dos pés. Tudo bem, resolvi fazer um esforço. Mas não pensei nas complicações na hora de parar a bendita. E assim, eu caí duas vezes na tentativa de parar, com todo mundo me olhando com cara de dó.

Entre trancos e barrancos, cheguei até o Casino Marino, meu destino daquele sábado. Com o nome do Italiano, significando “casinha perto do mar”, foi projetada pelo arquiteto escocês Sir William Chambers para James Caulfeild, o 1 º Conde de Charlemont, em 1775. A arquitetura é bonita, mas não é isso que faz o lugar merecer uma visita. O charme do negócio é que a casa foi projetada para parecer o que não é, cheia de truques. Olhando de fora, você pensa que a casa possui um único cômodo e andar. Mas ela tem, na verdade, três pisos e uns 10 quartos! É muito maluco! Portas falsas, janelas gigantes que se dividem em várias, efeitos de luz. Que maluquice desse conde e seu arquiteto =)

Voltei para a casa e parei para contemplar a maravilhosa vista do Sea Front, naquele maravilhoso dia, nos meus maravilhosos últimos minutos antes de trabalhar. E almoço, pego o Airt e volto para o Sea Front, com um cobertor, brinquedos e a minha máquina fotográfica, para ele ficar correndo por ali e eu tentando tirar a foto perfeita. Quando ele começa a querer andar para longe demais de mim, percebo que é hora de voltar pra casa.

O domingo da espera

Era um dia muito especial para mim, já que a minha querida amiga Juliana Myisaki (Jubs!) estava chegando do Brasil para ficar um mês estudando aqui. Eu amo a Ju e sinto muito a falta dos nossos almoços, baladinhas, palhaçadas. Mas o mais legal de tê-la aqui é a sensação de ter alguém amigo, conhecido, da minha vida antiga, nessa minha vida nova. Eu estava eufórica!

E a Jubs sempre com uma comida na mão =P

Trabalhei de manhã (aham, yoga novamente) e depois fui direto encontrar a Aline no apartamento dela, onde faríamos almoço. Foi triste entrar ali e, não sei se por causa do que aconteceu ou não, mas não senti nada de acolhedor e familiar ali. Fizemos batatas com creme e queijo ao forno (receita da Mamis da Aline), arroz e uma garrafa e meio de vinho, o que deixou tudo mais legal =P

E fomos bater pernas pelo centro, procurar o bolo perfeito (que não achamos), esperando a Jubs. E nada. E começamos a ficar preocupada. Meia Paulaner depois, ao som de The Cure no Turk’s Head, ela liga. Dei um grito de emoção. Mas, infelizmente, não a encontramos. Ela estava toda enrolada com a chegada e com medo de sair tarde sozinha e se perder. Essa Jubs!

Mas já que estávamos ali e a fome bateu e merecemos porque trabalhamos pra burro, resolvemos ir ao Fridays (de novo ^^) e comer até o estômago doer, com um belo hamburguer e uma sobremesa =D

P.S.: Em breve, mais detalhes sobre a minha rotina insana, o meu bairro maravilhoso e a visita mais que especial da Jubs s2

Temple Bar: agora todas as quintas, sextas e sábados

Olá!

Pelo título do post, devem surgir as dúvidas: “Será que ela terminou com o Carlos Roberto, decidiu enfiar o pé na jaca e não sair mais dos pubs?”, “Será que ela virou alcoólatra de tanto beber Guinness e agora vai de pub em pub enchendo a cara?”. Não, não. Simplesmente, arrumei um emprego em um pub =)

Fachada da “firma” ^^

Mas não abandonei os meus bebês, já que estou cada vez mais apaixonada por eles e não consigo ficar cinco minutos sem dar um beijo em cada um. É um emprego para o final de semana à noite e é um pouco diferente. Eu sou promotora do pub (e sua balada no andar inferior) e meu papel é distribuir entradas VIPs para as pessoas nas ruas do Temple Bar, as trazendo para dentro do pub. É meio entediante e gelado, mas pratico meu inglês o tempo todo ^^

O roteiro é o seguinte:

– Chego, pego os cartões VIPs e começo a colocar um T no verso, para que eles saibam que fui eu quem coloquei as pessoas para dentro.

– Chega o Shane, meu parceiro, irlandês, de 19 anos, que parece o André Melo da Porto Seguro Cia. De Seguros Gerais, área de Comunicação Visual, e ele vai direto pegar as nossas jaquetas.

– Nos trocamos e vamos para a rua, onde ficamos em uma esquina estratégica, nos posicionando a alguns metros um do outro.

– E lá começamos a abordar as pessoas: “Free shot, free entry!”. Quando alguém se mostra interessado, complementamos: “To Havana Nightclub, do you know? It’s an amazing nightclub at Dame Street, 2 minutes on foot.” Se a pessoa ainda se mostra interessada, acrescentamos: “Let’s go Lads, I can take you there!”. E, se ganhamos a pessoa, a colocamos dentro da balada para garantir, o que ajuda a mostrar o nosso trabalho para o gerente.

– No caminho do Temple Bar até a Dame Street, sempre gosto de perguntar de onde as pessoas são, por curiosidade. E nessa já peguei gente da Polônia, Lituânia, Espanha, África do Sul, Austrália, França, Estados Unidos, Hungria e Irlanda. Quer jeito melhor para praticar o inglês?
É meio cansativo, reduz as minhas visitas noturnas a pubs a zero, mas estou gostando, melhora o meu inglês e ainda me dá dinheiro. Que beleza ^^

P.S.: Hoje eu vou atualizar todos os posts atrasados e vou me esforçar ao máximo para deixar o meu querido blog em dia. Obrigada.

Resumo do final de semana

Hello!

Eu sei, eu sei… Mais uma vez me embananei com as datas e as coisas a fazer e deixei o blog de lado. A semana foi uma loucura, com direito a virose fulminante no meio da semana (aham, peguei dos bebês >.<) e uma novidade que só vou contar depois =)

Mas, como o título promete, vamos ao resumão do final de semana!

City Hall, cuja beleza não pode ser expressada em palavras

[Essa frase não é minha, mas sim de algum apreciador de arquitetura, do ano 1779. Estava exposta por lá e eu adorei ^^]

O City Hall foi erguido em 1779 e, desde então, funciona como local de reunião do conselho municipal de Dublin. Tudo bem, isso não muita tem graça. A graça está, na verdade, na arquitetura do prédio – exterior (em estilo coríntio, imponente, que se vê de longe – pelo Liffey ou pela Dame Street) e interior (o teto, o chão, as paredes, tudo maravilhosamente decorado).

E lá estou eu, em uma manhã ensolarada mas gelada de sábado, entrando no City Hall. À minha primeira visão do interior do prédio, me surge um sorriso incontrolável no rosto e eu finalmente descubro qual é a coisa que eu mais gosto na Europa. TETOS.

Sim, tetos amplamente decorados, sem um pedaço de parede em branco, com afrescos, lustres, relevos em gesso, espelhos. Eu fico tonta, sem ar, com dor no pescoço, extasiada. Como esses caras eram criativos e perfeccionistas! Depois dessa constatação, tomei uma decisão importante: quando eu tiver a minha casa, terei um teto decorado e ponto. (Decisão já comunicada ao meu namorado, para o caso de que ele queira desistir agora >.<)

Mas o City Hall não tem só isso: o andar inferior abriga uma exposição sobre a história de Dublin, dividida entre as fases Medieval, Georgiana e Moderna. Por lá, muitos fatos e objetos interessantes, como essa caixa de madeira que guardava o selo da cidade – uma matriz em ouro que emprestava a sua forma à vela derretida que era usada para oficializar documentos importantes. O legal é que ela tem seis fechaduras e só abre se as seis forem acionadas ao mesmo tempo. Na época, cada chave ficava com um dos conselheiros da cidade.

Outra coisa INCRÍVEL é essa carta – escrita de próprio punho por um rei da Inglaterra (não lembro quem era agora =/) – legalizando a conquista da cidade, após a derrota dos vikings. Porra, esse negócio foi escrito por um rei da Inglaterra há mais de mil anos atrás. Dá para acreditar?


Temple Bar Food Market, com o aroma que você sente de longe

Como eu já comentei na semana passada, descobri essa deliciosa feira de comida no Temple Bar, a região boêmia de Dublin. Ela ocorre todos os sábados e reúne barracas de queijo, ostras, comida mexicana, japonesa, de fazenda típica irlandesa, salsichas, temperos, legumes orgânicos, doces, crepes… Sim, eu levo uma meia hora para decidir o que comprar.


Dei uma passadinha por lá para comprar um docinho, pois tentarei estabelecer a meta de comer uma coisa diferente da feira em cada sábado. Hum, o doce em questão era um pão de iogurte e amoras. Não estava espetacular, mas era gostoso ^^

Internacional Food Party, onde você come até cair

Já fazia um tempo que queríamos (eu + meus amigos da escola) organizar uma festa internacional de comida, cada um representando o seu país na cozinha. E, finalmente, após milhares de mensagens no Facebook, lista rolando na sala e 5 euros de cada um, a festa aconteceu, na tão famosa casa dos guris de Floripa!

Tinha umas 20 pessoas por lá, brasileiros, espanhóis, russos, irlandeses, um uruguaio e uma africana. O cardápio foi:

– Borsh (sopa russa com beterraba e carne), por Lana e Ksenia
– Panquecas com leite condensado, por Masha
– Bolo de milho salgado e batatas assadas, por Mark
– Omelete espanhol (omelete feito de batatas), por Jose e Ivana
– Feijoada, por Marquinhos e Matheus
– Brigadeiro, por Fabrícia

É incrível poder trocar experiências com pessoas de países diferentes, aprender receitas, danças, idiomas. Sabe, muito além de aprender inglês, estou amando aprender coisas sobre a Rússia, Espanha, França, Coréia do Sul, Colômbia, Uruguai, Botswana e Florianópolis (>.<). É algo que não esperava encontrar e que está fazendo toda a diferença.

P.S.: Esqueci de levar a minha máquina para a food party. Burra, eu sei. Então, estou no aguardo das pessoas postarem as fotos no Facebook, para que eu possa compartilhá-las por aqui.

P.S: Já comentei meu novo vício, que está ganhando da Nutella fajuta? The Big Bang Theory. Todo dia, no mínimo, dois episódios antes de dormir. Senão o dia não fica completo s2

See you!

Dublin Castle: onde as lembranças do domínio inglês repousam

Olá!

Como estão?

Primeiro, desculpem a ausência. Sabe, tenho um novo objetivo a ser alcançado e isso está me tomando tempo e neurônios. Em breve, espero, terei novidades.

Segundo, esse título meio brega foi usado hoje em um exercício da escola e resolvi aproveitar: eu deveria criar um artigo sobre algum ponto turístico de Dublin e, então, escrevi sobre a minha última descoberta – o sensacional Dublin Castle.

História

Tudo começa com a invasão dos anglo-normandos, povo vindo da Inglaterra, no século 13. Eles chegam, arrasam com os vikings (que antes arrasaram com os celtas) e dominam tudo. Constroem uma fortaleza dentro de Dublin, toda murada e vigiada por guardas, para proteger o povo anglo-normando dos selvagens e pagãos vikings que ficaram de fora.

Em 1204, o Rei John oficialmente nomeia a área murada como o quartel general da Inglaterra na Irlanda. Nos séculos seguintes, é de lá que saem as decisões sobre as regras políticas, sociais e militares que regeriam a Irlanda por todo esse tempo.

Em 1648, um incêndio destruiu tudo – com exceção da Record Tower – e aproveitando para inovar, os ingleses construíram a versão atual, com cara de palácio e não de fortaleza. No século 18, a arquitetura e decoração do castelo foram aprimorados e boa parte da beleza que vemos hoje vem dessa época. Obrigada, Rainha Vitória!

O Dublin Castle também foi palco do Levante da Páscoa de 1916 (ou essa história está me perseguindo ou é uma das mais importantes mesmo). Ele foi um dos prédios públicos tomados pelos rebeldes – olha a ousadia dos caras!

E ele só teve a sua ocupação modificada com a independência de 1922 e a consequente saída da Inglaterra. Desde então, abriga a exposição que eu visitei, uma capela, uma biblioteca, além de apartamentos e salas utilizadas pelo governo.

Fatos Curiosos

Passeios com guias são sempre melhores, certo? Certíssimo. O guia que nos acompanhou era engraçado e não perdia a oportunidade de alfinetar os ingleses. Dei muita risada! Alguns fatos curiosos que descobri com ele:

– O Dublin Castle era a residência oficial do vice-rei da Inglaterra, ou seja, o braço do rei da Inglaterra na Irlanda. Era tradição esculpir a cabeça dos vice-reis na Royal Chapel. E eis que eles foram escupindo um, três, quinze, vinte e três cabeças, e mais, e o espaço foi ficando apertado… E não é que o último pedacinho disponível foi preenchido pela cabeça do último vice-rei? De acordo com o guia: “Parece que o tempo do domínio da Inglaterra foi medido pelo espaço disponível para as cabeças dos vice-reis na Royal Chapel”. O.O

– Na sala do trono, que o rei/rainha da Inglaterra ocupava ao visitar a Irlanda, há um trono enorme, e você se pergunta como é que os reis conseguiam subir. E então o guia conta que a Rainha Vitória precisou de um banquinho, criado especialmente para ela, para subir e apoiar os pés quando sentada, para que eles não balançassem.

– A arquitetura e design de quase tudo tem uma simbologia. E lá vai o guia explicando sobre o lustre magnífico localizado na sala do trono: “E podemos ver a rosa da Inglaterra, o cardo da Escócia e o trevo da Irlanda, representando o território do Reino Unido”. E eu pergunto: “What about Wales?”. E ele me responde: “Então, a Inglaterra não considerava – e cá entre nós, ainda não considera – o País de Gales como um reino sabe? Era mais como uma extensão de terra”. Ui!

E não é só isso!

Dentro da área do Dublin Castle está localizada a Chester Beatty Library and Gallery of Oriental Art, com uma coleção digna do prêmio de Melhor Museu Europeu de 2002. Por lá, você encontra pergaminhos e livros orientais raros (além de descobrir como eles eram feitos), estátuas de Budas, armaduras de samurais e muito mais, que não tivemos tempo de descobrir já que o nosso tour no Dublin Castle estava para começar. Bom, fica para um dos outros muitos sábados ensolarados (ou não) que ainda tenho pela frente =)

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P.S.: Saindo do Dublin Castle, passamos pelo Temple Bar – a região boêmia da cidade. E eis que um aroma de comida nos guia até uma feira de rua, com tudo quanto é tipo de comida, desde ostras a hamburguers! Não resistimos e comemos no mexicano (o Jésus foi no hamburguer – “I don’t quite like spicy food, you know?”), seguido por um inacreditável bolo fudge de chocolate, que eu sempre quis comer *____*

P.S.: Hoje comemoro quatro meses de namoro com o Carlos Roberto Sponteado, meu querido, minha alma gêmea. Sabe, mesmo longe ele está sempre comigo… Desde antes e para sempre. S2

Até mais!