Eden School of English

Olá!

Já estava mais do que na hora de falar sobre o lugar onde gasto 4 horas dos meus dias, pela manhã, de segunda a quinta-feira. Sim, sim, com vocês a Eden School of English!

Quando fui fechar o intercâmbio, estava muito preocupada com a questão da escola. Queria um nível bom de ensino, porque o meu inglês já era avançado e eu estava acostumada com uma escola-muito-boa-que-eu-adoro-pra-caralho, a Cultura Inglesa.

Então, segui o conselho da Educnet – a agência que eu fechei – e me matriculei na Eden School of English, uma escola pequena mas com bom ensino e uma promessa de menos brasileiros.

A escolha foi acertada. À primeira vista, pode ser que a Eden não passe uma boa impressão, por conta do prédio antigo e estrutura meio “caseira”. Mas, em termos de ensino, não deixa dúvidas, pelo menos para o meu nível de inglês.

As aulas do Upper-Intermediate são diferentes do resto da escola. Como já temos uma base muito boa de gramática, não perdemos tempo com isso, apenas em revisões ocasionais. Nossas aulas são programadas para melhorar o inglês que já temos, baseado nos pilares de reading (textos quase científicos), listening (enormes, complicados, com sotaques diferentes), writing (lidando com improviso, rimas, vocabulário novo) e gramática avançada (phrasal verbs, principalmente). O material didático é fornecido pela escola, cópias xerocadas de exercícios de livros, para não termos que gastar com isso.

Sobre a questão das nacionalidades da sala, não posso reclamar. Sim, a maioria são brasileiros (7), mas temos russos (3), espanhóis (4), chilenos (1), uruguaios (1) e botswanos (1). Dá uma boa troca de informações culturais, políticas, sociais e gastronômicas =)

O meu professor é o Ciaran, que também é diretor e fundador da escola. Ele é irlandês, tem muita paciência para ensinar e é muito bem humorado. Ele faz toda a diferença nas aulas e sou muito satisfeita com a didática dele ^^

Uma coisa que me deixou feliz e que eu não sabia que encontraria na Eden, são os testes preparatórios para os exames de proficiência de Cambridge e IELTS. Eles são o sonho de todo estudante da língua inglesa e são muito valorizados em faculdades e no mercado de trabalho.

O IELTS é mais fácil, tanto pelo nível da prova, como pelo fato de que você tem o certificado de qualquer jeito, tendo tirado nota boa ou não. Você pode dizer: “Ah, eu tenho 4 pontos no IELTS” e está ok. A desvantagem é que ele só é válido por dois anos.

Já o Cambridge é difícil pra burro! A prova é extensa, cansativa, os examinadores são durões. E é assim, se não atingiu a nota mínima, sem certificado. Mas ele é pra vida toda! No meu nível, o certificado ideal é o CAE (Certificate of Advanced English), mas não tenho expectativas de prestar o exame aqui. Terei que voltar para o Brasil, me matricular na Cultura Inglesa novamente para um curso preparatório e estudar muito. Pra quê? Porque isso pode me conseguir um emprego muito bom em uma multinacional e porque é meu sonho desde que comecei a estudar inglês s2

Então, a cada três meses, as instituições mandam as provas para a Eden e fazemos revisões e as provas. Não vale o certificado, mesmo se tirarmos a nota máxima, porque é como se você prestasse o vestibular como treineiro. Mas ajuda muito para saber como está o seu nível e para desmistificar aquele medo do exame que todo mundo tem =S

Logo nas minhas primeiras semanas, eu fiz os dois testes. Tirei 7,5 no IELTS (o máximo é 9) e 55% no Cambridge (o mínimo é 60%). Estamos fazendo novamente agora – 3 meses depois – e vai ser legal comparar a nota, para ver a evolução [ou não – caso para suícidio no Rio Liffey].

E, quase nunca – só quando o tempo ajuda – temos umas aulas diferentes, em pontos turísticos aqui de Dublin. Essa foto aí é da aula que tivemos no jardim do Dublin Castle, no primeiro dia de sol do verão ^^

Em três meses de aula, posso dizer que meu inglês melhorou muito! Claro, o trabalho e a vivência do dia a dia ajudam demais também. Mas a escola é o principal, de onde vem toda a preparação e conceito para a prática de depois da aula. Estou feliz com o resultado!

Até mais!

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Commuting 1: de casa para a escola

Commuting, by Oxford Dictionary: a regular journey to and from a place of work or study.

Olá!

Vou apresentar a vocês os meus caminhos de todos os dias, tanto para a escola, como para o trabalho 1 e trabalho 2. Apresentarei as ruas, as curiosidades, o que me chama a atenção e me distrai nesses mais de 60 km semanais de commuting.

E comecemos pelo caminho de casa para a escola!

1) Porta do meu prédio (*___*) e pedaço da janela do meu quarto à esquerda.

2) Vista da porta de casa – Mountjoy Square – o nosso jardim, por assim dizer ^^

3) Chegando na Gardiner Street Lower, uma beleza para descer, um martírio para subir. Do outro lado da rua sempre há cartazes de filmes, shows e concertos, que eu adoro ficar olhando =)


4) Cruzamento da Gardiner Street Lower com a Parnel Street, no farol que demora 43 minutos para abrir, sempre que estou atrasada  ¬¬

5) Entrando na Parneel Street, avenida importante aqui em Dublin. No detalhe, ciclovia e ciclistas, sempre presentes ^^

6) Mas essa é a parte “Chinatown” da Parnel Street, com muitas lojinhas chinesas de comida, eletrônicos e demais artigos suspeitos. o.O

7) Virando à esquerda na Malborough Street, compriiiiida rua =)

8) Temos uma grande empresa aqui, com engravatados pela manhã. Temos um supermercado Centra, com cheiro bom na hora do almoço. Temos a St. Mary’s Pro-Cathedral, que eu já visitei. Temos o departamento de educação e habilidades.

9) Passando pela Talbot Street, com a visão incrível do Spire – assim, logo cedo s2

10) E passamos também pela Abbey Street, uma das ruas por onde o LUAS (rápido, em gaélico) passa. Por aqui, eu sempre pego o meu jornalzinho Metro, na faixa ^^

11) E, finalmente, chegamos ao Rio Liffey! Virando à esquerda, estamos na Eden Quay – rua da minha escola. Sim, eles estão construindo uma nova ponte, o que atrapalha a paisagem e as aulas de listening ¬¬

12) Os tipos estranhos na foto são os famosos Nackers (ou trouble-makers, como o Ciaran ensinou que é o jeito educado de dizer). Alguns dizem que são desempregados, outros que são vagabundos e drogados, outros que são ladrões. Não sei o que dizer, mas só sei que eles quase sempre usam roupas e tênis de esporte. Engraçado, né? Sim, mas não olhe com força para eles – sejam homens, mulheres ou crianças – e guarde o celular e demais dispositivos eletrônicos na bolsa e segure a alça com força, quando passar por um grupo como esse. >.<

13) Finalmente, chegando na Eden School of English, local das minhas aulas diárias de inglês.

See you!

Em contato com Deus e com a natureza

Olá!

Esse final de semana foi corrido, afinal correr (e andar) é o que eu mais faço por aqui. Mas consegui, surpreendentemente, conhecer quatro atrações incríveis, dentro e fora de Dublin. É, acho que vale a pena toda a correria =)

Sábado: em contato com Deus

Meu clássico passeio matinal foi direcionado para três atrações da área medieval de Dublin: St. Audoen’s Church, St. Patrick’s Cathedral e Marsh’s Library.

St. Audoen’s Church: a igreja mais antiga de Dublin

 

Ela foi erguida em 1.190 pelos anglo-normandos que chegaram em Dublin. No começo, era pequena e simples e, com o passar dos séculos, foi aumentando de tamanho, ganhando uma torre, ganhando sinos e ficando parecida com o que vemos hoje.

Por dentro, ela é bem simples e é dividida entre a exposição e a capela propriamente dita. Na verdade, parece mais um museu do que uma igreja de verdade.

Por dentro, temos alguns túmulos de gente importante para a igreja. Imagina o meu medo de entrar sozinha nesse lugar escuro e com esse túmulo aí? Olha, eu tive que ser muito corajosa para tirar a foto >.<

E, no lado de fora, temos a parte da igreja que está em ruínas, destruída pelo tempo e falta de conservação, o que não deixa de ser bonito.

E um lindo jardim que, infelizmente, é fechado para acesso ao público.


St. Patrick’s Cathedral: uma homenagem à altura

A catedral nacional do padroeiro da Irlanda, responsável por trazer o cristianismo para cá, merecia ser absurdamente estonteante, não é? É, e os irlandeses levaram isso em conta.

Sendo a maior igreja da Irlanda, ela foi construída no local onde diz-se que St. Patrick batizou fiéis em 450 d.C. O edifício original era uma capela de madeira, que só foi reconstruída em pedra em 1.192. Ao longo dos séculos, a catedral sofreu com negligência, incêndios e profanações, mas graças a Sir Benjamin Guinness (olha eles de novo!), ganhou uma grande restauração em 1860.

O edifício tem 91 metros de comprimento e uma torre com 43 metros de altura. É gigantesca! E é muito linda por dentro e por fora. Por dentro, temos túmulos de gente importante, memoriais, objetos históricos, vitrais incríveis, pisos de azulejos e mensagens bonitas.


Por fora, temos toda a sua imponência e o seu jardim, com tulipas, fontes, crianças, franceses almoçando e pássaros cantando. Maravilhoso =)

Eu gostei muito da catedral mas achei que tem pouco daquele ambiente austero e misterioso, que tanto gosto nas igrejas góticas. Acho que é pela presença dos muitos e muitos turistas que circulam por lá, tirando fotos e fazendo comentários em seus variados idiomas. Mas ainda quero voltar lá para assistir a uma missa quando, acredito, o passeio ficará completo.

Marsh’s Library: um tesouro secreto

Exatamente ao lado da St. Patrick’s Cathedral, temos a Marsh’s Library, a biblioteca pública mais antiga da Irlanda, erguida em 1701.

Seu acervo possui livros antiquíssimos, de valor histórico incalculável e é claro que não podemos nem chegar perto, nem fotografar e nem olhar com muita intensidade.

Mas os funcionários são muito simpáticos e adoram o Brasil e me encheram de perguntas sobre São Paulo, enquanto me mostravam onde estavam escondidos os seus tesouros.

Domingo: em contato com a natureza

Killiney: porque o Bono não é bobo e nem nada

Acontece que o pessoal da minha sala fez amizade com um irlandês muito gente boa, que teve paciência suficiente para guiar um grupo de brasileiros, espanhóis e russos morro acima para conhecer Killiney, cidade localizada a 20 minutos de trem de Dublin. God save Mark =)

Killiney é um vilarejo do litoral da Irlanda, com apenas 10 mil habitantes. A cidade não tem muitos atrativos como edifícios imponentes e pubs badalados, como a sua vizinha Dublin. Mas quem precisa disso quando se tem uma praia dessa?

Mesmo com água terrivelmente gelada, pedras que machucavam e areia que ficou no pé até o final do dia, foi incrível ter a sensação de estar em contato com o mar =)

A principal atração da cidade é o Killiney Park, fundado em em 1.887 em homenagem aos 50 anos de reinado da Rainha Vitória (sim, se chamava Vitoria Hill antes). Com bosques que parecem encantados (onde tivemos nosso piquenique), passarinhos cantando e vistas surpreendentes a cada curva, o barato do parque é subir o mais alto que você conseguir, para ter a melhor vista possível.

E chegando no topo, você é presenteado com paisagens como essas, emocionantes, maravilhosas, inacreditáveis. De um lado, se vê a praia e o mar. Do outro, se vê Dublin e as Wicklow Mountains ao fundo. Pra onde olhar primeiro?



O único inconveniente é o vento, que bagunça o cabelo nas fotos e te deixa com muito medo de cair nas pedras, porque ele é muito forte e te faz balançar. Assustador!

Ah, onde entra o Bono nisso tudo? Pois bem, deu para perceber que Killiney é um paraíso, certo? Então, muitos famosos e milionários tem casas, quero dizer, mansões por lá. Entre eles, Bono, The Edge, Enya e muitos outros. E o portão da casa do Bono é atração turística, com direito a milhares de mensagens de fãs gravados no portão =)

Para encerrar o dia, fomos andando até Dalkey (que já visitamos em outra oportunidade), tomar um belo pint e descansar as pernas. Fui de cerveja Ale Escocesa, outra indicação certeira do Mark. Tomara que ele continue mostrando tudo de melhor que da Irlanda pra gente ^^

See you!

Resumo do final de semana

Hello!

Eu sei, eu sei… Mais uma vez me embananei com as datas e as coisas a fazer e deixei o blog de lado. A semana foi uma loucura, com direito a virose fulminante no meio da semana (aham, peguei dos bebês >.<) e uma novidade que só vou contar depois =)

Mas, como o título promete, vamos ao resumão do final de semana!

City Hall, cuja beleza não pode ser expressada em palavras

[Essa frase não é minha, mas sim de algum apreciador de arquitetura, do ano 1779. Estava exposta por lá e eu adorei ^^]

O City Hall foi erguido em 1779 e, desde então, funciona como local de reunião do conselho municipal de Dublin. Tudo bem, isso não muita tem graça. A graça está, na verdade, na arquitetura do prédio – exterior (em estilo coríntio, imponente, que se vê de longe – pelo Liffey ou pela Dame Street) e interior (o teto, o chão, as paredes, tudo maravilhosamente decorado).

E lá estou eu, em uma manhã ensolarada mas gelada de sábado, entrando no City Hall. À minha primeira visão do interior do prédio, me surge um sorriso incontrolável no rosto e eu finalmente descubro qual é a coisa que eu mais gosto na Europa. TETOS.

Sim, tetos amplamente decorados, sem um pedaço de parede em branco, com afrescos, lustres, relevos em gesso, espelhos. Eu fico tonta, sem ar, com dor no pescoço, extasiada. Como esses caras eram criativos e perfeccionistas! Depois dessa constatação, tomei uma decisão importante: quando eu tiver a minha casa, terei um teto decorado e ponto. (Decisão já comunicada ao meu namorado, para o caso de que ele queira desistir agora >.<)

Mas o City Hall não tem só isso: o andar inferior abriga uma exposição sobre a história de Dublin, dividida entre as fases Medieval, Georgiana e Moderna. Por lá, muitos fatos e objetos interessantes, como essa caixa de madeira que guardava o selo da cidade – uma matriz em ouro que emprestava a sua forma à vela derretida que era usada para oficializar documentos importantes. O legal é que ela tem seis fechaduras e só abre se as seis forem acionadas ao mesmo tempo. Na época, cada chave ficava com um dos conselheiros da cidade.

Outra coisa INCRÍVEL é essa carta – escrita de próprio punho por um rei da Inglaterra (não lembro quem era agora =/) – legalizando a conquista da cidade, após a derrota dos vikings. Porra, esse negócio foi escrito por um rei da Inglaterra há mais de mil anos atrás. Dá para acreditar?


Temple Bar Food Market, com o aroma que você sente de longe

Como eu já comentei na semana passada, descobri essa deliciosa feira de comida no Temple Bar, a região boêmia de Dublin. Ela ocorre todos os sábados e reúne barracas de queijo, ostras, comida mexicana, japonesa, de fazenda típica irlandesa, salsichas, temperos, legumes orgânicos, doces, crepes… Sim, eu levo uma meia hora para decidir o que comprar.


Dei uma passadinha por lá para comprar um docinho, pois tentarei estabelecer a meta de comer uma coisa diferente da feira em cada sábado. Hum, o doce em questão era um pão de iogurte e amoras. Não estava espetacular, mas era gostoso ^^

Internacional Food Party, onde você come até cair

Já fazia um tempo que queríamos (eu + meus amigos da escola) organizar uma festa internacional de comida, cada um representando o seu país na cozinha. E, finalmente, após milhares de mensagens no Facebook, lista rolando na sala e 5 euros de cada um, a festa aconteceu, na tão famosa casa dos guris de Floripa!

Tinha umas 20 pessoas por lá, brasileiros, espanhóis, russos, irlandeses, um uruguaio e uma africana. O cardápio foi:

– Borsh (sopa russa com beterraba e carne), por Lana e Ksenia
– Panquecas com leite condensado, por Masha
– Bolo de milho salgado e batatas assadas, por Mark
– Omelete espanhol (omelete feito de batatas), por Jose e Ivana
– Feijoada, por Marquinhos e Matheus
– Brigadeiro, por Fabrícia

É incrível poder trocar experiências com pessoas de países diferentes, aprender receitas, danças, idiomas. Sabe, muito além de aprender inglês, estou amando aprender coisas sobre a Rússia, Espanha, França, Coréia do Sul, Colômbia, Uruguai, Botswana e Florianópolis (>.<). É algo que não esperava encontrar e que está fazendo toda a diferença.

P.S.: Esqueci de levar a minha máquina para a food party. Burra, eu sei. Então, estou no aguardo das pessoas postarem as fotos no Facebook, para que eu possa compartilhá-las por aqui.

P.S: Já comentei meu novo vício, que está ganhando da Nutella fajuta? The Big Bang Theory. Todo dia, no mínimo, dois episódios antes de dormir. Senão o dia não fica completo s2

See you!

Balanço do primeiro mês

Hello!

Vocês tem ideia de que um mês já se foi? Eu não. Não consigo acreditar, não pode ser possível. Tudo foi tão rápido, tão intenso, tão diferente, que parece que foi ontem que eu cheguei aqui.

Assim, eu preciso recapitular, preciso descrever e organizar tudo o que aconteceu, para que eu consiga ver que é de verdade. Dedico esse post então a isso, ao balanço do primeiro mês de intercâmbio, um dos meses mais loucos da minha vida!

1. A separação

Lembro de ficar pensando durante o voo em como isso tudo parecia inconsistente. Eu estava indo para o desconhecido, para uma incerteza. Parecia que o avião não cruzava o Oceano Atlântico, mas sim estava saindo do meu mundo e me levando para uma outra dimensão. E eu ainda sentia a dor da separação daqueles que amo – tão recente – latejando. Foi muito difícil entrar na porta que me levaria para esse outro mundo, deixando todo o meu mundo para trás.

2. A agilidade

Logo fui obrigada a deixar tudo isso para trás, pois tive que sobreviver e mostrar para o que vim. E passei na imigração, com funcionários mal educados. E briguei com a companhia aérea que deixou minhas malas em outro país. E descobri como chegar no lar provisório. E descobri qual ônibus pegar para ir à escola. E fui à órgãos do governo para tirar a documentação. E, fazendo tudo isso, eu ainda estava boba, perdida, sem saber onde estava quando acordava.

3. O idioma

Estar aqui não é como estar na aula de inglês que, quando eu não estava a fim de falar, podia ficar enrolando até o professor chegar perto e só então engatar uma conversa qualquer. Aqui ou vai, ou não vai. E foi, logo de cara, melhor do que eu esperava. Peguei o nível máximo na escola, conseguia me comunicar com as pessoas na rua e pedir informações. E ele vai indo, cada dia melhor, se tornando mais fácil e natural.

4. Lar, doce lar

De longe, a parte mais difícil até agora, com a primeira crise de desespero profundo. Mas deu certo. Depois de duas semanas na casa da host-family, mais host do que family, encontramos o nosso lar, tão doce como eu esperava que fosse. E as flatmates se mostraram as melhores possíveis, mesmo com peixes que cheiram mal e louças mal lavadas. Como é bom sentar no sofá e bater um papo sobre como é a vida, o desemprego e o custo do supermercado na França, na Coréia do Sul, no Brasil e na Alemanha. Estou feliz aqui, me sentindo em casa.

5. O batente

E antes do que eu esperava, antes da média nas estatísticas de intercâmbio, eu consigo um emprego. Juro que não sei direito como, só coloquei o anúncio certo, no site certo, na hora certa e a pessoa certa gostou. É difícil, tem que ter muita paciência e nenhum nojo para trocar as fraldas. Mas eu vim em busca de coisas diferentes e hoje passo as minhas tardes cantando e dançando “the wheels on the bus”. Tem job melhor que esse?

6. As primeiras descobertas

E com todas essas coisas práticas, fica muito difícil se concentrar no ambiente à sua volta. Porque eu não sou simples assim, que só olha, tira a foto e pronto, conheceu o lugar. Ah, não. Eu tenho que analisar, tenho que ficar parada olhando, tenho que sentir, tenho que me emocionar. Eu sou assim e gosto de ser assim, por mais complicado que seja.

Mas agora, com as coisas vitais encaminhadas, dinheirinho entrando na conta toda semana, GNIB na carteira, um lar para onde voltar e feijão cozido na geladeira, eu começo a ter uma noção de onde estou.

E onde estou? Em uma cidade absurdamente cheia de história e lendas sobre vikings, celtas e reis. Em uma cidade cheia de gente de tudo que é lugar no mundo. Em uma cidade com coisas bonitas em todos os cantos, desde prédios monumentais com salões ornamentados aos canteiros de flores na praça em frente ao meu apartamento. Em uma cidade com vida, que não dorme, mesmo que os pubs fechem às duas da manhã.

E, aos poucos, vou descobrindo os seus encantos, mesmo fora do circuito turístico. Como ontem, quando estava andando por uma rua quieta, com casas sombrias e escuras, com brinquedos abandonados no jardim, sem ninguém por perto. De repente, me senti em outro mundo, algo meio mal assombrado, misterioso. E meu coração até acelerou com a sensação. Eu sou assim, gosto dessas coisas. Coisas de Talita.

7. Os próximos planos

E agora vou pensando no futuro, no que fazer depois que terminar o curso. Esse é um outro lado do meu intercâmbio, que eu quero muito que aconteça, para completar tudo. Porque eu ouso dizer, talvez meio cedo demais, mas com profunda convicção, de que os primeiros objetivos eu já alcancei.

P.S.: Feriadão à vista! Aqui na Irlanda, o feriado de Páscoa é na segunda. Então eu vou trabalhar hoje. Ainda não sei qual será o roteiro do final de semana, mas PRECISO fazer muitas coisas legais, pois já estou cansada de ficar em casa, por mais que eu goste daqui =)

P.S.: Carmenio, Rosemary, Bruna, João Victor e Victoria – Rossi de Lima de Carvalho. Ontem eu chorei vendo fotos de vocês. E a saudade me apertou de um jeito que ainda não tinha me apertado. Mas fico muito feliz ao pensar que o dia em que nos reencontraremos vai chegar, mesmo que demore. Amo vocês, meus tesouros.

P.S.: Estou indo e voltando a pé do trabalho, para economizar o dinheiro da condução. No total, vou andar 10 Km por dia (2 km para ir e voltar da escola + 8 km para ir e voltar do trabalho). Vou emagrecer e ficar com as pernas durinhas (meu namorado agradece). E com o dinheiro economizado, vou comprar coisas para mim, pois eu mereço após caminhar tudo isso (meu guarda-roupa agradece).

See you!

Vem chegando o verão

Olá!

Chegou o verão e, com ele, dias de sol, quentinho, amarelo, feliz, como há 20 dias eu não via. Quando se mora em um cidade cinzenta e o sol resolve aparecer, qual é a primeira coisa que você pensa? Sim, isso mesmo, dia de piquenique no parque! E eu acho que metade de Dublin pensou a mesma coisa, de tão lotado que estava =P

Sorte que não fomos em um parque qualquer, mas sim no Phoenix Park, o maior parque urbano da Europa, com mais de 700 hectares (algo em torno de 7 milhões de metros quadrados *____*).

Ele foi fundado em 1662, por James Butler, Vice-rei da Irlanda e Duque de Ormond, como vontade do rei Charles II. Cerca de 30% da área do parque é composta por árvores, além de ser um santuário para muitos mamíferos e pássaros. O parque conta com jardins, lagos, playgrounds, área para picnics e um zoológico, que tem uma incrível criação de leões! Além disso, a residência oficial do Presidente da Irlanda fica no centro do parque, desde 1750. Há algumas visitas guiadas esporádicas realizadas por lá e é óbvio que eu vou tentar ir \o/


Mas o nosso passeio não foi para conhecer o parque até porque é preciso muita disposição para percorrer todos esses metros… Voltaremos lá outro dia para fazer isso, desbravando tudo com bicicletas! Desta vez, fomos com os guris de Floripa, nossos amigos da escola e a ideia era deitar na grama, ouvir um som, comer besteira. E teve Budweiser (6 latas por 9 euros), pão, queijo cheddar, Nutella e The Beatles.

Dedicatória especial

Parque, grama, piquenique, Budweiser, The Beatles. Era demais para o meu pobre coração, que atingiu o ápice da saudade de você, meu querido, meu amor, meu bonito. Enquanto estava lá, eu só lembrava de você, só falava de você, só pensava em você. E, ao mesmo tempo que te sentia tão longe e sentia o coração apertando de saudade, com todas essas coisas que são tão suas e nossas, te sentia tão perto – aqui, dentro de mim. E lembrar de você, falar de você, pensar em você me trazia uma sensação boa. E assim, eu adormeci na grama, sonhando com o dia em que nos reencontraremos, para nunca mais nos separarmos.


Aí está o vídeo que eu falei. Não resisti, tive que gravar. Dá um pouco de dor de cabeça, porque eu acho que a cerveja já estava fazendo efeito e comecei a girar a câmera, não sei porque. Mas, tentando criar uma justificativa para isso agora, pode ser a representação de como eu me sinto longe de você e ouvindo o seu hino pessoal: de ponta cabeça, torta, tonta, sem sentido.

Te amo.

P.S.: Eu tenho uma novidade SENSACIONAL para contar. Mas isso virá em um outro post. Só adianto que eu sou a pessoa mais sortuda do universo das pessoas que fazem intercâmbio. E estou muito feliz, radiante =)

Vagabundeando por aí

Olá!

Desculpem pela ausência no post de ontem. Cheguei exausta de tanto vagabundear por essa cidade, cheia de coisas interessantes, tentadoras e curiosas. Enquanto não tenho casa própria, não tenho emprego, não tenho visto, me resta vagabundear.

Ainda não dá para fazer turismo, porque eu não quero fazer assim. Eu quero fazer com calma, quando eu puder pesquisar tudo sobre o local e curtir lentamente, como se não houvesse apartamento para procurar e visto para tirar. Faz sentido? Eu não sei, mas a verdade é que ainda não vimos (olhamos, mas sem realmente ver) nenhum ponto turístico.

Então, não tenho muitas impressões formadas sobre Dublin ainda. Tudo ainda é muito superficial e genérico na minha cabeça. Mas o importante é saber que estou gostando muito. Sabe, apesar de possuir coisas lindas e históricas, eu talvez (porque é uma impressão ainda muito recente) poderia dizer que Dublin é despretensiosa. Ela não pretende ser megalomaníaca e deslumbrante como é Paris, ah não. Ela só quer ser ela mesma, com seus pontos fortes e pontos fracos, mas feliz consigo mesma. E, sendo assim, ela me deixa muito mais à vontade, mais tranquila. Eu não preciso correr e me esgotar, não preciso provar que sou digna de conhecer o seu melhor. Ela me mostra naturalmente.

Divagações à parte, na escola está tudo bem. O Ciaran é um cara legal e tem utilizado metodologias do IELTS e Cambridge nas aulas. Deixa tudo meio difícil mas, para quem quer um certificado de proficiência como eu, é excelente. O pessoal da sala é legal, tento sentar cada dia em um lugar diferente, para falar com todos.
Depois da escola, a tarefa é vagabundear por aí, tentando eliminar algumas das nossas tarefas burocráticas. Compramos um número de celular da Vodafone, a operadora mais barata por aqui (um só para dividirmos por enquanto #ConsumoConscienteFeelings).

Fizemos a carteirinha de estudante do Trinity College, a maior, melhor e mais bonita universidade de Dublin (até o Oscar Wilde estudou lá, vê se pode?). Ela dá desconto em ônibus, cinema, teatro, Mc Donald’s e Cafés. Para ter uma é simples: pegue o formulário na escola, vá até o Trinity College, pague 15 euros, tire a foto e tudo pronto, em menos de 5 minutos. Fomos com o Adel (achamos que é assim >.<), um libanês da sala da Aline. Ele é uma graça e eu curto o sotaque dele =)

E, como ninguém é de ferro, entre uma vagadundeada e outra, fazemos comprinhas (moderadas – a crise de empregos para estrangeiros ainda reina por aqui). Hoje comprei a primeira grande e feliz aquisição: a minha tão sonhada câmera fotográfica, uma Nikon semi-profissional. Foi uma pechinha: com o cartão de memória de 8 GB, saiu por 173 euros \o/

Abaixo, algumas fotos que tirei com ela, nas nossas andanças por aí.

Casinhas com portinhas coloridinhas

Rua típica em Dublin

Prédios românticos =)

Minha primeira grande foto, com a minha primeira grande câmera *____*

Dedicada ao meu querido namorado, que sempre realiza os meus sonhos, desde me ajudar a escolher a minha Nikon a me comprar pérolas s2

É, o St. Patrick's Day está chegando ^^

E retomamos a nossa vida de estudantes, estudando à noite, já que temos prova amanhã. Não vale como nota, mas vale para saber se você algum dia na vida será inteligente o bastante para conseguir uma boa pontuação no IELTS.

P.S.: É muito estranho sonhar com a sua família e namorado e, ao acordar, ter um minuto de confusão, sem saber onde está. Weird.

P.S.: O final de semana está chegando! Aí sim, vamos finalmente conhecer um pouco de Dublin, já está combinado =)

That’s all, folks!
See you =)