Mudanças

Tá aí o motivo da minha ausência por aqui nessa semana: após muitas crises de choro, horas perdidas de sono, discussões com o meu conselheiro oficial (ele, sempre ele), resolvi sacrificar alguns dias da minha viagem em benefício da minha sanidade. O dinheiro estava apertado demais e o projeto, monstruoso demais.

Oito dias a menos, dias mais proveitosos em Londres, adeus Bélgica, adeus Holanda, adeus cidades lado-extremamente-B na Alemanha, olá Natal “em família”, olá Budapeste, olá Bratislava, olá dinheiro extra.

Não, não doeu cortar tudo isso. E, na verdade, pela primeira vez em muito tempo, eu me senti entusiasmada com a viagem e não sentindo como se ela fosse um fardo que eu tivesse que carregar antes de poder reencontrar a minha família.

P.S. Agora, com tudo já esclarecido, volto às tarefas diárias do planejamento. Em breve, mais novidades! ^^

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A bela Connemara

Neste domingo, como há muito não fazíamos, eu e a Aline saímos para passear. É engraçado, antes fazíamos quase tudo juntas, desde refeições à planejamentos dos finais de semana. Agora, cada uma tem a sua vida, a sua rotina e as suas horas insanas de trabalho, o que atrapalha qualquer possibilidade de lazer integrado. Mas, como ela logo irá embora, decidimos aproveitar o pouco tempo que resta para fazer um tour para um dos lugares que mais estávamos ansiosas para conhecer, desde que começamos a falar de Irlanda, a Kylemore Abbey, localizada na região de Connemara, no Oeste da Irlanda.

E foi uma aventura só! Como teríamos que atravessar o país, o tour saiu bem cedo, às 7h da manhã, o que significa que a Aline foi direto e virada do trabalho (ah, essa vida de trabalho em bares) e eu tive que andar por 20 minutos no breu das 6h da manhã até achar um táxi que me levasse para o centro (ah, essa vida de morar em bairro afastado).

Mas valeu a pena, porque pudemos dormir por 3 horas, até que o ônibus chegou a Galway (s2) e fomos transferidas para o ônibus do tour, já cheio de turistas espanhóis, americanos, holandeses com máquinas nos pescoços e caras de expectativa. Acho que eu estava mesmo era com cara de preguiça pois, por mais que eu adore conhecer esses lugares inóspitos e mágicos da Irlanda, acho esse tipo de tour muito cansativo (e esse já é o meu quinto! ¬¬).

E o motorista se apresenta, muito simpático. E, que bom, o microfone desse ônibus tem um áudio bom, dá para entender tudo o que ele fala. E ele sai contando sobre Connemara, que é a região localizada a oeste do Lough Corrib, o segundo maior da Irlanda e que desemboca no mar em Galway. Suas atrações são as paisagens sensacionais de montanhas na beira do lago, os bolsões de irlandeses que ainda se comunicam essencialmente em gaélico, as ovelhas de cara preta e as charmosas casinhas cobertas de sapê no telhado.

Parando a cada cenário merecedor, vemos o mar a se perder de vista no horizonte, vilas românticas com casinhas que parecem de bonecas, igrejas medievais, pubs (#óbvio), mini-cachoeiras, montanhas, ovelhas, cavalos e os famosos “muros da fome”, que possuem uma história trágica para não ser cômica.

Na época da fome, a principal fonte de renda e alimentação da população era o plantio de batatas. Como, em três anos seguidos, a safra foi prejudicada por uma praga, faltou trabalho para muita gente. Para não deixar os empregados sem fazer nada, os senhores de terra ordenavam a construção desses muros baixinhos de pedra empilhada (me diz, como as pedras não caem com o vento absurdo que bate por aqui? o.O), morro acima e abaixo, mas que não tinham propósito algum. Hoje eles são vistos como uma cicatriz na paisagem da Irlanda, para lembrar daquela época terrível, em que tantos irlandeses morreram de fome e outros tantos abandonaram o país em busca de uma vida melhor.

Lá para o meio do dia, chegamos ao highlight do tour, a magnífica, estonteante, mágica, inacreditável Kylemore Abbey! E eu já sabia que o lugar tinha algo de secreto e sagrado, pelas fotos que vi. Mas, ao passar pelo caminho que antecedeu à chegada ao destino, com aquelas estradas vazias, só com as montanhas de fundo, sem uma alma viva por perto, pude realmente ter noção de quão sagrado e secreto é, como se você tivesse que percorrer todo aquele caminho para ser digno de visitá-la.

A história do lugar é encantadora, assim como todo o resto. O prédio foi construído no período de 1867 a 1871, empregando mais de cem homens, com o objetivo de ser a residência privada da família do médico inglês Mitchell Henry, que se tornou um político influente na região de Galway. O prédio foi projetado para possuir 33 quatros, 4 banheiros, 4 salas de estar, sala de jogos, sala de bilhar, biblioteca, sala de estudos, sala para fumar, sala de armas, além de vários escritórios e dormitórios para o açougueiro, cozinheiro, camareira e outros empregados da família. Bem modesto, como podem notar.

E acontece que o tal do Mitchell Henry era casado e perdidamente apaixonado por sua esposa, Margaret Henry. Em uma viagem que fizeram pelo Egito, ela contraiu uma doença e morreu, em 1874. Em sua homenagem, ele construiu uma linda igreja gótica nos terrenos, baseada na estrutura da St. Paul’s Cathedral de Londres e um mausoléu, onde os restos mortais do apaixonado casal descansam.

Após a tragédia, Henry voltou para a Inglaterra e vendeu o prédio para a o duque e a duquesa de Manchester em 1903. Eles viveram por lá por alguns anos, até que as dívidas de jogo os forçaram a vender a propriedade. Em 1920, a comunidade das freiras irlandesas beneditinas comprou o prédio, que foi transformado em uma abadia e escola para meninas que desejavam se tornar freiras. Até hoje, muitas freiras residem por lá, motivo pelo qual boa parte do castelo é fechado para visitação do público.

O chato é que o tempo estava fechado e, bem na hora que chegamos por lá, começou a chover. Mas, como uma das coisas que você aprende aqui na Irlanda é tomar chuva sem se importar, continuamos no passeio, nos aventurando até o jardim também. Ele não é tão bonito assim quando o restante do terreno e, se eu soubesse disso, teria dedicado mais tempo ao prédio em si do que o jardim.

Faltando cinco minutos para o ônibus sair, corremos com uma sopa enfiada às pressas em um copo de papel e um merengue que quase derreteu na chuva. O que a gente não faz para aproveitar ao máximo o tempo de visitação dos lugares!

Na volta, tivemos mais duas paradas que eu, sinceramente, não vi. Chega das mesmas montanhas e lagos, né? Se eu pudesse escolher, teria ficado mais tempo na Kylemore Abbey e não nas 67475908 paradas no meio do caminho. Chegamos em Galway, demos uma voltinha e pegamos o ônibus para Dublin, chegando umas 21h30. Nos despedimos e cada uma tomou o seu ônibus para casa. Mas bem que eu queria que a gente pudesse ter ido juntas para a mesma casa, para cozinhar um strogonoff de frango com brigadeiro de sobremesa.

Até mais!

Ah, os celtas…

Este sendo o último final de semana da Jubs aqui em Dublin (porque no outro ela iria viajar, antes de voltar para o Brasil), precisávamos fazer algo especial. E o destino escolhido foi as Midlands, terras médias, terra que possui tantos registros dos celtas, povo lindo e poético que eu tanto gosto =)

Como a região é muito inóspita, é impossível cobrir todos os pontos por transporte público. E a Jubs e Tamis (companheiras do dia), apesar de serem motoristas habilitadas, tem medo de dirigir na mão invertida (eu também teria!). A solução foi pegar um tour de um dia saindo de Dublin e, quer saber? Foi a melhor escolha! O tour cobriu bem os principais pontos de interesse e viajamos em um micro-ônibus, com um guia que explicava tudo e andava com a gente até as atrações, o que é inédito nesse tipo de passeio.

E lá vamos nós no ônibus, saindo às 8h da manhã da Suffolk St., falando sem parar para atualizar as novidades, até que tomamos uma bronca por estar falando muito alto (e demais). Mas quem disse que a gente parou? Era papo sobre a nova casa da Tamis (que acabou de ser contratada como au-pair live-in, assim como eu), o que fazer quando as crianças são mal-criadas, sobre a falta de higiene do povo aqui, os amores, os empregos, o tempo, moda, dinheiro, viagens. Pobres companheiros de ônibus! >.<

E a primeira parada foi o Hill of Tara, um complexo arqueológico repleto de monumentos antigos e, de acordo com a tradição celta, o lugar de onde o alto rei da Irlanda comandava todos os demais reis das outras províncias. A geografia de Tara é muito peculiar, com diversos morros que formam anéis se vistos de cima. Você para e pensa: “Como aqueles caras conseguiam fazer isso naquela época tão primitiva?”. Incrível!

Há muitas controvérsias sobre o verdadeiro papel de Tara na sociedade celta, mas a maioria dos estudiosos concorda que sempre foi de importância fundamental, sendo o palco dos rituais de inverno e verão, além de onde os futuros reis eram escolhidos, após passarem por uma série de desafios e, no final, tocar na pedra Lia Fáil (pedra do destino), que deveria soltar um “grito que seria ouvido por toda a Irlanda”, caso a pessoa fosse digna de ser rei.

Que sensação especial eu senti por estar ali e tocar aquela pedra, que representava tanto para eles (e que é mais antiga que as pirâmides do Egito!), olhando aquela paisagem, imaginando o tipo de festividades que ocorreram ali naquele chão em que eu pisava. Nostálgico. Mágico. Poético.

E a segunda parada foi esta igreja em ruínas, que eu não consigo lembrar o nome ou encontrar na internet (¬¬). Que visual, aquelas ruínas ao fundo, vacas no pasto, vento frio, dia nublado. Me senti em um filme de época, daqueles que tanto gosto s2

E a terceira parada foi o Trim Castle, famoso por ter sido cenário do filme Coração Valente, aquele com o Mel Gibson. Mas não é só por isso que ele merece destaque. Na verdade, esse é o maior castelo anglo-normando construído na Irlanda, ainda no século XII! Ele sempre foi um centro de administração e comércio do condado de Meath, no decorrer de todos os séculos seguintes, passando de pai para filho e sendo vendido algumas vezes, mas só foi vendido ao estado mesmo em 1993, quando se iniciou um trabalho de restauração.

E é uma pena que o tempo é curto. E eu corria que nem uma louca, tentando tirar fotos bonitas, ler as placas com a história do castelo, parar e sentir a emoção de estar ali. Bom, as fotos ficaram legais. E tirei fotos das placas, para ler depois. E, sim, parei e só observei tudo aquilo por um tempo, maravilhada.

Mas, infelizmente, o castelo é fechado para visitação. Bom, não para a gente. Eu estava por ali e, de repente, vejo uma porta aberta. Grito para as meninas, vamos entrar! E subo as escadas, a Tamires atrás de mim e, quando chegamos lá, sai um funcionário e diz que não podemos entrar. Eu faço uma carinha de gato do Shrek e digo que é uma pena, que deve ser tão lindo por dentro. Acho que ele se sensibiliza, por que deixa a gente dar uma olhada rápida e tirar algumas fotos. Opa! E vejo um salão enorme e escadas que levam para os andares superiores. E imagino os banquetes que foram realizados ali, caindo uma lágrima! Mas eu me atrapalho com a emoção. Olho tudo e tento tirar fotos, mas elas não saem bonitas ou lógicas. E logo ele diz que temos que ir embora. Desço as escadas até meio tonta, não acreditando que conseguimos entrar em lugar tão secreto e até sagrado ^^

E a quarta parada foi Loughcrew, um dos quatro maiores túmulos pré-históricos da Irlanda, também mais antigo que as pirâmides do Egito, acreditando-se terem sido construídos em 3.000 aC. O túmulo consiste em câmeras cobertas por um morro e totalmente ornamentadas com inscrições por dentro, onde as cinzas dos mortos eram depositados (é, nessa época eles incineravam os corpos antes de enterrá-los). O inacreditável do lugar é que, não se sabe como direito, mas ele foi projetado de forma que, no equinócio de primavera e outono, os raios de sol entrem e iluminem as câmeras internas. Oi, como os caras conseguiam calcular isso e projetar a posição das pedras para que funcionasse? *_______*

Para chegar lá, subimos um morro por uns 10 minutos e eu não sabia se olhava a paisagem, tirava fotos ou me concentrava em respirar com tanto esforço físico. E lá chegamos e nos dividimos em dois grupos para entrar dentro do túmulo. Enquanto esperávamos, tiramos fotos, eu ajoelhando no meio dos cocos das ovelhas para pegar o ângulo perfeito, tentando registrar perfeitamente aquela paisagem sem igual. E chegou a nossa vez de entrar. Você tem que abaixar, pois o teto da entrada é muito baixo. E é escuro, precisamos de uma lanterna para poder ver as inscrições nas pedras. É emocionante ver como aquele povo primitivo já se importava com a morte, sempre um mistério, e se preocupava em construir um santuário para as cinzas de seus entes queridos.

Nessa região, paramos para almoçar em um café no meio do nada, lindo e remoto. Eu trouxe os meus sanduíches de casa, já que agora estou no projeto economia para a viagem final, que falaremos em breve.

E a quinta parada foi a Jumping Church, que tem esse nome devido à história de que, um belo dia, um não cristão foi enterrado no solo sagrado da Igreja mas, durante a noite, a parede da igreja misteriosamente “pulou”, deixando o corpo do pobre coitado de fora do solo sagrado, já que ele era indigno de tamanha consideração.

Aqui eu comecei a sentir um calafrio, ao perceber que praticamente só havíamos visitados cemitérios. E esse, ao redor as ruínas da igreja, era especialmente sombrio, a grama alta, abandonado, velho.

E a sexta parada foi Monasterboice, um assentamento cristão para práticas religiosas e ensinamentos, fundado no século V por St. Buithe. Mais um cemitério, mais organizado, tão sombrio quanto o outro, cheio das famosas cruzes altas da Irlanda, que são estruturas decoradas com as histórias da Bíblia e que os monges utilizavam para ensinar os evangelhos.

E a mais famosa é a Muiredach’s High Cross, com 5,5 metros de altura, considerada a melhor do tipo em toda a Irlanda. Ela é decorada com histórias do Novo e Velho testamento da Bíblia e você pode ver em detalhe cenas de Adão e Eva e o Juízo Final, por exemplo. Muito legal =) Bom, mas acho que agora chega de cemitérios por hoje né?

E a última parada foi a cidade de Drogheda, importante por ser o último ponto de parada do Rio Boyne antes de desembocar no mar. Por lá, visitamos a St. Peter’s Cathedral, bonita e famosa por ser o lar dos restos mortais de St. Oliver Plunkett, um padre católico que foi perseguido, julgado por traição e morto na época da reforma. Gente, é assustador ver a cabeça dele ali, tão intacta e, sei lá, viva. Não tirei foto dele, achei falta de respeito >.<

E depois fizemos um tour a pé pelos pontos de interesse de Drogheda, o guia contando tudo sobre Crownell e eu muito interessada ouvindo e me surpreendendo, como sempre, como essa questão do catolicismo x protestantismo destruiu vidas, desde o século XVI até poucos anos atrás. Ah, Henrique VIII. O que você me aprontou, hein?

Como ainda nem havia escurecido quando voltamos a Dublin, resolvemos tomar uma para fechar o dia. Fomos ao pub Turk’s Head, no Temple Bar, onde o pint custa só 3,50 até às 20h. Algumas Paulaners depois, partimos para o pub PorterHouse, casa de milhares de cervejas especiais e daquele pratão sensacional de comida que adoramos. Comemos, bebemos, ouvimos música. E, feliz da vida, mas vendo cruzes ao fechar os olhos, fui para a casa.

P.S.: No domingo, trabalhei de manhã, levei a Jubs para conhecer Howth à tarde (com direito a descer o penhasco do medo e comer o melhor crepe da história >.<) e fui visitar minha amiga Melissa no hospital (internada há dois dias, sem causas muito definidas. Estou muito triste com isso. Se eu já me sinto sozinha, sã e salva, imagina ela, doente?).

P.S.: E eu tive um momento nostalgia, ao lembrar que todas as vezes em que estava solteira, planejava ir à uma noite celta no Blackmore Rock Bar, com bandas que tocam um som diferente e cabeludos que parecem elfos. É, naquela época eu nem imaginava que um dia pisaria no solo sagrado dos celtas… Como a vida é engraçada, não é?

Dos últimos finais de semana

Sim, as coisas andam meio paradas por aqui. Mas, poxa, eu acabei de escrever um livro sobre a viagem à Belfast e isso esgota as energias! Além disso, ainda estou em fase de adaptação no emprego novo, já que o dia da Mags mudar de casa chegou e a minha rotina ficou meio insana com isso (comento sobre ela mais para frente porque, só de pensar, já fico cansada).

# Fim de semana 1

Eu estava de plantão para ir até a casa nova da Mags organizar as coisas dos bebês, já que eu sei o jeito que ela gosta das coisas e dobro as milhares de roupas deles como ninguém. Mas o que era para ser sábado, ficou para domingo e eu perdi quase todo o final de semana nessa espera.

O sábado musical

No restinho que sobrou do sábado, quando descobri que não seria necessária na mudança, corri para aproveitar dois eventos super legais que estavam rolando em Dublin, mas muito pelas coxas, por causa do pouco tempo disponível. A primeira parada foi o Dublin Tall Ships Races 2012, literalmente uma corrida de navios, que começou na França em maio e terminou aqui em Dublin no final de agosto. Para comemorar a chegada dos navios aqui, quatro dias de festival com música, comida, arte e exposições foram organizados nas Docklands, a região das docas de Dublin, que eu adoro ^^

Cheguei e fui direto para a arena da Bulmers (a famosa cidra irlandesa, que eu detesto), palco dos shows das bandas independentes aqui de Dublin. O som estava sensacional, enquanto eu esperava na fila e decidi ir direto mesmo, sem ver os navios (erro, porque acabei não voltando para ver o principal, depois de algumas cervejas na cabeça =S). Assisti a dois shows, das bandas Frank & Walters (música mais alternativa, meio indie, mas com um balanço legal) e a Therapy? (que me fez lembrar dos shows covers que eu adoro ir com o meu irmão =/).

Saindo de lá, fui para o Down With Jazz Festival que acontecia no Temple Bar, em homenagem a um movimento “anti-Jazz” que surgiu aqui na Irlanda na década de 30, por motivos políticos, mas esqueci de reservar o meu ingresso. Acho que o segurança viu a minha cara de decepção, porque me disse para voltar em uma hora que ele me deixaria entrar =)

Para esperar, fui então para um pub em que eu estava de olho há tempos, um dos únicos nessa cidade que parecia tocar música boa de verdade, o Ha’Penny Bridge Inn. Quando eu ainda trabalhava no Trinity Bar, ficava na esquina (sem comentários maliciosos, por favor) perto desse pub e ouvia o som que rolava aos sábados, um blues e country americano ferrados, de arrepiar!

E lá fomos eu e minha Guinness, viajando na banda residente, Dermot Byrne Blues, composta por dois tiozinhos de cabelos brancos, dois violões e uma gaita. E só com isso, eles levam aquelas músicas que arrepiam até o seu último fio de cabelo e tocam surpresas agradáveis como “Get the Rhythm” do Johnny Cash. Incrível =)

Quase duas horas depois, lembrei do festival de Jazz e corri para lá, mas o meu horário limite para pegar o ônibus já estava chegando (além de todos aqueles casais curtindo a música, bebendo vinho e com luminárias fofas penduradas acima de suas cabeças, o que me irritou profundamente >.<) e eu resolvi ir embora.

O domingo que nem vale a pena comentar

Organizei brinquedos, roupas, limpei móveis e chão, praticamente sem comer nada o dia todo. Chegando em casa, com dor em todas as partes do corpo, recebi uma notícia devastadora, que vou resumir brevemente, porque me dá um aperto no coração falar demais sobre isso. O apartamento onde eu morava (e a Aline, Yujin e Lucia anda moram) foi assaltado e os computadores, máquinas fotográficas e dinheiro delas foi roubado. E eu não quero mais falar sobre isso, nunca mais.

# Fim de semana 2

O sábado em Clontarf

Resolvi ficar aqui pelo bairro mesmo, já que precisaria cuidar do Airt por algumas horas enquanto a Mary Rose iria para a yoga dela. Para economizar no ônibus e aproveitar melhor o sol inacreditável desse começo de outono, peguei a bicicleta dela emprestada. Mais de 40 minutos depois tentando descobrir como abrir a porta da garagem, subi na bicicleta para perceber que o banco era muito alto para mim, tipo de pedalar com as pontas dos pés. Tudo bem, resolvi fazer um esforço. Mas não pensei nas complicações na hora de parar a bendita. E assim, eu caí duas vezes na tentativa de parar, com todo mundo me olhando com cara de dó.

Entre trancos e barrancos, cheguei até o Casino Marino, meu destino daquele sábado. Com o nome do Italiano, significando “casinha perto do mar”, foi projetada pelo arquiteto escocês Sir William Chambers para James Caulfeild, o 1 º Conde de Charlemont, em 1775. A arquitetura é bonita, mas não é isso que faz o lugar merecer uma visita. O charme do negócio é que a casa foi projetada para parecer o que não é, cheia de truques. Olhando de fora, você pensa que a casa possui um único cômodo e andar. Mas ela tem, na verdade, três pisos e uns 10 quartos! É muito maluco! Portas falsas, janelas gigantes que se dividem em várias, efeitos de luz. Que maluquice desse conde e seu arquiteto =)

Voltei para a casa e parei para contemplar a maravilhosa vista do Sea Front, naquele maravilhoso dia, nos meus maravilhosos últimos minutos antes de trabalhar. E almoço, pego o Airt e volto para o Sea Front, com um cobertor, brinquedos e a minha máquina fotográfica, para ele ficar correndo por ali e eu tentando tirar a foto perfeita. Quando ele começa a querer andar para longe demais de mim, percebo que é hora de voltar pra casa.

O domingo da espera

Era um dia muito especial para mim, já que a minha querida amiga Juliana Myisaki (Jubs!) estava chegando do Brasil para ficar um mês estudando aqui. Eu amo a Ju e sinto muito a falta dos nossos almoços, baladinhas, palhaçadas. Mas o mais legal de tê-la aqui é a sensação de ter alguém amigo, conhecido, da minha vida antiga, nessa minha vida nova. Eu estava eufórica!

E a Jubs sempre com uma comida na mão =P

Trabalhei de manhã (aham, yoga novamente) e depois fui direto encontrar a Aline no apartamento dela, onde faríamos almoço. Foi triste entrar ali e, não sei se por causa do que aconteceu ou não, mas não senti nada de acolhedor e familiar ali. Fizemos batatas com creme e queijo ao forno (receita da Mamis da Aline), arroz e uma garrafa e meio de vinho, o que deixou tudo mais legal =P

E fomos bater pernas pelo centro, procurar o bolo perfeito (que não achamos), esperando a Jubs. E nada. E começamos a ficar preocupada. Meia Paulaner depois, ao som de The Cure no Turk’s Head, ela liga. Dei um grito de emoção. Mas, infelizmente, não a encontramos. Ela estava toda enrolada com a chegada e com medo de sair tarde sozinha e se perder. Essa Jubs!

Mas já que estávamos ali e a fome bateu e merecemos porque trabalhamos pra burro, resolvemos ir ao Fridays (de novo ^^) e comer até o estômago doer, com um belo hamburguer e uma sobremesa =D

P.S.: Em breve, mais detalhes sobre a minha rotina insana, o meu bairro maravilhoso e a visita mais que especial da Jubs s2

Arrumando as malas: Irlanda do Norte

Olá!

Hoje crio uma categoria nova para esse blog, o “Arrumando as Malas”, onde compartilharei as informações pré-viagem de todas as viagens que farei por aqui, sempre antes de embarcar. Quando eu voltar de cada uma delas (ou assim que der >.<), vem o pós-viagem, com todos os relatos e histórias do país e cidades visitados.

Sim, e isso significa que farei a minha primeira viagem internacional desde que cheguei a esta ilha, 5 meses e 11 dias atrás. Feliz, feliz =)

[P.S.: Contemplarei apenas viagens a outros países nessa sessão. As demais viagens para os condados da Irlanda continuarão a ser registrados da forma convencional. É, algumas delas aparecerão em breve por aqui ^^]


# Viagem 1

E ela está sempre comigo ^^


# O destino


País:
Irlanda do Norte

Capital: Belfast

Forma de governo: Monarquia Constitucional

Moeda: Pound

População: Mais de 1,7 milhão de pessoas

Temperatura média nessa época do ano: Entre 21 e 15 graus


# A viagem


Período:
16 a 19 de agosto

Cidades cobertas: Belfast, Londonderry e Causeway Cost

Transporte: Trem (ida e volta)

Hospedagem: The Linen House Hostel, localizado no Cathedral Quarter

Acompanhantes: Tamires Povreslo e uma amiga (ainda não conheço nenhuma das duas, já que conheci a Tamires por indicação da Thaís da Caso Design – que trabalhou comigo – e, mesmo ela já estando aqui em Dublin há um tempão, ainda não nos conhecemos =P)

Highlights: Museu do Titanic (sim, ele foi construído em Belfast \o/), City Hall, Murals of Belfast, Ulster Museum, Walls of Derry, Giants Causeway e Rope Bridge.


# Detalhes

– A Mags, minha querida chefe número 1, me deu hoje uma bolsinha LOTADA de moedas, totalizando 62 pounds! Ela disse que é para eu ter um jantar com vinho de qualidade… Agora me diz? Tenho ou não tenho a melhor chefe do mundo? =)

– A Mary Rose, minha chefe número 2, me emprestou uma mala super fofa de rodinha, bem pequeninha. Viajando em grande estilo! (E tomara que eu não tenha esquecido nada o.O)

– A viagem foi decidida em apenas 1 semana, já que aproveitei uma viagem que a Mary Rose está fazendo (com o Airt na casa de seu irmão) e pedi para a Kitty me cobrir por dois dias na Mags. Oportunidade de ouro!

– Inicialmente, a ideia era ir para Escócia mas, por conta do pouco tempo de antecedência, o preço das passagens de avião estava abusivo! Mas eu tenho um pressentimento de que a Escócia aparecerá em breve por aqui ^^

See you soon, lads!

Commuting 2: de casa para o trabalho

Olá!

Retomando a série Commuting, hoje é dia de apresentar o caminho de casa para o trabalho. São mais de 4 km (só a ida), que faço em 40 a 45 minutos, dependendo do dia, da minha disposição e se estou atrasada ou não =P

Esse caminho não será mais utilizado muito em breve e eu conto ainda essa semana o motivo. Mas é bom, fiquem sabendo =)

E lá vamos nós!

1) Porta do meu prédio (*___*) e pedaço da janela do meu quarto à esquerda.


2) Virando à esquerda na Mountjoy Square e seguindo em frente.


3) Chegando na Fitzgibbon Street, onde fica a Garda Station em que eu fiz o meu Police Report.


4) Virando à direita na North Circular Road, uma avenida gigantesca que passa na rua de trás de casa.


5) Mais uma vez, virando à direita na Ballybough Road, que eu já ouvi dizer que é uma das ruas mais perigosas de Dublin >.<


6) Passando por dessa “mini-ponte” com a vista do Croke Park Stadium, o segundo maior da Irlanda. Sempre tem gente voltando de shows (recentemente, Red Hot Chili Peppers) e jogos (o último no domingo, final de futebol gaélico – Dublin x Meath) por aqui ^^


7) Com algumas cenas meio decadentes no caminho. É, acho que não é uma das ruas mais perigosas de Dublin à toa =P


8) Passando por esse canal bem sujo mas que, às vezes, conta com algumas visitas especiais (vindos não sei de onde). Sim, são cisnes!


9) Virando à direita na Fairview Strand, onde a paisagem começa a ficar mais bonita!


10) Com essa linda igrejinha católica, a Church of the Blessed Virgin Mary, que tem um significado especial para mim ^^


11) Chegando, finalmente, na Marino Mart Road – o único trecho do trajeto com comércio. Ao lado, é possível ver o Fairview Park – gigante e que eu AINDA não conheço.


12) Gente, como é difícil passar por aqui, sentir o cheiro de comida  e resistir *_____*


13) Cruzamento da Marino Mart Road com a Howth Road. Vamos virar à esquerda aqui ^^


14) Essa igreja presbiteriana, muito linda também, fica logo no começo da Howth Road. E é tão alta que dá para ver a sua torre de bem longe…


15) Continuando na Howth Road, que toma cerca de 1/3 total do trajeto!


16) Com esse muro quebrado que apareceu do dia para a noite =P


17) E esse pub charmosinho (que eu nunca fui).


18) Chegando nessa viela que não aparece nem no mapa, mas que ajuda a cortar o caminho =P


19) E, finalmente, chegando ao destino final na Stiles Road, na casa de porta verde, bicicletinhas no quintal e…


20) Bebés maravilhosos que deixam essa Au-pair aqui boba e apaixonada s2 (Berto, the Berto na foto!)

Cheers!

A sina do Bank Holiday

Hello!

Tem uma coisa que virou o meu carma neste intercâmbio e que eu não consigo mudar, por mais que tente. Todos os meus bank holidays – os feriados daqui, sempre um pacotão de sábado, domingo e segunda– são sub-aproveitados, por falta de planejamento, por má sorte, por tempo ruim. E quem disse que esse foi diferente?

Vocês podem me perguntar: “Sua burra, porque você não aproveita para pegar um vôo barato e vai passar três dias na ensolarada Paris?”. Porque de burra eu não tenho nada e não vou viajar enquanto estiver pagando aluguel, para pagar duas vezes por uma cama. Sendo assim, minhas viagens – incluindo Irlanda – ficarão para o final e nessa conseguirei otimizar dinheiro e tempo. Humpf.

Sábado, seja bem vinda TPM

Eu não podia fazer muita coisa, porque tinha a festinha de 1 ano dos meus bebês bem no meio do dia e ainda iria trabalhar à noite. A festa (mais um almoção) foi legal, bem diferente do que estamos acostumados. E é tradição os pais fazerem o bolo dos seus filhos, mesmo que seja só decorativo. Sendo assim, tínhamos 3 bolos diferentes e um tiramissu (bleh!), mas o principal foi o bolo em forma de blocos de brinquedo que a Mags e o Bepi fizeram um dia antes – e de verdade porque eu acompanhei o processo!

Mas eis que, na volta da festa, peguei chuva e frio e cheguei em casa mal-humorada, trêmula e meio tonta – ainda com vestígios da virose da semana anterior. E não é que me bate uma crise de choro? Acho que é a TPM. Coitado do Carlos Roberto, meu amor, que assistia tudo pelo Skype e tentava me ajudar, conversando comigo por umas 5 horas para colocar as coisas no lugar. Obrigada por ser tão parecido comigo e me entender, em todos os sentidos, bons e ruins.

Mas decidi enfiar o pé na jaca e cabular o trabalho. Sorte que fiz isso, pois caiu uma tempestade à noite, que eu tomaria todinha na minha cabeça – já que trabalho na rua. A conclusão foi ficar em casa, comer batata-frita com o Thiago (o namorado da Aline que chegou essa semana para passar um mês aqui com ela) e a Marion, ouvir músicas e fazer planos futuros com o meu amor, que só conto depois.

Domingo, o pior dia para um passeio

O tempo não estava nada convidativo da minha janela. Mas eu tenho uma coceira que me impede ficar em casa em qualquer dia livre para passeio e lá fui eu e a Marion, mesmo com o vento gelado e a ameaça de chuva, para um passeio longe e maluco que eu inventei.

Começou ruim, quando perdemos o ônibus (obrigada, Formula 1 em Dublin, que desviou a rota do trânsito ¬¬) e tivemos que esperar uma hora no frio pelo próximo. O passeio em questão era a Castletown House, a maior casa no estilo paladino da Irlanda, localizada no condado de Kildare, a uma hora de Dublin.

Ela foi construída em 1729, por William Conolly, Speaker (a pessoa que falava) da Casa dos Comuns do Parlamento Irlandês. Infelizmente, ele morreu cedo e pouco aproveitou da casa, que ficou para seu sobrinho e sua mulher, Luiza Conolly, que finalizou o processo de decoração tão impecável que vemos hoje.

Sala das gravuras, um hobbie no século 19

Sala de entretenimento de Luiza Conolly

É muito legal visitar os cômodos luxuosos e conhecer a história daquelas pessoas. Mas senti que falta preservação ali. Em alguns quartos, o papel de parede está rasgado e os móveis até meio sujos. Uma pena.

O cômodo mais impressionante é esse salão de festas, utilizado para jantares e bailes – muito importante para manter o status social da família. O lustre é um dos mais bonitos que já vi na minha vida (e olha que eu já visitei a Sala dos Espelhos no Palácio de Versailles). Parece feito de balinhas e doces e eu e a Marion ficamos encantadas. Coisas de menina ^^

Tinha um concerto por lá, três mulheres cantando música erudita, muito bonito. Mas não podemos ficar muito porque eu ainda tinha que trabalhar e o barulho de fome do estômago da Marion estava muito alto e tivemos medo que atrapalhasse o concerto =P

O trabalho foi chato, visto que as ruas estavam vazias por conta do mal tempo. E meu gerente me mandou andar pelo quarteirão, em vez de ficar parada, o que me deixou esgotada! Mas teve pizza, brigadeiro e Skype com o meu amor em casa, para animar a minha noite.

Segunda, dia das delícias francesas

De manhã, meu ritual preferido: The Big Bang Theory (Leonard começando a namorar a Pryia agora – toma essa, Penny!) com cereais e iogurte, na cama *____*

Depois, ida a 3 supermercados para comprar a comida da semana, morrendo para trazer tudo para casa. Na volta, rolou um almoço compartilhado. Enquanto eu fazia arroz e carne (DE BOI, FINALMENTE – achei “patinho” em uma loja brasileira), a Marion preparou o Ratatouille (cozido de berinjelas, abobrinhas, cebola e tomate, com creme fraichè para acompanhar) que tinha me prometido. De sobremesa, Pan Perdu (o pão perdido), tipo uma rabanada com bananas fritinhas por cima. Ah, como eu adoro essa menina =)


Agora, atualização do blog, dar um tapa nas unhas (que não são pintadas há muito tempo, afinal, eu cuido de 4 crianças todos os dias), falar com a Mamis no Skype e assistir mais The Big Bang Theory, para fechar o dia.

De longe, hoje foi o mais legal, mesmo sendo Bank Holiday ^^

See you!