Até breve!

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Em exatas 5 horas, a minha viagem começa. Só terminei de empacotar tudo agora, morrendo de medo do peso da mala ultrapassar ou de ter esquecido alguma coisa.

Eu tentei deixar as coisas por aqui em ordem, mas dois posts ficaram pendentes e agora só consigo terminá-los quando voltar ao Brasil.

Não estou inspirada, estou assustada e com dor de barriga. Então, acho que vou parar por aqui.

Volto em 62 dias. Que Deus me acompanhe e ajude. Obrigada.

P.S. O Beto vai aparecer por aqui de vez em quando, ele prometeu s2

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Planejar é preciso

Eu já mencionei várias vezes que o final do meu intercâmbio será marcado por uma viagem a alguns países da Europa, os meus sonhos de consumo desde que me entendo por gente. Esse foi um dos motivos pelos quais eu escolhi um país europeu para viver, pela possibilidade de conhecer uns tantos outros, já que eles são próximos e eficientemente interligados por ônibus, trens e aviões de baixo custo.

Mas aí vem a parte difícil. Para onde? Quanto custa? Quantos dias? Isso é complicado para todo mundo. Mas, para a Talita, é um milhão de vezes pior. Quem disse que eu me contento em conhecer as capitais? Quem disse que eu sossego enquanto houver um museu ou igreja não visto em uma cidade? Não, eu preciso me certificar de que conheci bem os lugares. Na minha última viagem, a primeira para a Europa, sai frustrada e triste. Não me sentia digna de dizer “eu conheço Paris”, porque eu não conheço. Então, a minha viagem recebeu a sua primeira característica: ter qualidade, acima de quantidade.

Eu sempre soube que acabaria viajando sozinha, porque sabia que a Aline não tinha os mesmos planos malucos que os meus, mas isso nunca me incomodou. Era a minha viagem, do meu jeito, eu comigo mesma. Mas aí eu conheci o Carlos Roberto. E, em uma noite de janeiro, em um bar maluco na Paulista, enquanto eu falava em como seria incrível assistir a um show do Black Sabbath na Rússia, ele enfiava a ideia em sua cabeça de que, sim, ele precisava viver isso comigo. E dias depois, mesmo lutando contra vários fatores opositores, ele me comunica a decisão: eu vou viajar com você para o Leste Europeu.

E aí comecei a estabelecer a quantidade de dias. Quando eu só tinha um emprego, estava com data livre de saída. Nessa época, a conta de dias da viagem chegou a 127! Eu estava enlouquecendo, fazia contas e projeções financeiras, não sabia o que decidir, brigava com o meu amor toda vez em que tocávamos nesse assunto. Aí o destino decidiu por mim. Eu consegui o segundo emprego, o que está financiando as contas da viagem, com a condição de que eu trabalhasse até alguns dias antes do Natal. E isso me trouxe a definição do tempo: sessenta e oito dias inteiros, mais um em Dublin para dar tchau para as minhas crianças, me acabar de chorar, pegar as tralhas e ir embora.

Então chegou a hora de escolher os países, ó tarefa difícil! Foram muitas as leituras e os rascunhos no ônibus a caminho do trabalho. Mas o que ajudou mesmo, foi a conversa franca que tive comigo mesma, por meio do Carlos Roberto. E a partir daí, a França, a Itália e a Grécia, foram transferidas para uma planilha intitulada “os nossos planos futuros”. E, sem a sombra que esses gigantes faziam, eu pude ver dois países que nunca haviam me chamado a atenção, mas que não saem da minha cabeça agora: Alemanha e Polônia (porque a viagem para uma não é completa sem a outra, na minha opinião). Tendo essas definições, recheei o meio com aquilo tudo que nunca esteve em dúvida: Inglaterra, Escócia, Bélgica e Holanda.

Lá no Brasil, o amor enfrentava os mesmos problemas. A nossa peregrinação ao Leste era ousada, com todos aqueles países de idioma estranho, com o castelo do Drácula fazendo os nossos olhos brilharem. E, enquanto mais ele lia, minha alma gêmea que é, ele tomava uma decisão que eu apoiei totalmente, alma gêmea dele que sou. Vamos reduzir os país, aumentar a cidades. E fechamos então em três países apenas, oito cidades ao todo: Áustria, Rússia, República Tcheca.

Pronto, planejamento macro definido. Acabou? Nem começou. Quantos dias em cada lugar? Quais cidades dentro dos países? Qual a lógica de locomoção da viagem? Qual hostel? E, putz, o que visitar dentro das cidades? Para essas perguntas, eu ainda não tenho muitas respostas. Tenho sim uma planilha maluca, um milhão de links de blogs anotados, rascunhos feitos no caminho do ônibus. Mas está tomando forma. E, quer saber? Acho que não importa muito pra onde, porque eu sei que será inesquecível de qualquer forma.

P.S.: Sim, é por isso que ando meio devagar por aqui. Não é fácil cuidar de 5 crianças, atravessar a cidade entre os dois empregos, lavar louças, ter um blog e ainda planejar uma viagem. Eu tenho crises de pânico às vezes, vendo os dias se passarem e a planilha de planejamento continuar a bagunça de sempre >.<

P.S.: Mas o meu amor vai viajar comigo e os dias que faltam para o nosso reencontro diminuem cada vez mais. Logo, logo, perderemos uma casa decimal nessa conta, assim como já perdemos uma hora de diferença no fuso e temos mais uma a perder na próxima semana. Amor, amor! Quanto mais perdemos, mais ganhamos s2

P.S.: Esse final de semana foi inteiro dedicado pra isso. Até o momento em que vi o meu namorado sair todo bonitão para um show com os amigos e precisei ir tomar uma pinga no Temple Bar.

Irlanda do Norte #Dia 4

Último dia é sempre triste. É hora de juntar as coisas, fazer o check-out, deixar as malas no luggage room do hostel e sair para os últimos passeios. No nosso caso, para Londonderry, a segunda maior cidade da Irlanda do Norte, histórica e importante sob vários aspectos. Ela foi fundada em 546 d.C., quando St. Columbus construiu um mosteiro por lá. Derry, para os íntimos, é reconhecida como a única cidade inteiramente murada que restou na Irlanda e suas fortificações estão entre as mais bem preservadas da Europa.

Para chegar lá, fomos até a rodoviária e pegamos o ônibus (16 pounds, ida e volta), confortável e com dois andares. O trajeto dura pouco mais de uma hora e meia e aproveitamos para comprar o nosso café da manhã no caminho (pão com cream cheese, leite com chocolate direto do gargalo e donuts de geléia) e dormir =X

Por volta das 10h, chegamos em Derry, com o tempo meio fechado e ameaçando chuva (que não veio, ufa!). Saímos da rodoviária e entramos na cidade murada, que foi construída em 1618, para proteger a cidade dos chefes de clã gaélicos rivais. Andamos até chegar no “The Diamond”, memorial em homenagem aos mortos em guerras.

A próxima parada foi a região conhecida como “Free Derry”, por ter se declarado autônoma do controle da Inglaterra. Seu nome vem da mensagem que foi pintada em um muro e que dizia “You are now entering Free Derry”. Os residentes fizeram barricadas para tentar proteger a entrada da polícia inglesa na região e, seis dias após de muitos confrontos, a ordem foi restabelecida. Mas a região ficou para sempre marcada como ponto de tensão e confronto e é possível ver muitos murais políticos por ali, contando a história daquela época triste.

O mais impressionante, porém, é que a região foi palco do “Bloody Sunday”, que o U2 imortalizou em uma de suas mais famosas canções (I can’t believe the news today. I can’t close my eyes and make it go away). Nesse dia, domingo de 30 de janeiro de 1972, a polícia inglesa abriu fogo em direção a um grupo que fazia uma passeata pacífica em favor dos direitos humanos. No total, 13 pessoas foram mortas, sendo a maioria composta por adolescentes e muitos mortos com tiros pelas costas.

É muito triste andar pela mesma rua onde aquelas pessoas foram mortas. Quase crianças, da idade do meu irmão que, mesmo jovens assim, lidavam com problemas sérios e pediam paz. E ali eu senti a mesma impressão que senti no bairro tenso de Belfast. É tudo anormalmente calmo demais. Mas aquele não é um silêncio de paz e tranquilidade. É um silêncio carregado de luto.

Ainda andando por aquelas ruas, vimos uma torre bonita no topo de uma colina e fomos ver o que era. E descobrimos a St. Eugene’s Cathedral, construída em 1849. Ela é muito bonita e uma missa acontecia lá dentro e aproveitei para assistir um pedaço do lado de fora, enquanto a Tami entrava para fotografar a sua santinha que ela, milagrosamente, encontrou por ali ^^

De volta à cidade murada, andamos literalmente por cima do muro até chegar à importante St. Columbu’s Cathedral, construída em 1633, a primeira catedral fundada no Reino Unido após a reforma protestante de Henrique VIII! Muito bonita também e com uma mini-exposição muito interessante no lado de dentro, com artefatos da coroação da rainha Elizabeth II.

Para o almoço, a ideia era um restaurante de vovózinha com uma sopa quentinha. Mas quem disse que achamos? Tudo vazio, tudo parado por ali. Eu não sei se foi o domingo ou o tempo fechado, mas estava até dando um pouco de medo! Paramos então em um restaurante localizado na praça central da cidade murada e pedimos o famoso “Irish Stew”, ensopado de carne e legumes, que tinha mais carne gordurosa do que legumes e me fez meio mal. Mas o pint de John’s Smith estava bom =)

Para nos despedir de Derry, fomos para a região fora da cidade murada e atravessamos o Rio Foley, que corta a cidade. Tiramos fotos, ouvimos um cara tocando música irlandesa, comemos doce em uma área de atividades culturais que está sendo preparada para o próximo ano.

Como já não tínhamos mais nada para ver, antecipamos a nossa volta e chegamos em Belfast lá pelas 16h30. Aproveitamos para dar uma última olhada na cidade, agora do topo, no último andar do Victoria Square, um observatório lindo, com uma vista linda!

E não sobrou muita coisa mais. Foi voltar para o hostel, tomar uma sopa de frango do armário das sobras do hostel (e só a Tamires tem a cara de pau de pegar coisas do armário mesmo depois do check-out >.<), pegar as malas e correr para o trem, onde ficamos batendo papo até chegar em Dublin, lá pelas 21h. E bóra fazer o caminho da roça, ônibus 130, ponto da Clontarf Road, virando à esquerda na Vernon Avenue e direita na Clontarf Park. Casa, por assim dizer.

Irlanda do Norte #Dia 3

Com um café da manhã feito de sobras (porque esquecemos de comprar coisas para comer), começamos o dia. E bem rápido, porque a programação seria longa, já que seria o dia de desbravar Belfast!

Começamos no quintal do hostel, o Cathedral Quarter, que tem esse nome por conta da belíssima St. Anne’s Cathedral, construída em 1904 pelo arquiteto Sir Thomas Drew. Aí vem todo o meu ritual para descobrir catedrais: entrando geralmente pela lateral (é sempre raro a porta principal estar aberta) me direciono até o centro, ainda nos fundos, e só olho para a frente quando estou bem no meio. Uau. É sempre incrível ter a primeira visão de uma grande catedral assim =)

Uma curiosidade é que essa catedral possui um “Spire” dentro dela, como o de Dublin, instalado no seu topo em 2007, como parte do plano de desenvolvimento do Cathedral Quarter. Que visual bacana, o contraste do antigo e do moderno!

A próxima parada seriam os famosos murais políticos de Belfast, que achamos melhor fazer logo cedo, porque vai que é perigoso por lá mais tarde? Como tínhamos a vantagem do ônibus turístico, pegamos o bonitão, sentamos no piso aberto de cima e lá vamos nós, passeando pelo centro, fotografando tudo, até chegar na região dos murais, onde descemos.

A origem dos murais vem de décadas atrás, quando os conflitos entre católicos e protestantes começaram a apertar por ali. Pintar os murais foi uma forma que os grupos encontraram para demonstrar sua opinião e mobilizar mais cidadãos para abraçar a causa. Desde o começo, mais de dois mil murais diferentes já foram produzidos. Antigamente os temas eram “Ei, Lads! Vamos nos separar da Inglaterra!” ou “Ei, lads! Não vamos nos separar da Inglaterra!”. Hoje em dia, ainda é possível ver alguns assim, mas a maioria não possui nenhuma causa política, apenas pedem paz.

Uma coisa muito surpreendente foi descobrir que os católicos e protestantes já foram divididos por um muro com grandes portas de metal (The Peace Wall), onde a polícia inglesa fazia uma verificação de documentos para permitir a passagem de um lado para o outro. Os muros foram criados no final da década de 60, para tentar minimizar a violência entre os dois grupos. Hoje em dia, o portão fica aberto mas, na boa? Quando passamos por lá mais tarde, estava fechado! De qualquer forma, a região é atração turística e todo mundo assina seu nome e deixa uma mensagem no muro. Aproveitamos a deixa =)

Com muro ou sem muro, ainda existe a separação entre a área católica e protestante. É estranho. No lado católico, é tudo vazio, com ruas desertas, memoriais para mortos em conflitos e murais tristes. No lado protestante, mais movimento e ruas cobertas por bandeirinhas inglesas e fotos da Rainha Elizabeth.

Ainda no lado católico, passamos pelo Clonard Monastery, construído em 1897. Lindo! Estava acontecendo uma missa por lá e eu fiquei para ouvir um pouquinho. Ouvi o Padre dizer que, apesar do passado tempestuoso e de todas as perdas, precisamos lembrar que Deus é amor e que não devemos guardar ódio pelo que passou. Me perguntei se foi só coincidência ou se ele realmente precisa ficar repetindo essa mensagem para tentar apaziguar os ânimos, ainda hoje.

A essa altura do dia, já verdes de fome, fomos para o St. George’s Market, construído em 1890. Além de vender frutas, legumes e peixes, aos finais de semana funciona por lá um MARAVILHOSO mercado de comida e artesanato, com comidas de tudo quanto é tipo, barraquinhas cheias de geléia, queijos, bijouterias, livros e música ao vivo. Depois de uma olhada por todas as opções de comida (libanesa, indiana, mediterrânea, irlandesa, chinesa, hamburguers, hot-dogs, crepes e bolos), escolhemos um potão de 5 pounds do indiano arroz vegetariano com frango apimentado e um pedação de bolo fudge de chocolate.

Estufadas e felizes, corremos para o tão esperado City Hall, com o nosso tour agendado para às 15h e pelo amor de Deus, não podemos perder agora! Talvez o mais famoso cartão postal de Belfast, o City Hall é motivo de orgulho para os cidadãos, pois representa o reconhecimento de sua cidade como uma cidade! Esse fato aconteceu em 1888, quando a Rainha Vitória concedeu a Belfast o título de cidade e chegou à conclusão de que uma prefeitura seria necessária para refletir essa mudança de status. Em 1898, a primeira pedra foi alocada e, oito anos depois, ele estava pronto.

O prédio é, assim, maravilhoso. Um hall de entrada de tirar o fôlego, com uma abóboda alta e toda decorada do jeito que eu gosto. E à medida que o tour vai prosseguindo, pela escadaria acima, você descobre salas maravilhosas, uma mais linda e ornamentada que a outra, enquanto o guia vai contando fatos importantes sobre o local. Sabe, valeu a pena o esforço para conseguir fazer esse tour =)

Depois disso, resolvemos pegar o ônibus turístico mais uma vez, para fazer o trajeto completo agora, o que permitiu que conhecêssemos diversos prédios importantes, como a Queens University, Parliament Biuldings, Europa Hotel e Grand Opera House (Preciso registrar, que tentamos visitar o interior mais de 4 vezes e não conseguimos! Falta de consideração com os turistas pobres, isso sim! >.<) e diversas ruas da cidade.

A última parada foi o Tescão vitoriano (gente, até o Tesco é vitoriano em Belfast, como pode?), comprar ingredientes para fazer um risoto no hostel (com o arroz Basmati que a Tamis “descolou” no armário das sobras – onde a galera que está saindo deixa sua comida para os outros) de cogumelos e creme fraichè. No processo do risoto, ficamos observando meninos franceses (de uns 18 anos) ajudando uma tia francesa (deviam estar um uma excursão, sei lá) a fazer o jantar para mais de 20 coleguinhas. Gente, os meninos eram mais novos que o meu irmão e estavam lá, tirando a pele das salsichas, picando os legumes, refogando tudo na panela! Caiu até uma lágrima de admiração =)

Duas bacias de risoto e uma garrafa de vinho depois, eu só queria saber da minha cama, mesmo ela sendo meio estranha. E começava a bater a tristeza do último dia.

Irlanda do Norte #Dia 2

E o dia começa com uma torta de cereja comprada no Tesco (1 pound) e aquecida no micro-ondas, com muitas expectativas e ombros à mostra para fazer jus ao sol que começava a raiar. O ônibus do tour veio nos pegar no hostel e quando pisei nele, surgiu um arrependimento. Estava LOTADO! Quase não conseguimos nos sentar juntas, se não fosse a boa vontade de uma senhora que ofereceu seu lugar e foi sentar-se na frente com o motorista (ou ela foi esperta, porque pegou a melhor vista possível).

O motorista era um velhinho simpático, que ficava falando o caminho todo, contando histórias e curiosidades sobre os locais pelos quais passamos (pena que o som era péssimo e não dava para entender quase nada do que ele dizia). Equipadas com máquinas lotadas de bateria (ou não – nunca confie na capacidade que o fabricante diz que a bateria da sua máquina possui) e comida para um batalhão (sanduíches de pão, cream cheese e salame, suco de laranja, maçãs, bolachas Oreo (s2) e muita água), começamos o tour!

Primeira parada, cerca de 30 minutos após deixar Belfast, foi o Carrickfergus Castle, localizado na cidade de mesmo nome, no condado de Antrim. Ele foi construído pelos anglo-normandos em 1.177 e é um dos castelos medievais mais bem preservados da Irlanda. Atualmente, um museu funciona lá dentro, mas não tivemos tempo de visitar, já que a parada era apenas fotográfica e funciona mais ou menos assim: você desce do ônibus e corre, filha, para poder tirar as fotos que quiser, tentando não deixar os milhares de turistas do seu e de outros ônibus as estragarem. Foi bem legal, o lugar é lindo e eu tirei fotos legais =)

E volta para o ônibus, passando por estradas no meio de florestas, com casinhas modestas, vacas, ovelhas, o mar aparecendo uma ou outra vez para dar as graças, batendo papo e comendo sanduíches.

Segunda parada, Carnlough Harbour ou, melhor dizendo, parada do almoço e banheiro, porque tinha um Spar (rede de supermercados de conveniência) ali e nenhuma outra atração que valesse a pena. A má notícia é que o sol tinha ido embora e a chuva tinha chegado, e eu comecei a sentir muita tontura, não sei se pela perspectiva de ter que atravessar a ponte do medo ou pela falta de comida decente. Compramos um salgadinho bem salgado para ver se a minha pressão voltava a subir =X

E volta para o ônibus, agora passando o tempo todo pela costa, com um visual incrível, o sol voltando a aparecer, a tontura diminuindo, a conversa continuando, o motorista ainda tentando contar os fatos sobre aquela localização.

Terceira parada, a famosa Carrick-a-Rede ou Rope Bridge, uma ponte de corda que possibilita a passagem até a ilha de Carrick-a-Rede (do gaélico). Ela possui 20 metros de comprimento e está erguida a 30 metros de altura do nível do mar. Atualmente, sua única função é turística, mas ela já foi muito importante para os pescadores da região, que a construíram nos anos 70 – em estado precário e EU NÃO SEI COMO ELES CONSEGUIAM ATRAVESSAR AQUILO com apenas um corrimão e um espaço ENORME entre as tábuas de madeira.

Ok, atualmente ela não é mais assim, é super segura, tem rede de proteção e tudo o mais, mas ela balança mesmo assim. E eu já desci do ônibus dizendo para a Tami “eu não vou atravessar essa budega, não!” e para mim mesma, pouco reparando na paisagem estonteante que estava ao redor, de tão nervosa que eu estava. E andamos por cerca de 20 minutos do ponto que o ônibus nos deixou até a fila para cruzar a ponte (5 pounds, obrigada), com funcionários dos dois lados, pois eles controlam a vez de quem vai e volta, já que só cabe uma fileira de pessoas por vez na ponte.

E cedo demais chegou a nossa vez. E eu desço as escadas de acesso à ponte já rezando (em voz alta, mesmo, sem me importar): “Jesus do Céu, por favor, me proteja e não me deixe cair aqui!”, a Tami na minha frente já rindo e eu piso na ponte e ela treme toda, mas vou indo, não olhado para lugar nenhum (muito menos para os meus pés), exceto para a frente, para o que ainda falta. E a Tami vira e tenta me dar a máquina dela, para eu bater uma foto. Eu falo: “Oi, posso tirar a foto com a minha máquina mesmo? Assim eu ainda fico com uma das mãos na ponte, ok?” o.O E tiro a foto e continuo a andar. Mas aí, a ponte balança muito mais! A causa? Crianças MALDITAS, que começam a pular atrás de mim. E eu começo a gritar, em português mesmo, porque o inglês ficou lá no fundo da consciência nesse momento: “PAREM DE BALANÇAR, PORRA! FILHOS DA PUTA! CARALHO, ESSA MERDA VAI CAIR!”. E choro, chegando branca do outro lado, com gente rindo da minha cara. E eu ainda tentei me explicar: “Poxa, eu tenho muito medo de altura, isso é muito difícil para mim!”. Eu nem sei se tenho tanto medo de altura assim. Meu medo é de pontes de cordas eu acho, mesmo pequena nunca gostei daquelas de parquinhos – pergunta pra Mamis. Ok, admito que perdi a linha. Ainda bem que só a Tami entendeu os meus palavrões =)

Mas, depois daquilo, tudo ficou mais legal. Tipo, passou o sufoco! E eu pude aproveitar a paisagem sufocante de tão linda (a mais linda que já vi desde que cheguei nesta ilha), o sol, o vento gostoso, as fotos maravilhosas, pensando na vida, na beira daqueles penhascos. Que momento! Na volta, tudo melhor. A Tami foi atrás de mim e “segurou” as pessoas atrás dela, para que eu pudesse atravessar a ponte sozinha. Fui meio correndo, só para garantir =)

E volta para o ônibus, continuando na costa, comendo bolachas porque eu mereço depois dessa provação, xingando as crianças sem consideração com as pessoas, já sentindo o cansaço do dia.

Quarta parada, Dunluce Castle. Ou melhor, ruínas do que um dia foi o Dunluce Castle. Ele foi construído no século 13 pelo rei do Ulster da época. O safado do vendedor do guia me disse que ninguém pode entrar lá, porque é perigoso – já que ele está localizado no topo de uma colina e está caindo aos pedaços. Mas descobri que é mentira, que bastam 5 pounds e você pode visitá-lo sim senhor. É, mas como a parada foi fotográfica, só deu para tirar meia dúzia de fotos e ficar um tempinho ali pensando em como o mundo é maluco, já que ali moravam pessoas de verdade e que nem imaginavam que um bando de turistas equipados com uns troços estranhos no pescoço parariam em frente as ruínas de seu império para se questionar tudo isso.

E volta para o ônibus, agora já acabada, comendo mais sanduíches, tirando um cochilo breve pois ainda temos a principal atração pela frente.

Quinta parada, Old Bushmill Distillery, a parada mais burra da história dos tours pelo condado de Antrim. Imagina, uma parada de 20 minutos, que não te permite visitar a distilaria, só a loja de souvenirs, enquanto esse tempo seria melhor aproveitado nas paisagens naturais, o que trouxe todo mundo até ali. Pois é. Só entramos para descobrir que aquela é destilaria com a licença para funcionar mais antiga do mundo. De resto, ficamos comendo um Kit Kat recém-comprado e sentindo aquele cheiro horrível do whiskey sendo fermentado =P

E volta para o ônibus, agora por favor, podemos ir para a Giants Causeway? Grata.

Sexta parada, Giants Causeway, finalmente, que é a região ainda no condado de Antrim formada por mais de 40 mil colunas de basalto, resultado de uma antiga erupção vulcânica. Essa é a explicação científica, mas ainda existe a explicação poética e folclórica, que diz que essa calçada foi construída pelo guerreiro irlandês Finn MacCool, como uma ponte para a Escócia. Ele, então, foi desafiado por um gigante escocês, Benandonner, que era muito maior que ele. A esposa de Finn, Oonagh, teve então uma ideia genial: ela o disfarçou como um bebê, o colocando em um berço. Quando Benandonner veio, Oonagh disse a ele que Finn estava fora, mas que deveria voltar em breve. Ela o mostrou então “o filho de Finn”. Quando Benandonner viu o tamanho do bebê, ele não teve mais vontade de ver o pai! Benandonner fugiu aterrorizado, destruindo a calçada atrás dele, para que o “enorme Finn MacCool ‘, não pudesse segui-lo.

Acreditem no que quiser, a visão é surpreendente. As colunas são hexagonais e PERFEITAS! Parecem realmente ter sido feitas à mão, ponto para a lenda do gigante. É muito divertido ficar ali, escalando, andando até a ponta da calçada, avistando a Escócia ali do lado (Oi, Edimburgo! Me espera, estou de olho em você!), ou só parando para pensar na vida novamente (Engraçado né? Paisagem bonita te faz pensar na vida.).

E após tudo isso, eu já estava meio tonta, cansada, com fome e coisas estranhas começaram a acontecer comigo. Primeiro, eu lá na ponta final da calçada, esperando a Tami tirar uma foto minha e me vem uma onda (que eu sinceramente achei que ia me derrubar) e me molha até os tornozelos. Depois, eu sentada esperando a Tami tirar outra foto, derrubo meus óculos em poça de água. Ainda ali, eu tentando descer das colunas, morrendo de inveja da Tami, solto a frase: “Sabe, você quer me humilhar… Vai descendo correndo na minha frente, segurando a bolsa, com a máquina em uma mão e… AHHHH!”. É, escorrego e a Tami me segura. E o final da frase fica “e me segurando com a outra”. Rimos disso até o final, andando por paisagens incríveis, para encerrar o dia.

E volta para o ônibus, agora falando de empregos alternativos (como em cruzeiros) e a Tami me fornecendo uma lista negra de agências de publicidade que eu nunca devo tentar trabalhar e ela não lembrando o nome da pior. Estou quase adormecendo quando ela me solta um alto e sonoro: “Young and Rubicam”! Um final engraçado para um dia inesquecível =)

A última parada foi o Crown Liquor Saloon, o pub mais famoso (e lindo) de Belfast. Ele é super antigo e é um exemplo de arquitetura e decoração Vitoriana. Possui lindos vitrais e trabalhos em madeira e você fica perdido olhando para tudo aquilo, bebendo o seu pint (Belfast Ale, em homenagem à cidade).

Ainda tentamos jantar, mas aqui não é Dublin mesmo, então foi impossível achar um restaurante ou mercado aberto às 22h e tivemos que ir comer no Victoria Square, na Pizza Hut, lasanha para mim e massa para a Tami. Ainda ali, decidimos mudar os planos dos últimos dois dias (sensata decisão): faríamos Belfast no sábado e Derry no domingo, já que a primeira exigiria muito mais tempo, que não teríamos no último dia. Planos feitos, bolsas arrumadas para o dia seguinte, hora de dormir. Sem nem sonhar, de tanto cansaço!

Irlanda do Norte #Dia 1

O dia começou bem, com aquela sensação maravilhosa de acordar cedo por um dos únicos motivos que não te faz querer voltar para a cama: viajar! Tomei um café reforçado, peguei a minha trouxa e fui para o ponto de ônibus. Quando cheguei na Conolly Station (a principal estação de trem de Dublin, para trajetos entre cidades, condados e país – no singular mesmo, lembrem-se de que estamos em uma ilha!), a Tami já estava lá, mochilão nas costas, passagens de trem na mão.

E lá vamos nós, plataforma 2, vagão G, assento 58 e 60. Ficamos de frente uma para a outra, com uma mesa entre nós. E a viagem durou 5 minutos, de tanto o que conversamos! Sobre a vida em Dublin, sobre família, relacionamentos, sobre publicidade e marketing (é, ela é minha colega de profissão também ^^), tudo menos a viagem propriamente dita e, quando chegamos em Belfast, tínhamos apenas um esboço inicial do planejamento dos próximos dias. Erro 1! Com isso, perdermos muito tempo no primeiro dia para pesquisar o que fazer: passeios do dia, se alugaríamos um carro ou não, qual tour escolher, dormir em Derry ou não dormir em Derry – – eis a questão.

Desembarcando na Central Station em Belfast, a primeira emoção. “Ah, você não trouxe o passaporte, Tami?”. E enquanto eu imaginava cenas terríveis da pobre coitada tendo que voltar para trás com mala e tudo, passamos pela catraca, pelos guardas, pela porta, sem nenhuma pergunta sobre quem éramos e o que ali fazíamos. Gente, mas eu queria TANTO um carimbo de vocês no meu passaporte, poxa! Nem parecia que estávamos entrando no Reino Unido, tamanha a falta de controle! Mas é melhor assim, a Tamis continua =)

Enquanto olhávamos os displays da estação atrás de mapas de Belfast (e não encontramos um decente, acredita?), chega um funcionário – já senhor e com os dentes dignos de um típico irlandês (Perdão, chefes! Estou excluindo vocês dessa, ok?) dá a primeira boa notícia do dia! “Ah, o nosso bilhete de trem dá direito a pegar o ônibus para o centro de graça?”. Que beleza! E do ônibus eu tive a primeira impressão de Belfast, que foi: “Caramba, isso tudo parece muito com Dublin”. Mas a primeira impressão em viagens nunca é a correta, eu posso dizer. Falemos mais sobre isso depois.

Chegamos ao The Linen Hostel, Kent Street, Cathedral Quarter, ao lado da Central Library. Bem localizado, recepção descontraída, gente de tudo quanto é tipo, bem hostel mesmo. Pagamos, deixamos as malas na recepção (é, muito cedo para o check-in), pegamos as câmeras e bora bater perna, ainda sem um plano do dia. Erro 2. Não dá para sair sem rumo assim, se você quer otimizar a sua viagem. Você fica perdido, perde o horário das coisas, toma decisões burras.

Enfim, lá fomos nós para a atração mais óbvia de todas, o City Hall, o prédio mais famoso de Belfast. Ainda não vou comentar sobre ele porque, no final das contas, a visita não foi concluída neste dia. É, chegamos, tiramos fotos da fachada (muito safadas, porque o sol estava raiando de uma forma que eu não vejo desde que deixei o Brasil, e era luz de mais para capacidade de menos da minha câmera). Entramos, opa, que salão bonito! Opa, tem um tour começando agora! Que beleza, vamos nos juntar. Ouvimos os primeiros cinco minutos, até a hora em que a multidão se dirige à escadaria e vemos um senhor recolhendo bilhetes numerados. Ah, deveríamos ter pego a senha… Ah, não dá para pegar agora? Tudo bem, pegamos a senha para o próximo tour e vamos bater mais perna enquanto isso. E tá aí uma coisa que eu não gosto em viagens: deixar lugares pela metade =S

Na mesma rua, encontrei a Linen Hall Library, que li em um dos guias que era “o tesouro secreto de Belfast”. Ela foi fundada em 1788 e o seu nome vem da grande fama de Belfast como produtor de linho. Foi bem legal, para quem ama uma biblioteca como eu =P Ela é bonita e tem uma escadaria incrível! Além dos livros expostos, rolava por lá uma exposição de cartazes políticos – impressionantes, interessantes, tristes.

Como ainda tínhamos que resolver a ida para a Giants Causeway e Derry, fomos à estação de ônibus descobrir os horários e em busca dos vendedores de guia nas ruas, para barganhar um preço bom. E deu certo, fechamos um tour para o dia seguinte para Giants + Rope Bridge + Diversas paradas fotográficas no caminho + 3 dias de ônibus-city tour por 20 pounds cada uma. E a visita para Derry pré-agendada para sábado. É, a ideia do carro ficou para outro dia… E o medo de dirigir na mão invertida, em plena costa e penhascos?

E a fome bateu, após todas essas negociações. Procurarmos algum lugar com menu de almoço, como tem em cada esquina em Dublin. É, mas aqui não é Dublin, lembra? Sem nada em vista, fomos ao Victoria Square, um lindo complexo de lojas e entretenimento construído recentemente, no lugar de prédios horríveis! Optamos por comer no Fridays, que eu sempre tive vontade de conhecer e porque um hamburguer gordo (e caprichado, como não comia desde que deixei minha querida São Paulo) era tudo o que precisávamos.

A decoração do lugar é linda, pau-a-pau com o Zé do Hamburguer (s2). Um belo mushroom hamburguer e um chocolate fudge cake with ice-cream depois, estávamos 5 minutos atrasadas para o tour do City Hall, que perdemos. E sim, pegamos o bilhete para o próximo, dali a uma hora. É quando a Tami me conta sobre um fato que eu desconhecia, que o museu do Titanic é tão concorrido que tem gente que não consegue visitar. Gente, para tudo! Se eu não for nesse museu, volto pra casa AGORA! E lá vamos nós para o Titanic Quarter, onde o museu é localizado, para reservar a nossa entrada.

O Titanic Quarter, como o nome diz, é o quarteirão onde estão localizadas as atrações relacionadas ao Titanic em Belfast. Sim, ele foi construído lá entre 1909 e 1911 pela empresa irlandesa Harland and Wolff, sob encomenda da empresa inglesa White Star Line, que operava diversos navios na época. A região é linda, perto do mar (#Óbvio!), com prédios modernos, pontes, monumentos, navios gigantes e muitas coisas relacionadas ao Titanic: as rampas onde ele foi construído, a doca de onde ele foi lançado e, o mais sensacional de todos, o museu.

Na minha opinião, ele é tão megalomaníaco como o próprio Titanic! E lindo! E surpreendente! É, se eu tiver que escolher uma atração favorita em Belfast, eu voto nesse museu. E não é porque eu sou daquelas viciadas na história do navio (ou no filme) não, viu? É porque é, na boa, um dos melhores museus que já fui na vida! *____________*

Ele foi projetado para possuir a mesma altura do Titanic (53.3 metros) e o seu design é inspirado na proa do navio. Ele foi aberto em 31 de Março de 2012, quase 100 anos após a viagem inaugural do Titanic, no MESMO local. Legal, não é? É muito impressionante ficar olhando para aquele tamanho de prédio, imaginando o tamanho de navio que estava ali há 100 atrás. E o dia estava lindo, quente, com um vento gostoso! Inesquecível =)

A exposição é dividida nas seguintes sessões:

Boomtown Belfast

No começo do século 20, Belfast estava vivendo curtindo o maior boom de sua história. A cidade era líder global em engenharia, construção naval e fabricação de linho, e a Harland e Wolff se tornou, simplesmente, a maior construtora de navios do mundo. Era o momento certo para construir navios do porte do Titanic e Olympic, seu gêmeo (que não afundou #Ufa e trabalhou por mais de 25 anos e foi usado até como meio de transporte para tropas militares durante a Primeira Guerra Mundial). Essa contextualização é muito importante para as próximas sessões =)

Shipyard

Em 1908, duas rampas gigantes foram construídas para comportar o Titanic e Olympic, os maiores navios do mundo. Essa era o “Shipyard” da Harland and Wolff e na exposição é possível fazer uma verdadeira visita, por meio de um “carrinho de montanha russa”, que nos leva para a base construção, onde ficavam as turbinas e, por meio de efeitos visuais, é possível ouvir o barulho que era ali, ver a fumaça e os homens trabalhando (cara, eles batiam os pregos de aço na mão!). Descobrimos também que a taxa de acidentes e mortalidade era alta durante a construção de um navio, já que eles não tinham quase nenhuma medida de segurança.

The Launch

Em maio de 1911, o lançamento de Titanic foi acompanhado por 100 mil pessoas (um terço da população da cidade) e foi um evento super importante. Podemos ver vídeos e fotos reais desse momento e descobrimos um fato engraçado: foram necessárias muitas toneladas de sabão e gordura para fazer o navio deslizar das rampas de construção e entrar finalmente na água =P

The Fit-Out

O Titanic foi o navio mais luxuoso e elegante do mundo, com acessórios, móveis e alimentos para rivalizar com os melhores hotéis. Nessa sessão, vemos todo o trabalho que foi feito do lançamento até a viagem inaugural, como a decoração das cabines (com réplicas de cada uma das três classes disponíveis no navio), como era a tapeçaria, a porcelana e os móveis. Além disso, uma animação SENSACIONAL nos conduz em uma viagem desde as salas dos motores, subindo pelos corredores das cabines, restaurantes, grande escadaria, sala do capitão, decks. Vi a animação umas duas vezes, de tão maravilhosa que era *___*

Maiden Voyage

Belfast, 20:00, 2 de abril de 1912 foi o começo da primeira e única viagem do Titanic. Ele recolheu passageiros em Southampton – Inglaterra, Cherbourg – França e Queenstown (Cobh) – Irlanda antes de atravessar o Atlântico, com destino ao Chelsea Pier no West Side de Manhattan, Nova York. Descobrimos fatos sobre os passageiros a bordo, sobre a tripulação, sobre a quantidade de comida e bebida a bordo. E vamos chegando perto da parte triste =(

The Sinking

Aproximadamente às 23:40 de 14 de abril, em uma noite calma e sem lua, o Titanic foi em direção a um iceberg em quase toda a velocidade (21 nós), criando uma abertura de 90 m (300 pés) de comprimento abaixo da linha de flutuação. Duas horas e meia depois, ele afundava abaixo da superfície do gelo do Atlântico Norte, com a perda de mais de 1.500 homens, mulheres e crianças. O horror daquelas horas finais são retratados por meio de efeitos sonoros e visuais, além de painéis aterrorizantes com a reprodução das conversas entre o operador de telégrafo do Titanic e de outros navios próximos, pedindo ajuda, até o momento em que eles param de responder.

The Aftermath

O naufrágio do Titanic foi investigado na Inglaterra e no Estados Unidos. Todos os os detalhes das investigações e reportagens sensacionalistas estão expostos e, enquanto passeamos pela sessão, ouvimos entrevistas, depoimentos, lemos notícias. É possível ver uma reprodução do bote salva-vidas – o calcanhar de Aquiles do Titanic e responsável pelo baixo número de sobreviventes, já que só haviam botes disponíveis para salvar metade dos passageiros, além de painéis que mostram as estatísticas entre mortos e sobreviventes, com o nome de todos os passageiros.

Myths and Legends

Aqui, vemos todas as muitas histórias, relatos da mídia, lendas e fantasias que cresceram em torno da história do Titanic, com todo o fascínio que permanece até hoje. Vemos posters dos diversos filmes e até a Celine Dion cantando aquela música batida que todo mundo conhece ^^

Visit and Explore the Wreck

“O Titanic está agora abaixo de 13.000 metros de água em uma paisagem levemente inclinada com vista para um pequeno canyon. Não há luz nessa grande profundidade e pouca vida pode ser encontrada. É um lugar calmo e tranquilo – e um lugar adequado para os restos da maior tragédia do mar para descanso. E que Deus abençoe estas almas agora encontrados.” Dr. Robert Ballard, 09 de setembro, 1985

Esse oceanógrafo foi o responsável por descobrir a localização exata do navio e, posteriormente, pelo resgate de objetos (alguns até valiosos). Por meio de vídeos e projeções em alta resolução, nos sentimos dentro do mar, explorando o local do naufrágio, descobrindo objetos, vendo o estado de desintegração do Titanic. E a estimativa é de que ele dure apenas mais 50 anos, quando finalmente, desaparecerá por completo. Triste, não é?

Com o pé doendo de tanto andar, a cabeça zunindo de tanta informação, caminhamos para o hostel. E para lembrar que ainda estamos na Irlanda – mesmo que na do Norte, cai uma chuva assim, do nada. Passamos no mercado (Tescão, mas o mais bonito da história do Tesco!) e compramos coisas para o jantar, café da manhã e lanches para o passeio de amanhã.

Molhadas chegamos ao hostel e fomos ao nosso tão esperado quarto aconchegante. Mas a pena é que ele não era tão aconchegante assim. Aliás, nem cama tínhamos! O quarto (misto, gigante) estava lotado e, em conversa com uma americana na cama ao lado, descobrimos que aqui é assim, não se sabe que cama está desocupada ou não. Enquanto isso, me passa um tiozinho com uma tanga preta, o cofrinho de fora e nós não temos dúvida: vamos reivindicar outro quarto.

Eu não queria mais ficar naquele, mas como sou brasileira e não perco uma oportunidade, cheguei cheia de razão pedindo para mudar de quarto sem custo, já que o hostel é que falhou na entrega do que eu paguei. Sim, mudamos para um quarto menor, com só um homem e acompanhado. Mas, mesmo assim, não era ideal. Camas velhas, banheiro duvidoso, bagunça. É, quem manda querer pagar 8,5 pounds por noite?

Mesmo assim, por lá ficamos, tomamos banho, nos arrumamos para sair, comemos (pão integral com cream cheese, queijo e salame), bebemos Guinness (quente) e não saímos, porque a chuva voltou e mais pesada do que nunca. Na boa? Tudo bem, eu precisava era da minha cama mesmo. Mandei e-mails para a família e o amor (20 pennys a cada 6 minutos, o custo de não levar o seu notebook com você), pus o pijama e deitei na cama, fechando os olhos e vendo operários do Titanic trabalhado, até dormir e sonhar com a Tami me contando sobre uma suposta viagem que fez à Amazônia.

A terra de muitos Bloody Sundays

Memorial a mortos em zona de conflito – Belfast

Era uma vez uma terra habitada por celtas lindos e pagãos, que faziam festanças incríveis nos solstícios para agradar os deuses e pedir boas colheitas. Eles dividiram essa ilha em cinco províncias: Connacht, Ulster, Leinster, Munster e Meath. Cada província tinha o seu rei e eles viviam em relativa paz e união.

Quando os anglo-normandos aqui chegaram, quebrando e dominando tudo, essa divisão poética ficou só como lembrança e esse pedaço de terra, agora parte do Reino Unido, foi dividido em condados. Eles chegaram impondo a sua religião – o catolicismo, que mudou quando o rei Henrique VIII da Inglaterra resolveu criar sua própria igreja para poder casar quantas vezes quisesse, o bonitão. Os pobres irlandeses, antes pagãos, depois católicos, tiveram que virar protestantes também.

Nem todos aceitaram bem e aqueles que ainda queriam ser católicos foram marginalizados, perderam suas terras, enquanto seus mosteiros eram destruídos. Por uma questão de sobrevivência, os católicos foram se refugiando no sul e os protestantes no Norte.

Após muitas lutas, conflitos, mártires e mortes, o povo do Sul finalmente conseguiu a sua independência da Inglaterra, em 1921, para governar o país e rezar do jeito que quisessem. O povo do Norte preferiu ficar com a Inglaterra mesmo, obrigada. Problema resolvido? Não.

Mesmo sendo composta por maioria protestante, a nova Irlanda do Norte (região antes denominada como reino de Ulster) ainda possuía muitos católicos, que continuaram sofrendo injustiças. E, de tanto sofrer e querer se juntar com a galera do Sul, eles formaram um partido político de oposição (Sinn Féin – Ourselves, em inglês) e um exército (IRA, Irish Republican Army) para tentar conseguir a independência à força.

Mas a Inglaterra não queria perder de novo e controlou tudo com mãos de ferro. Mas eles também não estavam de brincadeira e usaram até de terrorismo para conseguir o que queriam. O resultado? Bombas, tiros e milhares de mortes para todos os cantos.

Por fim, eles conseguiram botar a violência de lado e criaram o “Acordo da boa sexta-feira” em 1998, que detalhava como seria o futuro do país em termos políticos, sociais e religiosos dali para a frente, com os ambos os lados cedendo e ganhando, mesmo sem a tão sonhada independência.

E em meados de 2005 (por garantia, eles esperaram um pouquinho), o IRA começou a se desarmar. E o status atual é aquele que o presidente do Sinn Féin (Gerry Adams) fez em 2011: “The war is over. The IRA is gone. The IRA embraced, facilitated and supported the peace process. When a democratic and peaceful alternative to armed struggle was created the IRA left the stage”.

Mas, na boa?
Eu vi vários helicópteros sobrevoando a zona tensa de Belfast, só de olho =X

P.S.: Esse é o começo do relato da viagem, em processo ^^

Até mais!