A primeira sexta-feira morando no centro

Olá!

A primeira sexta-feira morando no centro a gente nunca esquece. E como foi perfeita! É tão bom poder fazer tudo a pé e chegar rápido nos lugares. Para quem sempre morou longe das coisas legais da cidade e sempre teve que encarar uns bons 50 minutos para chegar até elas, estou no paraíso *____*

Ontem fomos visitar dois pontos turísticos localizados no Sudoeste de Dublin, em uma área conhecida como Old City, por ser uma das primeiras partes da cidade a ser construída.

Christ Church Cathedral: uma sobrevivente

Ela é uma das maiores catedrais de Dublin, que foi fundada pelo rei viking Sitric Silkbeard em 1030. Além do fato de ter quase mil anos de idade, a Christ Church é uma sobrevivente pois resistiu a diversas idas e vindas da história e, talvez à pior delas, a reforma protestante de Henrique VIII (ele sempre aparece por aqui, não é?). Conta-se que os fiéis imploraram ao rei que não destruísse a catedral e ele concedeu o pedido porém, mandando destruir todas os santos, que não foram repostos até hoje. Ela foi restaurada e modificada umas 10 vezes e pouco se vê da estrutura original.

Por fora, a catedral é incrível. O prédio é gigantesco, com várias torres, cruzes, janelas românticas, portas antigas. Por dentro então, nem se fala. Como sempre, eu espero chegar em uma posição boa para dar aquela primeira olhada. E uau, que incrível! A nave é gigante, com mais de 25 metros de altura, com todos aqueles detalhes, os arcos, os lustres, os vitrais, o altar. Até os bancos são diferentes aqui!

Ela tem diversas capelas espalhadas nas suas laterais. Uma das mais legais é a de St. Laurence O’Toole (arcebispo de Dublin que foi canonizado), famosa pelo piso de cerâmica original da época medieval e a caixa que contém o seu coração. O piso estava lá, lindo e original. Mas o coração não. Acreditam que ele foi roubado? Na nossa primeira semana aqui em Dublin, algum ladrão roubou o coração – que não tem valor monetário nenhum, mas é um símbolo de fé para muitas pessoas. Triste =(

Como se não bastasse tudo isso, a catedral ainda tem uma cripta sensacional, a maior da Irlanda e Inglaterra, com mais de 63 metros de comprimento. Lá dentro, podemos ver túmulos e monumentos a homens importantes para a catedral, além de tesouros como ouro, prata e bíblias presenteadas por reis da Inglaterra. Uma das coisas mais curiosas é a múmia de um gato e um rato, que ficaram presos em um tubo do órgão e acabaram mumificados.

E, mesmo eu já estando completamente satisfeita, o que descubro na cripta? 1) Um restaurante lindo, fofo, romântico, a luz de velas, com música antiga! Não comemos por lá porque o dinheiro anda limitado, mas eu ainda volto lá, ah volto! 2) Uma exposição com alguns figurinos usados pelo elenco de The Tudors (olha o Henrique VIII aí novamente) – roupas lindas, cheias de bordados, perfeitas. *____*

E eu ainda vou voltar lá, para assistir a uma missa com apresentação do coral e órgão. Imagina como deve ser lindo? =)

Dublinia: descobrindo as origens

Ao lado da Christ Church, no prédio de uma antiga igreja, fica localizada a Dublinia, museu-vila que retrata a chegada dos Vikings aqui nesta terra, como viviam e pelo que foram responsáveis. A exposição normal dura cerca de 55 minutos para ser feita, pelo que diz o guia. Mas nós levamos o dobro do tempo, de tão legal que é =)

No primeiro andar, descobrimos quem eram os Vikings (povos oriundos da região que hoje conhecemos como Dinamarca e Noruega), como viajavam (em barcos extremamente simples de madeira), porque viajavam (para buscarem melhores condições de moradia e alimentação no inverno brabo), no que acreditavam (vida após a morte), como eram suas casas (de madeira), do que se alimentavam (aves, peixes e pão) e por aí vaí.

Descobrimos também a história da fundação de Dublin que, para quem não sabe, só existe hoje graças aos queridos Vikings! Eles chegaram por aqui em 841 e encontraram uma terra boa, perto de um lago escuro – Dubh Linn, que deu origem ao nome da cidade. Fundaram a comunidade, constituíram comércio, fundaram igrejas. Eles foram derrotados duas vezes nos anos de 1014 (por Brian Ború – rei irlandês) e 1170 (Strongbow – cavalheiro anglo-normando) e acabaram se integrando à comunidade irlandesa local.

No segundo andar, temos uma verdadeira demonstração de suas condições de vida. Vemos como a peste negra causou a morte de milhares. Vemos como eles era julgados e punidos. Vemos como era o interior de seus barcos. Vemos uma representação de suas feiras de comércio. Vemos o interior de suas casas (e banheiros!). Tudo isso com atividades interativas, onde você pode se vestir como um deles, pode escrever o seu nome com a língua deles, pode ser condenado como eles. Adorei =)

No último andar, uma verdadeira aula de arqueologia, com uma exposição sobre como tudo isso foi descoberto, na escavação da Wood Quay (uma rua à beira do Liffey), onde foi localizado um assentamento Viking. Descobrimos como os arqueólogos trabalham, quais ferramentas usam, como conseguem dizer a idade dos artefatos encontrados.

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A melhor noitada da minha vida

Depois disso tudo, estávamos esgotadas. Para vocês terem uma ideia, eu deitava no sofá em casa e via vikings, vitrais, estátuas na minha cabeça. Muita informação! Mas, a noite ainda era uma criança e decidimos aproveitar a nossa recém-adquirida liberdade de condução.

Tudo começou no mercado, onde compramos 6 latões de Heineken por 10 euros. Porque a gente simplesmente não compra mais bebida em pubs! Depois, tivemos a prova de que Deus protege os bêbados. O pobre quase, mais quase mesmo foi atropelado por um ônibus, bem na nossa frente. E ficamos preocupadas com ele “Ai Aline, vamos chamar a Garda, ele vai ser atropelado!”. Por fim, vimos que um senhor foi ajudá-lo e resolvemos seguir o nosso caminho.

Pub 1

Aqui em Dublin, não se paga para entrar nos pubs (mesmo que tenha bandas) – aprende São Paulo! Então, começamos a noite em um que estava rolando um world music, como nos disse o segurança mal humorado, quando perguntamos o estilo do som. O cara mandava bem.

Mas queríamos beber, então saímos do bar e fomos para uma pracinha ali perto tomar as cervejas. Quando estamos lá, surge o bêbado 2 da noite. Fiquei com medo, mas ele só queria conversar. Olhava para a Aline e dizia “She is Irish”. Apontava para mim e perguntava “Where are you from? You are not Irish!”. Eu disse a palavra mágica, Brazil. “Oh, I like Brazil and the soccer player Pele (algo como péli). He is a very clean soccer player, you know? He is not one of those dirty soccer players, he is clean.” Hilário!

Pub 2

Acabou o show no primeiro pub, mas ainda não estávamos satisfeitas, afinal onde está o rock ‘n roll desta cidade? Descobrimos que está no The Mezz, o mesmo da semana passada. Uma PUTA banda boa, tocando músicas que eu desacreditei. Rolou Johnny Cash, The Doors, The Beatles, The Clash e, o mais surpreendente, Paint in Black dos Stones. Dá para acreditar?

Depois disso, finalmente saciadas, fomos para a casa e chegamos em 15 minutos \o/.

After party

Aqui, como os bares fecham relativamente cedo, é muito comum fazer o After Party, uma festa que todo mundo vai para continuar a beber. No meu caso, não foi diferente e eu tive a melhor After Party de todas: mais de 4 horas no Skype com o meu querido namorado. Tem coisa melhor que isso? S2

P.S.: Hoje o dia foi de cozinhar, arrumar as coisas, recuperar o sono perdido.

Até mais!

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2 pensamentos sobre “A primeira sexta-feira morando no centro

  1. Rosemary disse:

    Que incrível!!!, a maior referência brasileira é definitivamente o Pelé!!!
    Isso já aconteceu comigo nas duas vezes em que estive fora do país…é mágico, basta você falar que é brasileiro e a pessoa diz: Ah, Pelé!!! Muito engraçado isso!! (interessante o rapaz observar que o Pelé jogava limpo…se é que entendi direito)

    Adorei esse post também…gostei dos vikings…muito engraçado o viking no banheiro!!

    A Igreja é linda…e que com você fornecendo todas as informações com essa riqueza de detalhes, me senti como se estivesse lá….

    Beijos amor!!

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