The Magical Mistery Tour, por Beto

Olá leitores!

Aqui vos fala Beto, afinal promessa é dívida, então tratei de separar um tempo para essa missão, em meio ao turbilhão de preparativos finais que parece nunca ter fim (não sei se sou dramático demais, mas poxa, como deu trabalho planejar essa viagem! o.o). Sou verde nesse negócio de blog, então queiram me perdoar se esta leitura não for tão agradável como as demais que vocês encontraram por aqui – meu objetivo é apenas contar um pouquinho do que nos espera no Leste e
distraí-los, até que a escritora que amamos volte =)

The Magical Mistery Tour é um termo que me surgiu logo no começo dos planos, na concepção da aventura, de maneira muito natural. Na época, eu começava a tomar ciência do que aquele lado do globo tem a oferecer e diversos países, por mais incomum que possa parecer declarar visitá-los, me interessavam. Já era claro que haveria muita magia e mistério nesse nosso roteiro de Reencontro!

Contudo, com o avanço das pesquisas (é tão bom planejar viagens assim, não é? é incrível pensar em como tudo vai caminhando à partir daquele singelo momento em que você diz: “vamos”) e os acontecimentos do ano passado, acabamos por escolher três países, aqueles que sempre foram essenciais, no intuito de conhecê-los o melhor possível. E hoje eu sou capaz de enxergar como eles formam um arco perfeito, como se relacionam e se completam, mas como cada um deles nos colocará em um panorama especial. Cada avião será como um portal, eu suspeito.

Bem, sem mais delongas, nosso circuito começa na Áustria. Sim, caros, este humilde casal, tão apaixonado e homogêneo, que vem amargando tão cruel distância, não obstante mantendo seu amor vivo (e fazendo-o crescer!), terá sua redenção em Viena, a cidade da elegância, da música, a antiga morada da poderosa família Habsburg, que reinou na região por 400 anos e logrou para si uma inacreditável riqueza cultural, hoje à disposição de humildes viajantes como nós em vistosos museus e palácios. Até a coroa do Sacro Império Romano Germânico, em toda a sua glória, nós teremos a honra de contemplar! *-* Agora, avançando um pouco na história, a cidade de Viena também é famosa por seus movimentos artísticos, como a Secessão, aonde um grupo de artistas liderados por Gustav Klimt protestou contra as normas tradicionais no meio e acabou por criar a identidade da arte no país. Uma identidade, pode-se dizer, colorida e liberal. Uma identidade que vale a pena conhecer.

Ainda em solo austríaco, visitaremos a bucólica Salzburg, localizada em um vale nos alpes, decorada com torres de igrejas e uma imponente fortaleza no topo da colina. Nada mal, né? =)
Esse cenário encantado é berço de um dos maiores seres humanos de todos os tempos conhecidos: Wolfgang Amadeus Mozart. O gênio nasceu no número 9 da charmosa Getreidegasse, uma ruela antiga do tempo em que as casas não tinham números, mas logotipos que identificavam a família que ali residia.
Muitos conhecem Salzburg graças ao filme The Sound of Music (traduzido sumariamente em terras tupiniquins como A Noviça Rebelde ¬¬), que captura como nenhuma outra obra a magia acerca deste lugar saído direto dos contos de fada. “The hills are alive with the sound of music” and I’m looking forward to feel it =)

Nosso circuito termina na República Tcheca. Ficaremos hospedados em um apartamento em Praga (que, diga-se de passagem, foi por alguns anos capital do império dos Habsburg ^^) e dali exploraremos algumas regiões do país. País… O que esperar deste país, de história riquíssima, que já foi parte de vários outros no decorrer dos séculos, que já viu tantas guerras e que só há pouco alcançou sua formação atual, enquanto República? E de seu povo, reconhecidamente especial,
interessado em absorver cultura de todo o resto do mundo, pioneiro em abrir suas fronteiras para o turismo (logo após a queda do Muro de Berlim), receptivo e carismático, embora ainda, de certa forma, misterioso? E de sua capital, Praga, A Pérola do Oriente, A Cidade das 100 Torres, gótica e bela, cortada pelo Rio Vltava, repleta de encantos e acusada por um de seus mais ilustres filhos, Franz Kafka, de não deixar quem a visita ir embora: “… esta velha tem garras”?
Bem, eu espero me maravilhar a cada passo =)

Há quem diga que Praga é uma mistura constante do antigo com o moderno. Ao mesmo tempo que seu fascínio reside no mar de telhados vermelhos, nas velhas torres góticas da St. Vitus Cathedral e da Tyn Church, no recorte da austera fortaleza Vysehrad sobre o rio e nas histórias românticas acerca da Charles Bridge, muitos outros destacam sua vibrante vida noturna, suas baladas inacreditáveis, sua vibração constante. De nossa parte, Menina e eu, gastaremos mais
tempo admirando gárgulas, mas com certeza várias tavernas receberão nossa visita e nos servirão um pouco da paixão nacional =)

“Paixão nacional”; você sabia que a República Tcheca é o país com maior consumo per capito de cerveja no mundo?! Há um antigo provérbio tcheco que diz: “Uma boa cerveja pode ser avaliada com um gole apenas, mas é melhor beber mais para ter certeza”, e é bem por aí, pois por lá cada pessoa consome em média 143 litros do abençoado nectar por ano! A importância do país para a cultura da cerveja no mundo é notável, já que o tipo mais consumido no planeta, a Pilsen,
foi inventado ali, na cidade de Plzen. E nós, como bons nerds e apreciadores de cerveja que somos, trataremos de visitar a cidade e conhecer as instalações da cervejaria responsável pela proeza (Pilsner Urquell). Porém, há ainda mais do que o fator histórico da coisa, já que reza a lenda que a fórmula original da pilsen perde algumas de suas propriedades com o trânsito de exportação, de maneira que só se consome a verdadeira ali, em solo tcheco. Ai, ai s2

Nosso roteiro naquele país ainda inclui a onírica cidade de Český Krumlov, e é esse local que mais desperta meu interesse no país, depois da capital. A pequena cidade medieval parece ter parado no tempo há 200 anos, e caminhar por suas ruas basta para se sentir maravilhado. No alto da colina, um chateau atordoante e, em seu sopé, a curva do Rio Vltava. A curva do rio… olha isso! Dá pra acreditar? *__*
Esse é o cenário escolhido para a celebração do aniversário de 25 anos deste que vos escreve, no dia 26 de fevereiro. Quando então pretendo transferir o cetro de comandante do passeio para a minha princesa, que terá a responsabilidade de me presentear com um dia inesquecível. Hehe, acho que nem será tão difícil, né? ;P

Por fim, mas já sem Ela (que terá voltado para Dublin para as despedidas e o voo de volta ao Brasil), visitarei a cidade de Kutná Hora, que foi durante muito tempo a segunda cidade mais importante de toda a Boemia (atrás apenas de Praga), graças ao seu imenso estoque de prata. A prata, infelizmente, “acabou”, mas as minas antigas continuam atraindo visitantes a esta bela cidade. Outrossim, o que desperta o interesse de muitos viajantes (o meu, inclusive) é a, hum…
taciturna Sedlec Ossuary. No passado, na época das pragas e pestes, era costume usar igrejas como leito de morte para centenas de pessoas, e essa igreja foi uma daquelas que tiveram este fim. Contudo, no final do século 19, um escultor com um senso de arte um tanto peculiar, retirou das criptas milhares de ossos (cerca 40.000, pra ser mais exato) e com eles deu um novo aspecto ao lugar. Sinistro! Eu vou, mas quem conhece a Talita já consegue imaginar porque ela não
fez muita questão de tomar parte neste passeio, não é? =)

Bem, eu já falei do começo e do fim, mas nossa viagem realmente culmina na Rússia. A Mãe. E sobre ela ainda me considero até inapto a falar.
Me declaro assim, pois aquele país é um mundo. Um mundo que poucos conhecem, que muitos temem sequer cogitar conhecer, que em muito não se deixa conhecer.
Mas a Rússia sempre me fascinou. E a Rússia, hoje, é perfeitamente acessível: que ironia, voaremos por uma companhia aérea alemã direto até Moscou =)
Quando decidimos que a visitaríamos, como parte do Projeto Rússia escolhi alguns pontos de toda essa vastidão de conhecimento para explorar. Além de aprender o alfabeto cirílico russo (*-*), tomar ciência de um pouco da história dos seus líderes antigos mais notáveis (Ivan O Terrível, Pedro O Grande, Catarina) e da Revolução Russa e da ditadura soviética que a procede, decidi mergulhar na obra de um dos maiores escritores russos (e mundiais!): Fiódor Dostoiévski. Meu único contato com a literatura realista russa havia sido através de Almas Mortas, de Nikolai Gógol, e eu já havia me encantado com a vida campestre que ele ali retrata (isbás s2), e principalmente com aquele espírito… aquele, russo, tão único e complexo. Mas em Dostoiésvki eu realmente viajei. O arco de sua obra que eu escolhi ler antes da viagem (Crime e Castigo, O Eterno Marido e Memórias do Subsolo) me apresentou um pouco do cenário existente no país no final do século 19. Nem tanto do ponto de vista político, mas sim social e, sobretudo, individual. O indivíduo russo, o seu pensamento. O seu intelecto e como a reclusão, a solidão e a clausura inerentes ao contexto da época o colocam num patamar [belo e] sublime. Em Crime e Castigo e Memórias, por exemplo, o Mestre nos coloca dentro da mente de sujeitos que almejam, vaidosos, alcançar algo, talvez, inalcançável, ou que não lhes cabe. E não é pelo status social que eles
almejam, pela imagem, pois os outros estão abaixo deles, lhes são indignos, limitados, estreitos, mas por si próprios. Um compromisso consigo mesmo, uma obra. Na prática, porém são assassinos em febre, com medo, ou “camundongos de consciência hipertrofiada”.

Deixando um pouco de lado esta questão, as obras de Dostoiévski me apresentaram uma São Petersburgo que já não existe mais. Uma São Petersburgo miserável, mal cheirosa, calamitosa. Inspiradora sim, sempre, mas de um povo sedento de pão, água e vida. Não encontraremos essa cidade em 18 de fevereiro de 2013, mas uma nova velha cidade. A grandiosidade com a qual ela foi concebida por Pedro O Grande, quando este projeta uma cidade grandiosa numa região outrora pantanosa, contra todos, e faz dela capital do império, está de novo à vista. Ah, e que vista! São Petersburgo é toda cortada por rios e canais e suas 342 pontes ajudam a criar um cenário ímpar. Ímpar, sim, pois embora ela seja conhecida como A Veneza do Norte, particularmente não dou muita atenção ao termo.
Chame-a de Leningrado, Petrogrado, Petersburgo, Píter – ela por si só já teve várias faces – mas não há com o quê compará-la. E não há outro lugar, em nosso roteiro mágico, que eu mais queira conhecer =)

Eu sou uma pessoa romântica. Sou pisciano, sou um sonhador.
Isto dito e para finalizar a questão Dostoiévski, gostaria de destacar uma ideia exposta em Memórias do Subsolo a respeito do romantismo, conceito tão abrangente e, por vezes, mistificado:

“Ao contrário, as características do nosso romântico são absoluta e diretamente opostas às do europeu supraestelar, e nenhuma medidazinha européia é adequada no caso. (Permitam-me usar esta palavra: “romântico”, é uma palavra antiga, respeitável, com algum merecimento, e de todos conhecida.) As características do nosso romântico são: tudo compreender, tudo ver e vê-lo muitas vezes, de modo incomparavelmente mais nítido do que o fazem todas as nossas inteligências mais positivas; não se conformar com nada e com ninguém, mas, ao mesmo tempo, não desdenhar nada; tudo contornar, ceder a tudo, agir com todos diplomaticamente; nunca perder de vista o objetivo útil, prático (…), e olhar este objetivo através de todos os entusiasmos e volumezinhos de versinhos líricos e, ao mesmo tempo, conservar dentro de si, indestrutível, como num sepulcro, o “belo e sublime”, e também conservar a si mesmo, integralmente, em algodão, como um pequeno objeto de ourivessaria, ainda que seja, por exemplo, em proveito daquele mesmo “belo e sublime”.

É claro que eu não poderia deixar-lhes minhas notas sobre nossa viagem para a Rússia sem destacar sua surreal capital. Se São Petersburgo é Inspiração, Moscou é Poder. Quem nunca se maravilhou com a visão dos muros vermelhos do Kremlin e das cúpulas coloridas da Catedral de São Basílio? Imagino que em nenhum momento da viagem nos sentiremos mais longe de casa, do que caminhando por uma nevada Praça Vermelha. Sabe, por aqui a ficha ainda nem caiu…

Bem, é isso, senhoras e senhores! Foi, para mim, um imenso prazer escrever-lhes! Muito obrigado pela atenção e, principalmente, pela paciência =)
Desde que o Meu Amor criou este blog e começou a registrar nele toda a sua experiência durante este intercâmbio, eu me pergunto qual seria a minha contribuição, caso ela me oferecesse a oportunidade de contribuir. Espero que gostem do resultado, hehe, mas como ela mesma sempre diz – e agora mais que nunca consigo entender – “a ideia do projeto é escrever mais pra si”.

Mais informações e, finalmente fotografias (É, PARA DE ESCREVER, CARLOS, QUE CARA CHATO! xD), virão em breve =)

Nossa viagem será inesquecível, mas a despeito de tudo o que destaquei nos parágrafos acima (e de tudo o mais que descobriremos por lá), o que mais concederá a ela esse adjetivo é o fato de estar com Ela. De estarmos, em fim, juntos. Nem precisaríamos ir tão longe, afinal, neste, que é nosso último romance, sair de casa já é se aventurar.

Auf Wiedersehen/ До встречи/ Na shledanou/ Até logo!

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Ode to Europe – Part II e The Magical Mistery Tour

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Depois de tanto tempo de dúvidas, indecisões, decisões, choros, risadas, medos, alegrias, posso dizer que tenho 99,5% pronto para a minha viagem, que começará em 6 dias *___*

Foi por isso que tive que dar um tempo no blog, afinal quem consegue pesquisar sobre tantos países, reservar hostels, comprar vôos e seguro viagem nas únicas horas de descanso que tem após 12 horas ininterruptas de trabalho e ainda escrever as suas maluquices?

Agora tudo está quase pronto. Só falta montar o roteiro de Bratislava (mas aposto que faço isso em 2 horas =P) e reservar o hostel de lá (mas é como disse a Mary Rose: “minha filha, indo no inverno para a Eslováquia você pode chegar lá no dia e escolher o hostel que quiser que vai ter cama disponível o.O). E também tenho que imprimir os bookings, arrumar as tralhas e fazer as unhas (que não recebem um esmalte que seja há uns 6 meses ¬¬).

A viagem será dividida em duas fases:

Ode to Europe – Part II
Duração: de 30/12 a 07/02
Países: Inglaterra, Escócia, Alemanha, Polônia, Hungria e Eslováquia
Companhia: Tamis por 12 dias, sozinha por 26 dias

The Magical Mistery Tour
Duração: de 08/02 a 28/02
Países: Áustria, Rússia e República Tcheca
Companhia: Beto s2

E pretendo postar a ficha técnica de cada lugar ainda hoje (eu sei que é véspera de Natal aí no Brasil, mas é só amanhã que temos festa por aqui) e, quando voltar ao Brasil, a história e a descrição de cada dia da viagem (vida de desempregado serve pra quê, não é?).

P.S. É estranho mas, apesar de ter todas as passagens e reservas no meu nome e uma planilha gigantesca que eu alimento há mais de três meses, ainda sinto que não é comigo. Sério que pego um avião em 6 dias e vou ficar pra lá e pra cá por 60 dias? Que Deus me ajude para eu não acabar sozinha, perdida e sem dinheiro na Polônia >.<

P.S. O Beto, como comandante da The Magical Mistery Tour, fará as devidas postagens sobre o roteiro e informações dos países em sua responsabilidade. É, acho que eu não conseguiria ir para a Rússia sem ele…

Feliz, o aniversário

Pois é, eu fiquei mais velha. E, sim, estou longe da minha família, namorado e amigos, que são aqueles que fazem o aniversário das pessoas ter significado. Mas não, eu não passei o dia sozinha, comendo sorvete no pote e me acabando de chorar.

Bem, chorar eu chorei, mas foi somente por bons motivos. Somente por perceber que mesmo longe, a minha família ainda está comigo. E somente por perceber que eu também tenho uma família aqui, que eu amo MUITO e que vou levar para a vida toda.

Mas vamos do começo.

O dia começou bem, com o bom-dia que dei para o Airt, o lembrando da data. Ele me deu um beijo tímido, mas veio bonzinho tomar café da manh, o que eu entendi como um sinal de respeito pelo meu aniversário. Depois disso, todas as vezes em que eu pedia “birthday kisses” ele me dava, todo cheio de amor e baba. Ah, e eu te dou todo o meu amor também, buddy. S2

Dei uma olhadinha básica no Facebook, para ver algumas mensagens de aniversário. Aí veio o primeiro choro do dia, ao ver as fotos que a Mamis havia postado, eu e ela, ela e eu. Juntas, sorridentes, felizes. Tão simples, tão natural. Oh, my baby. Our love is definitely true. Esse é o meu primeiro aniversário que passamos separadas, é difícil. Mas será o último, já prometi para ela =)

Vejo também a mensagem que o meu amor me mandou, comparando a data à aquela de um ano atrás, quando ainda estávamos começando a nos conhecer, sem saber onde pisar e o que esperar. Eu já sabia que ele era diferente, quem mais poderia me chamar pelo significado do meu nome em hebreu, sem eu nunca ter contado? Ele já via sua Menina em mim e eu já via todo o potencial dele para me fazer feliz. Apesar da distância e tristeza de hoje, temos que ficar felizes, ele disse, porque o difícil já aconteceu. Nos conhecemos, nos amamos, descobrimos que somos almas gêmeas. Agora é só esperar mais 70 dias e tudo vai se resolver.

Lágrimas enxugadas, era a hora de enrolar os brigadeiros e beijinhos que eu havia feito no dia anterior, para adiantar o processo (já que fazer isso na companhia de uma criança de dois anos não é fácil =P). Ops, mas descubro que a massa do brigadeiro virou pedra. E agora? Penso: “Ou você joga fora e mente pra todo mundo, dizendo que brigadeiro é ruim demais e que você resolveu não fazer ou você tenta consertar”. Optei pela segunda alternativa. Mas no processo, tive o meu segundo choro do dia, ao tentar desgrudar o negócio do prato com a faca, cortando o meu dedo. Meio feio, daqueles que fariam o meu irmão se sentir fraco, como ele diz. Mas não tenho tempo para isso, vamos em frente. Coloco tudo na panela, acrescento manteiga, leite e qualquer coisa para amolecer o tijolo de brigadeiro. Deu certo =)

Fiz tudo em quarenta minutos, o Airt como meu assistente “pouring coconut rain all over the balls”. Limpei a cozinha em quinte minutos, o Airt como meu assistente, perguntando “me eat that?” para as colheres, pratos, tigelas e tudo que estava sujo de chocolate.

Rotina normal depois disso. No caminho para a Mags, após deixar o Airt na creche, encontei com a Tamis no centro. Acontece que ela foi anteontem na Mags, para conhecer os bebês e ver a possibilidade de ficar com a minha vaga depois que eu sair. E a Mags, fofa como é, fez o convite para a festinha, que ela prontamente aceitou. E dela, ali em frente ao Spire, eu recebi o meu segundo beijo de aniversário, com um lindo bracelete irlandês (para lembrar da terra que nos uniu) e uma miniatura de uma cruz-alta irlandesa (para lembrar das nossas aventuras pelas terras celtas).

Fomos juntas para a Mags, onde sou recebida por beijos e abraços dos meus lindos, únicos, preciosos, amados trigêmeos em meio a bexigas e risadas. A Kitty está por lá também e me dá um abraço. Ficamos por ali bagunçando, até que a Mags chega com o Yoyô e ele vem, abre a porta segurando uma bexiga, com um sorriso tímido no rosto e diz “Happy Birthday, Tita!”. Ok, meus olhos ficaram embaçados aqui.

Logo a Mags diz que eles tem que pegar algo na cozinha e todos os bebês vão atrás. Vou também e logo me vem o Yoyô com um cartão, a Mags dizendo que ele colou os adesivos. Abro e está escrito “We love you” com o nome de todos, Mags, Bepi, Yoyô, Alie, Tutu e Berto. Aí eu não resisto, choro, choro. Choro por sentir o amor que tenho por todos eles explodir aqui dentro. Choro de alegria, por estar ali perto de pessoas(inhas) tão preciosas =)

A Mags me dá também um envelope, com um par de ingressos para um espetáculo de música irlandesa, não aqueles safados do Temple Bar, mas um “cool”, como ela disse. Muito legal, fiquei feliz =)

Depois disso, eu e a Tamis ficamos com os bebês na sala, enquanto a Mags e a Kitty faziam os preparativos da festa na cozinha. Horas depois, vem o Yoyô e diz a frase habitual das cinco da tarde “it’s dinner time”, fazendo os bebês saírem correndo para a cozinha. Quando entro lá, vejo uma mesa linda, cheia de comidinhas gostosas, como o omelete espanhol (fritada de batatas, ovos e cebola), ovos com salmão e maionese, filés de frango frito, azeitonas, pão de alho. Finger food, como eles chamam, perfeito para festinhas ^^

Comemos, ajudando os bebês entre uma garfada e outra. Em determinado momento, só o Allie estava na cadeirinha (sempre o bom moço, meu Al-the-ball). Os outros dois rascals estavam no meu colo e no da Kitty, comendo do nosso prato. Vê se pode? Logo chega a Mary Rose e o Airt, com um lindo kit de cosméticos e um cartão do “BÓÓÓÓB, the Biulder”. O Airt pouco liga para mim, os brinquedos do Fireman Sam do Yoyô são mais atrativos, eu acho.

Terminamos de comer e chega a hora do parabéns. Cantamos a música, a Tamis gravando tudo. E, como prometido há semanas atrás para os dois, deixo o Yoyô e o Airt soprarem as minhas velinhas. Meus B-Boys! Comemos bolo, comemos docinhos, damos bolo para os bebês, damos docinhos para os bebês (o Airt e o Yoyô não precisaram de incentivo, estavam atacando tudo por conta >.<). Nessa altura do campeonato, os bebês já estavam muito cansados e começavam a ficar irritados, chorando por tudo. Hora de iniciar os preparativos para dormir.

Trazemos todos para a sala, colocamos Fireman Sam na TV e eu troco a fralda e ponho o pijaminha de todos eles, com a ajuda da Tamis. Organizamos a bagunça dos brinquedos e partimos para a cozinha, que estava em estado de calamidade pública depois da festa. Com a ajuda dela, em dez minutos estava tudo resolvido.

Aliás, o que eu teria feito no dia de hoje sem ela, me diz? A Tamis é daquelas do tipo “pau para toda obra”, sabe? Tamis, vamos para Belfast daqui a três dias? Opa. Tamis, vem aqui em casa comer hot-dog? Opa Tamis, vamos fazer uma trip maluca pelo Reino Unido na virada do ano? Opa. Tamis, vamos lá brincar com as minhas 67574 crianças? Opa. Ela é assim. E estou muito feliz por a ter conhecido, por termos ficado amigas, por tê-la presente em momentos importantes desse ano (e do próximo ^^). Te levo para a vida toda, xubs!

Hora de ir para casa. Chego em casa, abro o computador e vejo que meu pai me marcou em um comentário de uma foto. Vou ver o que é e fico em estado de choque. Ele, simplesmente, fez uma montagem com fotos de tudo o que eu gosto: Los Hermanos, Muse, Nutella, cupcakes, berinjela, picanha, Big Ben, São Paulo, Amelie Poulain, tulipas e até vagens, e colocou como capa de seu perfil no Facebook. É, esse foi o quarto choro do dia, descontrolado, tive que tomar um banho para ver se eu me acalmava. Te amo, Papis! Você é minha inspiração, meu mestre. Tudo o que eu aprendi com você nessa vida não está escrito s2

E mais um milhão de mensagens de amigos e familiares, fotos com homenagens, desenhos, lembretes. Tem como se sentir sozinha com todas essas demonstrações de afeto? Fui dormir me sentindo a pessoa mais feliz do mundo.

Caminhada de outono nas montanhas

Ainda tendo como influência o fator Mossy em nossas vidas, a Mary Rose sugeriu um passeio diferente para o nosso último domingo, que eu topei na hora: fazer caminhada nas montanhas de Wicklow! Dessa forma, o Mossy poderia se acabar de correr, o Airt poderia tomar ar fresco e sair de casa e nós duas poderíamos bater papo, coisa que nunca conseguimos fazer direito.

E assim, acordamos cedo no domingo, comemos panquecas com mapple syrup (minha nova paixão*____________*), empacotamos o carrinho, água, snacks e partimos, o Airt na cadeirinha, o Mossy no bagageiro do carro.

As montanhas de Wicklow ficam, obviamente, no condado de Wicklow, vizinho do condado de Dublin. Foi uma viagem de uma hora apenas, passando por estradas impecáveis margeadas por árvores avermelhadas e montanhas escondidas por neblina ao fundo.

Subindo a montanha, você encontra diversas opções de trilha, com estacionamento e trajeto sinalizado. Cada uma delas possui uma extensão, uma peculiaridade e um tipo específico de público. Muito bem planejado e organizado!

Por possuir a extensão desejada, não ser muito íngreme e ter um lago no percurso, a Mary Rose escolheu a trilha do “Clara Lara Valley”. Chegamos, estacionamos, soltamos o Mossy (que imediatamente começou a correr), colocamos o Airt no carrinho (e tiramos, e colocamos, e tiramos, e colocamos – ele não parava quieto!) e começamos a trilha =)

Estava frio, uns 4 graus, e foi o primeiro dia em que eu usei a minha underwear, além de uma blusa e o casaco. Mas esqueci as luvas e, logo, minhas unhas estavam roxas e doendo (Já ouvir falar de dor na unha? Pois é, eu sinto ¬¬). Ainda bem que andamos MUITO rápido, então o frio passou logo.

Andamos por umas três horas, passando por trilhas com paisagens incríveis em volta: o lago, as pontes de madeira, o chão coberto com um tapete de folhas amarelas e vermelhas, as árvores quase que completamente “nuddie-nuddie” – como costumo dizer para o Airt. Lindo dia de outono =)

E conversamos sobre a história da Irlanda, falando sobre Cronwell, sobre o Levante da Páscoa, sobre Éamon de Valera, sobre o IRA. É muito interessante ouvir a história pela visão de um irlandês de verdade, não apenas o que você lê nos livros. Torna tudo mais vivo, ao ouvi-la contando as histórias que a sua mãe costuma contar quando ela era criança.

E conversamos sobre viagens, todas as que ela já fez, as que ainda quer fazer e aquela para o Brasil 2018 que estamos marcando desde já. E ela me dá dicas de como sobreviver no meu mochilão, já que ela mesma já passou por situação pior, viajando um ano pela África e Ásia.

E conversamos sobre o meu futuro emprego, sobre o que eu penso que quero fazer, ela me aconselhando a seguir carreira em mídias digitais, já que ela mesma faz um tremendo sucesso com sua própria empresa nessa área.

E conversamos sobre o Airt, sobre o seu progresso na fala (que eu muito me orgulho de ser papel importante nessa conquista, já que tagarelo com ele o dia inteiro =P), sobre os seus encantos, as suas brincadeiras, sobre o seu futuro, sobre a sua nova au-pair, sobre como faremos para ele se acostumar com a minha ausência.

E eu falo que vou sofrer muito para deixar as minhas crianças, porque isso é a mais pura verdade. E prometo que, na(s) minha(s) próxima(s) viagem(s) para a Europa eu mudo o roteiro para incluir uma perna do vôo saindo de Dublin, só para poder visitar os meus tesouros, dessa vez com o Cáaaalll (o amor, apelidado pelo Airt s2) comigo, já que eu também não largo ele nunca mais.

E tanto andamos, tanto, tanto, que o Mossy começou a sentir fraqueza nas pernas. Hora de ir embora! Terminamos a trilha, empacotamos tudo no carro e voltamos para casa, onde eu alimentei o Airt com um googy egg (ovinho quente) e toast e me alimentei com omelete de mushroom. É, estamos viciados no ovo, eu e ele =P

Depois disso tudo, fui descansar no quarto porque as pernas estavam destruídas, com a rotina de sempre : skype com a Mamis, skype com o amor, pesquisas insanas sobre a viagem. E dormir, para começar tudo de novo no dia seguinte.

P.S. Já esse final de semana não teve muitos acontecimentos. No sábado, trabalhei com a Mags no sábado e tivemos um dia muito agradável (e gelado!) em Dun Laoghaire, na casa da irmã dela. Demos pizza para os pequenos enquanto comíamos as nossas (é, porque agora eles são B-Boys e acham que têm o direito de usar garfos grandes no nosso prato, sabe? >.<) e os levamos para o parquinho. No domingo, passei o dia todo nas pesquisas da viagem, finalmente terminando os roteiros do UK e passando horas e horas com a Tamires no Skype para comprar as nossas passagens de ônibus. Isso significa que SIM, A PARTE UK DA VIAGEM ESTÁ PRONTA =D

E aqui de dentro

Eu estou com saudades de casa. Eu estou com saudades da minha mãe, do meu pai, da minha irmã, do meu irmão, da minha gata e do meu cachorro que eu ainda não conheço. Eu estou com saudades do meu namorado, que está há 10 meses comigo – apenas 2 aproveitados com corpo também e não só com a alma. Eu estou com saudade das minhas avós e avôs, tios e tias, primos e primas e da Victoria Lima, que é prima e irmã gêmea. Eu estou com saudade dos meus amigos, os da bebedeira, os dos passeios no shopping, os dos passeios ao cinema e os dos passeios de uma vez por ano.

Eu também estou com saudades do meu país. Eu estou com saudade do calor e, graças a ele, de poder andar descalça e de vestido no quintal. Eu estou com saudade de tomar uma Original estupidamente gelada no copo americano, na calçada de um boteco na Vila Madalena, de chinelo no pé. Eu estou com saudade de comprar um chá com leite de 500 ml no Rei do Mate e sair andando na Paulista, vendo o anoitecer. Eu estou com saudade de sentir o cheiro de feijão novinho cozinhando, com aquele bife esperto fritando na frigideira. Eu estou até com saudade de ir naqueles churrascos dos vizinhos, com as músicas do Zeca Pagodinho de trilha sonora.

Só que isso não é novidade. Acho que está estampado no meu rosto e explícito nas minhas palavras que estou com saudade de tudo isso. Mas sabe uma outra coisa que eu estou com saudade também? De mim. Daquela que eu costuma ser antes de vir para cá. Porque aquela, a Talita que trabalhava, fazia faculdade, ia no boteco com as amigas, assistia filmes com a família em casa e beijava o namorado nas esquinas de São Paulo, não existe mais. Eu não lembro mais como ela é.

Hoje eu sou uma outra Talita, prazer em te conhecer, aliás. Eu não uso mais sapato social, mas sim um tênis já sujo da chuva, para aguentar o longo caminho de todos os dias. Eu não passo mais maquiagem e nem faço as unhas, afinal, que esmalte resiste à pilhas e pilhas de louças para lavar? Eu não leio mais os meus livros, somente guias de viagem que me deixam confusa e preocupada com tudo o que eu tenho pela frente. Eu não assisto filmes, somente séries repetidas porque me proibi de assistir qualquer coisa nova até que a minha viagem esteja mais organizada. Eu não converso com a minha mãe quando chega em casa, eu fico em silêncio. Silêncio, que insuportável todo esse silêncio, para uma pessoa que cresceu com a casa cheia e a música do meu pai no último volume. Eu não dou muito mais risadas, meu irmão não está aqui para me fazer rir. Eu não durmo mais com a minha irmã no quarto, vou dormir sozinha, sentindo um vazio terrível.

Não estou reclamando, eu sei que escolhi tudo isso ao assinar o contrato de intercâmbio, sei que faz parte, sei que está no fim. Só é diferente demais. E eu estou com saudade demais de tudo o que eu tinha antes. Tanta, tanta, que não acho mais graça em quase nada por aqui. O que ainda me segura viva? Minhas crianças e a perspectiva de conhecer o estúdio do Harry Potter e meia dúzia de igrejas velhas por aí.

Mas será que dá para ir mais rápido, tempo? Você conseguiria fazer esses 122 dias que me separam de tudo o que eu mais amo, logo, de mim mesma, passarem voando? Eu espero que sim. Porque, se eu não estivesse presa por contratos de trabalho e passagens aéreas compradas, acho que já teria desistido.

Será que estou sendo covarde, logo agora no final? Pode ser. Mas aquela minha bravura, desprendimento e força de vontade estão bem no fim. E eu não sei onde encontrar mais disso, aqui de dentro. É, hoje o universo de expandiu e aqui de dentro a porta se abriu. E ela não fecha mais, mesmo que eu tente.

P.S. Tudo bem, mas 122 dias e eu vou compensar a minha família por todos os momentos de sofrimento com o abraço mais apertado do mundo! Sabia que só de pensar nessa cena, no aeroporto, eu choro?

P.S. E, Beto, se você não me encontrasse em 98 dias, eu não sei se conseguiria chegar até o final.

Planejar é preciso

Eu já mencionei várias vezes que o final do meu intercâmbio será marcado por uma viagem a alguns países da Europa, os meus sonhos de consumo desde que me entendo por gente. Esse foi um dos motivos pelos quais eu escolhi um país europeu para viver, pela possibilidade de conhecer uns tantos outros, já que eles são próximos e eficientemente interligados por ônibus, trens e aviões de baixo custo.

Mas aí vem a parte difícil. Para onde? Quanto custa? Quantos dias? Isso é complicado para todo mundo. Mas, para a Talita, é um milhão de vezes pior. Quem disse que eu me contento em conhecer as capitais? Quem disse que eu sossego enquanto houver um museu ou igreja não visto em uma cidade? Não, eu preciso me certificar de que conheci bem os lugares. Na minha última viagem, a primeira para a Europa, sai frustrada e triste. Não me sentia digna de dizer “eu conheço Paris”, porque eu não conheço. Então, a minha viagem recebeu a sua primeira característica: ter qualidade, acima de quantidade.

Eu sempre soube que acabaria viajando sozinha, porque sabia que a Aline não tinha os mesmos planos malucos que os meus, mas isso nunca me incomodou. Era a minha viagem, do meu jeito, eu comigo mesma. Mas aí eu conheci o Carlos Roberto. E, em uma noite de janeiro, em um bar maluco na Paulista, enquanto eu falava em como seria incrível assistir a um show do Black Sabbath na Rússia, ele enfiava a ideia em sua cabeça de que, sim, ele precisava viver isso comigo. E dias depois, mesmo lutando contra vários fatores opositores, ele me comunica a decisão: eu vou viajar com você para o Leste Europeu.

E aí comecei a estabelecer a quantidade de dias. Quando eu só tinha um emprego, estava com data livre de saída. Nessa época, a conta de dias da viagem chegou a 127! Eu estava enlouquecendo, fazia contas e projeções financeiras, não sabia o que decidir, brigava com o meu amor toda vez em que tocávamos nesse assunto. Aí o destino decidiu por mim. Eu consegui o segundo emprego, o que está financiando as contas da viagem, com a condição de que eu trabalhasse até alguns dias antes do Natal. E isso me trouxe a definição do tempo: sessenta e oito dias inteiros, mais um em Dublin para dar tchau para as minhas crianças, me acabar de chorar, pegar as tralhas e ir embora.

Então chegou a hora de escolher os países, ó tarefa difícil! Foram muitas as leituras e os rascunhos no ônibus a caminho do trabalho. Mas o que ajudou mesmo, foi a conversa franca que tive comigo mesma, por meio do Carlos Roberto. E a partir daí, a França, a Itália e a Grécia, foram transferidas para uma planilha intitulada “os nossos planos futuros”. E, sem a sombra que esses gigantes faziam, eu pude ver dois países que nunca haviam me chamado a atenção, mas que não saem da minha cabeça agora: Alemanha e Polônia (porque a viagem para uma não é completa sem a outra, na minha opinião). Tendo essas definições, recheei o meio com aquilo tudo que nunca esteve em dúvida: Inglaterra, Escócia, Bélgica e Holanda.

Lá no Brasil, o amor enfrentava os mesmos problemas. A nossa peregrinação ao Leste era ousada, com todos aqueles países de idioma estranho, com o castelo do Drácula fazendo os nossos olhos brilharem. E, enquanto mais ele lia, minha alma gêmea que é, ele tomava uma decisão que eu apoiei totalmente, alma gêmea dele que sou. Vamos reduzir os país, aumentar a cidades. E fechamos então em três países apenas, oito cidades ao todo: Áustria, Rússia, República Tcheca.

Pronto, planejamento macro definido. Acabou? Nem começou. Quantos dias em cada lugar? Quais cidades dentro dos países? Qual a lógica de locomoção da viagem? Qual hostel? E, putz, o que visitar dentro das cidades? Para essas perguntas, eu ainda não tenho muitas respostas. Tenho sim uma planilha maluca, um milhão de links de blogs anotados, rascunhos feitos no caminho do ônibus. Mas está tomando forma. E, quer saber? Acho que não importa muito pra onde, porque eu sei que será inesquecível de qualquer forma.

P.S.: Sim, é por isso que ando meio devagar por aqui. Não é fácil cuidar de 5 crianças, atravessar a cidade entre os dois empregos, lavar louças, ter um blog e ainda planejar uma viagem. Eu tenho crises de pânico às vezes, vendo os dias se passarem e a planilha de planejamento continuar a bagunça de sempre >.<

P.S.: Mas o meu amor vai viajar comigo e os dias que faltam para o nosso reencontro diminuem cada vez mais. Logo, logo, perderemos uma casa decimal nessa conta, assim como já perdemos uma hora de diferença no fuso e temos mais uma a perder na próxima semana. Amor, amor! Quanto mais perdemos, mais ganhamos s2

P.S.: Esse final de semana foi inteiro dedicado pra isso. Até o momento em que vi o meu namorado sair todo bonitão para um show com os amigos e precisei ir tomar uma pinga no Temple Bar.

Homesick

E acontece que fiquei sem internet por 20 dias e, nesse meio tempo, só falei com a minha mãe, pai, irmã e namorado no Skype uma vez e e-mails reduzidos ao limite de caracteres que o meu celular permitia. Some-se a isso o fato de que estava de TPM e que o frio chegou com força aqui e tenha uma ideia do meu estado emocional dos últimos dias. Haja Beatles e chocolate para manter a calma e seguir em frente.

Os meus quatro pilares

Quando eu decidi fazer o intercâmbio, tinha medo de que tudo isso aqui – igrejas, castelos, euro, inglês, cultura, conhecimento, história – revirasse a minha cabeça e me mudasse, fazendo com que eu já não visse sentido em voltar para o meu país, para a minha família. Lembro de ter essa conversa com o meu amor, esperando um ônibus na estação Penha do metrô, e chorar desesperada.

Mas, quanto mais o tempo passa, eu percebo que nunca vai existir nada mais forte, indestrutível e seguro na minha vida do que os meus quatro pilares, chamados Carmenio José, Rosemary, Bruna Cristina e João Victor. Sem eles, não existe Talita. Como eu poderia ficar longe deles então? Um ano é o limite do limite para que eu consiga sobreviver distante. Mas eu preciso voltar, eu preciso me recarregar neles. Eu preciso deles para viver feliz. Simples assim.

E eu já ando me sentindo tão fraquinha, com tanta falta dos momentos em casa. Quando lembro, eles parecem tão surreais, um sonho distante. Foi tudo verdade mesmo? Eu morei naquela casa com eles, comendo macarrão na sexta-feira à noite com Bis de sobremesa? Ah, como eu queria poder voltar para isso tudo logo. Ouvir música com o meu pai, conversar com a minha mãe, dar risada com a minha irmã e o meu irmão. E eu tenho que ficar repetindo para mim mesma, eu tenho pai, eu tenho mãe, eu tenho irmã, eu tenho irmão. Eu não sou sozinha no mundo. Eles existem. Eles existem.

Ah… Falta muito para eu voltar?

Carlos Roberto Sponteado


E quem diria que ele se tornaria tão indispensável na minha vida. Aquele moço do bigode, que eu via de longe, sentada na minha mesa, no meio do expediente. Quem diria que aquele moço era a minha essência, o que eu sou, o que eu acredito, o que eu amo, em um corpo de homem? Quem diria que aquele moço era a minha alma gêmea, finalmente encontrada, tão procurada, tão desejada?

Já chegamos à conclusão de, da mesma forma caprichosa que o destino nos uniu, ele nos separou e que isso tudo é parte do nosso filme, da nossa mágica. Esse é o momento no filme em que os mocinhos estão separados e tristes, cada um ouvindo uma música e pensando no outro. E como eu tenho ouvido músicas e pensado nele. E pensado nele e ouvido as nossas músicas.

Eu queria poder lembrar de como é ter ele por perto. Ele é muito mais alto que eu? E como era mesmo o abraço dele? E os beijos, todos aqueles beijos, em todas aquelas esquinas, onde foram parar? E o que é que eu sentia mesmo quando ele deitava ao meu lado e dizia “eu te amo, menina”? Aquela era eu mesmo? Eu não sei. As lembranças se apagam, as sensações somem, fica só o vazio.

Ah, querido. Don’t you know that it’s just you? I got to get you into my life. What it means to hold you tight. Because to love him is to need him everywhere. Let me take you down, because I’m going to Strawberry Fields. And while I’m away I’ll write home everyday. Don’t let me down. Somewhere in his smile he knows that I need no other lover. All you need is love. She loves you, yeah, yeah. You make me dizzy, miss lizzy. He’s the kind of guy you want so much it makes you sorry, still you don’t regret a single day. I don’t know why you say good-bye, I say hello. I want you, I want you so badly, it’s driving me mad. Please, don’t wake me, no don’t shake me, leave me where I am. He’s just the guy for me and I want all the world to see we’ve met. I’ll be good as I know I should, you’re coming home, you’re coming home. Please, Mister Postman, look and see if there’s a letter for me. Will you still need me, will you still feed me, when I’m sixty-four?

Eu canto. Eu sonho. Eu preciso. Eu espero.
Eu te amo.

Amigos, amigas, família


E hoje eu acordei triste, sozinha. E chorei. E resolvi ler o meu caderno, onde as pessoas queridas – amigos e família, me deixaram mensagens para esse tipo de momento. Em outras vezes que o li, ele me fez chorar mais. Chorei a ponto de ter que parar de ler. Hoje, então, eu esperava mais um rio de lágrimas, mas eu precisava ouvir aquelas pessoas, precisava delas perto de mim.

Mas, sabe? Assim que comecei a ler, o meu choro cessou. E eu me senti feliz, imensamente feliz! Só por saber que eu ainda tenho aquelas pessoas, que elas gostam de mim, que eu gosto delas, que eu vivi sim uma vida com elas e que eu vou voltar em breve para elas.

Eu quero voltar para todos vocês! Meus colegas da ex-firma, tão queridos e inesquecíveis, mesmo que não trabalhemos juntos novamente, eu vou voltar para os nossos happy-hours no Júnior, os nossos almoços no Sesc. Meus amigos da escola, da faculdade, do coração, eu vou voltar para tudo o que nos uniu, o que ainda nos une o que nos unirá ainda mais, seja teatro, batatas no shopping, shows de rock, cinema, churrasco e cervejas. Minha família, avôs e avós, tios e tias, primos e primas, eu vou voltar para os nossos almoços, para os colinhos, beijos e abraços.

Eu posso dizer que o meu coração já voltou pra casa. Mas me esperem, porque todo o resto está voltando também.

P.S.: O final de semana passado foi de trabalho intensivo. A Mary Rose foi viajar e fiquei com o Airt. Fomos para Dun Laoghaire (ele quer pegar o tchú-tchú!) e a Aline e a Tamis vieram jantar aqui com a gente.