Ah, os celtas…

Este sendo o último final de semana da Jubs aqui em Dublin (porque no outro ela iria viajar, antes de voltar para o Brasil), precisávamos fazer algo especial. E o destino escolhido foi as Midlands, terras médias, terra que possui tantos registros dos celtas, povo lindo e poético que eu tanto gosto =)

Como a região é muito inóspita, é impossível cobrir todos os pontos por transporte público. E a Jubs e Tamis (companheiras do dia), apesar de serem motoristas habilitadas, tem medo de dirigir na mão invertida (eu também teria!). A solução foi pegar um tour de um dia saindo de Dublin e, quer saber? Foi a melhor escolha! O tour cobriu bem os principais pontos de interesse e viajamos em um micro-ônibus, com um guia que explicava tudo e andava com a gente até as atrações, o que é inédito nesse tipo de passeio.

E lá vamos nós no ônibus, saindo às 8h da manhã da Suffolk St., falando sem parar para atualizar as novidades, até que tomamos uma bronca por estar falando muito alto (e demais). Mas quem disse que a gente parou? Era papo sobre a nova casa da Tamis (que acabou de ser contratada como au-pair live-in, assim como eu), o que fazer quando as crianças são mal-criadas, sobre a falta de higiene do povo aqui, os amores, os empregos, o tempo, moda, dinheiro, viagens. Pobres companheiros de ônibus! >.<

E a primeira parada foi o Hill of Tara, um complexo arqueológico repleto de monumentos antigos e, de acordo com a tradição celta, o lugar de onde o alto rei da Irlanda comandava todos os demais reis das outras províncias. A geografia de Tara é muito peculiar, com diversos morros que formam anéis se vistos de cima. Você para e pensa: “Como aqueles caras conseguiam fazer isso naquela época tão primitiva?”. Incrível!

Há muitas controvérsias sobre o verdadeiro papel de Tara na sociedade celta, mas a maioria dos estudiosos concorda que sempre foi de importância fundamental, sendo o palco dos rituais de inverno e verão, além de onde os futuros reis eram escolhidos, após passarem por uma série de desafios e, no final, tocar na pedra Lia Fáil (pedra do destino), que deveria soltar um “grito que seria ouvido por toda a Irlanda”, caso a pessoa fosse digna de ser rei.

Que sensação especial eu senti por estar ali e tocar aquela pedra, que representava tanto para eles (e que é mais antiga que as pirâmides do Egito!), olhando aquela paisagem, imaginando o tipo de festividades que ocorreram ali naquele chão em que eu pisava. Nostálgico. Mágico. Poético.

E a segunda parada foi esta igreja em ruínas, que eu não consigo lembrar o nome ou encontrar na internet (¬¬). Que visual, aquelas ruínas ao fundo, vacas no pasto, vento frio, dia nublado. Me senti em um filme de época, daqueles que tanto gosto s2

E a terceira parada foi o Trim Castle, famoso por ter sido cenário do filme Coração Valente, aquele com o Mel Gibson. Mas não é só por isso que ele merece destaque. Na verdade, esse é o maior castelo anglo-normando construído na Irlanda, ainda no século XII! Ele sempre foi um centro de administração e comércio do condado de Meath, no decorrer de todos os séculos seguintes, passando de pai para filho e sendo vendido algumas vezes, mas só foi vendido ao estado mesmo em 1993, quando se iniciou um trabalho de restauração.

E é uma pena que o tempo é curto. E eu corria que nem uma louca, tentando tirar fotos bonitas, ler as placas com a história do castelo, parar e sentir a emoção de estar ali. Bom, as fotos ficaram legais. E tirei fotos das placas, para ler depois. E, sim, parei e só observei tudo aquilo por um tempo, maravilhada.

Mas, infelizmente, o castelo é fechado para visitação. Bom, não para a gente. Eu estava por ali e, de repente, vejo uma porta aberta. Grito para as meninas, vamos entrar! E subo as escadas, a Tamires atrás de mim e, quando chegamos lá, sai um funcionário e diz que não podemos entrar. Eu faço uma carinha de gato do Shrek e digo que é uma pena, que deve ser tão lindo por dentro. Acho que ele se sensibiliza, por que deixa a gente dar uma olhada rápida e tirar algumas fotos. Opa! E vejo um salão enorme e escadas que levam para os andares superiores. E imagino os banquetes que foram realizados ali, caindo uma lágrima! Mas eu me atrapalho com a emoção. Olho tudo e tento tirar fotos, mas elas não saem bonitas ou lógicas. E logo ele diz que temos que ir embora. Desço as escadas até meio tonta, não acreditando que conseguimos entrar em lugar tão secreto e até sagrado ^^

E a quarta parada foi Loughcrew, um dos quatro maiores túmulos pré-históricos da Irlanda, também mais antigo que as pirâmides do Egito, acreditando-se terem sido construídos em 3.000 aC. O túmulo consiste em câmeras cobertas por um morro e totalmente ornamentadas com inscrições por dentro, onde as cinzas dos mortos eram depositados (é, nessa época eles incineravam os corpos antes de enterrá-los). O inacreditável do lugar é que, não se sabe como direito, mas ele foi projetado de forma que, no equinócio de primavera e outono, os raios de sol entrem e iluminem as câmeras internas. Oi, como os caras conseguiam calcular isso e projetar a posição das pedras para que funcionasse? *_______*

Para chegar lá, subimos um morro por uns 10 minutos e eu não sabia se olhava a paisagem, tirava fotos ou me concentrava em respirar com tanto esforço físico. E lá chegamos e nos dividimos em dois grupos para entrar dentro do túmulo. Enquanto esperávamos, tiramos fotos, eu ajoelhando no meio dos cocos das ovelhas para pegar o ângulo perfeito, tentando registrar perfeitamente aquela paisagem sem igual. E chegou a nossa vez de entrar. Você tem que abaixar, pois o teto da entrada é muito baixo. E é escuro, precisamos de uma lanterna para poder ver as inscrições nas pedras. É emocionante ver como aquele povo primitivo já se importava com a morte, sempre um mistério, e se preocupava em construir um santuário para as cinzas de seus entes queridos.

Nessa região, paramos para almoçar em um café no meio do nada, lindo e remoto. Eu trouxe os meus sanduíches de casa, já que agora estou no projeto economia para a viagem final, que falaremos em breve.

E a quinta parada foi a Jumping Church, que tem esse nome devido à história de que, um belo dia, um não cristão foi enterrado no solo sagrado da Igreja mas, durante a noite, a parede da igreja misteriosamente “pulou”, deixando o corpo do pobre coitado de fora do solo sagrado, já que ele era indigno de tamanha consideração.

Aqui eu comecei a sentir um calafrio, ao perceber que praticamente só havíamos visitados cemitérios. E esse, ao redor as ruínas da igreja, era especialmente sombrio, a grama alta, abandonado, velho.

E a sexta parada foi Monasterboice, um assentamento cristão para práticas religiosas e ensinamentos, fundado no século V por St. Buithe. Mais um cemitério, mais organizado, tão sombrio quanto o outro, cheio das famosas cruzes altas da Irlanda, que são estruturas decoradas com as histórias da Bíblia e que os monges utilizavam para ensinar os evangelhos.

E a mais famosa é a Muiredach’s High Cross, com 5,5 metros de altura, considerada a melhor do tipo em toda a Irlanda. Ela é decorada com histórias do Novo e Velho testamento da Bíblia e você pode ver em detalhe cenas de Adão e Eva e o Juízo Final, por exemplo. Muito legal =) Bom, mas acho que agora chega de cemitérios por hoje né?

E a última parada foi a cidade de Drogheda, importante por ser o último ponto de parada do Rio Boyne antes de desembocar no mar. Por lá, visitamos a St. Peter’s Cathedral, bonita e famosa por ser o lar dos restos mortais de St. Oliver Plunkett, um padre católico que foi perseguido, julgado por traição e morto na época da reforma. Gente, é assustador ver a cabeça dele ali, tão intacta e, sei lá, viva. Não tirei foto dele, achei falta de respeito >.<

E depois fizemos um tour a pé pelos pontos de interesse de Drogheda, o guia contando tudo sobre Crownell e eu muito interessada ouvindo e me surpreendendo, como sempre, como essa questão do catolicismo x protestantismo destruiu vidas, desde o século XVI até poucos anos atrás. Ah, Henrique VIII. O que você me aprontou, hein?

Como ainda nem havia escurecido quando voltamos a Dublin, resolvemos tomar uma para fechar o dia. Fomos ao pub Turk’s Head, no Temple Bar, onde o pint custa só 3,50 até às 20h. Algumas Paulaners depois, partimos para o pub PorterHouse, casa de milhares de cervejas especiais e daquele pratão sensacional de comida que adoramos. Comemos, bebemos, ouvimos música. E, feliz da vida, mas vendo cruzes ao fechar os olhos, fui para a casa.

P.S.: No domingo, trabalhei de manhã, levei a Jubs para conhecer Howth à tarde (com direito a descer o penhasco do medo e comer o melhor crepe da história >.<) e fui visitar minha amiga Melissa no hospital (internada há dois dias, sem causas muito definidas. Estou muito triste com isso. Se eu já me sinto sozinha, sã e salva, imagina ela, doente?).

P.S.: E eu tive um momento nostalgia, ao lembrar que todas as vezes em que estava solteira, planejava ir à uma noite celta no Blackmore Rock Bar, com bandas que tocam um som diferente e cabeludos que parecem elfos. É, naquela época eu nem imaginava que um dia pisaria no solo sagrado dos celtas… Como a vida é engraçada, não é?

A terra de muitos Bloody Sundays

Memorial a mortos em zona de conflito – Belfast

Era uma vez uma terra habitada por celtas lindos e pagãos, que faziam festanças incríveis nos solstícios para agradar os deuses e pedir boas colheitas. Eles dividiram essa ilha em cinco províncias: Connacht, Ulster, Leinster, Munster e Meath. Cada província tinha o seu rei e eles viviam em relativa paz e união.

Quando os anglo-normandos aqui chegaram, quebrando e dominando tudo, essa divisão poética ficou só como lembrança e esse pedaço de terra, agora parte do Reino Unido, foi dividido em condados. Eles chegaram impondo a sua religião – o catolicismo, que mudou quando o rei Henrique VIII da Inglaterra resolveu criar sua própria igreja para poder casar quantas vezes quisesse, o bonitão. Os pobres irlandeses, antes pagãos, depois católicos, tiveram que virar protestantes também.

Nem todos aceitaram bem e aqueles que ainda queriam ser católicos foram marginalizados, perderam suas terras, enquanto seus mosteiros eram destruídos. Por uma questão de sobrevivência, os católicos foram se refugiando no sul e os protestantes no Norte.

Após muitas lutas, conflitos, mártires e mortes, o povo do Sul finalmente conseguiu a sua independência da Inglaterra, em 1921, para governar o país e rezar do jeito que quisessem. O povo do Norte preferiu ficar com a Inglaterra mesmo, obrigada. Problema resolvido? Não.

Mesmo sendo composta por maioria protestante, a nova Irlanda do Norte (região antes denominada como reino de Ulster) ainda possuía muitos católicos, que continuaram sofrendo injustiças. E, de tanto sofrer e querer se juntar com a galera do Sul, eles formaram um partido político de oposição (Sinn Féin – Ourselves, em inglês) e um exército (IRA, Irish Republican Army) para tentar conseguir a independência à força.

Mas a Inglaterra não queria perder de novo e controlou tudo com mãos de ferro. Mas eles também não estavam de brincadeira e usaram até de terrorismo para conseguir o que queriam. O resultado? Bombas, tiros e milhares de mortes para todos os cantos.

Por fim, eles conseguiram botar a violência de lado e criaram o “Acordo da boa sexta-feira” em 1998, que detalhava como seria o futuro do país em termos políticos, sociais e religiosos dali para a frente, com os ambos os lados cedendo e ganhando, mesmo sem a tão sonhada independência.

E em meados de 2005 (por garantia, eles esperaram um pouquinho), o IRA começou a se desarmar. E o status atual é aquele que o presidente do Sinn Féin (Gerry Adams) fez em 2011: “The war is over. The IRA is gone. The IRA embraced, facilitated and supported the peace process. When a democratic and peaceful alternative to armed struggle was created the IRA left the stage”.

Mas, na boa?
Eu vi vários helicópteros sobrevoando a zona tensa de Belfast, só de olho =X

P.S.: Esse é o começo do relato da viagem, em processo ^^

Até mais!

Dos finais de semana passados

Olá!

Tudo bem, estou atrasada. Mas eu resolvi que tiraria essa semana, pós-assalto, para fazer porcaria nenhuma, só assistir as minhas séries favoritas (The Big Bang Theory e New Girl) comendo besteira. Eu merecia. Mas agora vamos colocar as coisas em ordem.

Sábado, das coisas que não tem graça

Era um dia chuvoso em Dublin, para variar. Mas eu e a minha cisma de não parar em casa um minuto qualquer enquanto há uma Dublin aí fora me esperando, não ligamos para isso. Saí para me aventurar por uma igreja velha – St. Michan’s Church, fundada em 1.095.

Ela não tem muitos atributos históricos ou de arquitetura. É meio escondida e longe da parte legal da cidade. O que tem de bom então, que me levou até lá em um sábado chuvoso? Bem, ela tem criptas e múmias!

Ok, quem me conhece vai dizer: e desde quando você perdeu o medo dessas coisas? Não, eu não perdi. Mas a curiosidade falou mais alto. Por lá, são encontrados caixões e corpos muito bem conservados (devido às condições de retenção de humidade das paredes da cripta) de pessoas influentes em Dublin nos séculos 17, 18 e 19.

Um fato interessante é que dizem que Bram Stocker, o criador do Dracula, visitou a cripta com a sua família certa vez e que isso pode ter servido de inspiração para certos aspectos de sua obra prima (P.S. Não sei se já comentei aqui mas sim, Bram Stocker era irlandês ^^).

O lugar cheira meio mal, é sujo, dá medo e fiquei com gastura de encostar nas paredes. Mas o que mais me surpreendeu foi o guia que conduz o passeio. Eu não sei se ele ficou meio pirado de tanto entrar ali ou se é meio macabro mesmo, mas ele lidava com aquilo tudo como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. Fazia piadas sobre os mortos, dava risada. E, em certo ponto, em uma câmara onde existem três caixões abertos, permitiu que as pessoas tocassem de leve na mão de um deles, que era um cavalheiro templário, o que daria sorte. E, como se não bastasse, me pega um fêmur que estava por lá, encosta na sua própria perna e diz em comparação: “É, esse camarada era maior que eu”. Dá para acreditar?

Domingo, do jardim da Irlanda

E já estava mais do que na hora de me aventurar para fora deste condado de Dublin. Pois decidi que o destino seria os dois condados vizinhos do Sudeste da Irlanda, Wicklow e Kilkenny, com muitas paisagens bonitas, castelos e, claro, mais igrejas velhas.

Mas é importante deixar claro que a realização disso sempre foi um problema. Apesar da Irlanda possuir uma rede “inter-estadual” muito boa de trens e ônibus, alguns lugares são simplesmente tão inóspitos que não se chega lá de transporte público. Eu não dirijo. As minhas flatmates dirigem, mas têm medo de pegar no volante invertido daqui. A solução foi comprar um tour de ônibus, coisa que sempre fui contra, mas que acabou se provando uma boa escolha. O passeio em questão durou 9 horas, cobriu três pontos turísticos e custou apenas 25 euros. Só de transporte público para Kilkenny, eu gastaria uns 15 euros entre ida e volta. Em termos financeiros, acho que vale a pena sim.

E lá vamos nós, pegar o ônibus lotado de turistas e com uma guia que resolvia contar toda a história de Dublin para aqueles novatos. Hum, veio um sorrisinho convencido no meu rosto, ao pensar que eu moro aqui e conheço a história da cidade de cabo a rabo, com um nativo =)

Primeira parada: Glendalough

Glendalough é um mosteiro que foi fundado por São Kevin, um sacerdote ermitão, no século 6. Era um centro de ensino para cuidar de doentes e copiar manuscritos. Mesmo após a morte de São Kevin e a destruição causada pelo exército inglês em 1398, o local continuou sendo local de peregrinação religiosa, até a Dissolução dos Mosteiros de 1539, comanda por ninguém menos que Henrique VIII, que sempre dá as caras por aqui.

O mosteiro é localizado no meio das montanhas, com vários lagos, bosques e cachoeiras ao redor, criando paisagens de tirar o fôlego. Além disso, ver as ruínas dos edifícios é incrível, só de imaginar quão antigos eles são e quanto representaram para a fé de milhares de pessoas.

Por lá encontramos muitos túmulos também, no meio da grama alta e flores, o que proporciona uma estranha beleza. É meio sinistro, mas é um dos lugares mais bonitos pelos quais já passei na vida.

Segunda parada: Wicklow Gap

Acontece que as montanhas de Wicklow são tão inóspitas e bem preservadas que Hollywood usa e abusa para fazer os seus filmes e séries. Por aqui, foram filmados filmes como Coração Valente, PS. Eu te amo e séries como Game of Thrones e The Tudors.

É muito legal passar por essas paisagens e imaginar que, se Hollywood acha que elas são dignas de representar cenas de época, é porque devem ter mudado muito pouco desde antigamente, o que te faz sentir muito especial por pisar ali.

Tivemos uma parada rápida no Wicklow Gap, um ponto de observação do “gap” das montanhas. Lindo, lindo.

Terceira parada: Kilkenny

O meu guia diz que Kilkenny é uma das cidades mais adoráveis do interior da Irlanda. Eu grifei isso para consultas futuras, quando o li. É, ele estava certo.

A cidade foi fundada pelos anglo-normandos e ganhou muito destaque no século 13, se tornando a capital medieval do país. Até hoje, a cidade preserva o clima de cidade pequena e de interior, com muitos prédios históricos, ruelas cheias de lojinhas coloridas e arcos de pedra. Mágico =)

Só tínhamos 2h45 para curtir a cidade, então só consegui cobrir os três principais edifícios.

Kilkenny Castle

Construído em 1190, o castelo sempre foi residência da poderosa família Butler, até 1967, quando foi doado à nação. O interior é magnífico e as salas mais impressionantes são a Sala de Jantar e a Long Gallery.

Os jardins também são lindos e, como fazia um sol por lá, muitos habitantes e turistas aproveitam deitados na grama, tendo o impressionante castelo como paisagem.

The Black Abbey

Ela foi fundada em 1225 e, apesar de ser pequena, tem uma belíssima arquitetura e vitrais cheios de detalhes em seu interior. Curiosamente, estava completamente vazia quando eu e a Marrion entramos lá. Imagina o silêncio?

St. Canice’s Cathedral

A catedral de Kilkenny, que fica no alto de um morro, foi construída no século 13. Hoje em dia, é considerada como um dos tesouros medievais da Irlanda. O interior é majestoso, cheio de tetos decorados, estátuas e altares detalhados. Eu nem gosto, imagina.


Quarta parada: Irish Film Institute

Um dos tesouros culturais de Dublin, o Irish Film Institute foi fundado em 1992 e exibe filmes estrangeiros e nacionais, mas só cinema-arte. Algo como o Espaço Unibanco ou o extinto Belas Artes de São Paulo.

Estava em cartaz um documentário sobre o meu querido Woody Allen e eu não podia deixar de conferir. Foi ótimo, mas percebi que não conheço nada sobre a obra dele. Combinado para o meu retorno então, o projeto “Woody Allen”, em parceria com o meu namorado que, sendo a minha alma gêmea, gosta tanto dele como eu =)

E, o que sobrou para esse final de semana?

Eu não queria sair para lugar nenhum. Aliás, nem tinha dinheiro, já que minhas economias estão todas presas no banco e estou no aguardo do meu novo cartão para usufruir delas.

Então, no sábado saí para entregar alguns CVs por aí e depois não saí mais da cama, o que não foi ruim. Teve o filme “This must be the place”, que se passa na Irlanda, com o Sean Penn. Teve mini-muffins de chocolate (1,79 euros a caixa com 20). Teve The Big Bang Theory e New Girl. Teve Carlos Roberto Sponteado. Teve Rosemary Campos Rossi. Pra quê mais?

Hoje, acho que acabou a minha vontade de não fazer nada. Acordei, arrumei as coisas, lavei roupa, limpei o quarto. Pedi para a Marrion cortar a minha franja. Compramos comida e ela fez risoto de cogumelos e bolo de chocolate. Fiz as unhas. E, agora, mais New Girl, Beto e Rose. E pronto, estou novinha em folha para virar a página dos últimos acontecimentos. Ufa!

Até mais!

A primeira sexta-feira morando no centro

Olá!

A primeira sexta-feira morando no centro a gente nunca esquece. E como foi perfeita! É tão bom poder fazer tudo a pé e chegar rápido nos lugares. Para quem sempre morou longe das coisas legais da cidade e sempre teve que encarar uns bons 50 minutos para chegar até elas, estou no paraíso *____*

Ontem fomos visitar dois pontos turísticos localizados no Sudoeste de Dublin, em uma área conhecida como Old City, por ser uma das primeiras partes da cidade a ser construída.

Christ Church Cathedral: uma sobrevivente

Ela é uma das maiores catedrais de Dublin, que foi fundada pelo rei viking Sitric Silkbeard em 1030. Além do fato de ter quase mil anos de idade, a Christ Church é uma sobrevivente pois resistiu a diversas idas e vindas da história e, talvez à pior delas, a reforma protestante de Henrique VIII (ele sempre aparece por aqui, não é?). Conta-se que os fiéis imploraram ao rei que não destruísse a catedral e ele concedeu o pedido porém, mandando destruir todas os santos, que não foram repostos até hoje. Ela foi restaurada e modificada umas 10 vezes e pouco se vê da estrutura original.

Por fora, a catedral é incrível. O prédio é gigantesco, com várias torres, cruzes, janelas românticas, portas antigas. Por dentro então, nem se fala. Como sempre, eu espero chegar em uma posição boa para dar aquela primeira olhada. E uau, que incrível! A nave é gigante, com mais de 25 metros de altura, com todos aqueles detalhes, os arcos, os lustres, os vitrais, o altar. Até os bancos são diferentes aqui!

Ela tem diversas capelas espalhadas nas suas laterais. Uma das mais legais é a de St. Laurence O’Toole (arcebispo de Dublin que foi canonizado), famosa pelo piso de cerâmica original da época medieval e a caixa que contém o seu coração. O piso estava lá, lindo e original. Mas o coração não. Acreditam que ele foi roubado? Na nossa primeira semana aqui em Dublin, algum ladrão roubou o coração – que não tem valor monetário nenhum, mas é um símbolo de fé para muitas pessoas. Triste =(

Como se não bastasse tudo isso, a catedral ainda tem uma cripta sensacional, a maior da Irlanda e Inglaterra, com mais de 63 metros de comprimento. Lá dentro, podemos ver túmulos e monumentos a homens importantes para a catedral, além de tesouros como ouro, prata e bíblias presenteadas por reis da Inglaterra. Uma das coisas mais curiosas é a múmia de um gato e um rato, que ficaram presos em um tubo do órgão e acabaram mumificados.

E, mesmo eu já estando completamente satisfeita, o que descubro na cripta? 1) Um restaurante lindo, fofo, romântico, a luz de velas, com música antiga! Não comemos por lá porque o dinheiro anda limitado, mas eu ainda volto lá, ah volto! 2) Uma exposição com alguns figurinos usados pelo elenco de The Tudors (olha o Henrique VIII aí novamente) – roupas lindas, cheias de bordados, perfeitas. *____*

E eu ainda vou voltar lá, para assistir a uma missa com apresentação do coral e órgão. Imagina como deve ser lindo? =)

Dublinia: descobrindo as origens

Ao lado da Christ Church, no prédio de uma antiga igreja, fica localizada a Dublinia, museu-vila que retrata a chegada dos Vikings aqui nesta terra, como viviam e pelo que foram responsáveis. A exposição normal dura cerca de 55 minutos para ser feita, pelo que diz o guia. Mas nós levamos o dobro do tempo, de tão legal que é =)

No primeiro andar, descobrimos quem eram os Vikings (povos oriundos da região que hoje conhecemos como Dinamarca e Noruega), como viajavam (em barcos extremamente simples de madeira), porque viajavam (para buscarem melhores condições de moradia e alimentação no inverno brabo), no que acreditavam (vida após a morte), como eram suas casas (de madeira), do que se alimentavam (aves, peixes e pão) e por aí vaí.

Descobrimos também a história da fundação de Dublin que, para quem não sabe, só existe hoje graças aos queridos Vikings! Eles chegaram por aqui em 841 e encontraram uma terra boa, perto de um lago escuro – Dubh Linn, que deu origem ao nome da cidade. Fundaram a comunidade, constituíram comércio, fundaram igrejas. Eles foram derrotados duas vezes nos anos de 1014 (por Brian Ború – rei irlandês) e 1170 (Strongbow – cavalheiro anglo-normando) e acabaram se integrando à comunidade irlandesa local.

No segundo andar, temos uma verdadeira demonstração de suas condições de vida. Vemos como a peste negra causou a morte de milhares. Vemos como eles era julgados e punidos. Vemos como era o interior de seus barcos. Vemos uma representação de suas feiras de comércio. Vemos o interior de suas casas (e banheiros!). Tudo isso com atividades interativas, onde você pode se vestir como um deles, pode escrever o seu nome com a língua deles, pode ser condenado como eles. Adorei =)

No último andar, uma verdadeira aula de arqueologia, com uma exposição sobre como tudo isso foi descoberto, na escavação da Wood Quay (uma rua à beira do Liffey), onde foi localizado um assentamento Viking. Descobrimos como os arqueólogos trabalham, quais ferramentas usam, como conseguem dizer a idade dos artefatos encontrados.

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A melhor noitada da minha vida

Depois disso tudo, estávamos esgotadas. Para vocês terem uma ideia, eu deitava no sofá em casa e via vikings, vitrais, estátuas na minha cabeça. Muita informação! Mas, a noite ainda era uma criança e decidimos aproveitar a nossa recém-adquirida liberdade de condução.

Tudo começou no mercado, onde compramos 6 latões de Heineken por 10 euros. Porque a gente simplesmente não compra mais bebida em pubs! Depois, tivemos a prova de que Deus protege os bêbados. O pobre quase, mais quase mesmo foi atropelado por um ônibus, bem na nossa frente. E ficamos preocupadas com ele “Ai Aline, vamos chamar a Garda, ele vai ser atropelado!”. Por fim, vimos que um senhor foi ajudá-lo e resolvemos seguir o nosso caminho.

Pub 1

Aqui em Dublin, não se paga para entrar nos pubs (mesmo que tenha bandas) – aprende São Paulo! Então, começamos a noite em um que estava rolando um world music, como nos disse o segurança mal humorado, quando perguntamos o estilo do som. O cara mandava bem.

Mas queríamos beber, então saímos do bar e fomos para uma pracinha ali perto tomar as cervejas. Quando estamos lá, surge o bêbado 2 da noite. Fiquei com medo, mas ele só queria conversar. Olhava para a Aline e dizia “She is Irish”. Apontava para mim e perguntava “Where are you from? You are not Irish!”. Eu disse a palavra mágica, Brazil. “Oh, I like Brazil and the soccer player Pele (algo como péli). He is a very clean soccer player, you know? He is not one of those dirty soccer players, he is clean.” Hilário!

Pub 2

Acabou o show no primeiro pub, mas ainda não estávamos satisfeitas, afinal onde está o rock ‘n roll desta cidade? Descobrimos que está no The Mezz, o mesmo da semana passada. Uma PUTA banda boa, tocando músicas que eu desacreditei. Rolou Johnny Cash, The Doors, The Beatles, The Clash e, o mais surpreendente, Paint in Black dos Stones. Dá para acreditar?

Depois disso, finalmente saciadas, fomos para a casa e chegamos em 15 minutos \o/.

After party

Aqui, como os bares fecham relativamente cedo, é muito comum fazer o After Party, uma festa que todo mundo vai para continuar a beber. No meu caso, não foi diferente e eu tive a melhor After Party de todas: mais de 4 horas no Skype com o meu querido namorado. Tem coisa melhor que isso? S2

P.S.: Hoje o dia foi de cozinhar, arrumar as coisas, recuperar o sono perdido.

Até mais!

A universidade mais rica do mundo

Olá!

Estou atrasada, eu sei. Mas não é fácil escrever tudo isso, sabe? Eu sei que exagero, mas eu gosto assim e acho que vocês também =)

O passeio de ontem foi cinco estrelas, pois estamos falando de uma das maiores e mais históricas atrações de Dublin. Sim senhores, com vocês, a Trinity College! Já havíamos passado por lá para fazer a carteirinha de estudante, mas naquele esquema de olhar sem realmente ver. Posso dizer então que a surpresa aconteceu do mesmo jeito, como se fosse a primeira vez =)

Entrada principal

Estamos falando da universidade mais antiga e com o melhor nível de ensino da Irlanda, da 65ᵃ melhor universidade do mundo e 21ᵃ melhor universidade da Europa. Também, ninguém menos que Bram Stoker (sim, o do Drácula mesmo – que é irlandês, aliás), Oscar Wilde (s2), Samuel Becket (ganhador do Nobel de literatura) e diversos políticos estudaram por lá.

Pátio central

A universidade foi fundada em 1592 pela rainha Elizabeth I (filha do Henrique VIII, que já comentei por aqui), no local de um mosteiro agostiniano. No começo, ocupava apenas um pequeno espaço mas, como o passar do tempo, parceiros foram surgindo, os cursos foram sendo formatados, os livros para a biblioteca foram sendo adquiridos e sua fama foi surgindo.

Campanário

No começo, apenas os alunos de famílias protestantes eram aceitos. Mas, a partir de 1873, os católicos também passaram a frequentar a universidade. Mas, até então, só os homens podiam estudar lá, vê se pode? Foi somente em 1904 que as mulheres começaram a ser aceitas.

Estátuas de homens importantes para a universidade

Hoje em dia, a universidade conta com três faculdades principais: 1) Faculdade de Artes, Humanidades e Ciências Sociais; 2) Faculdade de Engenharia, Matemática e Ciências; 3) Faculdade de Ciências da Saúde. Dentro delas, estão divididos os inúmeros cursos de graduação e pós-graduação. Imagina, ter um diploma da Trinity? #Morri

O campus é MARAVILHOSO! Além de prédios grandes, históricos, de belíssima arquitetura e jardins impecáveis, o ambiente é calmo, alegre, cheio de pessoas (estudantes, professores, turistas, grupo de crianças em excursão) passeando, almoçando nos jardins, conversando, fotografando e até fazendo acrobacias.

=D

Infelizmente, quase todos os prédios são fechados para visitação ao público, pois poderia atrapalhar o funcionamento da universidade. Então fica a vontade de conhecer o que está lá dentro e se imaginar ali um dia, lendo o Retrato de Dorian Gray e se emocionando ao pensar que o cara que escreveu o livro que você tanto gosta estudou ali.

Mas eu disse quase todos, certo? Sim, tem um muito especial é aberto ao público. E, eu não sei o que tem nos outros, mas acho difícil que eles sejam mais valiosos do que esse que eu visitei. Estou falando da Old Library! Como o próprio nome diz, é uma biblioteca antiga. Quem me conhece, sabe que eu sou fascinada por bibliotecas e por coisas antigas. Ok, eu já estaria satisfeita só com isso. Mas essa não é uma biblioteca normal, ah não. Uma de suas salas armazena o Book of Kells (manuscrito medieval) e sua sala principal, o Long Room, é uma das coisas mais fascinantes que já vi na vida.

A exposição começa com a sala do Book of Kells. Ele é um manuscrito medieval, feito por monges (4 escribas e 3 artistas, ou seja, feito a 7 mãos!) por volta do ano 800, riquíssimo em iluminuras, escrito em latim e que contém os quatro evangelhos do Novo Testamento, sobre a vida de Cristo. Ele não foi feito para ser usado em leituras do dia a dia, apenas em cerimônias e ocasiões muito especiais. Em toda a sua cronologia, ele foi começado, terminado, roubado, recuperado, ficou desaparecido, foi encontrado e, finalmente, foi devidamente armazenado. Em virtude da sua grande beleza artística e da excelente técnica de seu acabamento, ele é considerado um dos mais importantes vestígios da arte religiosa medieval. Olha só que tesouro? *____*

A página mais elaborada do livro, parte do evangelho de St. Matthew

A exposição segue essa lógica: 1) contextualização da época (primeiros contatos daquele povo pagão que aqui vivia com o Cristianismo); 2) como era o trabalho dos monges (as missões que precisavam fazer, as cerimônias, em qualquer hora do dia e da noite); 3) manuscritos similares (Book of Mulling, Book of Oimma – este último com uma perfeição que eu não consigo entender); 4) do que eles eram feitos (de pele de bezerro , que era imersa em excremento e depois raspada com uma faca para retirar os pelos e, depois de seca, era dividida em duas páginas ou do latim bifolia); 5) com o que eles escreviam (penas de ganso ou cisne, gigantescas, além de compassos para ajudar nos desenhos); 6) do que eram feitas as tintas (pedras, plantas, cascas de árvores); 7) como os monges escreviam e desenhavam (os monges escribas escreviam, os monges aristas desenhavam); 8) como era o acabamento (com madeira, pele de bezerro, linhas grossas); 9) como eles faziam como erravam (se a página estivesse errada, desenhavam cruzes nela e, se errassem apenas uma palavra ou outra no texto, faziam um símbolo indicando que era um erro). E finalmente, em uma sala especial, temos o Book of Kells.

Lá, temos dois volumes do Book of Kells abertos (são quatro ao todo): um com o evangelho de St. Matthew (com o retrato dele em uma página – folio 28v e Liber generationis, palavras de abertura de seu evangelho em outra página – folio 29r) e outro com textos – Folios 145v-146r – ‘A prophet is not without honour, but in his own country’).

St. Matthew

Olha como as letras eram decoradas!

O tempo todo você se pergunta como esses caras conseguiam fazer isso, com tão poucos recursos. Cara, eles escreveram o livro a mão, que é enorme! Imagina quanto tempo levaram? E ainda decoraram tudo, com letras rebuscadas, iluminuras, cheias de significados. Nada está ali por acaso, tudo quer dizer alguma coisa. Sensacional.

Agora, para falar do Long Room, vou precisar descrever exatamente o que senti e pensei, para que vocês possam ter uma noção da grandiosidade do que estou falando.

E lá vai a Talita subindo a escadaria que dá acesso ao Long Room. No topo, ela vê uma placa dizendo que, excepcionalmente hoje, poderá ver de perto o trabalho de restauração dos livros antigos. Ela pensa: “Uau, sempre quis ver algo assim!”. E lá estão as moças, limpando os livros com pincéis e luvas roxas. Ela pensa: “Nossa, acho que eu ia tremer só de segurar um livro tão valioso assim… Caramba, que curso será que ela fez na faculdade? Será que estudou aqui? Poxa, deve ser tão legal. Acho que eu gostaria de trabalhar com isso. Será que estou na área errada? Será que…”. E Talita é chamada de volta à realidade por Aline, que sensatamente lembra que ainda temos muito o que ver, antes do espaço fechar. Ok.

Olhando para o lado, Talita vê os painéis de uma exposição temporária sobre a França de Louis XIV, feita com gravuras e ilustrações dos livros que estão expostos no Long Room. Ela pensa: “Hum, eu adoro a França e todos os Louis! Que legal, vou prestar bastante atenção. Será que foi o Louis XIV que fundou Versailles? Porque eu lembro que tinha uma estátua dele na entrada de Versailles… Vou pesquisar isso depois.”.

Enquanto pensa com seus botões e olha os painéis ao seu lado, Talita não percebe que entrou finalmente no Long Room. Só quando ela ouve os “ohhhh” das pessoas ao seu lado e sente um aroma doce, amadeirado, empoeirado, é que ela olha para a frente. Puta que pariu. Talita para e não consegue pensar em mais nada. Nada. Ela só olha para aquele ambiente enorme (mede 65 metros de ponta a ponta), com todos aqueles livros velhos (mais de 200 mil exemplares), todos aqueles bustos entre as prateleiras (grandes filósofos e escritores da humanidade – e o primeiro é logo o Shakespeare *____* – como se fossem os guardiões daqueles tesouros), inscrições em latim por todo o lado e aquele teto de madeira, completamente arqueado.

Foi exatamente isso que eu vi *_________*

E eu não cansava de olhar para a frente, para gravar todos os detalhes na minha memória. Eu poderia ficar muito tempo ali, só olhando para aquela cena… Mas tinha mais a ser visto por ali: uma das poucas cópias que sobreviveram dos cartazes da primeira tentativa de Proclamação de Independência da Irlanda, com um texto apaixonante e a harpa mais antiga já encontrada na Irlanda. Além de todas as gravuras de Louis XIV e Versailles, que quase me trazem lágrimas aos olhos, por ver o que eu eu tanto amei na França retratado assim, em um livro feito muuuuuuito antes do meu tempo.

Olha, essa foi uma das melhores experiências da minha vida. Como eu me senti bem ali. Me senti em casa, com tudo o que eu gosto me rodeando. E eu posso dizer que essa foi a primeira grande surpresa que Dublin me proporcionou, sem pressa, em um belo dia após a aula de inglês. Ah, Dublin…

P.S.: Me desculpem pela demora em postar. Eu pretendo fazer isso todos os dias mas, enquanto não tenho uma rotina muito definida, fica difícil. Mas, em muito breve, chegarei lá. A boa notícia é que fechamos o apartamento (o primeiro que visitamos, da Yujin). O outro que comentei era bom também, mas não deu certo, a pessoa desistiu de sair. Mudança programada para terça-feira que vem =)

P.S.: Momentos de desespero e angústias nesses últimos dias, quando estava difícil resolver a questão do apartamento e com tudo o que eu ouvi sobre como é difícil arrumar emprego por aqui. Mas sabe de uma coisa? Eu vou ver tudo cor de rosa, mesmo assim. Obrigada, Mamis da minha vida, pelo livro cor de rosa e por essas constatações =)

P.S.: As fotos internas deste post não são minhas, pois é proibido tirar fotos lá dentro. Obrigada, Google Images.

Ireland, a history

Olá, leitor!

(Sim, porque agora tenho leitores! O Ode to Ireland foi oficialmente divulgado \o/)

Se tem uma coisa que eu gosto na vida é história. Agora, imagina como eu levei a sério o negócio de entender a história do país onde vou morar? Sim, eu parti em uma busca insana para tentar entender direito porque diabos surgiu o IRA e porque o país é dividido em dois. E adivinhe? Eu fiquei mais apaixonada ainda =)

Eu não sei se você gosta de história. Provavelmente não. Mas, de qualquer forma, eu vou te atormentar com um breve resumo da história desse país incrível. Obrigada.

O começo 

– Tudo começa com um povo bem antigo, talvez oriundo da Escócia que, nas suas andanças, descobre uma terra verde e chuvosa e decide armar acampamento por ali.

– Depois de um tempo, chega um povo mais desenvolvido, que sabe plantar e construir coisas de pedra. Eles constroem o famoso túmulo de Newgrange (adivinha quem vai visitar? o//).

Túmulo neolítico incrível *___*

– Os primeiros trabalhos em metal e cerâmica são feitos na Idade do Bronze e são aperfeiçoados na Idade do Ferro. Eles acreditam em fadas e duendes. Eles são celtas e lindos \o/

O cristianismo 

– Chega na ilha o famoso, o único, o inigualável St. Patrick, que traz o cristianismo para aquele povo pagão adorador da natureza.

Agradeço a St. Patrick pela festa incrível a que participarei em breve o/

– Chegam os vikings safados e saqueiam tudo que encontram pela frente. Eles fundam cidades importantes como Dublin (tudo bem, eles não são tão safados assim).

O domínio 

– O rei inglês Henrique VIII (sabe, do The Tudors? s2) é declarado senhor da Irlanda pelo parlamento inglês. E é com ele que começam os problemas religiosos na Irlanda.

Qual dos dois você prefere? O.O

– Henrique VIII, influenciado pelas ideias protetantistas e louco de desejo por Ana Bolena, rompe com o Vaticano, para poder anular seu casamento com a rainha Catarina de Aragão.

– Ele funda a Igreja Anglicana, declara uma luta contra o catolicismo, dissolve os monastérios e executa um monte de gente.

– As novas regras protetantistas chegam na Irlanda e isso enraivece o povo que ali vive. Eles lutam bravamente por um bom tempo, para poderem manter a sua religião.

– Depois de lutas e revoltas, o poder protestante inglês se firmou na Irlanda e os rebeldes católicos perderam suas terras e seus direitos civis.

Morte e independência

– Com a perda de quatro safras consecutivas de batatas, cerca de 1 milhão de irlandeses morreram de fome ou doença, no período conhecido como “A Grande Fome”. Existe um monumento em Dublin sobre isso, olha só:

E o mais triste é saber que aconteceu de verdade.

– Isso fez com que houvesse uma debandada de irlandeses para os Estados Unidos, principalmente em Nova York. Foi formada uma forte comunidade irlandesa por lá, com reflexos culturais que são vistos até hoje.

– Todas essas dificuldades deram início às exigências para a independência, que só ficou mais concreta após a Primeira Guerra Mundial, com a criação de um parlamento irlandês não oficial e levantes sangrentos.

– A ilha então é dividida em duas para tentar apaziguar as coisas: Irlanda do Norte, ainda pertencente ao Reino Unido e República da Irlanda (ou Eire – que lindo ^^), um novo país independente. Essa divisão vigora até hoje, mas os problemas não acabaram por aí.

Em nome de Deus e do poder

– Os católicos da Irlanda do Norte não aceitaram bem o fato de continuar sobre o domínio protetantista inglês e também queriam a independência. Enquanto os protestantes que viviam por lá estavam felizes da vida. Isso não poderia resultar em coisa boa.

– As duas comunidades trocam tiros e bombas por anos, matando milhares de pessoas. Surge o IRA (Irish Republic Army), braço armado dos católicos, que bota para quebrar nos atos terroristas na Irlanda e na Inglaterra.

#Medo

– Eles continuam assim por mais de 20 anos quando, finalmente, é assinado o Acordo de Sexta-feira Santa, estabelecendo novos moldes para o governo na Irlanda do Norte. Um bom tempo depois, o IRA abandona a luta armada e promete seguir um caminho democrático.

– E, como última medida pacificadora, um protestante e um católico passaram a dividir o gabinete de Primeiro Ministro da Irlanda do Norte, para tentar trazer direitos iguais para ambos os lados.

– E, agora, ficam os votos para que os próximos anos sejam pacíficos por lá. De vez em quando, a polícia encontra algumas bombas perdidas por lá (#Medo), mas tudo parece estar bem.

UFA! Não é fascinante e perturbador perceber como a decisão (um pouco egoísta) de um rei no século XVI afeta a vida de milhares de pessoas seis séculos depois? Eu acho =)

Estou ainda mais encantada por esse país incrível, ah estou.

P.S. Faltam 33 dias \o/