Porque tamanho é documento sim

Hello!

Eu sempre falo bem dos lugares que visito aqui na Irlanda, não é? Das duas, uma: ou tudo é muito legal ou eu sou boba demais e vejo beleza em tudo. Bom, nesse final de semana, tive a comprovação de que acho que eu não sou boba, não senhor e que nem tudo é legal por aqui.

Já comentei que quase não resta muito mais de inédito para visitar aqui em Dublin. Então sobrou para o final o que é meio duvidoso mesmo. Mas resolvi dar uma chance, apesar de lá no fundo, eu ter as minhas dúvidas se os 8 euros da entrada valeriam a pena.

E lá vamos nós, eu, Marion, Aline, Yujin e Melissa, ao National Leprechaun Museum, Jervis Street, Dublin 1. Era uma tarde de domingo das mais preguiçosas e eu não queria ficar em casa de jeito nenhum. Tanto que topei ver o Museu dos Leprechauns ¬¬

[Leprechaun, para quem não conhece, é o famoso duende irlandês, de barba vermelha, roupa verde, da história do arco-íris e pote de ouro]

A proposta do museu é interessante, falar sobre a história desse e de outros personagens da mitologia irlandesa. Daria muito pano para manga, com muitas instalações legais, transformando em realidade essas lendas fantásticas! Falar sobre os Leprechauns, sobre as fadas, sobre as lendas dos celtas, ai, ai. Posso criar um projeto para uma versão 2.0 desse museu? >.<

Enfim, eles abordam muito pouco sobre o Leprechaun, fazendo mais piadas do que qualquer outra coisa. A guia só falou depois sobre as fadas, muito resumidamente, no “reino das fadas”, que não passava de uma sala com projeções luminosas na parede. Ela até contou uma lenda antiga irlandesa, mas de um jeito tão desbocado que, mesmo com o ambiente de floresta e os tocos de árvore pra gente sentar, não deu para entrar no clima.

A única coisa legal são os móveis gigantes (em uma parte da exposição em que “encolhemos magicamente” como diz a guia), porque é uma comédia ver o povo fazendo cada coisa para conseguir subir neles (incluindo a gente, claro) =X

É… Com esses 8 euros eu teria comprado umas 6 latas de Guinness, o que me faria ver vários Leprechauns e encontrar todos os potes de ouro escondidos na Irlanda =)

See you, lads!

Em contato com Deus e com a natureza

Olá!

Esse final de semana foi corrido, afinal correr (e andar) é o que eu mais faço por aqui. Mas consegui, surpreendentemente, conhecer quatro atrações incríveis, dentro e fora de Dublin. É, acho que vale a pena toda a correria =)

Sábado: em contato com Deus

Meu clássico passeio matinal foi direcionado para três atrações da área medieval de Dublin: St. Audoen’s Church, St. Patrick’s Cathedral e Marsh’s Library.

St. Audoen’s Church: a igreja mais antiga de Dublin

 

Ela foi erguida em 1.190 pelos anglo-normandos que chegaram em Dublin. No começo, era pequena e simples e, com o passar dos séculos, foi aumentando de tamanho, ganhando uma torre, ganhando sinos e ficando parecida com o que vemos hoje.

Por dentro, ela é bem simples e é dividida entre a exposição e a capela propriamente dita. Na verdade, parece mais um museu do que uma igreja de verdade.

Por dentro, temos alguns túmulos de gente importante para a igreja. Imagina o meu medo de entrar sozinha nesse lugar escuro e com esse túmulo aí? Olha, eu tive que ser muito corajosa para tirar a foto >.<

E, no lado de fora, temos a parte da igreja que está em ruínas, destruída pelo tempo e falta de conservação, o que não deixa de ser bonito.

E um lindo jardim que, infelizmente, é fechado para acesso ao público.


St. Patrick’s Cathedral: uma homenagem à altura

A catedral nacional do padroeiro da Irlanda, responsável por trazer o cristianismo para cá, merecia ser absurdamente estonteante, não é? É, e os irlandeses levaram isso em conta.

Sendo a maior igreja da Irlanda, ela foi construída no local onde diz-se que St. Patrick batizou fiéis em 450 d.C. O edifício original era uma capela de madeira, que só foi reconstruída em pedra em 1.192. Ao longo dos séculos, a catedral sofreu com negligência, incêndios e profanações, mas graças a Sir Benjamin Guinness (olha eles de novo!), ganhou uma grande restauração em 1860.

O edifício tem 91 metros de comprimento e uma torre com 43 metros de altura. É gigantesca! E é muito linda por dentro e por fora. Por dentro, temos túmulos de gente importante, memoriais, objetos históricos, vitrais incríveis, pisos de azulejos e mensagens bonitas.


Por fora, temos toda a sua imponência e o seu jardim, com tulipas, fontes, crianças, franceses almoçando e pássaros cantando. Maravilhoso =)

Eu gostei muito da catedral mas achei que tem pouco daquele ambiente austero e misterioso, que tanto gosto nas igrejas góticas. Acho que é pela presença dos muitos e muitos turistas que circulam por lá, tirando fotos e fazendo comentários em seus variados idiomas. Mas ainda quero voltar lá para assistir a uma missa quando, acredito, o passeio ficará completo.

Marsh’s Library: um tesouro secreto

Exatamente ao lado da St. Patrick’s Cathedral, temos a Marsh’s Library, a biblioteca pública mais antiga da Irlanda, erguida em 1701.

Seu acervo possui livros antiquíssimos, de valor histórico incalculável e é claro que não podemos nem chegar perto, nem fotografar e nem olhar com muita intensidade.

Mas os funcionários são muito simpáticos e adoram o Brasil e me encheram de perguntas sobre São Paulo, enquanto me mostravam onde estavam escondidos os seus tesouros.

Domingo: em contato com a natureza

Killiney: porque o Bono não é bobo e nem nada

Acontece que o pessoal da minha sala fez amizade com um irlandês muito gente boa, que teve paciência suficiente para guiar um grupo de brasileiros, espanhóis e russos morro acima para conhecer Killiney, cidade localizada a 20 minutos de trem de Dublin. God save Mark =)

Killiney é um vilarejo do litoral da Irlanda, com apenas 10 mil habitantes. A cidade não tem muitos atrativos como edifícios imponentes e pubs badalados, como a sua vizinha Dublin. Mas quem precisa disso quando se tem uma praia dessa?

Mesmo com água terrivelmente gelada, pedras que machucavam e areia que ficou no pé até o final do dia, foi incrível ter a sensação de estar em contato com o mar =)

A principal atração da cidade é o Killiney Park, fundado em em 1.887 em homenagem aos 50 anos de reinado da Rainha Vitória (sim, se chamava Vitoria Hill antes). Com bosques que parecem encantados (onde tivemos nosso piquenique), passarinhos cantando e vistas surpreendentes a cada curva, o barato do parque é subir o mais alto que você conseguir, para ter a melhor vista possível.

E chegando no topo, você é presenteado com paisagens como essas, emocionantes, maravilhosas, inacreditáveis. De um lado, se vê a praia e o mar. Do outro, se vê Dublin e as Wicklow Mountains ao fundo. Pra onde olhar primeiro?



O único inconveniente é o vento, que bagunça o cabelo nas fotos e te deixa com muito medo de cair nas pedras, porque ele é muito forte e te faz balançar. Assustador!

Ah, onde entra o Bono nisso tudo? Pois bem, deu para perceber que Killiney é um paraíso, certo? Então, muitos famosos e milionários tem casas, quero dizer, mansões por lá. Entre eles, Bono, The Edge, Enya e muitos outros. E o portão da casa do Bono é atração turística, com direito a milhares de mensagens de fãs gravados no portão =)

Para encerrar o dia, fomos andando até Dalkey (que já visitamos em outra oportunidade), tomar um belo pint e descansar as pernas. Fui de cerveja Ale Escocesa, outra indicação certeira do Mark. Tomara que ele continue mostrando tudo de melhor que da Irlanda pra gente ^^

See you!

Temple Bar: agora todas as quintas, sextas e sábados

Olá!

Pelo título do post, devem surgir as dúvidas: “Será que ela terminou com o Carlos Roberto, decidiu enfiar o pé na jaca e não sair mais dos pubs?”, “Será que ela virou alcoólatra de tanto beber Guinness e agora vai de pub em pub enchendo a cara?”. Não, não. Simplesmente, arrumei um emprego em um pub =)

Fachada da “firma” ^^

Mas não abandonei os meus bebês, já que estou cada vez mais apaixonada por eles e não consigo ficar cinco minutos sem dar um beijo em cada um. É um emprego para o final de semana à noite e é um pouco diferente. Eu sou promotora do pub (e sua balada no andar inferior) e meu papel é distribuir entradas VIPs para as pessoas nas ruas do Temple Bar, as trazendo para dentro do pub. É meio entediante e gelado, mas pratico meu inglês o tempo todo ^^

O roteiro é o seguinte:

– Chego, pego os cartões VIPs e começo a colocar um T no verso, para que eles saibam que fui eu quem coloquei as pessoas para dentro.

– Chega o Shane, meu parceiro, irlandês, de 19 anos, que parece o André Melo da Porto Seguro Cia. De Seguros Gerais, área de Comunicação Visual, e ele vai direto pegar as nossas jaquetas.

– Nos trocamos e vamos para a rua, onde ficamos em uma esquina estratégica, nos posicionando a alguns metros um do outro.

– E lá começamos a abordar as pessoas: “Free shot, free entry!”. Quando alguém se mostra interessado, complementamos: “To Havana Nightclub, do you know? It’s an amazing nightclub at Dame Street, 2 minutes on foot.” Se a pessoa ainda se mostra interessada, acrescentamos: “Let’s go Lads, I can take you there!”. E, se ganhamos a pessoa, a colocamos dentro da balada para garantir, o que ajuda a mostrar o nosso trabalho para o gerente.

– No caminho do Temple Bar até a Dame Street, sempre gosto de perguntar de onde as pessoas são, por curiosidade. E nessa já peguei gente da Polônia, Lituânia, Espanha, África do Sul, Austrália, França, Estados Unidos, Hungria e Irlanda. Quer jeito melhor para praticar o inglês?
É meio cansativo, reduz as minhas visitas noturnas a pubs a zero, mas estou gostando, melhora o meu inglês e ainda me dá dinheiro. Que beleza ^^

P.S.: Hoje eu vou atualizar todos os posts atrasados e vou me esforçar ao máximo para deixar o meu querido blog em dia. Obrigada.

St. Patrick’s Day

Olá!

Olha que orgulho, estou postando em dia \o/

Ontem foi o dia de St. Patrick, famoso padroeiro da Irlanda, que trouxe para cá o Cristianismo. Eu poderia dedicar este post à vida dele, à missão a que ele foi designado aqui e às lendas a respeito disso tudo. Mas, como a maioria das pessoas associa este dia não aos feitos de St. Patrick, mas sim a bebibas e bagunça, vamos falar do lado mais festivo da comemoração. Deixo os feitos de St. Patrick para outro dia, na ocasião da visita a sua incrível catedral (que estou louca para conhecer *_____*).

O dia em que todo mundo quer ser irlandês

Essa data (17 de março) já era comemorada pelos irlandeses desde o século X. Porém, apenas em 1600, é que se tornou reconhecida pela Igreja Católica. Em 1903, o governo reconheceu a data como um feriado público. A primeira parada aconteceu em 1931 e o primeiro festival apenas em 1996, com uma audiência de 430 mil pessoas. Em 1997, o festival durou três dias. Já em 2001, foi prestigiado por mais de 1,2 milhões de pessoas. Atualmente, a organização do evento leva mais de 18 meses para planejar o festival. Ou seja, nesta hora, já estão planejando o do próximo ano! o.O

Dias de pura festa!

Este ano, por causa do feriado bancário que é na segunda-feira, o festival durou quatro dias. E com programações para todos os gostos: música, dança, parada, exposições. Escolhi algumas coisas para fazer mas, como as mais legais aconteceriam no sábado – e competiriam com os pubs e bebidas, acabei perdendo.

A parada é o ponto alto do festival. O tema deste ano era “Explorando as maravilhas e curiosidades da ciência”, baseada em perguntas que as crianças sempre fazem: “O que faz a água mudar? Como a eletricidade é feita?” e as respostas das crianças de escolas de todo o país, mais malucas do que as próprias perguntas (Porque a gente sonha? “We dream because our brain is bored”. Como podemos dizer a idade de uma floresta? “If you go deep enough into the forest, which you probably won’t, you might find a talking bear or fox and they will tell you”), ajudaram a criar o conceito criativo da parada. Algumas empresas, de toda a Irlanda, ficaram responsáveis por responder a cada uma dessas perguntas em cada bloco da parada.

Para pegar a parada, saímos cedo de casa. No caminho, mesmo aqui em Palmerstown, você já via muitas pessoas e crianças de verde e laranja, carregando bandeirinhas, com os rostos pintados, com chapéis engraçados. Chegando no centro, começou a magia do negócio. Quem já foi em um show de rock deve imaginar do que estou falando. Sabe aquele momento em que o pessoal vai entrando no estádio, vestido de preto e com a camiseta da banda e você sente aquela energia, aquela empolgação, de todo mundo estar ali pelo mesmo objetivo? Pois bem, ontem foi assim, só que mais alegre. Afinal, estava todo mundo colorido e engraçado \o/

Não ficamos na rua principal, pois estava impossível de tão lotada. Fomos para a Damien Street, dica do professor Ciaran, uma rua secundária por onde a parada passa. Bem menos pessoas e eu consegui subir em um meio poste que estava na calçada e fiquei responsável pelo registro fotográfico do evento.

E demorou, só depois de umas duas horas que estávamos ali, é que os primeiros movimentos passaram. Começou com uma carruagem, com a filha do presidente lá dentro. Depois, um ônibus de dois andares com gente importante, talvez o próprio presidente estivesse lá, não consegui saber. Depois bandas de marchinha, uma graça. E logo vieram os blocos alegóricos. Lindos, criativos, teatrais. Adorei!


Depois da parada, decidimos que era hora de começar os trabalhos com as bebidas! Como a prefeitura já sabe como é, a venda de bebidas só foi liberada nos supermercados após as 16h, horário em que as famílias com crianças já teriam deixado a área central. Medida super sensata na minha opinião, já que o pessoal não estava para brincadeira ontem no quesito bebedeira.

Compramos as bebidas no supermercado (6 latas de Guinness – das quis bebi 4 = 2 litros – por 10 euros), fomos para a casa dos guris de Floripa e ficamos por lá, bebendo, conversando, cantando e tocando violão, ouvindo rock ‘n roll e David Gueta (que a Marcela insistia em colocar – “Gente, rock é música para quando estou sóbria! Quando estou bêbada, quero ouvir David Gueta!”). Foi muito legal. O pessoal é muito gente boa e é incrível você poder contar com pessoas que estão na mesma situação que você, compartilhar histórias, trocar informações. Adorei passar o St. Patrick’s Day com vocês e com a Guinness, guys =)

El logo começou a cantoria: “Pub, pub, pub, pub!” e decidimos que era hora do pub, finalmente. O centro já estava completamente mudado. Vários prédios estavam verdes “Olha, Aline! O GPO tá verde, vamos tirar foto! Eu adoro o GPO, seu lindo!”, havia sujeira nas ruas (que feio, pessoal!) e gente bêbada por todo o lado. Comemos no Mc Donald’s (rápido e barato) e saímos à procura de um Pub. E nada, tudo lotado, com 20 minutos de espera para entrar, seguranças mal educados “Aqui no Temple Bar tem mais de 20 pubs. Escolhe outro então, já que não quer esperar” e um frio dos diabos.

Achamos um que poderia acomodar a nossa pequena comitiva de quase 15 pessoas e entramos. Lotado, quente, gente bêbada dando vexame (tipo, a mulher estava com um vestido, sem calcinha e com tudo de fora, tenso). E o som era um eletrônico, meio pop e muito safado. Cara, onde estão os pubs de rock dessa cidade?

Não aguentamos muito, a ressaca começava a fazer efeito e decidimos que era hora de ir pra casa. Se fosse em São Paulo, pagaríamos uma fortuna por um táxi ou ficaríamos largadas em um canto, até os ônibus voltarem a circular. Mas aqui é Dublin, então conseguimos pegar o Night Bus, que passa de uma em uma hora e cobre os principais pontos da cidade. Ele é mais caro (5 euros), mas é uma salvação! Fiquei encantada =)

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E hoje, dá-lhe água para fazer a ressaca passar! Por enquanto, estamos descansando em casa, até que alguma inspiração divina ou mensagem surja, dizendo onde será a boa de hoje (afinal, amanhã é ferido = no classes!). A boa notícia do dia é que nos mudamos amanhã! Poder cozinhar, economizar em comida e condução e se sentir mais à vontade, não tem preço =)

Até!

Dos acontecimentos recentes

Hello, guys!

Mais uma vez, não cumpri o deadline dos posts. Mancada, eu sei. Mas vamos lá, vou me redimir agora com um relato completo dos acontecimentos dos últimos dias \o/

Quarta-feira, dia das surpresas boas

O dia começou com uma coisa que surpreendeu todo mundo na cidade: um belo sol, meio tímido, mas quentinho! Isso, dizem os nativos, é muito raro de acontecer. Decidimos então que estava na hora de conhecer outra famosa atração de Dublin: o St. Stephen’s Green Park.

Até 1664, quando finalmente foi murado, sua área era utilizada como pasto. No final do século XVIII, o entorno do parque se transformou em uma área muito valorizada, residência da alta sociedade de Dublin. Nesta época, foi decidido que o parque seria restrito para os moradores da região, um absurdo. Somente em 1877 é que o acesso ao público foi novamente liberado, graças ao apoio de ninguém menos que um dos membros da família Guinness, que arcou com os custos de redesenho do parque, que é mantido até hoje (sou fã desses caras).

O lugar é lindo e o legal é que a prefeitura faz o seu papel. Mal entramos na primavera e o parque já está todo florido, com flores recém-plantadas. Sensacional. Lá, você pode deitar na grama e ler um livro, pode sentar na grama e almoçar, pode deitar na grama e tirar um cochilo. Tem banquinhos e coretos também, mas o pessoal gosta mesmo é da grama, viu?

No meio do parque tem um lago maravilhoso, com milhares de patos, cisnes, pombas e outros pássaros que eu não sei identificar. E eles se deixam fotografar, filmar, alimentar, bem de pertinho. E eles voam em cima de você, se você der pãozinho. Sim, quase fomos atacadas >.<


Depois, fomos para o Natural History Museum. Eu nunca iria em museu desses (talvez apenas no de NY, que fiquei encantada após assistir o filme “Uma noite no Museu”). Mas, como estamos morando aqui e a entrada é de graça, decidimos ir. Ainda bem =)

O Museu funciona desde 1857, em um edifício pequeno, mas charmoso. O andar térreo abriga uma exposição com animais típicos da Irlanda (pássaros, mamíferos, peixes, insetos). Já o andar superior abriga uma exposição de animais do mundo (elefante, girafa, leões, hipopótamos absurdamente gigantes).

Bom, eu achei meio nojento ver alguns daqueles animais (em especial os insetos, as borboletas, os ratos e os frutos do mar). E achei meio triste ver aqueles animais assim, parados, em poses que os caras quisessem que eles ficassem (atacando, alimentando os filhotes, brigando), eternamente. Mas achei legal. Eu não me lembro de ter visto uma girafa, zebra ou elefante de perto, nas minhas idas ao zoológico na infância. Então, valeu para “conhecer” os bichinhos.

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Quinta-feira de cinzas

O dia começou com uma triste constatação, que me persegue até agora: o CAE (Certificate in Advanced English – Cambridge University) é um sonho distante para mim. Tivemos a prova e foi devastadora! Começou com um teste geral de 20 minutos, para eles saberem se vale a pena corrigir o restante da sua prova ou não. Logo depois, um agradável teste de 1 hora de Reading, com terríveis exercícios para ordenar parágrafos de textos. Como se não bastasse, mais 1 hora de General English, onde você tem a certeza de que deveria estar no nível básico e não no avançado. E, para finalizar, 40 minutos de Listening que, quando você menos percebe, acabou e você entendeu apenas 7,3% do que os diálogos diziam. É, bora estudar filha…

Para me animar um pouco, fomos conhecer mais de Dublin, um lugar que eu queria há tempos: o museu dentro do General Post Office, a sede dos correios da Irlanda. O prédio, além de possuir uma bela arquitetura e um porte magnífico (que se vê de longe), é ponto de encontro da galera (ah, nos encontramos amanhã às 14h no GPO, ok?) e ainda foi palco de um dos acontecimentos mais importantes da história da Irlanda Moderna: o Levante da Páscoa de 1916.

Esse foi o primeiro movimento mais concreto para a independência da Irlanda. Neste dia, os rebeldes tomaram o GPO e um dos líderes do movimento, Patrick Pearse, leu a Proclamação da República da Irlanda na escadaria. Os rebeldes ficaram por sete dias no GPO, mas o bombardeio do exército britânico os forçou a sair. Sim, o prédio ficou bem destruído. Sim, os 14 líderes do movimento foram presos, espancados e fuzilados. Mas foi ali que tudo começou. Depois disso, os caras viraram mártires e a população começou a apoiar mais a causa da independência, que veio finalmente em 1921.

Proclamação da República da Irlanda


Sexta-feira, pré St. Patricks Day

A sexta-feira começou chuvosa. E a preguiça de sair da cama reinava aqui em Woodfarm Acres, Palmerstown. Após o nosso habitual pão com Nutella no café da manhã, decidimos sair para comemorar o começo do St. Patrick’s Weekend (porque tem programação para todo o final de semana).

Fomos ao Irish Craft Beer, um festival de cerveja, com exposição de cervejeiros aqui da Irlanda, não tão famosos e talentosos quanto o Artur Guinness, mas bons também. Bebemos, comemos crepe de Nutella (é, o vício está foda) e conversamos com pessoas na mesa.

E depois resolvemos que era hora do Pub. Mas não queríamos Pubs tradicionais, que tocam aquelas músicas irlandesas (que eu adoro, vou deixar claro), mas sim algum que tocasse rock ‘n roll, poxa! E cadê que achamos? O Tony, nosso host-brother, fez uma lista de Pubs não turísticos pra gente, mas esquecemos em casa.

Por fim, acabamos em uma rua onde uma banda estava se apresentando ao ar livre (e frio), em comemoração ao St. Patrick’s Pre-Day. Pegamos os pints em um Pub e saímos para a rua, como todo mundo, para ver o show. Os caras mandam muito bem. Tem banjo, tem gaita, tem violoncelo. E o vocalista é muito doido. Adorei o som deles! Olha como eles são legais:


Cantamos, dançamos, bebemos. E, quando o show acabou, estávamos com dois copos na mão, longe do Pub e sem ninguém por perto. Pensamos: “A nossa honestidade é tanta assim?”. Decidimos que não e agora dois lindos copos de Pint (Guinness para mim, Heineken para ela) brilham em nossas prateleiras. ^^

Trançando as pernas e morrendo de fome, decidimos que era hora de passar no supermercado e abastecer as nossas reservas de comida, até o dia da mudança para o apartamento (nos próximos dias, a comida é por nossa conta – nada de jantinha da host-mother). Ótimo, tudo baratinho. Caixa self-service, super moderno. Mas esquecemos a sacola de pano, erro estúpido. Solução? Sair com os braços cheios de leite, macarrão, molho bolonhesa, guarda-chuva e Nutella pelas ruas-lotadas-de-pessoas-afora. Hilário, para não dizer humilhante =P

E foi isso.

Amanhã, o dia principal do St. Patrick’s Weekend. Chapéu verde comprado, unhas pintadas, despertador programado.

*_______*

See you!

Lovely day for a Guinness

Hi, folks!

Como eu comentei no último post, ontem foi o dia de visitar a Guinness Storehouse, exposição na fábrica da tão amada cerveja irlandesa. Esse foi o primeiro passeio completamente planejado e sabe de uma coisa? Foi SENSACIONAL *___________*

A magia começa nos arredores da fábrica, que é gigantesca. Ela não tem aquele porte moderno, ultra-high-power tecnológico que vemos nas fábricas e empresas por aí. Não, o muro é todo de tijolinhos, com plantas crescendo perto dos canos e tals. Você se sente voltando no tempo! E, ao chegar pertinho da entrada, você começa a sentir um cheiro muito bom, da fermentação da cerveja. Promissor não?

Muro de frente para o Liffey

Já perto da entrada da exposição

Mas, ao dar o primeiro passo para dentro, aquela impressão do passado, dos tijolinhos, das plantas nos canos some completamente. E você se sente no futuro, com todos aqueles painéis, escadas rolantes, luzes, equipamentos. Para onde olhar primeiro? Droga, como eu queria ter mais olhos e mais GB de memória no meu cérebro.

O prédio da exposição fica dentro da planta da enorme St. James’s Gate Brewery, fábrica adquirida por Arthur Guinness em 1759. Ele foi construído com a forma de um gigante pint que, se cheio, conteria mais de 14 milhões de pints (*____*). É a coisa mais incrível do mundo olhar do térreo para cima. Você realmente se sente dentro de um pint!

o/

Um pouco de história

Tudo começa quando Arthur Guinness (nascido em 1725, em uma família com tradição na arte da cerveja) ganha uma herança de seu padrinho, o Arcebispo Price. Com esse dinheiro, ele assina um contrato de aluguel de 9.000 anos pela St. James’s Gate Brewery, uma fábrica de cerveja falida em Dublin. Dá para acreditar na fé que ele já tinha na capacidade dele?

Contrato de 9.000 anos assinado por Arthur Guinness

No começo, ele produzia ale e stout (antes chamada de porter). Mas a stout fez tanto sucesso logo de cara, que ele deixou de produzir a ale. E, em apenas 10 anos, ele já estava exportando barris e mais barris da sua cerveja para a Inglaterra. Gênio, não?

Tem uma história engraçada por lá, que diz que o prefeito da cidade ameaçou interromper o fornecimento de água para a fábrica da Guinness, porque eles estavam consumindo mais do que era permitido. E o querido Arthur disse que, se fosse preciso, ele defenderia a fábrica com a força e pegou uma picareta para enfrentar os invasores. Felizmente, nenhum confronto foi necessário e eles fizeram um acordo, aumentando a cota de água.

Ele é o quinto ingrediente =)

Arthur morre em 1803, mas seu filho Arthur II assume os negócios e o sucesso da cerveja continua. Em 1815, eles começam a exportar para Lisboa. Em 1840, para Nova York. Em 1858, sob o comando de Sir Benjamin Lee (filho de Arthur II), eles exportam para a Nova Zelândia. Em 1870, 10% da cerveja já é vendida em outros países. Agora, sob o comando de Edward Cecil (filho de Sir Benjamin), a fábrica dobra de tamanho. Ele também foi famoso por todas as obras de caridade que fez com o dinheiro da empresa. Rupert Guinness sucede o pai e agora mais de 2 milhões de pints de Guinness são vendidos por dia. Surge o primeiro slogan da Guinness (Guinness is good for you). Anos depois, fábricas começam a ser inauguradas em vários lugares do mundo. E, hoje, 10 milhões de pints são consumidos por dia, em mais de 150 países. Mais sucesso, impossível.

Os ingredientes

Eles não fazem segredo sobre os ingredientes, pelo contrário, deixam tudo BEM exposto (e bota bem exposto nisso!). São espaços interativos e conceituais, que mostram os ingredientes ao vivo e a cores, com aroma, textura, explicações. E os ingredientes são: barley (trigo), hops (lúpulo), water (vinda das montanhas de Wicklow) e yeast (fermento, que diz a lenda que descende desde a primeira leva que o próprio Arthur fez).

Barley

Hops

Water

Yeast que o próprio Guinness fez

As etapas

A exposição continua e, à medida que você vai conhecendo as etapas da produção, vai subindo escadas e avançando para o topo do grande pint. As etapas são milling (moer o trigo), mashing (mexer o trigo moído com água quente), filtering (filtrar a mistura, tirando os grãos que não serão mais necessários), boiling (acrescentar o lúpulo e trigo tostado – que dá a cor escura à Guinness e ferver tudo), fermentation (o fermento mágico do Arthur entra em ação, convertendo o açúcar em álcool em alguns dias), maturation (deixar toda a mistura descansar) e packaging (a cerveja é acondicionada em barris e o nitrogênio é adicionado para que, quando o pint for tirado, a cremosidade seja garantida por suas bolhas).

Painéis demonstram o que acontece dentro dos equipamentos

Indeed =)

De Dublin para o mundo

Em outro andar, podemos conferir uma exposição dos navios que foram construídos para exportar a Guinness, todos os com os nomes das mães e esposas dos descendentes de Arthur. Romântico =)

Podemos também ver um vídeo muito interessante sobre como os barris de madeira eram fabricados, na raça e na mão do artesão. É hipnotizante, todo mundo para e olha!

My Godness, my Guinness

Depois, temos uma exposição dedicada a toda a publicidade da Guinness, desde os rótulos das garrafas aos anúncios, slogans, comerciais. Para os publicitários de plantão, é um prato cheio!

Ilustras eram usadas nos primeiros anúncios

Gravity Bar

Por último, você pode degustar um pint de Guinness na faixa no Gravity Bar, o último andar do pint gigante, com paredes de vidro que permitem que você tenha uma vista de 360 graus de Dublin. De tirar o fôlego.

Cheers!

E eu entendi porque o bar se chama assim, após o meu pint e meio (porque a Aline dividiu o dela comigo e com o Miguel). Sabe, a cerveja vai fazendo efeito e, se você sentar bem perto do vidro, vai se sentir flutuando, como se não houvesse gravidade. Foi como disse o Miguel, quando comentei com ele essa sensação que estava sentindo: “Haha, como os astronautas!”. Inesquecível!

Por último, passamos na lojinha e compramos alguns souvenirs para lembrar para sempre da incrível experiência que tivemos. Porque essa não é uma mera exposição, é uma experiência que eles proporcionam ao consumidor. Isso é Marketing 3.0 e eles estão de parabéns pela inovação, tecnologia, site, folhetos e pelos produtos incríveis que possuem com a marca Guinness. Poxa, como eu queria trabalhar lá =(

O blusão é meu. Quem adivinha para quem é a bolinha de Rugby? s2

A volta para casa foi divertida e tranquila, mesmo após quase 3 horas de andanças. É como dizia um dos antigos anúncios deles: “Guinness for Strengh” =)

Thank you, Arthur!

P.S.: O passeio custou 10.60 euros, mas tivemos desconto graças a nossa querida carteirinha de estudante do Trinity College. Olha só, ela custou 15 euros, mas já economizei 4 ontem na Guinness Store. Logo menos, ela estará paga, só com os descontos =)

P.S.: Hoje, domingão, foi dia de enviar curriculuns, organizar o quarto, as contas e postar no blog. Acreditam que não botamos o nariz para fora? o.O

Desbravando Dublin – Norte do Liffey

Dublin, como a maioria das cidades européias, é cortada por um rio – o Liffey. Ele nasce em uma montanha no condado de Wicklow e percorre cerca de 125 Km pelos condados de Wicklow, Kildare e Dublin, antes de desaguar no mar da Irlanda.

Rio Liffey, visto da O'Connell Bridge

Sendo assim, uma forma eficiente de conhecer a cidade (e que eu pretendo usar) é se basear pela divisão que o rio proporciona. Então, vou sempre usar essa divisão para me referir à localidade que desbravei.

E comecemos pelo Norte do Liffey =)

O marco inicial dessa região é a O’Connell Street, a mais famosa avenida de Dublin. Ela foi concebida para ser uma área residencial, no projeto do aristocata irlandês Luke Gardiner, que a idealizou em meados do século 18. Mas com a construção da Carlisle Bridge, hoje O’Connell Bridge, o plano foi por água a baixo, já que isso transformou a avenida na principal ligação norte-sul da cidade, trazendo movimento, comércio e bagunça.

O' Connell Brigde

Ela foi palco de grandes acontecimentos políticos também. Foi aqui que aconteceram as batalhas do Levante da Páscoa, em 1916, o primeiro movimento concreto dos irlandeses pela independência. Muitos de seus edifícios foram destruídos nestas batalhas.

Hoje, ela (juntamente com os seus arredores) é um grande centro de compras e entretenimento, com lojas, restaurantes, cinemas e teatros. É incrível andar por seu largo calçadão, cheio de árvores peladas, prédios fascinantes, lojas sedutoras e pessoas correndo pra lá e pra cá. Passamos por ela todos os dias, já que a nossa escola fica por ali =)

Foto com grafismos naturais =P

Com relação a monumentos, a O’Connell Street tem vários interessantes. Começando pelo monumento a Daniel O’Connell, que dá o nome à avenida, um grande político e herói nacional responsável pela defesa e conquista da emancipação dos católicos, que sofriam oprimidos e sem direitos civis no país. A estátua possui o O’Connell no topo, cercado por quatro figuras ao seu redor, representando o patriotismo, coragem, eloqüência e fidelidade.

Monumento a Daniel O'Connell

Logo após (e muito antes, depois e dos lados), podemos ver o Spire, uma grande agulha de aço com 120 metros de altura. Seu nome oficial é o Monumento da Luz e foi concebido no plano de revitalização da O’Connell Street, que aconteceu no final dos anos 90. Ele é considerado a maior escultura do mundo e muda de cor durante o dia, de acordo com a intensidade do sol. Por enquanto, só a vimos com bastante sol. Mas parece que, ao anoitecer, ele vai ficando meio rosado e, à noite, fica completamente iluminado =)

The Spire of Dublin

Sabe, eu sou meio contra esse tipo de instalações modernas em cidades tipicamente clássicas e antigas. Mas tenho que admitir que o Spire me conquistou. É absolutamente incrível chegar bem pertinho dele e olhar para cima. Parece que ele não termina nunca! Você tem a impressão de que ele é infinito!

Ao infinito e além =)

Em uma das suas ruas adjacentes, a Henry Street (que eu adoro, pois tem inúmeras lojas e restaurantes fofos), temos uma estátua do James Joyce, um dos grandes escritores irlandeses, autor de Dublinenses e Ulisses. É muito simpática a estátua, dá vontade de abraçar!

Nos arredores da O’Connell Street, temos inúmeros edifícios históricos. Ainda não vimos todos, começamos por aqueles que são gratuitos. O primeiro que vimos foi o Rotunda Hospital, a primeira maternidade criada na Europa para este fim. O prédio é lindo e diz-se que a capela possui vitrais maravilhosos. Não conseguimos entrar neste dia, mas eu ainda verei esses vitrais, ah verei. Atualizo vocês =)

Rotunda Hospital

Em frente ao Rotunda Hospital, temos o Conway’s Pub, que alega ser o mais antigo de Dublin (já pesquisei e vi que não é, não senhor). Mas o interessante é que os pais geralmente ficavam neste pub para esperar suas mulheres terem os bebês. Dá para acreditar?

Mentira!

A última parada do dia foi a St. Mary’s Pro-Cathedral, uma das poucas igrejas católicas que os protestantes se dignaram a construir no século 17. O projeto é do arquiteto Sir William Robinson e um fato interessante é que o Arthur Guinness (sim, ele mesmo, o criador da amada cerveja) se casou ali em 1761.

Fachada simples, se comparada a outras catedrais por aí...

Ela é pequena e bem modesta por fora (sabe como é, os católicos não eram populares naquela época), mas o seu interior é surpreendente. Acima do altar, podemos encontrar um relevo em gesso que representa A Ascensão de Cristo. Como toda igreja católica europeia, o ambiente é austero e silencioso. Mas eu curto, parece que você está voltando no tempo =)

A Ascensão de Cristo

Voltando para casa, sempre passamos por um outro ponto interessante, a Ha’Penny Bridge. Ela foi construída por John Windsor, um serralheiro da Inglaterra, em 1816. Antes dela, as pessoas tinham que fazer esse trajeto via balsa, que era cobrado. E, sendo assim, a travessia por ela também passou a ser cobrada (até 1919), no valor de half penny (meio centavo) – ha’penny – que deu origem ao nome dela. Ela é super romântica e você pode observar o Liffey e o por do sol de lá, com uma vista inesquecível!

Venta MUITO aqui!

Ufa. Acho que fique mais cansada de escrever tudo isso, do que de bater as pernas por todos esses lugares >.<

Mas ainda não terminou, temos muito a ver no Norte do Liffey. E ainda tem o sul, o leste, o oeste…. Hey Dublin, aqui vamos nós =D

P.S.: Amanhã, visita programada à fábrica da Guinness *_______________*